domingo, 9 de agosto de 2026

"Sons do Del: palco da juventude eterna", de Raymundo Netto para O POVO


Alexandre e os Almeidas no palco

“Vamos fazer dessa noite, a noite mais linda do mundo. Vamos viver nessa noite a vida inteira num segundo”...

No palco elevado, ao centro da praça de alimentação do Shopping Del Paseo, mais de 50 anos depois de seu lançamento, o sucesso de Odair José é cantado por uma banda sorridente e animada para o público absolutamente especial.

Todas as sextas-feiras, a partir das 18h30, acontece a programação “Sons do Del”, uma ação gratuita do shopping para o Happy Hour das famílias, reunindo centenas de pessoas – sem exagero algum –, algumas delas organizadas em grupos que não perdem essas atrações por nada.

A cada evento, a curadoria do shopping elege um estilo diferente: brega, pop, rock, samba raiz, forró pé de serra, lambada, MPB... Variam os ritmos, os tributos a grandes artistas, mas a qualidade das bandas, do som e o sucesso são os mesmos e impressionam: Alexandre e os Almeidas, Tocaias, Chibata Vermelha, Os Terríveis, Killer Queen, Mr. Joe Black, Forró das Antigas e muito mais. E o melhor, é completamente democrático: ninguém é obrigado a consumir nada nem paga couvert para assistir a qualquer show.

Eu, que participei e participo de muitos desses momentos, me emociono bastante assistindo ao público do Sons do Del. Muitos deles são idosos ou estão a caminho dessa curva. Alguns residiram a vida inteira na Aldeota, nas proximidades, e outros tantos vem de distintas partes da cidade, certamente por terem ido uma primeira vez e nunca mais deixaram de ir. De alguns deles, já ouvi: “É o melhor passeio da semana”.

Lá, a idade parece não fazer a menor diferença. A alegria deles é de resistente (ou perversa) juventude e reina de uma forma tão espontânea que contagia. Eles dançam à beira do palco, interagem com os músicos – que muitas vezes descem dali e são assediados pela emoção do público a brigar pelo calor das selfies –, se convidam para compartilhar as danças, se abraçam, brincam, pulam, bebem, comem e cantam, relembrando aquelas músicas e revivendo no presente aqueles instantes caros do passado que lhes flecham no peito. Refiro-me aos idosos, mas não são apenas eles que frequentam os Sons. Da mesma forma que encontramos os solitários – renderia uma crônica inteira falar sobre esses –, vemos famílias reunidas: avós, pais e filhos.

“A gente pode ser feliz. Viver a vida sem sofrer e não pensar no que vai ser...”

Diante dessa sensível ação social ofertada pelo Shopping Del Paseo, encontramos gerações curtindo e cantando músicas que, quase geneticamente, são por elas transmitidas, vividas, carregadas de histórias muito íntimas e indecifráveis de cada um. Bebês em chupetas, meninos e meninas de mãos dadas com avós, filha – ainda com a farda do trabalho – dançando alegremente com o pai, idosos que chegam de bengalas ou cadeiras de rodas e que, de repente, são vistos no salão se virando como podem, sorrindo, cantando e mostrando a todos que estão muito vivos, apesar do preconceito e do etarismo crescente na sociedade consumista a considerar que tudo o que não é “produtivo” torna-se descartável e sem valor. Sim, afinal, “Felicidade não existe. O que existe na vida são momentos felizes”. Como no Sons do Del.

Fica a dica. Celebre a sua vida, pois ela tem sempre razão.







 

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