quinta-feira, 12 de outubro de 2017

"Criança: o ontem e o hoje", de João Soares Neto


“A mim me salvaram as crianças. De tanto escrever para elas, simplifiquei-me”.
Monteiro Lobato
Era uma vez um menino nascido ao meio-dia de uma sexta-feira. O mundo estava em guerra. Não por tal razão chorava. Havia saído a fórceps do útero de mãe primípara, por obra e graça de parteira diplomada. Seu pai só tinha 20 anos, era ciumento e não deixou a jovem mulher ser assistida por médico. Paparicado por jovens tias maternas, pois o casal estava com pressa de povoar o mundo. Depois dele, não veio o dilúvio, mas oito crianças.
Uma das tias sugeriu e os seus pais aceitaram, iniciá-lo, aos quatro anos, nos estudos em escola experimental americana. Ia só. Quem o acompanhava, ficava longe. Infelizmente, durou pouco. Matricularam-no em ginásio formal. Um dia, não lembra a razão, foi o último a sair do recreio para a sala de aula. De repente, o diretor puxou-lhe a orelha, ralhando. Conseguiu um telefone do próprio ginásio e ligou para o pai contando o fato. Disse: não estudaria mais ali. Dito e feito.
Dezenas de anos passados, ele, já com netos em idade escolar, tenta aproximação de formas diferentes. Meio sem jeito, desde o tempo de pai. Criara (seria o prenúncio de um ficcionista?), dois personagens, a Rosinha e o Paulinho, crianças-exemplos. As filhas procuravam conhecê-los. Ele driblava com evasivas: moram um pouco distante daqui, viajaram, estão de férias etc. Rosinha e Paulinho eram bons filhos, estudiosos e serviram de modelo invisível para as ainda crédulas filhotas.
Agora, conta um pouco do “seu-sem-jeito” como avô. Há anos combinou com uma filha: levaria as crianças dela para a escola. Tentava maior aproximação. Entravam no carro ainda bocejando. Ele, o avô, colocara no toca CD músicas infantis e ia, desafinando, solfejando com eles. A festa durou pouco mais de uma semana. Um dia, perguntou se fazia diferença ir apanhá-los manhã cedo ou outra pessoa servia. Triste, ouviu: tanto faz.
Domingo desses, combinou com outra filha, ir apanhar o seu primogênito para levá-lo a uma feira de numismática. O neto, rosto cheio de protetor solar e saco com lata de moedas repetidas. Sentados no banco da frente, cintos de segurança atados, foram conversando ao Parque da Liberdade, no Centro, a “Cidade das Crianças”, concepção pedagógica da professora Zilda Martins Rodrigues.
Lá, pessoas maduras fazem o escambo e a venda de moedas. Sentou-se em uma banca. O neto, em outra. Fez as suas barganhas e, ao final, o neto queria vender, a qualquer preço, as moedas repetidas. Arrazoou: você não está precisando de dinheiro. Comprou novas moedas para o neto, inclusive, cédula de dólar com a cara do Mickey, só circulante no mundo da fantasia e no dos numismatas.
Depois, foram almoçar. Antes, o neto pediu para tomar sorvete. Concordou, claro. Do almoço provou pouco, mas bebeu duas latas do excêntrico guaraná Jesus, hoje marca da Coca-Cola. Mais um sorvete e tomou o caminho de volta. Papos, risos e abraços. Ficaram combinados, voltariam à feira.


sábado, 7 de outubro de 2017

"Laika: Caroço Sputnik", de Raymundo Netto para O POVO


Há 60 anos, em 4 de outubro, na onda de Guerra Fria, o satélite soviético Sputnik I marcaria o início da corrida espacial, deixando a potência estadunidense impotente diante da incalculada e atroz humilhação. Não bastasse, um mês depois, novamente a U.R.S.S. promoveria o cazaque lançamento ao espaço de um novo satélite, o Sputnik II. A novidade maior seria que a bordo deste estaria acomodado o primeiro ser vivo a orbitar a Terra. Para o orgulho feminino, e por um restritivo detalhe anatômico, o ser não seria “ele”, mas “ela”, a cadela Laika, de apenas 3 anos. Ou seja, ela não falava, porém, já latia.
Na época, dada como morta em circunstâncias que iriam além das divisas atmosféricas e, portanto, da jurisprudência mundial, o destino da heroína e mártir socialista se tornou motivo de diversas conjecturas e teorias. Eu, no entanto, não acredito em nenhuma delas e explico por que.
Há alguns anos, fotografando as ruínas ferruginosas do mercado da carne da Aerolândia – hoje completamente restaurado –, assisti a uma cena insólita: parecia um cão descendo de paraquedas. Seria possível? Seguindo meu instinto de jornalista diplomado em Ministério, corri até a base aérea para saber o que era aquilo.
No descampado, o vi sobre as patas, mangas arregaçadas, a recolher as longas linhas de náilon e o velame. Apresentou-se: era ela mesma, a Laika, em pessoa... ou melhor, em cachorro. Incrível. E todos pensando que ela, há tempos, teria virado “hot dog”!
Latindo fluentemente em português, não demorou a demonstrar a garganta seca e a perguntar, numa sinceridade quase gentílica, “onde poderia encontrar wodka”. Ofereci-me a levá-la ao Benfica. Não bebo. Então, quando me pedem por álcool, ou levo para a farmácia ou ao Benfica.
No caminho, por meio de fórmulas complicadas, que fingi entender para não parecer mais burro, a pequena vira-lata – insistia na tese de que pertencia a uma linhagem pouco convencional de husky siberiano, mas... – me explicava: devido ao tempo relativo, ela, que, teoricamente, deveria ter mais de 60 anos, gozava de uma jovialidade impressionante. Falou também existir uma Sociedade Sideral Protetora de Animais e que foram alguns de seus integrantes que a mantiveram viva quando a equipe russa a largou de mão... Ouvindo tudo aquilo, eu que desconfiava, agora tinha a absoluta certeza: “as vodcas do Benfica não prestam!”
Contou-me mais. Com tempo de sobra, além de encher o bucho com gelatina russa, leu de trás para frente obras de  Фёдор Миха́йлович Достое́вский e de Анто́н Па́влович Че́хов, “gênios”, sendo agora também uma contista: “Aliás, a nossa literatura é a melhor do mundo”. Pior é que é: Gogol, Tólstoi, Pushkin, Maiakoviski...       
Assim, escreveu também diversos livros. Algumas teriam feito bruto sucesso em Fobos, uma das luas de Marte, que, historicamente, vivia em conflito com o planeta vermelho.
Nostálgica, a cãosmonauta falava de seu exílio, da saudade das noites de lua em Moscou, da boêmia em São Petersburgo, até chegar às alucinações da experiência da proximidade com a morte e do seu encontro com Deus, num arrependimento legítimo de um Raskólnikov: Estive, praticamente, nos braços Dele, mais do que qualquer outro ser... mais até do que o Papa!”
Diante de outras divagações e da tediosa mansidão canina, que percebia ir mais longe do que se foi, arrisquei a obviedade: “Desculpe-me, Kaka, mas a pergunta é inevitável: a Terra é mesmo azul?”
Sorrindo com graça e humildade, lambeu o dorso de minha mão e perguntou: “Ora, Raymundo, você esquece que os cães enxergam em preto e branco?”


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

LANÇAMENTO DUPLO: Documentário "História das HQs no Ceará" e "Antologia HQ", no Cine Dragão do Mar (28.9)


Lançamento DUPLO e IMPERDÍVEL:

Documentário História das HQs no Ceará (1h25min)
e
Antologia HQ (com DVD encartado), das Edições Demócrito Rocha

Data: 28 de setembro de 2017 (quinta-feira)  
(Dia Estadual dos Quadrinhos no Ceará)
Horário: 19h30

Sobre o documentário:
História das HQs no Ceará é um registro inédito, em longa-metragem, da história das histórias em quadrinhos no estado do Ceará, destacando os nossos principais nomes, mesmo aqueles esquecidos, além de uma exposição contextualizada dos movimentos e conquistas do segmento de quadrinhos até os dias atuais. O documentário, que tem a coordenação, pesquisa e roteiro de Raymundo Netto e a direção de Roberto Santos, conta com a participação de Ricardo Jorge (Oficina de Quadrinhos da UFC), Daniel Brandão, J.J. Marreiro, Fernando Lima, Weaver Lima, Walber Feijó, Nirez, Gledson Ribeiro, Solange Arrais, Mino, Paulo Amoreira, Eduardo Silva, Denilson Albano, Guabiras, Silvyo Amarante, Débora Santos, Fernando França, Raymundo Netto, Pedro PJ Brandão, Klévisson Viana, Lupin, Max Krichanã, Brendda Lima, Dharilya, Gleidson Lessa, João Gabriel, Victor Alencar, Sirlanney, Débora Silva, Miguel Silva, Pedro Lins, Heitor Ximenes, Janaína Esmeraldo e Renato Roseno (autor da Lei de criação do Dia Estadual dos Quadrinhos no Ceará). Você precisa conhecer essa história!
Ficha Técnica:
Coordenação Geral Raymundo Netto | Produção Executiva Roberto Santos | Pesquisa e Roteiro Raymundo Netto | Projeto Gráfico Amaurício Cortez | Produção Sabrina Ximenes | Motion Graphics Gerson Rodrigues | Montagem Gerson Rodrigues, Leandro Kemps e Rui Ferreira | Finalização Leandro Kemps e Marcílio Mendonça | Narração Marquinhos Vinil | Câmera Antônio Willcefer | Assistente Robson Melo | Direção Roberto Santos

Sobre a Antologia HQ:
A Antologia HQ, organizada por Daniel Brandão, é parte integrante do projeto HQ Ceará, da Fundação Demócrito Rocha com a Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (SecultFOR), composta por quadrinhos de diversos estilos e motivos produzidos por 32 artistas: Fernando Lima, Jean Sinclair, JJ Marreiro, Pedro PJ Brandão, Brendda Lima, Deleon Stu, Alex Lei, Dharilya, João Belo Jr, Heron, Karlson Gracie, Luís Carlos Sousa, Nath Garcia, Marcus Rosado, Rafael Dantas, Sirlanney, Cristiano Lopez, Denilson Albano, Guabiras, Lene, Lincoln Souza, Lucas Pascoal, Mano Araújo, Robério Leandro, Rodrigo Matos, Thyago Cabral, Walber Feijó, Daniel Brandão, Júlia Pinto, Lucas Rebelo, Ramon Cavalcante, Rod Mendez e Weaver.
Em 2017, a Antologia foi finalista em 2 categorias na 29º Troféu HQ Mix.
A obra será relançada juntamente com o lançamento do documentário e com a presença de boa parte dos seus autores.
Quem adquirir a Antologia HQ receberá, encartado, o DVD com o documentário História das HQs no Ceará, e poderá solicitar dos autores o autógrafo.
Ficha Técnica:
Coordenação Geral Raymundo Netto | Organização Daniel Brandão | Editora Executiva Regina Ribeiro | Editor Adjunto Raymundo Netto | Editor Assistente Humberto Pinheiro| Editor de Design Amaurício Cortez | Catalogação na Fonte Kelly Pereira | Revisão Tatiana Pavarino

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Vamos comemorar juntos o Dia Estadual dos Quadrinhos do Ceará


sábado, 16 de setembro de 2017

"Amor para Toda uma Vida", crônica de Raymundo Netto para O POVO


“Não e Não! Nem viesse! Só se entregaria ali com a garantia de casar no papel!”
Ela, enconchada em uma cama de motel – visão digna de Boticelli –, cobria o pelo com lençol branco e higienizado quando lançou no ar de espelhos o bombástico decreto.
O namorado, ainda que surpreso, não se abalou. Levantou-se rapidamente, descartou de um cardápio de cabeceira uma folha de papel e lançou-a no carpete com a delicadeza quase solene de um Romeu. Daí, extraiu a moça dos lençóis ainda frios para juntos se postarem nus por sobre aquele mísero espaço A4 de vida e anunciou: “Se é assim, pronto: agora estamos casados no papel!” Ela enlouqueceu. Ele enlouqueceu com ela. E era tanta loucura que se podia prever dali uma demência eterna, sem precedentes na desumana história da humanidade, desde que Adão atentou contra a maçã da Eva.
Porém, tempos depois, quem os visse, assim durante o dia, diria que eram de uma incompatibilidade medonha: o leite e a manga, a chuva e a fogueira, a fome e a dor de barriga! Não concordavam absolutamente em nada. O casal parecia compartilhar de um amor quase danação, a devorar o ânimo um do outro numa gula feroz de quem ataca um prato de brigadeiro.
Para piorar, além da sociedade conjugal, determinaram a profissional, o que os mantinham 24 horas numa rinha penosa e inclemente.
Nas reuniões de trabalho, poderiam estar diante de dezenas de pessoas, funcionários, fornecedores, clientes e, no entanto, parecia que estavam sempre a sós, na intimidade de seus bate-bocas. O volume da voz de um excedia à do outro com uma segurança de um tenor. Não se viam em beijos, mas a troca de salivas era uma constante.
Com os filhos não era diferente. Discordavam de tudo quanto, perturbando-lhes o juízo e as epífises. Na escola, eram vistos como sonolentos, apáticos, dispostos apenas a não aprender nada que lhes fosse ensinado.
Os casais de amigos, aos poucos, constrangidos com a companhia desvairada do casal, distanciaram-se. De positivo mesmo, é que qualquer casal que conseguisse conviver ao seu lado, mesmo os mais desapaixonados, logo se sentiam em lua de mel. Diante deles, até a sangrenta Batalha de Stalingrado parecia brincadeira de carimba!
E nos aniversários? Despertavam aos beijos de hálito adormecido, como em trégua, mas logo um queria impor ao outro como se daria tal comemoração: “Aniversariante não tem opinião!” Dali, a promoção, talvez, do mais humilhante dia de suas vidas, o desdém a cada detalhe, além de o bolo sempre trazer o sabor preferido do patrocinador da vez.
E por aqui poderíamos encerrar esse enredo que justifica ser o matrimônio a maior causa do divórcio, não fosse sabermos que, à noite, naquela casa, era enlouquecedora a tentativa de dormir dos filhos, criados, visitas e até de vizinhos, mediante a violência de balidos e súplicas, de pregões de feira a dança de tamancos, a eclodir daquele aposento nupcial, a esgotar-se apenas no raiar da manhã, entre heréticas faíscas que se espremiam entre as brechas das portas e janelas, revelando o mais autêntico, escandaloso e nunca-acabável amor.




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

"Crônicas Absurdas de Segunda" no clube Pacote de Textos de setembro



Fotos: Marília Lovatel, escritora e assinante do clube Pacote de Textos

Pacote de Textos
Um pacote. Uma surpresa.

O clube de assinatura de livros Pacote de Textos, do escritor e empreendedor cultural Rafael Caneca, traz, na edição de setembro, Crônicas Absurdas de Segunda, obra de Raymundo Netto, vencedora do Edital de Incentivo às Artes da Secult (2014) e finalista do Prêmio Jabuti (2016).
No Pacote de Textos, a 2ª edição do livro (232 páginas) que, em sua maioria, é uma seleção de textos do autor publicados entre 2007 e 2010 no caderno “Vida & Arte” do jornal O POVO. Neles, Netto visita e apresenta a cidade, a reconhece e a provoca por meio da fala (e dos sentimentos) de seus escritores, principalmente os cronistas, contemporâneos ou não, que encontra em bancos de praça, nos ônibus, em parques, nas casas mutiladas, cemitérios ou em meio a desastres e hecatombes de proporções aparentemente absurdas.
A obra traz ilustrações de Valber Benevides, além da apresentação de Ana Miranda, introdução de Sânzio de Azevedo e posfácio de Pedro Salgueiro.
Os associados ao clube de assinaturas, além do livro, recebem um marcador de página customizado, uma carta personalizada e, eventualmente, um brinde da época.
Já protagonizaram o Pacote... em edições anteriores: Franz Kafka, Clarice Lispector, Fiódor Dostoiévski, Socorro Acioli, João Ubaldo Ribeiro, Walter Hugo Mãe, Milan Kundera, Julian Barnes, Júlio Cortázar, Lima Barreto, entre outros.
Saiba mais sobre o clube Pacote de Textos. Seja um associado:
pacotedetextos.wordpress.com
https://www.facebook.com/pacotedetextos/

sábado, 2 de setembro de 2017

TROFÉU HQ MIX 2017: Curso Básico de Histórias em Quadrinhos da FDR


No dia 6 de agosto de 2016, meu fiel depositário AlmanaCULTURA anunciava: “É isso aí, Galera. A Fundação Demócrito Rocha, em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (SecultFOR), reuniu, pela primeira vez no Universo paralelo do Siará Grande, a Liga dos Quadrinistas Cearenses. E, por meio de um curso livre A DISTÂNCIA, e GRATUITO, aberto a TODO BRASIL, distribuiu o que aprendeu em 12 fascículos e 12 videoaulas e transformou tudo nesse Curso Básico de Histórias em Quadrinhos (12 fascículos + 12 videoaulas) para fãs, leitores e quadrinistas. [...] Toda hora é hora para aprender mais sobre essa apaixonante arte que é fazer quadrinhos.
Saiba mais sobre as outras ações (cursos e oficinas presenciais, palestras, lançamento, documentário, shows e muito mais) do projeto HQ Ceará, se inscrevendo e se ligando no Canal Especial. Ao infinito e além! #partiuHQ”
Hoje, 1 anos depois, com muita alegria recebemos a informação de que aquele tal Curso Básico de Histórias em Quadrinhos, o primeiro em sua modalidade realizado no país, receberá o Troféu HQMIX, maior premiação da América Latina para o segmento, categoria “Grande Contribuição aos Quadrinhos”, dia 17 de setembro, no SESC Pompeia de São Paulo.
Passamos por aqui para dividir com toda a equipe de direção e produção (nos bastidores temos muitos a quem agradecer: equipe da Uane, da produção, marketing, diretoria, divulgação etc.) e a todos os autores, desenhistas, ilustradores, leitores e, em especial, a todos os 6.188 inscritos (jovens padawans de todas as idades ou mesmo os remanescentes da Velha Guarda Sith) no curso de todos os estados brasileiros (menos no Acre), que embarcaram na nave estelar USS Curso, acompanharam seus fascículos e videoaulas, o Ambiente Virtual de Aprendizagem e fizeram a prova final.
Agradecer igualmente à Comissão Organizadora e Julgadora do 29º Troféu HQMIX, representada aqui por José Alberto Lovetro (Jal) e João Gualberto Costa (Gual), além de todos que ajudaram na divulgação do projeto.
Dizer também que abriremos em breve nova turma deste mesmo curso, além de outras novidades e dobras espaciais que, não demora, saberemos e cruzaremos anos-luz por aqui.

E que a força esteja sempre conosco!


Troféu HQMIX edição 2017 (29ª)

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Lançamento da revista "Mutirão", 3ª edição, no Espaço O POVO de Cultura & Arte (1/9/17)



Lançamento
Data e Horário: 1º de setembro de 2017 (sexta-feira), às 19 horas
Local: Espaço O POVO de Cultura e Arte (Av. Aguanambi, 282, anexo à sede do jornal O POVO)
Investimento: 1 por R$ 20,00; 2 por 30,00 (com direito a brinde)
Entrada Franca

A revista Mutirão nasceu da vontade de reunir amigos em torno de uma produção que desse espaço a múltiplas linguagens, somando a diversidade e singularidade dos indivíduos à ideia de unidade do conjunto. Somam-se, assim, as palavras às imagens: são poemas, poemas visuais, prosa, prosemas, fotografias, desenhos, colagens, canções e o que mais convier – com-vier.
A terceira edição conta com a participação dos seguintes autores: André Dias - Bárbara Costa Ribeiro - Brennand de Sousa - Cláudio Araripe - Carlos Nóbrega - Carlos Vazconcelos - Deribaldo Santos - Ellis Mário Pereira - Francisco de Almeida - Henrique Beltrão - Jarbas Oliveira - Lia leite - Liciany Rodrigues - Luis Marcos - O Poeta de Meia-Tigela - Ralphe Alves - Raymundo Netto - Rosanni Guerra - Suellen Lima - Webston Moura.
A ilustração da capa é do premiado artista Francisco de Almeida e traz, como encarte, um CD com quatro faixas de parceria de Henrique Beltrão e de Ellis Mário Pereira.



sexta-feira, 25 de agosto de 2017

"O Filme da Minha Vida", de Raymundo Netto para O POVO


Noite dessas, pisava indolente o corredor de shopping quando me lembrei de um filme a assistir, que trazia no elenco o ator Selton Mello. Já estava por lá mesmo... Com a mesma preguiça e a cabeça a rés de nuvens, comprei o ingresso. Pois não é que, quando sentei-me à câmara escura – havia além de mim apenas um casal afetado de hormônios –, descobri que estava no filme errado? Ou seja, fui assisir ao Soundtrack e acabei no Filme da Minha Vida, o que me provou, mais uma vez, que errar pode ser a coisa mais acertada a fazer.
Quando saí de casa(mento), há seis anos, perdi-me num shopping e, sem destino, esbarrei na tela prateada – já percebo um padrão. Estava em cartaz O Palhaço, também do Selton. Para mim, naquele momento, a sua temática – a busca da identidade, do significar o seu lugar e o seu fazer no mundo – era-me tão tocante, que não consegui assisti-lo inteiro, o que faria, menos melancólico e mais seguro, anos mais tarde.
Agora, ali, em uma fotografia deslumbrante de Walter Carvalho, a mirar a Serra Gaúcha, em frios anos de 1960, envolvido pelo contraste de um figurino e cenário vintage, matizado em cores quentes, ao som inocente e vibrante de “Coração de Papel” – nem vou falar de Aznavour, Dalva de Oliveira, Nina Simone (“I put a spell on you”) –, revia festas a radiolas, interpretação de novelas de rádio, lustres – o mesmo que tinha em nossa casa no Monte Castelo –, máquinas datilográficas, lambretas, paisagens de janelas de trem, estações e um luar ingênuo de anos dourados.
Entretanto, o filme, o terceiro longa dirigido e roteirizado por Selton Mello, uma adaptação livre da obra Um Pai de Cinema, do chileno Antonio Skármeta – o mesmo autor de O Carteiro e o Poeta e que cumpre uma ponta no filme –, trata de abandono.
Tony Terranova (Johnny Massaro) é filho de Nicolas e Sofia. Ele (Vincent Cassel), francês; ela (Ondina Clais), brasileira. Foi a capital para estudar e quando volta, professor de francês com diploma na mão, no mesmo trem em que chega à estação, seu pai parte, num abraço silencioso. Esse mesmo silêncio reverbera durante toda a película em forma de espinho (leia-se “poesia”), incompreensão e desgosto, no que é acudido por Paco (Selton Mello), que tenta substituir a figura paterna, e pela atenciosa e fotomaníaca Luna (Bruna Linzmeyer). Aliás, ao mesmo tempo em que as referências nos declaram uma delicada homenagem ao cinema (impossível não perceber o mesmo tom de Cinema Paradiso), também se desmancha à fotografia.
A memória é marca desse jovem diretor que, além de buscar no passado as suas referências, também nos permite encontrar personalidades, como Rolando Boldrin, que interpreta um maquinista em O Filme da Minha Vida – e que sempre soube “que a viola fala mais do que o peito humano” –, assim como o fez com Paulo José e Moacyr Franco em O Palhaço.
O filme nos diz, tanto à alma quanto aos olhos, como as escolhas, voluntárias ou não, podem tirar-nos ou colocar-nos nos trilhos, e pontua sobre o certeiro fim das coisas eternas. Poderia até criticar algumas bobagens, mas as tecnologias e o computador já nos ensinaram que a arte está na imperfeição. Outra coisa que aprendi, é que quem anda com porcos, se torna parecido com eles.
E o fim, ah, esse eu não posso contar.


Ouça a trilha musical de O Filme da Minha Vida




sexta-feira, 11 de agosto de 2017

"Eugênio Leandro e os Mandingueiros Intergaláticos", no CCBNB, dia 23.8


II Feira de Livros da Editora Dummar (10 a 18 de agosto)


Clique na imagem para ampliar!

II Feira de Livros da Editora Dummar

Quando: entre os dias 10 e 18 de agosto de 2017;
de segunda a sexta, das 9h às 20h30; aos sábados, das 9h às 19h.
Onde: Livraria Dummar,
na sede do jornal O POVO (av. Aguanambi, 282 – José Bonifácio)
Programação cultural gratuita e venda de livros* com descontos até 70%

(*) livros de gêneros distintos e de diversas editoras, como a Editora Dummar, Demócrito Rocha, do Instituto Moreira Sales, Unesp, Edusp, Editora Três Estrelas, entre outras.

Programação Cultural (10 a 18 de agosto)

Por que ler os clássicos?
Dia 10 (quinta), às 19h
Um bate-papo sobre os grandes clássicos cearenses
Com a escritora Angela Gutiérrez, o professor Sânzio de Azevedo e o pesquisador de literatura Charles Ribeiro
Mediação: Humberto Pinheiro, historiador

Oficina de contação de histórias
Dias 11 (sexta), das 15 às 18h, e 12, das 9h às 12h
Com a arte-educadora Camila Barbosa
Inscrições a partir do dia 5 em edicoesdemocritorocha.com.br

Lançamento do livro infantil “Meu irmão é um repolho”
Dia 12 (sábado), às 17h
Bate-papo entre a escritora e psicopedagoga Tatiana Sátiro, autora do livro, e a psicóloga Alice Pereira Carneiro
Mediação: Sara Rebeca Aguiar, jornalista

Entre prosa e verso
Dia 16 (quarta), às 19h
Uma conversa sobre o contista Nilto Maciel e o poeta Artur Eduardo Benevides
Com os escritores Raymundo Netto e Vera Lúcia Albuquerque de Moraes
Mediação: Jáder Santana, jornalista.

A ostra, o vento e as aves de arribação
Dia 17 (quinta), às 19h
Uma conversa sobre os romancistas Antônio Sales e Moacir C. Lopes
Com o escritor Rodrigo Marques e a professora Susana Frutuoso
Mediação: Regina Ribeiro, jornalista.

Lançamento do livro “Nelson Rodrigues pirandelliano: uma transcrição intercultural”
Dia 18 (sexta), às 19h
Uma abordagem sobre a “cumplicidade secreta” entre Nelson Rodrigues e Luigi Pirandello

Com o autor Yuri Brunello, professor da UFC, Orlando Luiz, professor e coordenador do PPGLetras/UFC, e Taynan Leite, mestranda da UFC

Venha conhecer a nossa Feira, aproveitar os descontos em obras de seu interesse e conhecer os autores de nossa programação especial.
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