sexta-feira, 23 de junho de 2023

"Bairro Benfica, capital Gentilândia", de Pedro Salgueiro para O POVO


Fortaleza é pródiga em criar bairros fantasmas. Explico o que deveria não ter explicação: a importância da Igreja da Piedade justifica que se troque um pedaço do Joaquim Távora, nos arredores do dito templo, pelo “Bairro da Piedade”, qualquer dia desses algum vereador desocupado (desculpem o pleonasmo!) propõe oficializar a alcunha (cá pra nós, neste caso bem mais simpática); o velho Alagadiço, também por causa da paróquia de lá, se transformou magicamente em São Gerardo – e como o Alagadiço foi esquecido, criaram o Alagadiço Novo, que agora dizem se chamar José de Alencar, muito justo, não!?

A Estação de Otávio Bonfim ali ao lado virou Paróquia do Otávio Bonfim um pouco além e todos esquecemos o Bairro Farias Brito, mas o filósofo cearense bem que merecia ser nome eterno do Bairro, porém restou o consolo de já ser cidade (que espero não troquem pela alcunha de algum obscuro deputado).

Já o meu querido Benfica ficou para trás com a importância e charme da Gentilândia, mas achando injusta a troca e “natural” esquecimento convocamos um congresso ali bem no coreto da Praça da Gentilândia (ainda existia coreto por lá, alguém logo me desmente dizendo que era apenas uma caixa d’água com um patamar embaixo, mas danem-se as precisões da memória). Foram chamados: um casal de estudantes da Reu 125, outro da residência estudantil Bérgson Gurjão, dois proprietários de bares (Srs. Luís Picas e Chaguinha), um representante da MEMOFUT (Cristiano Santos), três editores da Pindaíba (acho que Manuelis Fonseca, André e outro que esqueci), a Gorete do Guaraná, alguns organizadores do Sanatório Geral, a moça que iniciou o “Quem é de bem fica”, o prefeito da praça de alcunha 14, enfim, havia todo tipo de gente, até os pseudoescritores dos Poetas de Quinta.

Depois de muita confabulação, papo-cabeça e outros nem tanto, resolveu-se constituir emissários para fazer consultas aos poetas Francisco Carvalho (que não morava no bairro, mas trabalhava na Reitoria da UFC), José Alcides Pinto (que morava lá na Vila Cordeiro, quase no Centro) e Marly Vasconcelos (que residia em Fátima, porém cursou Letras na UFC), com as respostas (que cá pra nós não ajudaram muito, pois Carvalho ficou timidamente em cima do muro, Zé Alcides apenas perguntava se tinha belas poetas participando da discussão e Marly prometeu fazer um belo poema sobre o assunto).

Mas depois de algumas arengas, muita fumaça, guaraná e cachaça, o Poeta de Meia-Tigela propôs deixar as duas alcunhas em filosófica dúvida e que cada um, democraticamente, decidisse por si... No que me inspirei pra dar minha única contribuição até hoje ao meu adorado torrão: que continuássemos como Bairro do Benfica, porém com a Capital da Gentilândia – pronto! Prego batido e ponta virada... quem não concordou também não discordou!

Levamos, imediatamente, para Tom Barros assinar o decreto e mandamos para publicação!