sábado, 21 de abril de 2018

"Bodas", de Raymundo Netto para O POVO



O assunto de domingo em família não poderia ser outro: as bodas de prata daquele casal. Irmãos, cunhados, filhos, genros, noras e netos, enquanto bebiam e comiam como se o mundo fosse acabar amanhã, abusavam do tema com os protagonistas, exigindo-lhes confissões e histórias do passado – algumas que eles próprios gostariam de esquecer ou das quais não se orgulhavam. Portanto, com todos os detalhes que só os chatos conhecem e exigem, se ocupavam do encontro marcado pelo destino, a chegada dos filhos, as noites em claro, os passeios em grupos e tudo o mais que testemunhasse estar ali um bastião do amor perpétuo.
Conversa vai e a cachaça vem, um cunhado – sempre tem um – saiu com a fatídica e desconcertante pergunta: “E no rala e rola, como anda o casal?”
Átila, na berlinda, assegurou enfaticamente: “É todo dia, meu filho. Sem falta. Bato esse ponto todos os dias!” A aclamação foi imediata, assim como à esposa, a Arlete, que, com sorrisinho sem graça, recebeu palmadinhas nas costas do mesmo maldito cunhado.
Contudo, horas depois, já em casa, o silêncio que preenchia o trajeto se avolumava diante da inquietude de retratos pregados na parede, no console e na cabeceira a denunciar a chegada de estranhos.
Como de costume, Arlete dirigia-se ao quarto e enfiava, como um avestruz na areia, a cabeça no travesseiro. Átila ligava a TV para assistir a qualquer coisa, qualquer mesmo, até dormir e roncar como se estivesse para morrer, mas nunca seguia a esposa àquele quarto. Esperava uma hora, duas ou mais. Daí, sim, dirigia-se a ele e delicadamente deitava-se à cama, na pequena parte que lhe cabia. Ela, por outro lado, assistia à chegada do marido com o mesmo silêncio. Deste modo, durante anos, como num pacto: ele fingia que achava que ela estava dormindo e ela fingia dormir e que não o via chegar. Naquele dia, porém, Arlete sentira uma dor absurda: “É todo dia, meu filho. Todos os dias”. Não saía de seus ouvidos a voz do marido naquele gracejo idiota e inverossímil. Não sabia por que, mas a ideia de deitar-se com ele, de saciar-lhe qualquer desejo ou oferecer-lhe o mínimo prazer, soava como uma ofensa descomunal. Então, durante dias, ela não conseguiria mais falar, sequer olhar para ele.
Na noite da véspera da festa, algo aconteceu. Estava ela deitada a fingir seu sono, quando Átila chegou. Para sua surpresa, ele falou: “Arlete, amanhã é melhor não se esquecer de ligar cedo para o bifê” e se cobriu no lençol. Ela arregalou os olhos. “Então, por todos aqueles anos ele sabia que ela não estava dormindo?”. Ele sabia! Ele sabia... Assim, como se fora toda feita em água, chorou até amanhecer.
Era o dia da festa de bodas. Um investimento absurdo. Amigos, familiares, colegas da empresa, alegres, reuniam-se em torno daquele amor que, gratuito, adoçava com bem-casados a boca de todos. E, na ritual hora do brinde, o prestigiado Átila, felicíssimo em um fraque alugado, segurando a mão de uma apática Arlete, levantou a taça e proferiu um discurso comovente. Ao final, arrematou: “E, o mais importante, mesmo após 25 anos, bato esse ponto todos os dias...” No que a mulher levantou-se, gritando alucinada, como se em humilhação pública: “Mentira! É Mentiraaaaaa!”



segunda-feira, 9 de abril de 2018

"O Plano Materno", de Raymundo Netto para O POVO



“Mulher dormindo com o filho” (1926), de Hermann A. Scherer.

Mamãe, eu não sei mais o que fazer com Imaculada...
Dona Mariquinhas, a mãe, era viúva de longa estrada. Com a morte de Horácio, o venerado esposo, enfrentou a criação e sustento do filho, fruto primeiro e único desse inconsolável amor. Daí, pouco sair à rua. Menos ainda amigos. Mesmo quando do filho em casa, para ajudá-la nas tarefas domésticas, as mais pesadas, tinha apenas o auxílio de Amâncio, um jovem abobalhado e truculento que criara desde menino, acolhido no lar em troca de casa e comida. Depois do casamento do filho com a sua primeira namorada, aquela Imaculada, sofreu horrores de abandono do ninho, até acostumar-se, se é que isso aconteceu.
. Aquele filho, no entanto, cheio de mimos, tornou-se um palerma de primeira. Tirando a instrução, mal sabia amarrar os cadarços. Naquele dia, por exemplo, em meio a dúvidas profundas, largara a clientela do escritório para buscar a barra de sua saia: “Imaculada, há dias, estava irreconhecível. Comprara lingerie indecorosa e uma calcinha que... (enguiou) e, no momento do amor, pôs-se a me dizer obscenidades, sem-vergonhices, palavrões. Pedir coisas. Nunca foi disso antes. Parecia endemoniada.”
A mãe desconfiou: “Tem boi na linha...” Aumentou a pressão dos dedos no cafuné. “Algum cafajeste está na área ou é má influência de amigas solteiras.” Concluiu: “Também, não há mais homens. Como o Horário, que era homem com H maiúsculo, e com 2 H, é bom que se diga, não se encontra mais.”
— Também não se encontra mulher como você, mamãe. Mulher honesta, irrepreensível, fiel até depois da morte. Diz, mãezinha, o que devo fazer?
— Uma prova! Você precisa é de uma prova. Mulher quando se perde, tem jeito não. As sonsas são as piores! Mas deixe que a sua mamãe tem uma ideia...
Então, dona Mariquinhas segredou ao ouvido medroso o terrível plano.
No outro dia, estava o casal na sala. Ele na poltrona e Imaculada deitada no sofá, quando batem à porta: um mensageiro! Vinha lhe entregar um buquê de rosas escandalosamente vermelhas. O canastrão, sabendo do embuste, pediu que ela atendesse. Fingiu surpresa: “Rosas? Deve ser engano. Só pode.” Percebeu ela colher o cartão do pretenso amante – com mensagem que ele mesmo digitara – e o esconder furtivamente ao decote: “Ah, mas são lindas... Vou pô-las no vaso, amor.”
Ainda com teatro, ele anunciou sono e dirigiu-se ao quarto, orelha em pé, ouvindo a esposa falar baixinho ao celular. Logo, confusa e disfarçando o pouco jeito, a mulher entrou no quarto e começou a se despir. Não suportando mais, ele saltou rapidamente, pegou o celular dela e saiu correndo, enlouquecido: “Sua vagabunda! Eu mato ele! Eu mato os dois!
Como sempre, sem saber o que fazer e incapaz de matar uma barata, correu em busca do colo materno que, no adiantado da hora, estava às escuras. Entrou. Sentindo-se irremediavelmente ferido de traição, como um bebê assombrado, se jogou na cama da mãe, sendo violentamente apanhado pelos seus braços:
— Amâncio, seu guloso, quer mais da sua cachorra, né? Vem, tarado, vem!
Então, completamente pasmo e entregue, provou daquele beijo a fórceps, a quase extrair-lhe a alma inteira.



segunda-feira, 26 de março de 2018

"De Pedra", de Raymundo Netto para O POVO



Mesmo não suportando a loucura da mulher, vê-la partir lhe seria insuportável.
Uma noite, durante conflituoso jantar, a drogou. Tomou-a adormecida nos braços e a levou para o mato, quase em frente à lagoa, ainda visível à janela de sua casa. Lá chegando, amarrou-a rente a um tronco estreito de árvore, onde previamente havia preparado baldes com água, areia e cimento.
Desacordada, ela respirava suavemente, balbuciando seu nome e deixando que a lua revelasse a ternura no rosto, à medida que ele punha e moldava sobre seu corpo a massa ainda molhada do cimento. Começou pelos pés. Aos poucos, as pernas, o tronco, os seios, os braços, até finalmente cobrir-lhe toda a cabeça.
Amanheceu. O Sol o encontrou sentado no capim, ainda trêmulo, com uma pequena espátula à mão e olheiras marcadas de despedida, enquanto iluminava e aquecia a figura tosca daquela mulher. Foi quando teve a impressão de ouvir dela um soluço abafado, quase como um estalo. “Acordara?”
Todos os dias, seria a primeira imagem que veria ao levantar. Horas e horas à janela.
À noite, tinha pesadelos. Ouvia os seus desaforos, as suas lamúrias. Imaginava que ela lá não mais estaria, que mesmo em pedra pudesse lhe escapar, se lançando nas águas lodosas da lagoa. Mas não. Ela permanecia ali, imóvel, como encantada, a seu alcance, aquecida para sempre em seu amor e zelo. E assim foi durante meses.
A ausência dela era quase despercebida. Trabalhava em casa, poucos amigos, filha única de mãe idosa. Quando muito, um telefonema — "Ela não está. Quer deixar recado?" — Não queria. Sabia que a ingrata não retornaria.
Aos finais de tarde, aguardava a noite ao lado da mulher. Falava sobre seus dias, contava-lhe novidades, a presenteava, confessava a falta que lhe fazia e, por fim, numa loucura própria e sincera dos amantes, a cobria em beijos amorosos, se agarrando àquele corpo frio, áspero e inerte.
Em uma noite quente, porém, ele acordou e viu ao pé de sua cama a mulher de pedra. Em silêncio, e através de seus olhos nus e cinzentos, parecia mirá-lo, até jogar-se sobre ele, e, com as mãos, tomar-lhe fortemente o pescoço e o ar. Valendo-se do vagar desajeitado da estátua, ele conseguiu, com esforço, escapar-lhe. Ainda torpe e surpreso, pegou uma marreta e a golpeou no abdome. O corpo começou a rachar. Abriu-se de meio a meio. "O que foi que eu fiz, meu amor? O que foi que eu fiz?", repetia. A estátua fez-se em pedaços e de seu interior apenas um grito moribundo, aterrorizante, de uma agonia jamais ouvida igual.
Ele, abalado, jogou-se sobre os escombros, a procurar a mulher, qualquer pedaço dela, mas nada encontrou. Saiu gritando, com restos de entulho nas mãos, e jogou-se na lagoa, pondo-se no fundo da lama com o peso de sua própria consciência e da imagem perdida de sua mulher amada.


quinta-feira, 15 de março de 2018

"Versos ao Sono", soneto de Sânzio de Azevedo



Meus pais se foram, já faz muitos anos.
Perdi depois o irmão mais velho e, um dia,
minha única irmã a travessia
inevitável fez, e dos meus manos

apenas um ficou. A fantasia
enche-me a solitude com os enganos
quando, à noite, mergulho nos arcanos
dos devaneios, que a lembrança cria.

Dormindo, pela névoa da saudade,
estou a vê-los novamente rindo
como os via, feliz, na mocidade.

Hoje, o consolo aos dias mais tristonhos
é, no meio da noite, o instante lindo
de rever o passado nos meus sonhos.



segunda-feira, 12 de março de 2018

"La Femme Bateau", de Raymundo Netto para O POVO


Foto: Francisco Viana


Para Sérvulo Esmeraldo
no Dia Internacional da Mulher

Vivia solitária em um barquinho rizado a se equilibrar por sobre longarinas a guerreira cariri. Por olhos castanhos amendoados, assistia todos os dias às crianças encimadas em ondas crespas a usar e abusar do seu eterno vaivém: “Quisera também eu ter essa liberdade”, pensava.
Ao longe, podíamos vê-la, quase triste, os compridos cabelos sempre a acompanhar a ciranda dos ventos e o passo do tempo, abstraída às manhãs num manto de luz e completamente enamorada pela linha do horizonte. Cansada da sua calculada ilusão, tinha por sonho, não sabíamos, bordejar, cruzar o desejado horizonte úmido e distante em abraços.
Um dia, o sol não amanheceu. Nuvens escuras tomaram os céus e o seu corpo em sombras, lançaram espadas de luz, rugiram e entornaram na terra outro mar cristalino.
As águas marinhas não aceitaram a invasão daquelas celestiais e as combateram com suas maiores e mais potentes vagas, numa revolta devastadora jamais vista.
A guerreira de aço testemunhou com assombro o violento embate das águas que ali se dava. Aos empurrões e tropeços, se jogavam contra as pedras da praia em forma de arrebentação, levando com elas o fundo do mar em areias e destroçando as vigas de madeira do velho píer. Era “o mar engolindo lindo e o mal engolindo rindo.”
Foi quando, com astúcia e na certeza da efemeridade das coisas, o mar verde esmeraldo lançou-se sobre ela, como se a devorasse, e a arrancou de seu cativeiro.
Por um momento, saracoteando na crista da onda, ela acreditou ter alcançado o seu sonho: “Liberdade, finalmente?” Buscou seu amado e não o encontrou. Não havia mais nem céu nem mar, apenas um mundo gris. Todavia, desastrada e pesada, tombou na profunda escuridão do mar, no qual, antes de desmaiar, por um ângulo exato pôde ver os botos-cinzas cor de chuva, debochados como eram, a brincar de atrações nas ruínas do malfadado aquário natimorto.
Acordou dias depois, com parafusos a menos, assistida por homenzinhos com pés de pato. Ela, porém, para a surpresa deles, teimava em não segui-los. Não queria voltar.
Na superfície, cansada de lutar contra a sua captura, rodeada por uma turba de curiosos, ouviu, como em uma viniciana anunciação, quando lhe perguntaram: “De onde vens assim, tão suja de terra?”
E ela respondeu, pois eu ouvi, na voz silente dos ventos: “A maior provação para o amor é deixar partir. Queria mesmo era ficar na lembrança, sentir a permanência única da saudade, colorir o imaginário do povo como aquela que se fez livre, escolheu seu caminho e se foi para todo sempre.”



sábado, 3 de março de 2018

Amigos do AlmanaCULTURA: Sânzio de Azevedo



Demócrito Rocha: 130 anos

Quando professor de Literatura Cearense no Curso de Letras da UFC, ao falar do Modernismo, o nome que eu mais destacava era o de Demócrito Rocha, o poeta de “O Rio Jaguaribe é uma artéria aberta”, que assinou (como a todos os seus poemas) como Antônio Garrido. Ao incluir o poema na minha Literatura Cearense (1976), pensei em pôr o pseudônimo, mas era tarde: todo mundo sabia quem era o autor dos versos: “O Rio Jaguaribe é uma artéria aberta / por onde escorre / e se perde / o sangue do Ceará. / O mar não se tinge de vermelho / porque o sangue do Ceará / é azul.”
Se formos pinçar os termos científicos do poema, veremos que são muitos, como artéria, plasma, hemoglobina, sístole, aneurismas, rede capilar, carótida, injeção de soro, células, protoplasma, cromatina, etc., mas vamos ver que os vocábulos, lidos ao longo do texto, se diluem na eloquência que povoa os versos, razão de ter sido um dos poemas preferidos pelos declamadores. 
Esse baiano de Caravelas, que veio ser jornalista no Ceará, fundando em 1928 o jornal O POVO, merecia ser mais lembrado. Raymundo Netto, notável trabalhador intelectual, escreveu uma série de textos sobre ele, mas suponho que não foram enfeixados em livro. Mas um dia desses ele, Netto, lembrou que este ano de 2018 marca os 130 anos do escritor.
Nesse artigo, em que faz justiça ao homem de letras, Raymundo Netto afirma: “Quem conhece um pouco da história do Ceará sabe que é impossível se passar pelas décadas de 1910 a 1940 do século XX sem tocar no seu nome.”
Meu Pai, o poeta e pintor Otacílio de Azevedo, que conheceu de perto esse intelectual, ao lembrá-lo no livro Fortaleza Descalça disse ter sido ele “talvez o maior dos jornalistas de nossa terra”.

Sânzio de Azevedo
                                                      Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, membro da Academia Cearense de Letras e, ainda hoje, o maior pesquisador da literatura produzida no estado do Ceará.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

"Boca de Beijar", de Raymundo Netto para O POVO



Era de uma loucura por beijo. Fazia tudo, de tudo, por um beijo. Não lhes negassem um beijo por nada. Antes a morte! Embora, entre últimos suspiros, não abrisse mão, digo, a boca, do derradeiro beijo.
Fosse uma mocinha inexperta, pregada à soleira dos castos anos, a avistar ao longe as guirlandas de uma ingênua paixão, vá lá! Mas ouvir de um homem feito, quarentão, mais vivido e passado do que colarinho de político, o discurso meloso sobre um mero beijo, soava para nós tal qual uma extravagante promiscuidade.
De fato, Nicolau era um homem comum, sem nenhum dote a justificar o aparente sucesso com as mulheres. De novo, apenas aquela devoção à teoria sobre o beijo, que, em alguns momentos, para nosso deleite de mesa de bar, assumia um tom sobrenatural:
– O beijo, meus amigos, não duvidem, é o mais poderoso afrodisíaco que há na Terra. Escolho as mulheres pelo beijo. Entrego-me àquele que me há de ser sempre doce e profundo, pleno, demoroso, longo e largo como uma vida inteira...
Daí, em torno de um Tristão de olhos cerrados, surgia uma aura frouxa, como rósea névoa, a lhe tomar o rosto e o peito, enquanto naqueles lábios subitamente tácitos, eu juro, podíamos sentir a presença do fruto etéreo em sua boca fanaticamente desejada.
Não era segredo para ninguém. Aliás, ele mesmo fazia questão de espalhar a sua tara por bocas. Até as mulheres que, por fado, lhe caiam na conversa,  sabiam da sua fama de imodesto e cobiçoso beijador. No começo, foi levado no pagode, mas depois, com o tempo, veio o incômodo da vizinhança. Suas vítimas avolumavam-se dia após dia. O inaceitável é que, após o previsível desenlace, elas sofriam horrores, dignas de uma viuvez de falecido vivo. Maldiziam o desgraçado, choravam às esquinas, mas nunca que jamais o esqueciam. Por toda a região se sabia: "Ai de quem as tivesse depois de Nicolau..."
O único que parecia não se inquietar com isso era o próprio Nicolau, a se passar tão serelepe quanto antes, entregando os beiços sedentos a novas candidatas seduzidas pela experiência idílica de seu beijo vicioso.
Os outros rapazes, num misto de vergonha e incompetência, passaram a hostilizá-lo, assim como os familiares das ex-namoradas. Afinal, lhes parecia inconcebível aquela impudica e inarredável dependência pela boca alheia, o que fez com que o galã se visse obrigado a sair menos às ruas. E, quando o fazia, era um rebuliço: as mães cerravam as janelas dos quartos das moçoilas já inclinadas à tentação, enquanto procuravam, com custo, segurar as demais, ainda por ele encantadas, na busca desesperada de uma calorosa reconciliação.
Numa manhã, o inevitável: "Nicolau foi encontrado morto, provavelmente a pauladas, numa vereda do boqueirão", contou-nos, com descarado alívio, o delegado, pai de uma das moças beijocadas pelo “libertino”.
Deste modo, muitas mães também eufóricas ao receberam as “boas novas” abriram as cortinas e as janelas das alcovas de suas filhas que, assim como outras surpresas e honradas mulheres, naquela mesma manhã, despertaram, para o espanto geral, sem bocas.


sábado, 24 de fevereiro de 2018

V Seminário da Rede de Leitura Jangada Literária (27 e 28 de fevereiro)



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O V Seminário da Rede de Leitura Jangada Literária será realizado nos dias 27 e 28 de fevereiro de 2018, na cidade de Fortaleza/CE, no Auditório Valnir Chagas da FACED- Faculdade de Educação/UFC.
Terá como tema principal Bibliotecas Comunitárias em Conexão pela Leitura como um Direito Humano, que promoverá um diálogo entre o poder público, a sociedade civil e os seus diversos atores das cadeias criativa, produtiva e mediadora do livro. Serão discutidos temas que buscam conscientizar sobre a importância da leitura como um direito humano e a necessidade de políticas públicas que promovam a democratização do acesso ao livro e à leitura, tendo como foco a construção e aprovação do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas (PMLLLB) e as Bibliotecas Comunitárias como símbolo de resistência.
Inscrições
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PROGRAMAÇÃO
27/02/2018 - Terça-feira - Manhã
08:00 - Credenciamento/Café
09:00 - Abertura
09:10 - Conferência com Cida Fernandez (CCLF/Olinda-PE) 
09:50 - Intervenção Poética
10:00 - Mesa 1
Biblioteca comunitária como símbolo de resistência
Objetivo da mesa: Promover a troca de experiências entre as bibliotecas comunitárias
·         Carlos Honorato — RNBC/Conexão Leitura - RJ
·         Viviane Siade — Casa Camboa de Sabiaguaba
·         Argentina Castro — Papoco de Ideias
·         Emiliana Nunes — JangadaLiterária
·         Sâmia Ellen — Mediadora/Jangada Literária
11:40 - Plenária
12:00 - Encerramento
27/02/2018 - Terça-feira - Tarde
13:30 - Credenciamento
13:45 - Apresentação Cultural com Cantando e Contando (Jangada Literária)
14:00 - Mesa 2. O PELLLB e o PMLLLB na garantia da sustentabilidade das bibliotecas comunitárias
Objetivo da mesa: A construção e efetivação do PMLLLB de Fortaleza
·         Jaqueline Gomes — MINC
·         Ana Paula Carneiro — RNBC
·         Fabiano dos Santos — Secretário de Cultura - CE
·         Evaldo Lima — Secretário de Cultura - Fortaleza
·         Alilian Gradela — Jangada Literária
·         Cida Fernandez — Mediadora/CCLF/Olinda-PE
15:30 - Plenária
16:20 - Bate-papo com o escritor com Raymundo Netto, mediação de Lílian Martins
17:30 - Encerramento/Coffee Break
28/02/2018 - Quarta-feira - Manhã
08:30 - Credenciamento/Café/Visita guiada às Bibliotecas Comunitárias da Rede de Leitura Jangada Literária
·         1ª visita: Biblioteca Comunitária Jardim Literário
·         2ª visita: Biblioteca Comunitária Prof. Leônidas Magalhães
11:30 - Encerramento das visitas.
28/02/2018 - Quarta-feira - Tarde
13:30 - Credenciamento para oficinas
14:00 - Oficinas
·         Oficina 1 -  Conectando bibliotecas e unindo leitores (sala da FACED/ UFC) 
·         Facilitadora: Sâmia Ellen (Jangada Literária)
·         Oficina 2 - Mediação de Leitura e formação do leitor (Auditório Valnir Chagas FACED/UFC)
·         Facilitadora: Érica Verçosa (Ekó Educação e Cultura)
·         Oficina 3 – Tira- dúvidas Mapa Cultural  (UTD prédio do Cine São Luiz 9º andar)
·         Facilitador: André Lopez (Secretaria de Cultura - CE)
Oficina 4 – Narrando Histórias: A Mitologias dos Orixás (Praça do Chão/ UFC) 
·         Facilitador: Ana Paula Carneiro (RNBC)
17:00 – Apresentação Cultural de encerramento “Bordador de Histórias” com Rafael Brito
17:40 – Encerramento/Coffee Break

domingo, 18 de fevereiro de 2018

V FEIRA DO LIVRO E V JORNADA DAS LETRAS DE LIMOEIRO DO NORTE (22,23 e 24 de fevereiro)


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Lançamento de livros, oficinas, palestras, rodas de conversa com autores, recitais e apresentações musicais, acesso a estandes de exposição e venda de livros, apresentações de teatro, música e homenagens a Belchior, ao centenário do poeta Hercílio Pinheiro (1918-2018) e ao poeta Louro Branco.
Essa é a proposta da V Feira do Livro de Limoeiro do Norte e da Jornada das Letras de Limoeiro do Norte, uma realização do Instituto Brasil de Dentro, em parceria com a Academia Limoeirense de Letras, Enel e Secretaria da Cultura do Estado do Ceará.
Parte da programação acontecerá na Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (FAFIDAM), campus da Universidade Estadual do Ceará (Uece) em Limoeiro. Com o tema Literatura: Múltiplos Olhares, a roda de conversa vai reunir os professores Fernanda Cardoso, Francisco Romário Nunes e Sarah Maria Forte Diogo.
Uma das principais homenagens programadas para a edição de 2018 é a do centenário do repentista norte-rio-grandense Hercílio Pinheiro (1918 - 1958), considerado, até hoje, uma das maiores expressões da arte popular nordestina.
Também homenageado o repentista, poeta e compositor Francisco Maia de Queiroz, o Louro Branco, natural de Jaguaribe, que faleceu em 18 de janeiro deste ano em curso, aos 75 anos.
Entre os títulos que serão lançados: Aventura Jaguaribana, num ano de Estio, de Agamenon VianaSimplesmente Tião, de Avanir Fernandes MaiaA tragédia dos mil dias: a seca de 1877-79 no Ceará, de Cicinato Ferreira NetoPara Belchior Com Amor, organizado por Ricardo KelmerAs cidades de Rubem Braga e W. Benjamin, de Ana Karla Dubiela; e Livro Zero, de Denis Akel.
 E, como parte da programação musical, apresentações de Agamenon Viana, Banda Aécio de Castro (alunos do colégio Diocesano), Maracatu Nação Jaguaribe, Banda Big Head, Deilson Rabelo, Celinha Guará e Gildomar Marinho (os três últimos, além de apresentarem o cancioneiro autoral e sucessos da MPB, prestarão homenagens ao cantor e compositor cearense Belchior).

SERVIÇO
V FEIRA DO LIVRO E V JORNADA DAS LETRAS DE
LIMOEIRO DO NORTE
Data: 22, 23 e 24 de fevereiro de 2018
Local: Praça da Igreja Matriz (José Osterne) de Limoeiro do Norte/CE
Horários: De 9h as 11h e de 17h as 23h.
Informações: (88) 99661-0512

PROGRAMAÇÃO COMPLETA (GRATUITA)

22.02 (Quinta-feira) 
FAFIDAM – Sala Multimídia
19h – Jornada das Letras – Roda de Conversa, tema: Literatura: Múltiplos Olhares; Participantes: Profa. Me. Fernanda Cardoso Nunes (UECE-FAFIDAM); Prof. Me. Francisco Romário Nunes (UECE-FAFIDAM) e Profa. Dra. Sarah Maria Forte Diogo (UECE-FAFIDAM)
Tenda das Artes
17h – Praça livre, início exposição e venda;
18h – Professores da Escola Reinações – Brincanças, Dinâmica na Praça, Contação de Histórias, Cantinho da Matemática, Testes Piagetianos;
19h – Apresentação do Boizinho da Faceira, crianças do bairro Luiz Alves e comunidade Faceira;
20h – Abertura Oficial da Feira - Realizadores, apoiadores e convidados;
20h – Autores no Tablado, lançamentos: Avanir Fernandes Maia, Simplesmente Tião;  Agamenon Viana, Aventura Jaguaribana, num Ano de Estio; Francinilto Almeida, autografa Geografia do Amor em Transe e outros títulos de sua autoria. Sessão de Autógrafos na Sala dos Autores;
21h – Cordel e Cantoria – Paiva Neves, lança O Mundo Perdido, adaptado da obra de Arthur Conan Doyle para Cordel; Homenagens, Centenário do poeta Hercílio Pinheiro e ao Poeta Louro Branco; cordelistas Paiva Neves, Rafael Brito, participação do cantador Zé Cardoso;
22h – Música na Praça, apresentação de Agamenon Viana.

23.2 (Sexta-feira)
Tenda das Artes/ Manhã
08h – Contação de História - Historias só fazem sentido quando nos faz Sentir, com a Professora Luci Oliveira e alunos  da escola Pe. José Anchieta, comunidade Cercado do Meio, Quixeré (CE);
09h  – Oficina de arte, pintura, com Luci Oliveira;

Tenda das Artes/ Noite
17h – Praça livre, início exposição e venda
19h – Banda Aécio de Castro, alunos Colégio Diocesano, regência Bergson de Castro;
19h30 – Grupo de Teatro A Vida é Uma Peça, alunos do Colégio Diocesano, com a peça O Pequeno Príncipe;
20h – Escritores no Tablado/ lançamentos: Cicinato Ferreira Neto, A tragédia dos Mil Dias: a Seca de 1877-79 no CearáAna Karla Dubiela, As cidades de Rubem Braga e W. BenjaminDenis Akel, Livro Zero, prosa, poesia, ilustração livre. Sessão de Autógrafos na Sala dos Autores;
20h30 – Apresentação do Maracatu Nação Jaguaribe, da comunidade Arraial, Limoeiro do Norte CE.
21h – Cordel no tablado – Adriano Deodato, Quixeré CE; Sessão de Autógrafos na Sala dos Autores;
22h – Música na Praça - Show Banda Big Head, cancioneiro popular brasileiro, participação Gilson Saraiva.

23.2 (Sábado)
Tenda das Artes/Manhã
08h30 –  Oficinas de artes e brincanças;

Tenda das Artes/Noite
17h – Praça livre, início exposição e venda
19h30 – Atores e Brincantes na Praça
20h – Grupo Turma da Alegria, com o musical O Mundo Encantado da Leitura, por Missielma e Nivia;
20h30 – Escritores no Tablado, lançamentos: Bruno Paulino, Pequenos AssombrosCarlos Vazconcelos, Os Dias RoubadosRicardo Kelmer, Para Belchior Com Amor. Sessão de Autógrafos na Sala dos Autores;
21h – Grupo Cena’s de Teatro, com Leituras e Loucuras, de Tércia Montenegro;
21h30 – Cordel no Tablado – Com Rafael Brito e Paiva Neves;
22h – Música na Praça - Show Deilson RabeloCelinha Guará e Gildomar Marinho, com canções autorais, Música Popular Brasileira e homenagens a Belchior.