quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pindaíba de Bolso ("na pindaíba?")

Meus amigos (as),

A Pindaíba, revista da editora (genérica) Ed!Bar, não conformada (são mesmo inconformistas) com sua contínua descontinuidade lança ainda uma edição JULHO versão pocket ("de bolso", eles preferem assim...) com "miasmas adocicados" para atingir o bolso (daí o nome) de seus leitores.

Os seus editores Manoel César, Cláudio Bentemuller, André Dias e Augusto Nascimento prezam pela distribuição da revista em formatinho de mão em mão, sem preço de capa, com distribuição gratuita (desde que, pelo menos, por dois reais), conforme asseguram na 3ª capa.

Impresso na boa e velha xerox, a tiragem de 500 exemplares traz poemas, contos, crônicas e ilustrações de autores diversos, colaboradores confessos da intermitente revista.


Percebemos alguns momentos ilegíveis, mas pela má qualidade de impressão, ou pelo reduzido corpo das fontes (poderiam incluir no preço uma pequena lupa), do que pela produção artística que inclui alguns autores já conhecidos das bandas do Benfica e de seus arredores, como Diana Melo, Manoel Carlos, André Dias, Nuno Gonçalves e, não poderíamos esquecer, o poeta da praça, Mário Gomes, que estreia no esplendor de sua orgia universal nesta edição.

Ao final, as dicas de livros, fanzines e revistas dos amigos dos "pindaibeiros".

Pensando bem, Pindaíba na "pindaíba" é quase um exercício de metalinguística, ou no caso, etanolinguística, ou... bem, deixa para lá.

Para adquirir a Pindaíba de Bolso: pindaiba.edibar@gmail.com

E para conferir o trabalho dos garotos: http://pindaiba-revista.blogspot.com

Para comprar in locus, dê uma passadinha no Assis da Gentilândia e dê um grito. Às vezes funciona...




terça-feira, 24 de agosto de 2010

VII Semana de Artes do José Walter (25 a 29 de agosto)

VII Semana de Artes do José Walter

Mostra de bandas do bairro, apresentação de peças teatrais, poesia, folclore, shows musicais, exibição de filmes do festival Nóia, feira de artesanato, literatura de cordel e shows com representantes da cultura cearense, são algumas das atrações da VII Semana de Artes do José Walter que acontece de 25 a 29 de agosto no Centro de Cidadania Adauto Bezerra.

A semana de artes é um encontro anual de artistas, grupos e bandas de todos os estilos do bairro Prefeito José Walter e adjacências em ação conjunta voltada para expressar a arte da comunidade.

Fomentar a cultura da região, plateias e artistas em uma confluência comunitária e cultural provocando o intercâmbio de outros artistas e de Pontos de Cultura de outras localidades é o objetivo a semana de artes do bairro.

A VII Semana de Artes do José Walter é uma realização da associação Cultural do Conjunto José Walter, Rádio Cultura 87, 9, que é Ponto de Cultura do Ministério da Cultura, Secretaria de Cultura do Estado do Ceará e Secretaria da Cultura do Município de Fortaleza com apoio da Secretaria Executiva Regional V.

Serviço: VII Semana de Artes do José Walter

Data: 25 a 29 de agosto.

Horário: a partir das 19 h.

Local: Centro de Cidadania Adauto Bezerra (CSU).

Contato: Virgínia Tavares - 8886.6841

Assessoria de Comunicação SER V: Gerusa Rosa Oliva - 8713-4283.



A Volta de Vinícius de Moraes, na crônica de Ricardo Kelmer, para o blog do Kelmer

Em 1969 o diplomata Vinicius de Moraes foi forçosamente aposentado, após 26 anos de serviços prestados no Brasil, Los Angeles, Paris, Roma e Montevidéu. A decisão do Itamaraty ocorreu no contexto do Ato Institucional no. 5, o famigerado AI-5, que a ditadura militar decretou para conceder poderes extraordinários ao Presidente da República e suspender garantias constitucionais dos cidadãos. A alegação oficial era de que o comportamento boêmio de Vinicius não condizia com a carreira pública.

Na verdade, a boemia foi apenas o pretexto. O que era realmente insuportável para a mentalidade ditatorial era ter, em seu quadro diplomático, um poeta da paz e do amor, artista de sucesso e amigo de todos, um homem popular e amado pelo povo. Vinicius não criticava abertamente a ditadura militar mas a paz, o amor, a liberdade e a alegria que exalavam de sua arte e de sua vida simplesmente não cheiravam bem aos militares.

Evidente que Vinicius ficou muito chateado pela exoneração, ainda mais com a justificativa que teria sido dada pelo governo do Marechal Costa e Silva: “Precisamos limpar o serviço público desses bêbados, corruptos e homossexuais.” Mas ele não perdeu o bom humor. Conta-se que, ao reencontrar os amigos, Vinicius apareceu com uma garrafa de uísque debaixo do braço e foi logo dizendo: “Eu sou o bêbado, viu?”.

Autoexilar-se na Europa e juntar-se aos amigos que viviam lá – Vinicius até pensou nisso mas preferiu ficar no Brasil e continuar fazendo resistência política a seu modo, com a sua arte e sua mensagem de amor e paz. Se oficialmente não era mais diplomata, na prática ele prosseguiu representando e divulgando a cultura brasileira para velhas e novas gerações, no Brasil e no exterior, como nenhum diplomata fez e provavelmente jamais fará. Até que em 1980 ele deitou em sua banheira amiga e deixou-se morrer, vítima de um edema pulmonar. Ele se foi mas nos legou a herança de sua arte imortal e seu inspirador exemplo de vida.

Corta a cena para 41 anos depois. Estamos agora em 16 de agosto de 2010. Nesse dia, em Brasília, numa cerimônia que conta com a presença de amigos e parentes de Vinicius, o presidente Lula assina sua promoção póstuma ao cargo máximo de embaixador, respondendo ao movimento popular que se articulara em pró da reabilitação e promoção de Vinicius. A imprensa de vários países noticiou o fato e certamente muitas garrafas de uísque pelo mundo foram abertas para festejar a reparação histórica. Embora a exoneração tenha sido obra exclusiva de uns militares covardes e mal-amados, a promoção póstuma do nosso mais querido diplomata faz a sociedade brasileira se livrar de um peso moral que carregava havia quatro décadas.

E eu, que comecei a amar Vinicius em minha adolescência, ainda estou aqui vibrando e brindando de contentamento. Mais que poeta preferido, Vinicius de Moraes é um guia que ilumina meu caminho com seu radiante exemplo de vida. E foi para homenageá-lo que criei, em 2009, o espetáculo Viniciarte – Vida, música e poesia de Vinicius de Moraes. Levar às pessoas a vida e a obra de Vinicius, com humor e emoção, é pra mim um grande prazer. Mas também é a melhor maneira que eu poderia encontrar de dizer:

– Obrigado, poeta. Parabéns, embaixador.

blogdokelmer.wordpress.com.br

domingo, 22 de agosto de 2010

Ensaio de Aíla Sampaio sobre Literatura Fantástica para o Cultura do Diário do Nordeste


"O que a água me deu", de Frida Khalo, 1838

Os labirintos da literatura fantástica

Meus amigos e amigas, a profa. Aíla Sampaio desenvolveu para o Caderno de Cultura do Diário do Nordeste um ensaio sobre Literatura Fantástica.
A seguir, cortesia da Margleice Pimenta, os linques das três partes do ensaio publicado.
Recomendo:






"Escambau!: Semana de Arte Urbana do Benfica", projeto CadaFalso (29.8)

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Dia 29.8.2010, domingo, às 10 horas da manhã!

"Dolentes", de Lívio Barreto, na Coleção Nossa Cultura

Capa da reimpressão da 3ª edição de Dolentes
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A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, por meio de sua Coordenadoria de Políticas do Livro e de Acervos/COPLA, publica a Coleção Nossa Cultura, constituída de quatro séries, dentre as quais Luz do Ceará, Biblioteca Bolivariana, Memória e Panorama Nacional, que destacam em seus títulos aspectos como a formação mestiça da cultura ibero-americana, a contribuição relevante de autores cearenses tanto na área de criação quanto de reflexão, a recuperação documental e patrimonial de nosso acervo literário e o resgate da expressão cultural do povo cearense.

Os títulos da Coleção Nossa Cultura, após a impressão, são imediatamente distribuídos ao Sistema Estadual de Bibliotecas Municipais, composto de 192 bibliotecas em todo o Ceará, o que amplia a ação e assegura que todo leitor cearense terá acesso às obras - não podemos esquecer de dizer que muitas delas são raríssimas - por ela publicadas.

Aos poucos, no AlmanaCULTURA, falaremos sobre alguns dos títulos publicados pela Coleção. Muita surpresa boa, acreditem, virá por aí.

Comecemos com uma das obras raras de nossa Literatura Cearense: Dolentes, de Lívio Barreto.

Publicado pela Coleção Nossa Cultura, Dolentes é obra póstuma do poeta Lívio Barreto, o "Lucas Bizarro", um dos fundadores da Padaria Espiritual, grêmio literário mais original das letras cearenses.

O livro, obra maior do Simbolismo no Ceará, se apresenta em 242 páginas e tem introdução (riquíssimo ensaio sobre o Simbolismo no Ceará, suas influências portuguesas, e sobre as características poéticas e literárias de Dolentes) e notas de Sânzio de Azevedo, o maior estudioso da Padaria Espiritual na Terra e em seus arredores.

Na folha de rosto, a capa original da primeira edição, 1897, acervo do Sânzio. Depois, o texto de Juvenal Galeno (publicado n'O Pão em homenagem a Lívio), uma imagem a lápis de Otacílio de Azevedo e o apêndice de Waldemiro Cavalcanti.

Segue biografia do Poeta:

"Lívio Barreto nasceu na fazenda dos Angicos, distrito de Iboaçu, comarca de Granja, Ceará, em 18 de fevereiro de 1870. Cedo, tinha apenas o Ensino Primário, teve que abandonar os estudos para atuar como caixeiro no comércio. Foi quando conheceu o magistrado Antônio Augusto de Vasconcelos que o ensinava, nas horas de folga, lições de Português, Geografia e Francês. Assim, com amigos, fundou o jornal literário Iracema publicando seus primeiros versos e crônicas humorísticas. Com esperanças de conseguir melhor condição de vida, viajou ao Pará (1888) onde teve acesso à leitura dos maiores poetas portugueses e conheceu João de Deus do Rego, que contribuiu para a formação de sua orientação literária. Em 1891, com beribéri e saudoso de casa, retornou ao Ceará. Nesse período, viu-se envolvido por uma intensa e triste paixão que o acompanharia até os últimos de seus versos e suspiros. Ainda em 1891, publicou “Versos a Estela”, além de sonetos e crônicas em A Luz. Em fevereiro de 1892, na busca do poético “fugir para esquecer”, dirigiu-se a Fortaleza, passando a trabalhar como caixeiro e a publicar versos no Libertador. Fundou e participou, como “Lucas Bizarro ”, da agremiação literária Padaria Espiritual. Porém, desgostoso com o seu ofício no comércio, retornou à Granja (junho de 1982) a bordo do vapor Alcântara que naufragou, lançando ao mar revolto seus livros e um poema inédito. Em 1893, ingressou na Companhia Maranhense de Navegação a Vapor, em Camocim, na qual, sobre sua banca, na tarde de 29 de setembro de 1895, caiu morto.
Este Dolentes, um dia depois da sua morte, chega, finalmente, ao seu editor."

Quem se interessar por conhecer a obra e residir em qualquer um dos 184 municípios do Ceará, procure a Biblioteca Municipal e a confira.

Contato: copla@secult.ce.gov.br

"Os FitoManos", de Raymundo Netto (tirinha de 1998)

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"A Aguadeira e a Flor: memória e ficcionismo", de Arlene Holanda

Publicado pela Conhecimento Editora, em 2009, A Aguadeira e a Flor, obra de 112 páginas, da escritora e designer Arlene Holanda (também autora de Que Bicho é Esse?, Adedonha: o jogo das palavras,Saco de Mentiras; paixão de verdade, Cordel de Trancoso, Caixinha da Memória Ceará, Nina África, O Diário do Sol, Todas as Cores do Negro, O Fantástico Mundo do Cordel e muitos outros), da querida Limoeiro do Norte, que assina também o projeto gráfico e a capa do livro, teve a sua apresentação escrita por mim, e na quarta capa, palavras, como sempre coloridas, de Thiago de Mello. Segue um pouco das duas:

Apresentação

A Aguadeira e a Flor é uma obra para ler, viver e guardar. Livro que tem todo o jeito de uma fotografia, como de Itabira, na parede: como dói... Arlene Holanda, uma artífice da poética e da palavra, em especial a lúdica e popular, liberta as asas guardadas na gaveta, sem remorsos ou alardes, e enfeixa-nos breves histórias que, “cuidadas por ela, vicejam, crescem e florescem numa profusão de cores”. Quase em estilo musical, seu olhar atento, humano, afetuoso, nos apresenta uma trilha fluente de evocações (ou provocações?) da memória, esmerilada em saborosas imagens vividas ou colhidas dos mais antigos, e daí desdobradas e sacolejadas num redemoinho de folhas secas: os comboios em lombo de burros na madrugadinha à procura de arrancho, o cheiro das manhãs de leite mugido, as ferras de touros (só eles — os bisões e as capivaras — “sabem da fúria das flechas e dos homens”), as botijas, os desenhos a carvão na parede em ruínas, os “achadores” d’água, as cacimbas incrustadas no cristalino duro (como a lida sertaneja), as chuvas (e com elas o perfume de terra molhada), as máximas expressas em sabedoria de avós, a serralharia, as vacas pastando em fila indiana, os cata-ventos (muitos deles ventilam o livro), juazeiros, cajazeiras (cajaraneiras?), sapotizeiros, bananeiras, carnaubeiras, oiticicas, juremas, xícaras de café, cadeiras de balanço, velames e rezas, os sítios, os sinos de tempos perdidos, as moças-velhas, o colecionador de chuvas, a encantadora de serpentes, a latada, os medos (“parece ser o destino do homem”), as mantilhas e missais, as cruzes à beira da estrada, e tantas outras mais que nos levam ao “reino do vai-não-torna,/mundo povoado com o assombro/das histórias ouvidas no alpendre”.

Como numa máquina do tempo, descortina as sombras de fantasmas e mergulha em vôo mágico de pavão misterioso que “não permite palavras mordidas entre os dentes/ para que não fizessem um estrago” e nos revela: “O grande segredo/ é que a vida não tem segredo”. E por que escrever? “Sobrevivência?/ Vingança?/ Disputa?” “Essas e tantas outras perguntas jogadas num tempo que ficou para trás quando decidiu parar de perguntar”.

Uma certeza heráclita, porém, sua Aguadeira... nos deixa: “Nunca se lê por duas vezes o mesmo livro./ Nem o livro nem o leitor serão [jamais] os mesmos.”

Raymundo Netto

Li (algumas reli), devagar e como que ouvindo, as histórias que a poeta Arlene teve o gosto bom de contar neste seu livro novo, com um jeito de dizer que é só dela. A sua fala flui como água de regato, que às vezes tem fundura, mas é sempre clarinha. Ela me faz lembrar meu mestre Manuel Bandeira, dizendo que não confiava em poeta que na prosa parece cavaleiro desmontado. Minha confiança nesta cearense não vacila. O leitor há de ver.

As suas palavras caminham pela mão da Poesia, que no andar da contação (era assim que dizia a minha mãe dona Maria, esplêndida contadora), faz questão de dar o ar de sua graça ou vai entrando de cheio pelas frestas da madeira bem lavrada da sua suave prosa. (...)

O leitor vai ficar cismado com o mundo deste livro, que aliás é o mesmo nosso, onde os mistérios têm cores; as coisas têm alma; o verão enlouquece. A nossa única certeza é estar no mundo; as asas são leves como alguém que nada sabe; a saudade não cabe em casa de muitos cômodos; a moça Teresa Brasiliense jaz em continência diante da vida e a ensandecida da casa-do-alto não precisa de corpo para voar.

Te abraço, Arlene, o meu reino é igual ao teu, de árvore e vento, só que o meu tem muita água, da qual te mando a luz de uma escama esmaltada.

Thiago de Mello


Para adquirir o livro: www.conhecimentoeditora.com.br ou pelo e-mail: conhecimento@conhecimentoeditora.com.br

Para conhecer a autora ou convites profissionais: arleneholanda@gmail.com

"A Bailarina Fantasma" e "Inventário de Segredos" no PNBE


A escritora cearense Socorro Acioli, em e-mail, nos escreve sobre a seleção dos livros A Bailarina Fantasma (como cenário o Theatro José de Alencar) e o Inventário de Segredos (segredos da cidade de Urupemba, inspirada nos causos do sertão do Ceará), ambos publicados pela editora Biruta, pelo Programa Nacional Biblioteca da Escola do Ministério da Educação.

Na mesma seleção, Lygia Fagundes Telles, Jorge Amado, Luis Fernando Veríssimo, Ariano Suassuna, Rachel de Queiroz, Marina Colasanti entre outros grandes nomes da literatura brasileira.

No Programa, o MEC, após a seleção feita por um comitê especialista em Literatura, comprará trinta mil exemplares de cada título para distribuição nacional.

Parabéns a Socorro por mais essa conquista.