sábado, 26 de dezembro de 2009

Entrevista do Tex Willer Blog com Rouxinol do Rinaré

Entrevista de José Carlos Francisco do Tex Willer Blog, blogue português, com Rouxinol do Rinaré, cordelista cearense.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?

Rouxinol do Rinaré: Nasci a 28 de Setembro (mês de Tex) de 1966, em Rinaré (pequeno lugarejo, com um açude enorme e imensos rochedos que lembram alguns cenários das aventuras de Tex), no sertão central do Ceará (Estado do Nordeste do Brasil). Nas minhas 4 décadas de existência já fiz um pouco de tudo: trabalhei no campo (sou filho de agricultor), na indústria têxtil, vendi livros, fui fotógrafo amador, trabalhei no comércio de frutas (CEASA) e actualmente vivo da minha literatura. Sou poeta cordelista com mais de 70 títulos publicados (entre folhetos e livros) por várias editoras do Brasil, trabalhos que assino com o nome artístico Rouxinol do Rinaré. Minha renda vem dos direitos autorais e das Oficinas de Literatura de Cordel que ministro.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Rouxinol do Rinaré: Meu interesse pela Banda Desenhada nasceu em 1978, quando saí do campo e vim morar na capital do Estado (Fortaleza), com o meu irmão mais velho, recém-casado. Aliás, o meu irmão, Severino Batista, influenciou-me muito na minha formação como leitor. Primeiro com as leituras dos “romances” de cordel e depois com as BD’s.

Quando descobriu Tex?
Rouxinol do Rinaré: Eu já lia outras histórias em quadradinhos, mas Tex conheci em 1984, por meio desse meu irmão que lia um pouco de tudo. Daí foi paixão à primeira vista! Então, como eu não tinha condições de comprar, comecei a trocar por Tex todas as revistas que já possuía… Era um martírio ler o famoso “continua no próximo número”, pois muitas vezes dependia dos outros para saber o final da história.

Por que esta paixão por Tex?
Rouxinol do Rinaré: Dentre outras coisas porque me identifico com a personagem italiana em tudo… Tex (ou Bonelli?) vê o mundo como eu vejo, principalmente no que diz respeito aos valores: não julgo ninguém pela sua condição social nem pela cor de sua pele e fico indignado com os “esquenta-poltronas” (os políticos burocratas e corruptos). Além disso, como não tenho formação acadêmica, costumo dizer que a Literatura de Cordel e a revista Tex foram as minhas faculdades. Levando em conta a pesquisa histórica de Bonelli (quem lê Tex sabe) ninguém se assuste se eu afirmar que toda uma bagagem de “conhecimento geral” adquiri com uma revista Tex em mãos: a disputa por domínio de fronteiras entre o México e os Estados Unidos, as influências e questões da França com o Canadá, a Guerra de Secessão, as histórias das colonizações e o massacre dos povos indígenas, particularidades das culturas árabes, chinesa, grega etc., etc….

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Rouxinol do Rinaré: Tex é um herói mais real, “de carne e osso”, digo, sem super-poderes. Suas indignações, seu senso de justiça, sua coragem e capacidade de solucionar tramas complicadas fascinam-me!

Sendo você um tão conceituado poeta da literatura cordelista, alguma vez escreveu algum cordel inspirado em Tex?
Rouxinol do Rinaré: Sim. Meu cordel “O JUSTICEIRO DO NORTE” tem influência de Tex, principalmente no que diz respeito à ambientação, ou seja, a minha personagem é fictícia, mas o cenário da história é real. Começa no Nordeste e termina na Amazónia (no Norte), com episódios em períodos históricos (bem conhecidos pelos brasileiros) que vão desde as grandes secas, o tempo do cangaço, ao famoso “ciclo da borracha”. A origem da personagem também lembra Tex (o herói que vinga a morte do pai e começa a fugir e fazer justiça mundo afora), mas a inspiração, na verdade, foram alguns cangaceiros famosos, como Antonio Silvino (que inclusive aparece no enredo), que viveram antes de Lampião.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Rouxinol do Rinaré: Minha colecção é modesta, devido à minha condição financeira. Tenho cerca de 600 revistas: as da extinta editora Vecchi, algumas da Rio Gráfica, da Globo (poucas, incluindo as coloridas e o 1º almanaque) e estou tentando comprar todas as especiais da Mythos, sempre que há lançamentos. Todas são importantes, mas orgulho-me de possuir o livro capa dura “O ÍDOLO DE CRISTAL” (inclusive tenho-o repetido para permutar), a edição nº 1 da Vecchi (O Signo da Serpente) e 2 BESTSELLERS da Itália que ganhei de presente do meu amigo italiano Alex Grecchi.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Rouxinol do Rinaré: Quero coleccionar tudo, mas não tenho conseguido muita coisa, além das revistas e livros. Tenho umas blusas personalizadas que mandei pintar e uma estatueta que paguei para um escultor fazer. De material oficial tenho o Chaveiro (que acompanhou a Tex Anual nº 6 do Brasil), alguns pósteres e o bóton (pin) português dos 60 anos de Tex no Festival da Amadora.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Rouxinol do Rinaré: Resposta difícil esta… Vou destacar 3 histórias: “Navajos em Pé de Guerra”, “A Fabulosa Cidade de Ouro” e “O Grande Rei”. Dos desenhadores gosto de vários, mas destaco Galep, Erio Nicolò, Letteri e Claudio Villa. Já o argumentista maior foi mesmo o velho Bonelli, sem desprezar os demais!

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Rouxinol do Rinaré: Acho que já falei o que me agrada mais na personagem: seu senso de justiça, sua coragem e inteligência. O que me agrada menos é o facto de ele quase não ter tempo para o amor. Coloco-me no lugar dele e, como gosto das mulheres, acho uma falha nesse aspecto do enredo (…risos…).

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Rouxinol do Rinaré: Creio que é um conjunto de detalhes e valores com os quais pessoas diferentes se identificam… Somam-se tudo que já citei antes, ao facto de Bonelli não se deter ao faroeste clássico, ou seja, além do convencional enredo western muitas histórias do Tex acontecem em lugares diferentes e se reportam a épocas diferentes, com as situações das mais diversas: civilizações e mundos perdidos, seitas de fanáticos, magia e terror, espionagem, aventuras em alto mar, enredo com uma pitada de ciência (especialmente quando aparece o Bruxo Mouro) e até extra-terrestres.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Rouxinol do Rinaré: Actualmente sim, mas passei um período meio sem ter oportunidade de contactos. O acesso à Internet facilitou bastante, tanto para contactos com pessoas do universo do Tex, quanto do Cordel.

Como vê o futuro do Ranger?
Rouxinol do Rinaré: Nosso herói ainda vai encantar muitas e muitas gerações de leitores… VIDA LONGA PARA TEX!

Para concluir, poderia nos brindar com um poema dedicado a Tex?
Rouxinol do Rinaré: Claro que sim, e com prazer. Segue:

UMA LENDA DO OESTE

No oeste há uma lenda
Que ultrapassa fronteira
Um mito que se confunde
Com história verdadeira
Um herói que sua saga
Vai de fogueira em fogueira…

O sol com o olhar de fogo
Impiedoso, escaldante,
Aquece as rochas do Canyon
Por onde desafiante
Vai passando um cavaleiro
De porte impressionante!

A cavalgar um corcel
Belo, possante e ligeiro,
Impõe respeito e poder
O porte do cavaleiro
Com dois revólveres nos coldres
Parecendo um pistoleiro.

Era um herói solitário
Quando a saga começou
E como fora-da-lei
No oeste cavalgou
Mas fora um mal entendido
Que mais tarde superou…

Humilhações, injustiças,
Nosso herói não admite.
Em defesa do mais fraco
Supera qualquer limite:
Transpõe desertos e vales
No cavalo Dinamite.

Cavalgando por desertos,
Da morte vendo a miragem,
Por vales e pradarias
Com destemor e coragem,
Nosso herói tem vida intensa
No velho oeste selvagem!

Seu travesseiro é a sela,
Entre as feras faz pernoite.
Amigo do homem honrado,
Mas pro patife é açoite.
Respeitado entre os navajos
Como o chefe “Águia da Noite”.

Quem é esse cavaleiro
Que o perigo ousa enfrentar?
Não me pergunte, ouça o vento
O seu nome sussurrar:
Willer… Tex Willer,
Um justiceiro sem par!

Prezado pard Rouxinol do Rinaré, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
Rouxinol do Rinaré: Eu é que agradeço, pelo privilégio de participar deste tão conceituado BLOGUE
Abaixo o endereço original do Tex Willer Blog:
http://www.texwillerblog.com/wordpress/

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Crônica de Pedro Salgueiro para O POVO (18.12)

Noel, Coca-Colas & Iguarias (pequenas cenas de Natal)







I - Mamãe Noel

Fim de ano chegando, tempo de pensar na vida, pesar os pontos bons vividos, analisar os inevitáveis entraves. Tirar os calos dos pés, as unhas encravadas, o pelo crescido das narinas. Polir as orelhas, que também se encheram daqueles tristes cabelos caídos da calva.
Fim de ano: sinônimo explícito de velhice.
Alguns ficam tristes, se amuam, casmurros, em seus casulos.
Eu não, pois tive uma infância feliz; com pais bons, amorosos, que sempre espremiam a pobreza e compravam o mais simples presentinho de Natal. Quando não tinha, bastava ir à casa de Dona Tizinha pegar uma bola canarinho, um apito... um sonho!
Os tempos mudaram, os irmãos se espalharam, o pai se foi, a mãe resiste firme: Mamãe Noel!
II - Duende Verde
Na esquina da 13 de Maio com Carapinima o já tradicional Papai Noel Verde pede tranquilamente suas esmolinhas. A barba branquinha reluz ao sol, de vez em quando dá um tchauzinho e um sorriso irônico ao vendedor de churros no outro lado da rua. Que não lhe retribui, mas sapeca baixinho para o freguês:
- O pilantra tem uma vila de casas lá no Parque São José. Diz pra todo mundo que todo Natal levanta mais uma.
III - Nossa Senhora de Assunção
Ali no cruzamento da Duque de Caxias com Assunção uma preta velha de seus 60 anos rege a filha de 15 que já lhe deu dois netos. Levanta a mão apontando o carro com o vidro abaixado que se aproxima.
Como se movesse os fios de marionetes a velhota controla a filha, as duas netas, além de cinco ou seis crianças que tomou emprestado das vizinhas.
De tardinha ressona encostada na parede; os meninos brincam dispersos pela calçada. A filha tenta se livrar do abraço do vendedor de CDs piratas.
IV - Outdoor
No radinho de pilha do vendedor de bombons na parada de ônibus da 24 de Maio:
"Os dois bons velhinhos se livraram das roupas e do gorro no cesto de lixo assim que terminaram o assalto, mas não foram encontradas as barbas..."
O dono da banca e duas senhoras com sacolas de compras olharam desconfiadas para o Papai Noel da loja de roupas, que tranquilamente descansava as velhas pernas sentado à sombra do outdoor no banquinho do PARATODOS.
Na sua mão esquerda uma latinha de Coca-Cola.
Pedro Salgueiro é escritor e funcionário público. Edita, em parceria com outros escritores, as revistas de literatura e arte Caos Portátil: Um almanaque de contos e Para Mamíferos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Crônica de Raymundo Netto para O POVO (04.11)


Crônica
Raymundo Netto
especial para O POVO
Presciência Crônica: Uma Odisseia sem Homero
Fortaleza, cidade sede, 2070. Abaixo do plúmbeo céu, o trânsito disputado por carros e pessoas declina da tradicional buraqueira nas ruas capeadas por betume artificial feito do chorumento do lixo.

Seguindo as avenidas, os OutWindows, imensas telas de diodos orgânicos com imagens tridimensionais anunciam automóveis, dentifrícios, sapatos femininos e lojas da moda.

Condomínios de apartamentos de 45m2, sob redomas de refrigeração e purificadores de ar, encerram centenas de pequenas famílias (o controle da natalidade é rigoroso). Na sala, nos quartos, no banheiro, monitores com programação pay-per-view simulam janelas postas em paredes de espelhos. Nas áreas públicas: playgrounds, lan houses, quadras, lojas de conveniências, decks e muita grama artificial. Por todos os lados, câmeras, cercas elétricas e alarmes sonoros que causam, pela cidade, sobressaltos a todo instante.

As pessoas quase não saem mais de suas casas (muitas trabalham nela). O inesperado não existe (pensam!). Tudo é planejado e previsível. A vida e a morte. Aliás, a eutanásia, como o aborto, a Pena de Morte e o uso da maconha são legais. Sonegar, porém, continua sendo ilegal. Os cemitérios foram extintos. Cremar é obrigatório. Não se discute mais sobre gênero: ser homem ou mulher não faz diferença. Todos são potencialmente híbridos.

Em torno da Cidade Sede, as Satélites — aglomerado de favelas e fracassados conjuntos habitacionais — se disseminam e crescem todos os dias, fomentadas pelo abismo gerado pela exclusão tecnológica e mercantil, fervendo em miséria, doença, violência e rancor, desejosas do inevitável dia em que, juntas e cansadas de privações, tomarão a Sede de inocentes burguesinhos, consumistas inúteis, mantenedores do sistema selvagem de capital.

Nos transportes coletivos, a maioria com andar superior, as pessoas dormem, ouvem música, leem mensagens em seus clocks-mails (relógios especiais em sistema de rede wireless). O celular foi abolido — predispunha o aneurisma e acidente vascular cerebrais — usando-se fones com discagem vocal.

As cidades do interior, por ausência de políticas contínuas que evitassem o êxodo de seus jovens à Capital, foram esvaziadas e arrematadas a preço de nada por igrejas que passaram a comprá-las e a construírem pequenas promessas de “paraísos”. Nelas, as autoridades, todas elas, são pastores, eleitos por “inspiração divina”. Os reverendíssimos mantêm, por meio de legislações intermináveis, a cidade “higienizada” — e o grande comércio local — sobre o jugo da tirania celestial, censura dos meios de comunicação, impostos (físicos e espirituais) altíssimos e uma harmonia exclusiva e dogmática.

Quase todas as faculdades aderiram ao ensino à distância. Em algumas, como a de Filosofia “Livre Pensar” — que há anos tenta obter aprovação do Ministério Federativo de Educação —, seus alunos, alcunhados por "espantalhos" e coordenados pelo prof. Aquino, ainda resistem em aulas presenciais nas quadras, praças e vielas das Cidades Satélites.

Nas farmácias, ambulatórios coloridos destinados aos portadores das pandêmicas síndrome do pânico, TOC e depressão disponibilizam kits-coktails reequilibrantes e fornecem óculos especiais Dreams’Pixels de projeção de imagens e som, “bengalas” endorfinomiméticas.

Os carros à eletricidade fracassaram e abriram espaço para os movidos por etanol celulósico e à água dessalinizada, nos quais, de seus escapamentos, vemos fluir um vapor branco que deixa em nosso corpo aquela sensação grudenta de maresia. Pneu. Droga, nada substituiu o pneu...

Na paisagem, shoppings de resinas poliméricas e aço de usinagem facilitada tomaram dimensão de bairros. O Cocoh é o maior deles, homenagem ao rio completamente aterrado num passado (o antigo shopping do local foi demolido após a falência do grupo). O segundo, o Trilha das Garças, no Lagamar, que dizia promover a conservação ecológica, foi construído sobre o rio onde as alvas pernaltas, agora extintas, e os pescadores, se encontravam.

Os grande fóruns e casas legislativas, parceiros fiéis dos poderes dominantes, para reduzirem o caótico tráfego aéreo e assegurar a distância do povo, mudaram-se de vez para BrasILHA, onde atuam, quando o fazem, por protegidas e impessoais vias e plenárias eletrônicas.

Hospitais públicos (assim como as escolas e a segurança) só existem nas Cidades Satélites. Na Sede, as cooperativas de médicos aliadas aos grandes laboratórios farmacêuticos monopolizaram a atenção — inclusive a financeira — da saúde. As doenças, misteriosamente, só aumentam!

Depois que conseguiram vender o Cine São Luiz aos neo-pentecostais, abrasadas foram as línguas de fogo que consumiram o resto do centro da cidade. Nada mais ficou em pé. Suas ruínas marginais fazem parte de um sítio arqueológico conservado para pesquisas universitárias que não servem para nada. Também estão esquecidas as ruínas de antigos resorts e de parques aquáticos, simulações de um Caribe com modus vivendi metido a besta que expulsaram a população nativa, evadiram divisas e descaracterizaram para sempre a paisagem natural.

Na praça dos Leões, a estátua da Rachel de Queiroz continua sem óculos, e sem cabeça, sendo agora acompanhada da estátua de uma jornalista da cidade que, ao contrário dos demais, conquistou a sua cadeira na Academia Cearense de Letras apenas após a sua morte. Aliás, a Academia, por não conseguir mais o vantajoso ingresso de políticos, juízes ou demais que intermediassem por recursos de subsistência, fechou as portas. Decadentes, outras dezenas de academias foram esvaziadas. Apenas uma resiste — com sede no coreto, mictório improvisado, da Praça dos Leões — tendo como único representante e líder, o Lima Freitas, atualmente com mais de 130 anos. Vez ou outra o velho poeta, com seu surrado fardão, sai bengalando os ambulantes perdidos da praça, acusando-os de macularem aquelas calçadas com suas desprestigiosas presenças, tal qual um Jesus nos templos, gritando: "Academus! Academus!"

Na praça Poeta Mário Gomes, antiga do Ferreira, brincadeira de um prefeito, a coluna da hora sucateada não resistiu ao tempo. Do cacimbão, afloram entulhos do velho comércio e ossadas de jumentos.

Diante da escassez planetária de árvores, a “Livraria” — existe apenas uma rede, a BookMegaStore — vende livros impressos tão-somente em forma de edições de luxo e em pequeníssimas tiragens destinadas a abastados colecionadores de arte. Os demais fazem download, por meio de assinaturas, para leitores óticos (curiosamente, os preços nunca diminuem) ou os adquirem em forma da mídia Blu-Ray MONDO, versão bisneta do CD/DVD. Mesmo com todas as restrições, comercializam-se Pirate Books.

Hoje, a “Livraria” lançará a Coleção Obra Completa de uma autora cearense que residia em Aquiraz, anunciando, como bônus, hologramas seus em circuitos de entrevistas, enquanto outra, agora, romancista, bastante idosa, recebe um prêmio na África em reconhecimento pela obra.

José de Alencar é considerado, então, o mais revolucionário escritor brasileiro, seguido por seu discípulo e amigo Machado de Assis.

Livros impressos também são encontrados na nova Biblioteca Pública (a antiga foi demolida para dar espaço ao Centro Cultural Dragão do Mar, parcialmente arrasado pelo avanço das águas que deixou submersos o prédio da Alfândega, a Ponte Metálica e o Acquário). Com pouquíssimos visitantes, a Biblioteca funciona com o Arquivo Público e mantém um amplo serviço de pesquisa e empréstimo on line por meio de Cientistas da Informação (as dantes bibliotecárias).

Na Universidade Federal, ao lado do bosque Moreira Campos, uma herma em bronze de um antigo professor anuncia “O último crítico literário do Ceará, cujo maior pecado foi não ter deixado substitutos”.

Já há alguns anos, por não se ter mais o que falar de novo sobre os grandes nomes da literatura nacional, os alunos do curso de Engenharia Linguística e de Artes, antigo curso de Letras, viram-se obrigados a estudar os esquecidos autores cearenses, descobrindo na pesquisa de microfilmes de jornais dos séculos XX e XXI que pouco se falava deles, e que menos ainda — raras as exceções em flashs de colunas sociais cheirando a uísque — se tem registro de sua existência e de sua obra.

Rafael, estudante do curso, fora “sorteado” em classe com o nome do autor dessas folhas d’O POVO (“Que droga... pode ser outro, não?). Dirigiu-se à Midioteca — intitulada com o nome de um contista tamborilense devido à generosa doação, pela viúva, de seu acervo bibliográfico particular — e, em meio às crônicas delongadas, como esta, encontrou o seu obituário:
— Caramba, e esse coitado morreu assim?


Raymundo Netto que não sabe onde é que nós estávamos que deixamos estragar tudo! Contato: raymundo.netto@uol.com.br e blog: http://raymundo-netto.blogspot.com



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Lançamento "Fábrica de Asas" de Katiusha de Moraes (3.12)

Lançamento Fábrica de Asas de Katiusha de Moraes

Ganhador do V Edital de Incentivo às Artes da SECULT em Literatura

Data: 03 de dezembro de 2009 (quinta-feira)
Horário: 18h30
Local: Mercado dos Pinhões (entre Gonçalves Ledo e Nogueira Acioly)
Editora: Corsário

Contato com a autora para aquisição de livros e outras informações:

katiushademoraes@hotmail.com

Apoio Cultural

Este Projeto é apoiado pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, lei nº 13.811, de 16 de agosto de 2006.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"Três Mulheres no Divã de Freud" de Adísia Sá e Cleto Pontes (1º de dezembro - terça-feira)


Dia: 1º de dezembro de 2009 (terça-feira)
Horário: 19h30
Local: Centro Cultural OBOÉ (Maria Tomásia, 531, Aldeota)
Apresentação: João Dummar Filho (Psiquiatra e escritor)
Editora: Armazém da Cultura

Sobre a Obra: Nesse livro, a autora mantém seu espírito desafiador, combativo e ousado, ao recriar para si, e para os leitores, três personagens literárias do século 19. Elas compõem o arquétipo feminino da mulher apaixonada que se rebela contra o papel que a sociedade lhe impôs: Capitu, de Machado de Assis; Ema Bovary de Gustave Flaubert e Ana Karênina de Tolstói. Todas elas em busca de um oráculo que Adísia, com sua brilhante inteligência e coragem, determina ser Sigmundo Freud. Num processo de sincronicidade, o psicanalista recebe pacotes com textos escritos pelas três mulheres, a ele endereçados, contendo diários, cartas, segredos revelados, confidências... E o temperamento rebelde da autora transforma o destino das personagens-tema, criando um novo desfecho para cada uma delas, mas sempre trágicos. Para o papel de Freud, Adísia conclamou o psiquiatra Cleto Pontes, que, num processo de alteridade, analisa com acurada percepção e um texto adorável os casos apresentados por Adísia. Num livro inovador e de interesse fabuloso, Adísia Sá se aproxima ainda mais de seus leitores, aprofundando a experiência e revelando novas faces de sua extraordinária personalidade.”

Ana Miranda

Fundação Casa das Américas na Casa de José de Alencar (01.12)


Clique para ver a imagem!

Nos 4 primeiros dias de dezembro de 2009, a Casa de José de Alencar, em Fortaleza (Ceará) será palco de uma celebração algo incomum em terras brasileiras. Ali será homenageada umas das principais instituições culturais da América Latina na segunda metade do século passado, a Casa das Américas, de Cuba, que cumpre 50 anos de vida e incansável dedicação à cultura em nosso continente. O evento, que tem a iniciativa e curadoria do brasileiro Floriano Martins e do cubano Norberto Codina, ambos poetas e editores, contará com a presença expressiva da quase totalidade da diretoria da instituição cubana. O evento será constituído por uma série de 5 mesas de debate, exibição de documentários e exposição fotográfica. Também estará ao dispor do público uma mostra de livros e revistas produzidos em Cuba nas últimas décadas. A oportunidade, além de singular em termos de homenagem – a leitura política internacional de tudo quanto é tema cubano acabou cegando a percepção em relação à contribuição cultural da Casa das Américas –, permitirá aberta discussão acerca da atuação histórica e perspectiva atual da entidade. O evento, que foi concebido pelos diretores da tradicional revista cubana La Gaceta de Cuba, Norberto Codina, e do Projeto Editorial Banda Hispânica (Floriano Martins), conta com o estímulo valioso da Fundação Bernardo Feitosa, entidade ligada à Casa da Amizade Brasil-Cuba, e da Secretaria da Cultura do Ceará.

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

01/12 – Terça-feira:
19h00 – Inauguração. Palavras do Secretário da Cultura do Estado, seguidas de uma conversa informal entre Secretário e convidados cubanos, com moderação dos curadores.
Abertura da mostra fotográfica, a cargo de Rafael Acosta.
Coquetel com música cubana ambiente programada pela curadoria.

02/12 – Quarta-feira:
08h00 às 20h00 – Retrospectiva fotográfica Mostra e venda de livros e revistas da Casa das Américas.
17h00 – Ciclo de documentários: “A Revolução cubana. Entre a arte e a cultura”, de Rebeca Chávez (57 minutos) Apresentação: Norberto Codina.
19h00 – Conferência de Jorge Fornet: “50 anos de Fundação Casa das Américas” Debatedores: Yolanda Wood, Maité Hernández-Lorenzo e Roberto Zurbano Mediação: Floriano Martins.

03/12 – Quinta-feira:
08h00 às 20h00 – Retrospectiva fotográfica Mostra e venda de livros e revistas da Casa das Américas.
17h00 – Ciclo de documentários: “Por primera vez”, de Octavio Cortázar (10 minutos) “El son me salió redondo” (sobre Nicolás Guillén), de Pury Faget (56 minutos) Apresentação: Maité Hernández-Lorenzo.
19h00 – Conferência de Yolanda Wood: “Guillén y el Caribe” Debatedor: Norberto Codina Mediação: Floriano Martins.

04/12 – Sexta-feira:
08h00 às 20h00 – Retrospectiva fotográfica Mostra e venda de livros e revistas da Casa das Américas.
17h00 – Ciclo de documentários: “Yo soy del son a la salsa”, de Rigoberto López (100 minutos) Apresentação: Roberto Zurbano.
19h00 – Debate: “As revistas da Fundação Casa das Américas (Anales del Caribe, Casa de las Américas, Conjunto, Boletín Música) y otras revistas cubanas (Arte Cubano, La Gaceta de Cuba)” Convidados: Jorge Fornet, Yolanda Wood, Maité Hernández-Lorenzo, Roberto Zurbano e Rafael Acosta Mediação: Norberto Codina e Floriano Martins.
21h00 – Encerramento. Palavras finais do Secretário da Cultura do Estado.

1 INSTITUIÇÃO HOMENAGEADA - CASA DAS AMÉRICAS
Principal instituição cubana ligada à cultura, a Casa das Américas foi criada em 1959 por Haydée Santamaría e é atualmente presidida por Roberto Fernández Retamar. Ao longo de sua trajetória tem cumprido de maneira digna a múltipla função de divulgação, incentivo, auspício, premiação e publicação de escritores, artistas plásticos, músicos, gente de teatro e estudiosos da literatura e das artes, primando pelo fomento ao intercâmbio entre instituições e pessoas em geral em todo o mundo.

2 CONVIDADOS:
MAITÉ HERNÁNDEZ-LORENZO
Havana, 1970. Jornalista e crítica teatral. Diretora de Comunicação e Imagem da Casa das Américas, responsável por suas campanhas de promoção de eventos e projetos culturais. Também para esta instituição dirige o portal informativo La Ventana. Prêmio Nacional de Jornalismo Cultural (1998).

ROBERTO ZURBANO
Havana, 1965. Ensaísta e crítico cultural. Prêmio Nacional de Jornalismo Cultural em duas ocasiões. Dirige a revista Movimiento, dedicada à cultura Hip Hop, e o Fundo Editorial Casa das Américas.

YOLANDA WOOD
Havana, 1950. Crítica e pesquisadora. Diretora do Centro de Estudos do Caribe da Casa das Américas. Dentre seus livros encontram-se De la plástica cubana y caribeña, Artistas del Caribe hispano en Nueva York, Las Artes plásticas del Caribe, praxis y contexto y Proyectos de artistas cubanos en los años ‘30.

RAFAEL ACOSTA DE ARRIBA
Havana, 1953. Poeta, ensaísta e crítico de artes. Foi diretor do Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americana, em Cuba. Presidiu o Conselho Nacional das Artes Plásticas. Atualmente é pesquisador titular do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Cultura Cubana.

JORGE FORNET
Bayamo, 1963. Poeta e ensaísta. Coordenador do Prêmio Literário Casa das Américas, instituição na qual é também diretor de seu Centro de Pesquisas Literárias. Prêmio Alejo Carpentier de Ensaio (2006).

3 CURADORES
FLORIANO MARTINS
Fortaleza, 1957. Poeta, ensaísta, tradutor e editor. Diretor do Projeto Editorial Banda Hispânica. Professor convidado da Universidade de Cincinatti (Ohio, Estados Unidos). Curador da Bienal Internacional do Livro do Ceará (2008-2010).

NORBERTO CODINA
Caracas, 1951. Poeta, jornalista e editor. Dirige há mais de 20 anos a revista de arte e literatura La Gaceta de Cuba. Prêmio Nacional de Jornalismo Cultura (2002). Além de sua própria poesia, tem se destacado como organizador de inúmeras antologias da poesia cubana no exterior. Membro do Latin American Studies Associaton (LASA).


domingo, 22 de novembro de 2009

Lançamento "Contos Reunidos" vol 1 de Nilto Maciel, comemorativo de 35 anos de "Itinerário" (26.11)


A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará - SECULT/CE e a Editora Bestiário (RS) têm a satisfação de convidar para o lançamento do 1º Volume de Contos Reunidos de Nilto Maciel, marco comemorativo de 35 anos do lançamento de Itinerário (1974), primeira obra do contista, no projeto “Diálogos Culturais” do Espaço Cultural Faustino .
O volume acolhe três obras do autor (Itinerário -1974, Tempos de mula preta - 1981 e Punhalzinho cravado de ódio -1986), um dos contistas cearenses com maior produção e maior visibilidade nacional, fundador da revista O SACO e editor da Literatura: revista do escritor brasileiro.
Após a apresentação da obra e do autor, acontecerá a sessão de autógrafos e será oferecido coquetel.

Data: 26 de novembro de 2009 (quinta-feira)
Horário: 19 horas
Local: Espaço Cultural Faustino/Restaurante Faustino (Av. Beira-Mar, 3821, Fortaleza, Ceará)
Apoio Cultural: Secretaria da Cultura do Estado do Ceará e Espaço Cultural Faustino
Informações: 3101.6790
Sobre o Autor:

NILTO MACIEL nasceu em Baturité, Ceará, em 1945. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará em 70. Criou, em 76, com outros escritores, a revista O Saco. Mudou-se para Brasília em 77, regressando a Fortaleza em 2002. É editor da revista Literatura desde 91. Obteve primeiro lugar em alguns dos grandes concursos do país, como: Brasília de Literatura, promovido pelo Governo do Distrito Federal, com A Última Noite de Helena (romance) em 1990, Graciliano Ramos, promovido pelo Governo do Estado de Alagoas, com Os Luzeiros do Mundo (romance) em 1992; Cruz e Sousa, promovido pelo Governo do Estado de Alagoas, com Os Luzeiros do Mundo (romance) em 1992; Cruz e Sousa, promovido pelo Governo do Estado de Alagoas, com Os Luzeiros do Mundo (romance) em 1992; Cruz e Sousa, promovido pelo Governo do Estado de Santa Catarina, com A Rosa Gótica (romance) em 1996; Bolsa Brasília de Produção Literária, com Pescoço de Girafa na Poeira (conto) em 1998; Eça de Queiroz, União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, com Vasto Abismo (novela) em 1999; VI Prêmio Literário Cidade de Fortaleza, Fundação Cultural de Fortaleza, com o conto Apontamentos Para Um Ensaio; IV Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará na categoria de pesquisa em Literatura Cearense, em 2007. É autor de Itinerário (contos, 1974); Tempos de Mula Preta (contos, 1981); A Guerra da Donzela (novela, 1982); Punhalzinho Cravado de Ódio (contos, 198); Estaca Zero (romance, 1987); Os Guerreiros de Monte-Mor (romance, 1988); O Cabra que Virou Bode (romance, 1991); As Insolentes Patas do Cão (contos, 1991); Os Varões de Palma (romance, 1994); Navegador (poemas, 1996); Babel (contos, 1997); Panorama do Conto Cearense (ensaio, 2006) e A Leste da Morte (contos, 2006). Tem contos e poemas publicados em esperanto, espanhol, italiano e francês. O Cabra que Virou Bode foi transposto para a tela (vídeo), pelo cineasta Clébio Ribeiro, em 1993.

"Sweet Dreams" de Júnior Ratts no Projeto Bazar das Letras do SESC (26.11)


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Coquetel de Lançamento da Antologia Papo Literário (24.11)

Lançamento

Data: 24 de novembro de 2009
Horário: 20h
Local: Ideal Clube (ao lado do restaurante)
Organização: Mônica Silveira, YolandaMarkan e Joselita Feitosa
Promoção: TV CEará, Premius e Ideal Clube
Sobre a Antologia e o Papo Literário
A TV Ceará, vinculada à Secretaria da casa Civil do Governo do Estado do Ceará, que há 35 anos foi inaugurada com o nome de TV Educativa, com o objetivo inicial de levar a educação às localidades mais distantes do Ceará, e, posteriormente, passando a priorizar também a formação da cidadania valorizando a cultura regional e a informação jornalística, lança, juntamente com a Premius Editora, a Antologia do Papo Literário, coletânea de mais de 80 poesias de autores cearenses, além de autores nacionais e estrangeiros, que inspiraram o quadro CLIPOEMAS.

A edição, comemorativa de um ano de exibição deste que é, hoje, o maior programa literário da televisão que muito contribui para divulgação e visibilidade dos talentos locais, tem o prefácio de Guto Benevides e apresentação de Yolanda Markan.

Neste primeiro ano, a revista eletrônica literária da TVC, apresentada por Danilo Amaral e Mônica Silveira, conseguiu mostrar diferentes aspectos da literatura, desde a forma clássica, até a virtual.
Entrevistou diversos escritores renomados (Ana Miranda, Juarez Leitão, Lira Neto, Barros Pinho, Batista de Lima, Ubiratan Aguiar, Jorge Tufic, Ruy Câmara, Rosa Alice Branco, Pedro Salgueiro, Nilto Maciel, Raymundo Netto e muitos outros) e divulgou eventos, obras, novos autores, movimentos literários e tudo o mais que diz respeito ao livro, à leitura e à literatura.

sábado, 21 de novembro de 2009

Prêmio Gandhi de Comunicação 2010

Prêmio Gandhi de Comunicação 2010

O Prêmio Gandhi de Comunicação 2010, da Agência da Boa Notícia, terceira edição, está lançado. A maior novidade desta terceira edição é a abrangência nacional que o concurso passa a ter.
De acordo com o Regulamento, vão valer os trabalhos veiculados em todo território brasileiro, desde que o conteúdo da reportagem – de TV, rádio ou jornal impresso -, ensaio fotográfico, anúncio ou campanha publicitária tenha relação com o Estado do Ceará. Jornalistas, publicitários e estudantes de Comunicação Social (Jornalismo e Publicidade & Propaganda) podem inscrever os trabalhos até o dia 14 de maio de 2010.
O tema do concurso é a Cultura de Paz. Assim, serão aceitos trabalhos que divulguem idéias, ações, projetos, assuntos que colaborem para a harmonia social. Serão R$ 30 mil em prêmios distribuídos em sete categorias: (1) Jornalismo Impresso (R$ 5 mil), (2) Telejornalismo (R$ 5 mil), (3) Radiojornalismo (R$ 5mil), (4) Fotojornalismo - Ensaio (R$ 5mil), (5) Publicidade & Propaganda (R$ 5 mil), (6) Trabalho Universitário de Jornalismo (R$ 2.500,00) e (7) Trabalho Universitário de Publicidade & Propaganda (R$ 2.500,00).
O período de veiculação dos trabalhos deve ser de 1º de maio de 2009 a 14 de maio de 2010. O Regulamento e o Formulário de Inscrição estarão disponíveis no site www.boanoticia.org.br e na sede da Agência da Boa Notícia (Avenida Desembargador Moreira 2120, Sala 1307 - Aldeota – CEP 60170-002. Os trabalhos de participantes de outras cidades do Ceará e outros estados, enviados pelo Correio, devem ter data de postagem até 14 de maio de 2010, último dia de inscrição, com confirmação via e-mail.


Mais Informações: Agência da Boa Notícia - (fone: 85. 3224 5509)
Angela Marinho - Diretora de Comunicação
Carmina Dias - Jornalista Responsável

Os "FitoManos" de Raymundo Netto em "Dúvida cruel"

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Crônica de Pedro Salgueiro para O POVO



Crônica Farta de Assunto
Pedro Salgueiro para O POVO

www.noolhar.com/opovo/vidaearte/929987.html

Todo cronista que se preze, até um projeto mal enjambrado feito eu, tem seus dias de falta de assunto; desde o genial e mestre de todos os nossos cronistas, Rubem Braga, passando pelos mais reles escrevinhadores de província, fizeram e fazem da falta de assunto o assunto do dia. O mestre de Cachoeiro do Itapemirim (Ah, saudoso Braga, como fazes falta...) fez uma genial página sobre o assunto, outra reclamando porque uma leitora protestou pelo fato de ele ter repetido um belo texto num dia de pouca imaginação; sapecou que era uma injustiça, já que uma música era tão mais valorizada quanto mais fosse repetida, já o cronista... Realmente: Uma injustiça!

Pois bem, venho nestas linhas reclamar, confessar, lamuriar, que estou tendo sérias dificuldades justamente pelo excesso de assunto. Aliás, nossa pobre rica sociedade tem seus maiores pecados pelo excesso de tudo: excesso de alegria geralmente não acaba bem, vejam nossos perigosíssimos estádios de futebol, nossas casas de shows, nossas festas religiosas. Onde tem excesso de gente, tem excesso de problemas. Excesso de tristeza, então, nem se fala. A grande quantidade de carros tem deixado nossas vias impraticáveis, estupidamente inviáveis. O crescimento dos parques industriais e da produção de carne tem destruído nossa frágil farta natureza. Enfim, apesar da falta de alimentos e chuvas que assolam nossa ressequida terrinha nordestina, tenho bem mais medo do excesso que da escassez.

Talvez por isso eu seja um carinha comedido, com exceção da comida e da bebida, sem riquezas, sem muitos amigos (raríssimos e tristes inimigos), de poucas alegrias e quase nenhuma ira. Não possuo carro, mas peco pelo excesso de livros, tenho aos poucos os doado pra me livrar do fardo. Devagarinho fui descobrindo que quanto mais se tem livros menos se lê (seria por esse motivo que raríssimos bibliófilos foram ou sejam cultos?)... Acho que exatamente pelo problema do excesso: não se sabe qual escolher, mal se começa um já se quer passar pra outro... Cismei de botar uma pequena estante isolada no quarto, pouquíssimos livros, resultado: mais leitura, tem-se o domínio de limites... A velha história da construção da Muralha da China: dividiram em muitos pedaços para que não viesse o desânimo do excesso, do excesso do que falta ainda. Seria, também, por isso que com o advento da Internet, com a grande quantidade de informações absorvida diariamente, temos mais e mais indivíduos rasos, de pouca ou quase nenhuma verticalidade?

Talvez por isso escreva pouco, curto; gosto dos livros pequenos; dos que falam pouco... dos que prometem pouco, dos que são realmente parcos!

Comecei a semana pensando em escrever sobre a queda iminente do meu eminente e querido Fortaleza Esporte Clube, que amargamente caminha rumo à terceira divisão do futebol nacional (depois de uma gloriosa década em que foi três anos frequentador da primeira divisão brasileira e ganhou oito de dez títulos cearenses disputados), faltou coragem. Sobre a violência que campeia em nossa sonsa loirinha endiabrada pelo sol teria que escrever um romance de mil páginas, tanto é o farto arsenal de casos que se avolumam em rubras páginas policiais escritas e televisivas. Sobre o cotidiano simples e mundano de nossas ruas e bairros tenho um prato farto de velhas novidades. O próprio umbigo, que sempre rendeu aos bons cronistas de todas as épocas uma variação segura de bons assuntos, anda por demais sujo. Cera em demasia, o excesso de pudor interiorano... De tanto assunto, sobrou o vazio da escolha tardia.

***
Sei que para justificar (pra haver um casamento perfeito entre forma e tema) eu deveria escrever uma imensa crônica, pois o excesso de assunto ajudaria.

Não fosse o irreprimível excesso de preguiça a que me vi acometido neste dia de hoje.
PEDRO SALGUEIRO nasceu em Tamboril, Ceará, onde fez o primário na Escola General Sampaio; veio adolescente pra Fortaleza, terminando o 2º grau no antigo colégio São João. Bacharelou-se em História, pela UFC, e em Pedagogia, pela UECE. É funcionário do Poder Judiciário Federal

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Reunião do Fórum de Literatura do Estado do Ceará/FLEC (18.11)


Fórum de Literatura do Estado do Ceará (FLEC)



Data: 18 de novembro de 2009
Horário: 18h30
Local: Salão de Eventos da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel
Pautas:
1. Leitura e Aprovação da Carta do Fórum de Literatura e Leitura do Estado do Ceará, elaborada a partir das informações coletadas durante o "Seminário do Autor ao Leitor – Camihos do Livro e da Literatura", realizado em setembro/2009.
2. Eleição da primeira composição do Conselho Administrativo, que, segundo o Regimento Interno é composto por um Coordenador Geral, um Secretário Executivo e um Assessor de Comunicação.
É importante a presença de todos para que possamos fortalecer o Fórum, tornar a discussão cada vez mais democrática e concretizar os projetos de incentivo à nossa literatura.
Importante: para ter direito ao voto é preciso que a Instituição Formal ou Informal encaminhe os nomes de seu representante e/ou suplente para o e-mail forumdeliteratura.ce@gmail.com, e no dia da reunião leve documento (declaração, ofício, ata etc) que comprove a sua representação.
Comissão Provisória do FLEC:
Mileide Flores: 85 88029656
Luiza Amorim: 85 88040503
Urik: 85 87498561
Francilio Dourado: 85 88864218

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lançamento do Livro de poemas e canções de Henrique Beltrão (21.11)

Sarau de Lançamento
Data: 21 de novembro de 2009 (sábado)
Horário: 17 às 20 h
Local:Foyer do Theatro José de Alencar
Participação: parceiros de rádio, música e poesia

Sobre SIMPLES:
Segundo livro de poemas e canções de Henrique Beltrão, que lançou em 2006 a primeira edição de Vermelho e, em 2007, a segunda. Henrique contou com Sarah Diva Ipiranga, professora de Literatura Comparada da UECE, e Fátima Souza, mestre em Literatura Brasileira pela UFC, na revisão dos originais e na apresentação da obra. Ticiana Telles Melo fez a revisão dos originais em francês e Saul Ferreira criou a capa e o projeto gráfico.
Simples é dedicado à amada do poeta, Karla Martins, que assina as fotos da capa e da orelha, às famílias dele e a seus amigos poetas Horácio Dídimo e Luiz Teixeira, que Beltrão anuncia como mestres da simplicidade.

Simples tem uma centena de páginas espraiadas em quatro capítulos, compostos em um formato longilíneo, assim como no Vermelho: Uma simples palavra; Amor, tão simplesmente; Simples parcerias; Simples dizer. A exemplo do livro primeiro, principia com o tema preferido do poeta, a palavra, traz poemas de amor e, antes de fechar com versos avulsos, vêm as parcerias com Alan Mendonça, Alex Costa, Dumar, Jord Guedes, Paulo de Tarso, Pingo de Fortaleza, Rafael Lima, Rodrigo BZ, Rogério Franco.

Em Simples, Beltrão busca a simplicidade. Uma versão em francês da clássica Ponta do Lápis, de Rodger e Clodo, e um poema para Josso dão um tom francófono, en passant. O poeta canta ainda sua terra, reverencia Patativa do Assaré, Quinteto Agreste. O autor dialoga com a sabedoria cristã e taoísta, com a poesia pagã, com Quintana, Vinicius, Bandeira, Buarque... E Henrique Beltrão agradece, simplesmente agradece; dá graças a Deus e à Poesia, aos amigos e amigas, aos seus mestres espirituais e ao leitor, à leitora, a quem convida a cada página a entrar e mudar a casa da Poesia.

Sobre o O AUTOR:
Henrique Beltrão é poeta, radialista, professor, pesquisador. Autor de Vermelho (1ª ed.: 2006; 2ª ed.: 2007) e Simples (2009), livros de poemas e canções em parceria com Alan Mendonça, Alex Costa, Dumar, Isaac Cândido, Jord Guedes, Pedro Rogério, Pingo de Fortaleza, Rafael Lima, Rodrigo BZ, Rogério Franco. Professor do curso de Letras: Português-Francês da UFC. Componente do grupo poético-musical Vila Poesia. Na Rádio Universitária FM 107,9, atua como produtor e apresentador dos projetos de extensão da UFC: Todos os Sentidos, que desde 2003 compartilha a palavra com as pessoas com deficiência, e Sem Fronteiras: Plural pela Paz, que desde 1998 celebra com ouvintes e parceiros a diversidade da vida: www.radiouniversitariafm.com.br. Doutorando em Educação Brasileira pela UFC, mestre em Linguística Aplicada pela UECE, graduado em Letras: Português-Francês pela UFC.

CONTATOS
beltraohenrique@yahoo.com.br
beltraohenrique@gmail.com
(85) 9101.1820 e 8609.1820

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Migrações: A Literatura Cearense entre a Terra e a Água

MIGRAÇÕES:
A Literatura Cearense entre a Terra e a Água
(Programas Literato e Seminário Avançado de Arte do CCBNB)

Local: Centro Cultural Banco do Nordeste
Data: 17 a 19 de novembro
Horário: 17 às 20h
Inscrições: a partir de 10.11 na recepção do CCBNB
Número de vagas: 80
Informações: 3464.3108

Além do sertanejo e do sol escaldante, encontramos o mar e o vento, as mulheres, o fantástico, uma miscelânea de imagens que atestam a pluralidade estética de nossa escrita.

O Seminário pretende abrir espaço para essa discussão que busca ampliar os caminhos da literatura cearense e dar a ver outros percursos que, já trilhados, ainda se encontram, entretanto, obscurecidos pelo peso regional e masculino que encobre as publicações.

sábado, 7 de novembro de 2009

A V.O.L.A.N.T.E saiu mais uma vez!!!



A V.O.L.A.N.T.E. - veículo original litero alternativo nascido totalmente antecipado - periódico bimestral totalmente gratuito (para quem o recebe) acaba de sair do forno pela mão do padeiro-mor (de outra escola), o Poeta de Meia Tigela, autor marginal (e digo marginal por diversos motivos, dentre os quais ser filósofo, ser professor, ser poeta, apresentar-se e escrever sobre pseudônimo, lançar um informativo usando recursos próprios e pessoalmente e gratuitamente distribui-los, por gostar e discutir literatura, por ser notívago, e acima de tudo por acreditar que isso importa para alguém...).
Na edição de setembro/outubro, conforme seu "Tutorial", a presença de Jorge Tufic, poeta acre-cearense-praça ferreirino, com peças e no Quiztionário (perguntas e respostas); Nilto Maciel com sua poesia (hem?) "Não sei domar meus próprios cães"; o próprio poeta com o poema visual "A Roda da Fortuna" (acompanhado de um breve e desnecessário guia de leitura para os mais sugestionáveis e noções de tarô para os supersticiosos), além dos poetas Carlos Nóbrega, Luís Marcos, Pedro Ernesto, Jorge Furtado e Antônio Ximenes; uma curioso minibiografia de Raimundo Varão, poeta demônio, figura popular marcante da Fortaleza do início do século XX, pelo contista Carlos Vazconcelos (que, ao contrário do primeiro, tem cinco dedos na mão...), a coluna Palindromania (não, não tem anda a ver com ciências farmacológicas) do caótico Fred Régis e um reclame P & B da obra do corsário Mardônio França (qual é a dele mesmo?). Ilustrações, à parte, por Alexsandra Bentevi.
Tudo isso e um pouco mais, que não deu para ler, gratuitamente nas ruas do Benfica e arredores.
Não percam... de novo!

Patrimônio Para Todos: projeto de Educação Patrimonial pela Escola de Artes e Ofícios

Itapuca Villa, bangalô original dos anos 20 do século XX, patrimônio desperdiçado e destruído como tantos mais, todos os dias, em Fortaleza.

(foto: acervo Nirez)

A Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho está lançando nesta segunda, dia 9 de novembro, o projeto Patrimônio para Todos, que trabalha educação patrimonial com alunos da rede municipal de ensino de Fortaleza.

As aulas para os primeiros alunos já acontecem esta semana no Cuca Che Guevara, entre os dias 9 e 14 de novembro em duas turmas de vinte alunos (uma às 8h e outra às 13h30). As informações dos locais de inscrição poderão ser consultadas no site da Escola (www.eao.org.br.)As oficinas serão ministradas por estudantes egressos dos cursos da Escola de Artes e Ofícios, direcionadas a alunos da rede pública de ensino médio do município de Fortaleza. Eles receberão noções sobre a importância de e valorizar e preservar o patrimônio cultural de suas comunidades e realizarão uma pesquisa em seus bairros, descobrindo, registrando e publicando em um blog as manifestações culturais e patrimoniais de nossa cidade.

A preservação do patrimônio público é uma das principais metas do novo projeto da Escola de Artes e Ofícios/EAO, equipamento vinculado à Secretaria de Cultura do Estado. Com o apoio da Prefeitura de Fortaleza, jovens formados pela EAO darão oficinas sobre a importância do patrimônio cultural para alunos da rede municipal de ensino. Ao todo serão 14 Oficinas realizadas nas 07 regionais de Fortaleza.

Cada oficina atenderá 20 jovens da periferia com idade entre 16 a 21 anos e perfil de exclusão sócio cultural, em bairros de baixo IDH da capital cearense. Cada aluno receberá uma mochila contendo uma caixa de memórias com o material didático. As oficinas abordam temas como a história do Brasil e do Ceará a partir de uma perspectiva local, instigando a curiosidade dos jovens aprendizes a cerca de suas próprias histórias e da comunidade em que vivem. O projeto busca fortalecer nesses alunos o sentimento de cidadania e de identidade com as pessoas e o patrimônio cultural da comunidade, preservando a memória local. O objetivo do projeto é que as crianças e adolescentes envolvidos percebam-se enquanto sujeitos históricos que fazem parte da construção e manutenção da sociedade em que vivem e que têm o poder de atuar criticamente sobre a realidade.

A preservação do patrimônio cultural é resultado desse processo de identificação e do fortalecimento da auto-estima individual e coletiva da população.

Serviço:

Projeto Patrimônio para Todos da Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho

Formação das primeiras duas turmas:

Data: 9 a 14 de novembro

Local: Cuca Che Guevara

Horário: 8h e 13h30

Mais informações: (85) 3238 1244 / eao@eao.org.br

Fonte: Comunicação SECULT

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Crônica de Raymundo Netto pelo O POVO e para O POVO (06.11)


Crônica

Maracajá... JÁ!
Às margens da lagoa que lúcia e lenta soluça, a avarandada rotina da casa grande do Sítio Castelo era perturbada pela chegada de dois homens que contendiam entusiasmados: Demócrito Rocha e Antônio Garrido.

Demócrito, ainda ao primeiro degrau, vê a filha caçula ladeada a amiga, e anuncia:
— Lucinha, minha filha, trouxe o Garrido para almoçar comigo. Você sabe que eu não gosto de almoçar sozinho. Acredita que ele está tentando me convencer a criar um novo suplemento literário para o jornal?
— Pois é, dona Lúcia — confirma o convidado, em mangas de camisa —, há 80 anos “O POVO” lançou o “Maracajá”, e por que não aproveitar que estão publicando tão boas revistas no Ceará como “CAOS Portátil”, “Para Mamíferos”, “Pindaíba” e a “Literapia” e não lançar um suplemento literário, mesmo que aos domingos? A literatura está em efervescência por aqui: modernistas e passadistas, muitos escritores jovens, blogueiros, muita produção independente, eventos literários todo santo dia...

Assim, afastando um Zamenhof esquecido, sentaram-se ali mesmo em escuras cadeiras de espaldares altos, enquanto Lúcia acrescia o nome do novo amigo da casa em um caderno de pautas: “Antônio Garrido, poeta”.

A Adísia [Sá] dirigindo-se ao velho periodista — que após assentar com as mãos o cabelo penteado, desabotoava, a altura da barriga, o paletó — contou:
— Demócrito, um marido, certa feita, perguntou à mulher: “Querida, diga-me honestamente, você já dormiu com outro homem que não fora eu?”. A mulher sorriu e respondeu, graciosa: “Não, meu amor, só dormi com você, viu?” O marido suspirava aliviado, quando ela continuou: “Com os outros eu não dormia, não... ficava acordada, mesmo!” Boa essa piada, né? Eu gostei muito... “Com os outros eu não dormia...”
Gargalhadas dispersaram-se ao frescor da tarde frouxa. Demócrito voltou-se, então, ao afoito amigo e relembrou:
— Garrido, o Otacílio de Azevedo e o Orlando Luna Freire, que trabalhava com clicheria e com uma tipografia ao lado do meu consultório, me procuraram pedindo ajuda para publicar uma revista literária. A capa seria colorida, teria charges e clichês, uma novidade... Decidi lançar a “Ceará Illustrado”. Gostei tanto da bichinha que eu mesmo passei a distribuí-la nos quiosques e cafés da praça. Foi um sucesso! O mesmo ânimo eu tinha, anos depois, quando criamos os “bancos” como o da “Opinião Pública” cujo presidente era o Carlos Miranda.
— Lembro demais, Dr. Demócrito — afirmava Garrido ao colher, na travessa da mesa, um dos famosos pastéis da casa —, as pessoas brigavam por ela. E é esse o espírito da coisa... Inovação! E quando o senhor distribuiu os 300 cupons de votação na campanha de eleição do “Príncipe dos Poetas Cearenses”? Muitos leitores passaram a criticar os votantes que, segundo eles, não tinham propriedade para eleger ninguém, enquanto outros afirmavam que no Ceará nem poeta tinha!
— O pobre Galeno só teve 12 votos... Maldade... Ganhou o Padre [Antônio Tomás] mesmo!
— Vamos lá, homem, o povo precisa de mais vozes que lhe falem ao sentimento... O seu jornal e o “Maracajá” repercutiram em todo o país como veículos de divulgação do Modernismo cearense. Criaram polêmica, fizeram história. Todos os poetas vanguardistas modernos, como o Jáder de Carvalho, Rachel de Queiroz, Mozart Firmeza, Mário de Andrade, Filgueiras Lima, Edigar de Alencar, Sidney Neto, Franklin Nascimento e mesmo eu, fomos acolhidos por eles naquela época. Sei que isso acarreta mais despesas, mas lembro bem que quando o Sr. Chateaubriand quis comprar o seu jornal você não o vendeu, não foi?
— Claro... e você, venderia um filho?
— Nunca. E o seu jornal, Demócrito, não nasceu para defender os interesses do povo, ferir as oligarquias dominantes, clamar contra os desmandos dos governantes e defender o desenvolvimento do nosso Ceará? O “POVO” já é um patrimônio nosso!
— Mas não é ofício fácil, rapaz. Cheguei a ser surrado na frente de todos, certa tarde, na praça do Ferreira. Os policiais do Desembargador Moreira da Rocha me espancaram com rebenques e pontapés e tiveram a ousadia de me levar à Photo Sales para fotografar-me, ainda sangrando, como prova do serviço bem-feito. Ah, que eu daria tudo por essa foto hoje... — riu, passando a mão na testa lembrançosa.

A Ceará Rádio Clube, PRE-9, executava um sucesso do grupo “Quatro Ases e Um Melé” quando Garrido foi pegar outro pastel e flagrou o Biel, cabrito de estimação, surrupiando-os com um olhar moleque. Nisso, Demócrito, cruzando as mãos por trás da cabeça, divagava:
— Eita que bateu-me uma saudade das tertúlias da casa do cajueiro torto... Só a Creuza, mesmo... “Saudade que ainda espera, é lembrança...”, pensou. — Sabe, Garrido, os “modernos” de São Paulo metiam excessiva erudição no que faziam e bancavam sisudez. Nós cearenses somos alegres por índole. Lá, os rapazes para fazer a sua antropofagia precisavam dar o laço à gravata. O modernismo que eu entendo é esse que nós fizemos: modernismo nacional, saturado de tudo quanto é nosso, original, sugestivo, impressionante...
— Não esquecendo que o espírito modernista já existia em nossa “Padaria Espiritual”, em seu programa de instalação, trinta anos antes da Semana de Arte Moderna. É como o Guilherme de Almeida, ao nos visitar, disse: o modernismo não proveio de ninguém. Existe no ar de depois da guerra, como a gripe espanhola e o bolchevismo. É contagioso...
— E você vai acabar me contagiando com essa sua conversinha, poeta... Ah, toda vez que dou ouvidos a você... — levantou-se, de súbito: — Olhe, filha, não vamos esperar o almoço, não. Iremos agora mesmo para as bandas do bar do Silva. Já, já, estarei de volta. Deixe a rede pronta, ouviu?
— Mas, papai, vá beber não que o senhor sabe que fica valente... — alertou, zelosa.
— Pode deixar, Lucinha, eu preciso trocar umas ideias com outros amigos... e trago cá comigo a velha “imunidade”... — abraçou e beijou a filha e, ao cumprimentar a Adísia, revelou: — Minha amiga, dentre os sábios, industriais, poetas, historiadores e literatos, o tipo não mais admirável, porém, mais simpático, mais do século, mais original, mais moderno, é o jornalista periódico. Abracei essa profissão por instinto, quando ainda lhe não podia medir bem toda a importância. Confesso que ainda não tive um só dia de arrependimento, e que apenas a força das circunstâncias me afastará da carreira começada. — voltando-se ao poeta, esperançou: — Quem sabe, né, Toninho, esse tal “Maracajá”, ou quiçá outro suplemento, os tempos são outros, não saia mesmo?
E foram-se, sob o sol que tinia, lado a lado, os dois homens vestidos de ideias, caminhando por entre coqueiros e plantas emplacadas delicadamente no jardim colorido do vermelho das araras e do canto dos sabiás. As pétalas de murta, estouvadas no chão, sacolejavam com o vento de novembro deixando o varandado para trás. As lembranças persentiam por entre pesadas talheres que tilintavam sob a inicial bordada ao guardanapo e com o vozeado alegre de crianças do passado à comprida mesa branca de almoço. Estalando as colheres de cremosos doces de leite, a memória perfumosa do tempo emergia viva como NOTAS do velho rio, artéria aberta, que na pena do poeta vai morrendo e resistindo... morrendo e resistindo... resistindo sempre... como as rochas.

Demócrito Rocha (14.04.1888 – 29.11.1943) , poeta, jornalista e orador, nasceu na Bahia. Aos dois anos perdeu o pai, e aos cinco, a mãe. Aos 12 anos trabalhou como ajustador em oficina de reparação de locomotiva em Estrada de Ferro. Veio morar em Fortaleza como telegrafista (1912) e casou-se com Creuza do Carmo (09.02.1915) com quem teve duas filhas: Albanisa e Lúcia. Em 1921 formou-se em Odontologia; em 1924 publicou “Ceará Illustrado”; em 07.01.1928, funda o jornal “O POVO” e em 1929 lança o suplemento “Maracajá”. De 1935 a 1937 foi Deputado Federal. Pertenceu à Academia Cearense de Letras e Instituto do Ceará. Faleceu, vítima de tuberculose.

ANTÔNIO GARRIDO: pseudônimo com o qual Demócrito Rocha assinava sua produção literária, inclusive a do famoso “Rio Jaguaribe”. Algumas das falas de Demócrito e Garrido são adaptações livres de textos de Demócrito Rocha. A pesquisa de texto baseou-se principalmente em “O Modernismo na Poesia Cearense: primeiros tempos” de Sânzio de Azevedo.

Raymundo Netto é escritor. Contato:
raymundo.netto@uol.com.br

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Lançamento "O Discurso Constituinte" de Dimas Macedo (05.11)

LANÇAMENTO
O Discurso Constituinte: uma abordagem crítica
(Editora Fórum)
de Dimas Macedo
Data: 05 de novembro de 2009
Horário: 17h
Local: La Maison Buffet
Endereço: Av. Engenheiro Luís Vieira, 555, Papicu, Fortaleza, Ceará
Evento: Congresso Internacional de Estudos Constitucionais
Apoio: FortLivros
Patrocínio: O POVO

domingo, 1 de novembro de 2009

Prêmio de Literatura UNIFOR 2009 - Crônicas

Carmélia Aragão, Aíla Sampaio e Fernando Siqueira

O AlmanaCULTURA divulga, a seguir, o Edital do Prêmio de Literatura UNIFOR. Na edição 2009, dedicada à produção de Crônicas.

Ano passado, na categoria CONTOS, os vencedores foram Fernando Siqueira (Obra Inédita) e Carmélia Aragão (Trabalhos Inéditos).
A premiação das viagens à Washington e ao Rio de Janeiro é pouco vantajosa e confusa, além de pouco atraente. A coletânea de contos inéditos, ano passado, foi, surpreendentemente, de baixa qualidade gráfica e sem beleza nenhuma, no que chamamos a atenção dos organizadores.
Chamamos a atenção também para a pouca divulgação na mídia, o que também surpreendeu, principalmente por pertencer ao Grupo Edson Queiroz a TV Verdes Mares, a TV Diário e o jornal Diário do Nordeste (que no ano anterior, primeira edição do Prêmio, ao contrário, trouxe páginas inteiras sobre o ganhador no gênero Poesia, Carlos Augusto Viana, que curiosamente trabalha para o jornal) dentre outras mídias.
Enfim, a ideia da premiação é ótima, mas tem que melhorar muito para ser considerado um grande prêmio. Aliás, em vez de tais viagens (é a terceira edição com a mesma premiação) por que não pensar em pagar os contemplados?
Entretanto, vale sempre a pena participar e divulgar a nossa produção. Assim, a quem interessar...

PRÊMIO DE LITERATURA UNIFOR 2009


Edital do Prêmio de Literatura UNIFOR


R. Nº 29/2009, 20/10/2009


A Universidade de Fortaleza torna públicas as condições do Prêmio de Literatura UNIFOR 2009 A Reitora da Universidade de Fortaleza, no uso das atribuições estatutárias e regimentais que lhe são conferidas, torna públicas, para conhecimento dos interessados, as condições do Prêmio de Literatura UNIFOR 2009. O Prêmio de Literatura Unifor 2009, promovido pela Universidade de Fortaleza, é instituído para laurear autores de textos inéditos, mediante concurso de criação literária, no gênero crônica, cultivando-a e valorizando-a.

Essa premiação é de fundamental importância para a Universidade, visto que lhe amplia o espaço de formação humana, aproximando-a, cada vez mais, das artes e da cultura em geral.

O referido concurso rege-se pelas cláusulas e condições abaixo discriminadas.

1 - OBJETIVOS

1.1. Incentivar a criação literária e sua divulgação como forma de promoção do hábito de leitura.

1.2. Divulgar novos escritores no seio da sociedade, através da publicação de suas obras.


2 - Áreas do concurso

2.1. Obra inédita.

2.2. Trabalhos inéditos.


3 - Inscrições e apresentação dos trabalhos

3.1. Para obra inédita:

a) Poderão inscrever-se autores com um livro de crônicas em Língua Portuguesa.

b) Os autores concorrentes deverão, no ato da inscrição, apresentar 3 (três) exemplares da obra. c) No ato da inscrição, acompanhando os exemplares da obra, o concorrente deverá anexar envelope lacrado contendo as seguintes informações: externamente, o nome do concurso e o título da obra; e, internamente, fotocópia da identidade e do CPF, bem como um breve currículo do candidato.

d) Será considerado obra inédita o volume com, no mínimo, 100 (cem) páginas de crônicas que não tenham sido publicadas, em nenhum órgão de comunicação.

e) Os originais deverão ser entregues sob pseudônimo, acompanhados de envelope lacrado, que guardará a identidade do concorrente, só revelada em caso de premiação deste.


3.2. Para trabalhos inéditos:

a) Poderão inscrever-se autores de crônicas absolutamente inéditas e escritas em Língua Portuguesa, pois, uma vez já publicadas, quer o todo ou uma parte, implicará o fato sua eliminação a qualquer tempo do certame.

b) Cada trabalho deverá ser apresentado em 3 (três) vias, contendo o pseudônimo, em papel tamanho A4 (210mm x 297mm), em espaço 2 (dois ou duplo), digitado de um só lado do papel, sem rasuras ou emendas manuais, com uso da fonte Times New Roman, tamanho 12, tendo todas as páginas numeradas, em número máximo de 5 (cinco) para cada crônica.

c) É necessária, também, a apresentação dos trabalhos eletronicamente em CD, a serem validados no ato da inscrição, e com etiqueta contendo o pseudônimo do autor.

d) No ato da inscrição, o candidato deverá apresentar um envelope contendo, internamente, as vias do trabalho, impressas e em CD, acompanhadas de um breve curriculum do autor; e, externamente, etiqueta com as seguintes informações: nome do concurso, área de inscrição, pseudônimo do autor e a palavra “Curriculum”.

e) Cada participante poderá inscrever no máximo 3 (três) crônicas, com o máximo de 5 (cinco) páginas cada uma.

f) É vedada a inclusão, sob pena de eliminação do candidato, de qualquer elemento que permita a identificação do autor.

g) Os requisitos acima deverão ser cumpridos rigorosamente no ato da inscrição, sem o que os trabalhos não serão aceitos pela Vice-Reitoria de Extensão e Comunidade Universitária.


4 - Local e prazo:

a) As inscrições estarão abertas no período de 20 outubro a 30 de novembro de 2009, na Vice-Reitoria de Extensão da Universidade de Fortaleza, Av. Washington Soares, 1321, Bairro Edson Queiroz – Fortaleza/CE, CEP: 60811-905. As inscrições também poderão ser feitas pelo correio. Informação: (85) 3477 3311.5 - Comissão Julgadora - Prazoa)

A Comissão Julgadora será composta por três professores de Literatura em Língua Portuguesa, cujos nomes serão mantidos em sigilo.

b) As decisões da Comissão Julgadora serão irrevogáveis.

c) A Universidade de Fortaleza terá o mês de dezembro de 2009 para julgar os trabalhos e a partir de janeiro de 2010 para editar o livro premiado e a coletânea de crônicas.

d) A divulgação do resultado, a entrega dos prêmios e o lançamento dos dois livros serão feitos por ocasião do aniversário da Universidade de Fortaleza, no dia 21 de março de 2010, em solenidade no Teatro Celina Queiroz.


6 - Premiação

1. Obra inédita:

a) A Comissão Julgadora selecionará apenas 1 (uma) obra inédita, à qual caberá o prêmio de uma viagem a Washington, para visitar a Biblioteca Nacional do Congresso Americano, além da publicação da obra 400 (quatrocentos) exemplares.


2. Trabalhos inéditos:

a) A Comissão, em seu julgamento final, selecionará 20 (vinte) trabalhos para a premiação, classificando-os do 1º ao 20º lugar.

b) O autor classificado em 1º lugar receberá o prêmio de uma viagem ao Rio de Janeiro para visitar a Biblioteca Nacional.

c) Os autores classificados entre o 2º e o 20º lugar, inclusive, terão seus trabalhos publicados numa coletânea 400 (quatrocentos) exemplares.

d) A Unifor publicará o livro “Coletânea”, contendo os trabalhos selecionados, conforme descrito no item (5-c), até o 20º colocado.

e) Cada autor que tiver seu trabalho inserido no livro receberá 20 (vinte) exemplares da edição.


7 - Disposições Finais:

a) Os trabalhos inscritos no concurso não serão devolvidos.

b) Os prêmios, nas duas áreas, sob nenhuma hipótese, serão divididos, devendo a Comissão Julgadora, por unanimidade ou por maioria simples, definir-se por uma obra concorrente.

c) A inscrição do candidato e a entrega dos trabalhos e/ou obra inédita subentendem o conhecimento e a aceitação deste regulamento, bem como a autorização para a publicação dos trabalhos, caso selecionados.

d) Os professores do curso de Letras da Unifor não poderão participar deste concurso.

e) Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora do Certame (Vice-Reitor de Extensão e Comunidade Universitária, Diretora do Centro de Ciências Humanas e os três professores julgadores), que não poderá, no entanto, alterar as normas aqui instituídas.


Fortaleza, 20 de outubro de 2009.

Profª Fátima Maria Fernandes Veras

sábado, 31 de outubro de 2009

Sorteio de "O Livro das Horas da Praça do Ferreira" e a "Para Mamíferos" para os seguidores do AlmanaCULTURA



Clique na imagens para ampliar!

"(...) Chega o primeiro pregador, Bíblia na mão e paletó anacrônico. Ele observa os circundantes com aquela indulgência superior de quem conhece os caminhos que levam ao céu. Alguém levanta a porta rolante da tabacaria que fica embaixo do Excelsior e um homem de meia idade, postado ao lado da Coluna da Hora, acende um cigarro." (José Mapurunga)


Meus amigos e amigas,

O AlmanaCULTURA receberá, excepcionalmente, até amanhã (01.11.09), as últimas incrições para participar do sorteio do kit com os romances autografados: Yuxin (Ana Miranda), Um Conto no Passado: cadeiras na calçada (Raymundo Netto), Rita no Pomar (Rinaldo de Fernandes) e Exuberante Pós-Nada de Astolfo Lima Sandy.
Para participar é só deixar como comentário (usar o link abaixo) o nome de três livros cearenses com seus respectivos autores.

Dois dos seguidores do AlmanaCULTURA, inscritos até amanhã (até agora são 53), automaticamente estarão concorrendo, RESPECTIVAMENTE, ao magnífico Livro das Horas da Praça do Ferreira (Edital de Artes da SecultFOR), editora Omni, autografado por José Mapurunga, coautor com Jarbas Oliveira, e a uma revista Para Mamíferos nº 1 (disponível também para venda em livrarias e bancas da cidade, sendo o contato para dúvidas pelo e-mail paramamiferos@gmail.com).

Acesse o link a seguir e não perca tempo. É prêmio demais!

http://raymundo-netto.blogspot.com/2009/09/2-sorteio-de-livros-de-autores.html


Literatura Cearense na "BRAVO!"


Nas bancas a edição de outubro da revista BRAVO!, Editora Abril, traz na capa a cantora Maria Bethânia. Em sua seção LIVROS: matéria com João Ubaldo Ribeiro que lançou O Albatroz Azul (Nova Fronteira) e fala sobre sua nova fase pós depressão e alcoolismo, a "resurreição"; outra sobre A Educação Sentimental de Flaubert e sobre Refrão de Fome, de Jean Marie Le Cléxio, Prêmio Nobel de Literatura em 2008, além de uma seleção de livros.
A novidade, desta vez, fica por conta de uma revista-encarte que a acompanha: a Bravo! Ceará.
Totalmente voltada à cultura cearense, a Bravo! Ceará destaca o Dragão do Mar em seus 10 anos de ação, a Casa de José de Alencar, o Theatro José de Alencar às vésperas do Centenário, o GEO Park Araripe, o Parque Estadual das Carnaúbas (meio ambiente), a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto, a Orquestra Eleazar de Carvalho, Panorama das Artes Plásticas Cearenses, Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho, a Arte de Fazer Rir do Ceará (com destaque a Chico Anysio), a Bienal de Dança do Ceará, as Produções Cinematográficas Cearenses e a Cultura Popular.
Na Literatura: O Canto do Patativa, matéria ilustrada sobre a vida e obra do poeta de Assaré na despedida do ano de seu centenário; Cartilha com Rima, o Cordel nas salas de aula (com participação de Arievaldo Viana); Vida Nova às Letras, entrevista com o escritor Raymundo Netto e a participação de Batista de Lima.
Nas bancas, ainda dá tempo de ter a sua.

Os "FitoManos" de Raymundo Netto em "Antropofagia"


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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Luau Literário do Movimento Proparque (01.11.2009)

O Movimento Proparque comemora seus 14 anos com o Luau Literário, dia 1º de novembro, domingo, às 19 horas, no anfiteatro do Parque Ecológico Rio Branco, entrada pela Av. Pontes Vieira ou pela R. Capitão Gustavo.

Show do cantor Calé Alencar com participação especial do Maracatu Nação Fortaleza, que fará cortejo pelas alamedas do parque.

Quem quiser conhecer mais do Movimento Proparque, acesse sua página na internet:
http:movimentoproparque.blogspot.com
Ou se quiser, contato:
e-mail: movimentoproparque@bol.com.br
Fones 3254.1203 e 8838.1203
Ademir Costa e Luísa Vaz

domingo, 25 de outubro de 2009

"Ideal: Sombra, História e Água Fresca", crônica de Ana Miranda para O POVO


Crônica O POVO 16 de outubro de 2009
O Ideal é clube de minha infância, quando passo ali na frente, vejo o muro de pedras, os arcos se debruçando sobre varandas, ainda coqueiros, ainda o branco, ainda a torre, ainda as telhas, sinto o coração se apertar e aquele sabor proustiano de ter mordido um bolinho de madalena. A água azul, o professor russo de balé, a festa de aniversário... O mundo tão amplo, a vida tão encantadora, os dias tão intensos... Minha mãe era moça do interior, e se casara com o doutor engenheiro, em Lima Campos, como num sonho de cinderela.

Depois de mandá-la estudar na Escola Doméstica de Natal, onde ela aprendera alguns refinamentos, meu pai a trouxera para a capital, introduzindo-a num mundo que ela conhecia apenas de comentários. Foi um desafio para ela frequentar os bailes e as demais atividades do clube, ali era a prova de sua aceitação, e de ser aceita por uma sociedade constituída, com seus costumes e sua atmosfera. Ela gostou, era, e é, uma mulher alegre, bem disposta e aberta ao novo. Gostava de dançar, gostava de esportes, de jogos, de conversas, de participar da vida da cidade, de vestidos bonitos...

O Ideal me faz recordar a presença das costureiras e bordadeiras, das rendeiras, que vinham em nossa casa preparar a toalete do casal. Minha mãe conta que havia uma lavadeira só para lavar e engomar as camisas de papai, imaculadas. Mulheres que ganhavam a vida executando suas pequenas obras de arte em tecidos preciosos, recobrindo-os da beleza de suas mãos dedicadas...
O Ideal para mim estava ligado à despedida de meus pais, impecáveis, rumo a uma vida glamurosa e intensa, levados pelo sócio de meu pai numa empresa construtora, meu padrinho querido Edgar Sá, membro antigo daquela confraria cearense.
Na minha volta ao Ceará, lá está ele, o Ideal: distinto, preservado, lindo, abrigando tantas lembranças, de uma Fortaleza alva, espaçosa, bulevares, praças, palacetes, edifícios públicos, no gosto eclético. Intrigou-me a origem daquela arquitetura, que faz lembrar os casarões californianos de inspiração mexicana. Até que chegou a minhas mãos uma revista que conta algo da história do clube, suas origens, sua construção e cotidiano. Um dos fundadores do clube, numa viagem internacional, teria trazido a planta de um hotel da Califórnia em estilo característico da região, o Colonial Mexicano, para servir de modelo, mas o clube foi projetado por um arquiteto importante na história da arquitetura cearense: Sylvio Jaguaribe Eckman, descendente de um dos Alencar que sucumbiram na guerra de 1817.

Também a publicação esclareceu-me a origem do nome e do clube, em versões pitorescas, narradas no discurso de um dos fundadores. No começo dos anos 1930, um grupo de doze amigos, entre comerciantes, banqueiros, industriais, um arquiteto, um exportador, um pecuarista, um médico, costumava tomar banho num tanque, que ficava em terras de um deles, entre goles de bebidas espirituosas e boas conversas. Comentavam que aquele poço "possuía as maravilhosas virtudes da fonte da juventude, onde Juno se banhava para parecer sempre jovem e bonita ao poderoso Júpiter"; e para acrescentar encanto à lenda, inventavam que ali Iracema, a tabajara, descansava à sombra de cajueiros, quando voltava de seu banho na lagoa de Parangaba.
Os homens saíam do banho vibrantes, deliciados com o frescor da água, e comentavam, "É maravilhoso! É ideal!" Daí teria surgido o nome. Mas é verdade, também, que o clube recebeu o nome do local onde se reuniam os doze amigos: Sítio Ideal. Ali, naquela chácara num bairro chamado de Damas porque era repleto das perfumadas damas da noite, foi fundado o clube em sua primeira sede. A segunda, balneária, foi na Praia de Iracema. A de minha infância é a terceira.

A história do clube é repleta de episódios como este: pouco antes da Guerra veio a Fortaleza um vaso alemão; os oficiais desembarcaram e foram conhecer o clube. Convidados para uma tertúlia noturna, souberam que a festa teria de terminar, porque as luzes da cidade eram apagadas em racionamento. Um dos oficiais, então, fez sinais em código para o navio, que fundeara em frente ao Ideal, e num instante dois imensos holofotes do navio foram acesos sobre a festa, que pôde continuar noite adentro, bem iluminada. A força desse clube era tão grande, como padrão de comportamento, que na minha infância, quando em Fortaleza uma pessoa se arrumava bem, comentavam: "Parece que vai ao baile do Ideal!"
Ana Miranda é escritora, autora de Desmundo, Dias & Dias, Yuxin e outros.