segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

"A Dois", de Raymundo Netto para O POVO


Aquele casal se amava tanto, mas tanto, tanto, que um dia acordou pregado!

De primeiro, perante o espetaculoso incompreendido, o sobressalto. Depois, com pouco, a constatação bem-querida. Ele: “Agora eu tenho certeza, amor, de que você não me escapa!” E ela: “Hummm... e eu, que tenho você todinho para mim...” E num chamego quase autofágico o casal descobriu em seu mundo sem novidades matrimoniais o alvorecer de um inconcebível prazer de amar a si mesmo, a bolinação inesgotável, o compartilhar de seu próprio gozo, tão extraordinário quanto a descoberta da areia lunar.

Passados alguns meses de experimentos e satisfações transcendentais de fazer inveja a Kama Sutra, encontramos o mesmo casal trazendo no corpo as marcas da perversa convivência íntima: feridas, hematomas e cicatrizes nos braços, nas pernas, na alma.

Não havia absolutamente nada que eles gostassem de fazer juntos – e eles tinham, por anatomia, que fazê-lo exatamente assim, juntos – muito menos pensar. Sim, compartilhavam também os seus pensamentos. O certo é que não se toleravam mais. Para eles, o companheiro ou a companheira era de um tédio nauseante, de até desejar a morte: a do outro, e por efeito, a de si mesmo.

Mesmo em silêncio, em frente à TV, um zapeado incontrolável. À mesa, ela não suportava os maus hábitos dele e reclamava da comilança que a deixava cada vez mais gorda. Por outro lado, ela o fazia perder horas em shoppings na busca de acessórios ou nas tardes de sábado no salão, além de raspar-lhe as pernas. Gentilezas? Coisa do passado. Ele: “Vai primeiro, preguiçosa”. Ela: “Seu porco, e eu tenho que esperar a sua boa vontade para poder me lavar direito?”

Daí, uma manhã, ao se coçar enquanto acordava, ele percebeu-se livre da incômoda mulher, deitada do outro lado, despregada de seu corpo cativo. Imediatamente a despertou com a boa nova. Não demorou nada e, mesmo sem despedidas ou perguntas, ambos cruzaram a porta e seguiram a calçada, claro, por caminhos completamente opostos.

Durante anos eles perambularam pelas ruas de outras cidades, outros estados e países, viveram outras vidas, amaram e desamaram ao desfrute da liberdade outrora lhes negada. Curiosamente, vez ou outra cruzavam o mesmo itinerário. Nesses casos, quando possível, mudavam de calçada, davam meia-volta, embrenhavam-se à primeira porta aberta. E, quando inevitável, no máximo – às vezes nem isso –, um tchauzinho insosso com cara de “passa reto” ou “desgruda de mim”.

Um dia, sem data marcada, cansados de tanta permissividade e falta de rumo, voltaram a sua casa. Ambos estavam profundamente diferentes, e mesmo assim se reconheceram. Estavam cansados, mais velhos e mais leves. Fitaram-se demoradamente, como a compreender o papel daquela pessoa em sua vida. O choque das lembranças a dois de algo que não era amor, mas coisa muito melhor, os atravessou como o cheiro do vento que aquecia aquela mesma calçada. Sem palavras, entre risos e lágrimas, arriscaram tocar no rosto um do outro e caíram de lábios em um beijo indecente, apoteótico, jamais visto ou compreendido, rendidos para a vida em um perdão supremo e desnecessário, mais unidos do que nunca por um só coração.





 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

"Tempos Difíceis", de Romeu Duarte para O POVO


Foto: Ricardo Stuckert/PR

Chama-se plutocracia o comando exercido ou influenciado pelo segmento social mais abastado de uma dada população. A tal palavra, composta, deriva dos vocábulos gregos plouto, riqueza, e kratos, governo. Assim, abandonando a ideia de uma administração liderada pelo cachorro do Mickey Mouse, é o governo dos ricos, oposto à democracia, que é o governo do povo.

O capital, em sua atual fase, escancara uma face vil, escrota e perversa que ainda não havia apresentado. Ele, que sempre se esmerou em morrer para renascer cada vez mais podre, só que, desta vez, foi além do esperado. Escorado na mentira, nos desvãos sombrios das redes sociais, no analfabetismo político e na opressão, serve bem a um projeto criminoso de destruição da Terra e dos seus habitantes.

É o que se pode pensar e sentir ao se ver os três mosqueteiros da desesperança, musk, trump e zuckerberg (tem fonte menor, redator?), brandindo seus floretes contra os interesses democráticos e populares em todo o mundo.

Se os dois mais novos, multibilionários, acham que suas empresas e seus negócio$ estão acima das leis dos países e que podem fazer o que bem entender em nome de uma imunda "liberdade de expressão", que só funciona para propagar fake news aos quatro ventos, o mais velho, não menos cheio do ouro e agora guindado à presidência dos EUA, pretende, além de expulsar os imigrantes, anexar de forma pura e simples, o Canadá, a Groenlândia, o México e o Canal do Panamá.

Como diria a minha santa e saudosa mãezinha, meta-lhes o braço que o dedo é pouco.

Enquanto o planeta se escandaliza ante tanta arrogância e violência, surge a pergunta que não quer calar: para o que serve, hoje, a ONU? Desmoralizada pela inação frente ao genocídio que Israel promove no Oriente Médio, o que resta à organização para defender a paz entre as nações? Com toda certeza, o papa Francisco, sozinho e de maneira corajosa, tem feito muito mais por isto do que o comissariado do organismo internacional.

É claro também que as reacionárias vacas de presépio globais aplaudem as escaramuças do famigerado trio, tal como as que foram recentemente apeadas do poder no país. A plutocracia brasileira, formada pelas avenidas Faria Lima e Paulista e boa parte do agro, faz coro ao tétrico jogral, neste aniversário de dois anos do ensaio de golpe do 8/1.

É por isso que é tão importante comemorar a vitória de Fernanda Torres na disputa do Globo de Ouro e o retorno das peças artísticas pertencentes às sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do STF, vilipendiadas quando da atroz tentativa de quartelada, aos seus lugares de origem e devidamente restauradas. Ambos foram vitórias da cultura e dos que a produzem, após anos de incursões que tinham como único fim o seu solapamento. Os dois feitos são denúncias e bem-sucedidas intervenções que evidenciam as forças malignas que operam dia e noite para destroçar o Brasil, agora cada vez mais às claras e conhecidas internacionalmente. Não dá mais para tapar o sol com a narrativa peba da peneira, canalhas. Para vocês, a solução é justiça e cadeia. Sem anistia!






 

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

"Prêmio Nauã Marley de Literatura"


Hoje, dia 6 de janeiro, Dia de Reis, estava passeando no Shopping RioMar Kennedy com meu filho Saulo, quando me deparei com um rapaz de 20 anos, estudante de Engenharia de Produção da UFC, que me revelou ser um leitor. Era o Nauã.

Bastante tímido, estava com pressa e eu tive até que segurá-lo, pois devido ao seu nervosismo queria desaparecer dali.

À madrugadinha, trabalhando, consultei a minha caixa de e-mail e ele me escreveu, olha só, e botou para fora muito do que ele poderia ter dito para mim... mas escreveu, me emocionando com sua história e confirmando a certeza de o encontro com o(a) leitor(a) é SEMPRE o maior prêmio que um autor pode receber.

Assim, aqui publico, para não mais esquecer ou perder, o manifesto do então amigo NAUÃ MARLEY:

 

Prezado Raymundo,

 

Sou aquele que te cumprimentou esta tarde, no shopping.

Eu estava nervoso, como você deve ter percebido, e temia incomodá-lo. Na verdade, só quando cheguei à rua foi que me lembrei de lhe pedir uma foto e um autógrafo — mas já era tarde demais.

Enfim, havia uma biblioteca muito pobre na minha antiga escola — um colégio privado, de bairro, onde cursei o fundamental — cheia de enciclopédias velhas e mofadas. Havia também uma pequena estante ao fundo, com algumas surpresas: Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles e o seu Crônicas Absurdas de Segunda. Foram as minhas primeiras descobertas, de quando eu estava aprendendo a gostar de ler.

O seu livro ficou sendo o meu favorito, o meu primeiro livro de cabeceira. E devo agradecê-lo, pois acredito que, com ele, eu tenha sido influenciado a olhar o mundo com novos olhos — durante muito tempo, guiado pelos nomes das ruas em suas crônicas, peregrinei por Fortaleza, fotografando de forma amadora — até acabar o encanto.

E mesmo muito tempo depois, durante o Ensino Médio numa escola pública, alguma coisa restou impregnada. Fui presidente do Grêmio e com muito gosto o inimigo número um dos gestores do colégio.

Brincando de ser Demócrito Rocha, editei um jornal e uma revista — modéstia à parte, de forma muito competente, muito mais competente do que a imensa maioria daqueles jornaizinhos bobos feitos por alunos bobocas.

O jornal era conservador (ou irônico) e se chamava Correio Gremista, mas a revista era liberal e safada, e tinha um nome impactante: chamava-se revista Marginal e eu sabia muito bem o que estava fazendo com aquele título grosseiro. Muito além do sentido popular, “marginal” se referia àquilo que ficava à margem da nossa grade curricular. Éramos disciplinados a pedir a benção a Mário e Oswald de Andrade (você já leu Metrópole à Beira Mar, do Ruy Castro?), mas nem um piu era dado sobre o contista Moreira Campos e o poeta Gerardo Mello Mourão, cearenses como eu e você, e esmagadoramente maiores do que os paulistas. 

Bem, era isso que eu devia ter lhe dito, embora mais uma vez a timidez tenha me tomado a palavra. E mesmo que eu fosse sério e respeitado pela Direção da escola, porque a respeitava, havia em mim um espírito gaiato proporcionado pela leitura dos livros e que me permitiu fazer muitas coisas importantes naquela época. Mas isso já passou, foi há dois ou três anos, quando me formei no Ensino Médio e a adolescência ficou para trás.
Hoje sou estudante de Engenharia de Produção na UFC, perdidamente apaixonado por Lygia Fagundes Telles e Gerardo Mello Mourão, que em breve completará 108 anos, Lygia fará 106 em abril e eu farei 20 em julho.

Por Gerardo tenho cultivado um perfil minúsculo no Twitter que dispara versos de poemas em horas marcadas e escrito a deputados, a ministros, e até ao presidente da República para que algo seja feito em sua memória. E agora tenho a honra de escrever a você, primeiro agradecendo por tudo e depois pedindo que você também interceda por Gerardo — quem sabe por meio do jornal O POVO?

Ah! Eu já ia me esquecendo. A escola em que cursei o Ensino Médio, uma escola profissionalizante, se chamava, veja só, Dona Creusa do Carmo Rocha, na avenida Sargento Hermínio, hoje demolida para dar espaço a outra maior e mais moderna, de mesmo nome.

Enfim, um grande abraço! E um feliz ano novo! Foi uma grata surpresa encontrá-lo logo no começo de 2025. E me desculpe se escrevi demais, é que eu fico mais à vontade por escrito. (Li outros livros seus, além do Crônicas... E sim, visitei o seu blog. Vou comprar o novo livro agora que não preciso “roubá-los”).

 

Nauã Marley


 

domingo, 5 de janeiro de 2025

"O Povo é quem Diz...", de Raymundo Netto para O POVO

 


A Turma da Maracajá, tendo ao centro o escritor Raul Bopp (1931)


No dia 7 de janeiro é celebrado o Dia do Leitor. E essa data foi escolhida em referência a um(a) leitor(a) muito especial, o(a) leitor(a) do jornal O POVO, pois trata-se da data de fundação do jornal mais antigo em exercício no Ceará.

Há 97 anos, em um sobradinho na praça dos Leões – General Tibúrcio, 158 –, o telegrafista, dentista, professor e jornalista Demócrito Rocha, ao lado de sua mecenas Adalgisa Cordeiro e de uma grande turma de amigos(as) e colaboradores(as), como Tancredo Morais, Adília de Albuquerque Morais, Suzana de Alencar Guimarães, Rachel de Queiroz (Rita de Queluz), Paulo Sarasate, Filgueiras Lima, Jáder de Carvalho, Beni Carvalho, Otávio Lobo, entre tantos outros, iniciaria uma história longeva que mudaria o Jornalismo feito no estado do Ceará.

Nos planos de Demócrito, o seu jornal viria à luz em 5 de janeiro, aniversário de Albanisa, sua primeira filha, na época uma menininha de 12 anos. Mas o tempo, sempre muito vaidoso, encarregou-se de escolher uma data exclusiva.

Naquele sábado à tarde, na praça dos Leões, com bancos e meio-fio tomados por ansiosos e pequenos gazeteiros, uma campainha estridente anunciava o jornal que saía quentinho da velha impressora “Alauzet” de segunda mão.

À porta, o mestre Louro a limpar as mãos ainda sujas da graxa da máquina soluçante recebia uma tapinha nas costas de um envaidecido Demócrito, a trazer à luz solar e à brisa da praia de Iracema o primeiro número daquele impresso de 16 páginas, cujo título soaria para ele como uma canção ao mesmo tempo de amor e de guerra: O POVO!

Como vizinhos, o Palácio da Luz e a igreja do Rosário, sedes de outros poderes, viam com certa hesitação o surgimento daquela “criança”, pois o seu “pai” há poucos meses havia sido vítima de uma emboscada enredada pelo próprio governador e executada com capricho por 12 policiais na praça ao lado, a do Ferreira, o eterno coração da cidade e palco fundamental da história e da passagem do baiano Demócrito por Fortaleza. Mexeram com ele, um homem valente, e desde então armado, mas por conta disso e devido a problemas que acreditava ter causado ao jornal O Ceará, no qual trabalhava anteriormente, precisava ele de uma tribuna onde pudesse dizer o que quisesse, sem temer a hostilidades de quem quer que fosse: “O povo precisa de mais gritos que o estimulem, de mais vozes que lhe falem ao sentimento. Eis por que surgimos...” (editorial da primeira edição de O POVO).

No ano seguinte, 1929, criaria como suplemento literário do jornal a revista Maracajá, órgão modernista cearense encabeçado por Demócrito e que promoveria os modernistas cearenses para todo o país, sendo a redação de O POVO a sede da corrente no Ceará – a “Tribu Cearense da Antropofagia”.

Quando da criação do jornal, Demócrito teria 40 anos incompletos, mas desde a publicação da revista Ceará Illustrado (1924-1925) e durante o seu exercício como diretor literário em O Ceará (1925-1927), era cercado por jovens adolescentes, rapazes e moças, que iniciou no Jornalismo e na Literatura, duas de suas grandes paixões. Assim, receberia anos mais tarde, na fileira de seus repórteres, o futuro jurista Paulo Bonavides, ainda em bermudas, após uma seleção. Aliás, podemos afirmar que os grandes nomes do Jornalismo, das Artes, da Cultura, da Política cearense, em algum momento de sua vida, passaram pelos corredores do O POVO, assim como sabemos de muitos que aprenderam a ler por meio do jornal ou que trazem lembranças de pais e avós em serões familiares, nos quais o jornal reuniria e contaria do mundo àquelas famílias.

97 anos e O POVO continua a sua atuação de fiscalizar os poderes públicos na defesa dos interesses da população e em prol da cidadania, na busca do equilíbrio político e no fortalecimento das instituições e liberdades democráticas.

O povo é quem diz: jornal é O POVO!






domingo, 15 de dezembro de 2024

Relação de contribuintes da campanha de pré-venda de "Coisas Engraçadas de Não se Rir", de Raymundo Netto (encerrada em 14.12.2024)


Agradeço de coração às amigas e amigos A SEGUIR RELACIONADOS (por ordem de contribuição) que, muito gentis aos apelos deste amigo se pronunciaram e adquiriram o livro Coisas Engraçadas de Não se Rir durante a nossa campanha de PRÉ-VENDA, sendo eles(as) totalmente responsáveis pelo nascimento de mais essa obra que compartilho com o mundo.

Vocês merecem todo o meu carinho e afeto.

Gratidão e forte abraço deste autor e amigo.

 

Aíla Sampaio, Fátima Maia, Rogers Mendes, Tarcísio Garcia, Lucirene Façanha, Solange Holanda, Luciano Dídimo, Fabiana Skeff, Luiza Pontes, Almir Mota/Júlia Barros, Lia Sanders, Wagner Mendes (Wagão), Keyle Sâmara, Ângela Gurgel, Rui Boeira, Armando Lucas, Renata Wirtzbiki, Maria do Socorro Bulcão, Fábio Frota, Flávio Martins, Cristina Holanda, Marcos Mairton, Daniel Brandão, Karla Karenina, Gilda Freitas, Ana Miranda, Isabel Pires, Glauco Sobreira, Inácia Girão, Well Morais, Fábio Rosado, Maria Zenaide, Felipe Pinheiro, Arelano Barroso, Natercia Rocha, Letícia Frota, Khalil Gibran, Saraiva Jr., Helena Luna Coelho, Elvira Sá de Morais, Mauro Sales, Cris Menezes, Sandro Merg Vaz, Aline Bussons, Galileu Viana, Maria Elia Santos Vieira, Hermínia Lima, Helenira Limaverde, Sônia Castelo Branco, Myrson Lima, Ismael Mendonça, Glauco Alencar, Océlio Camelo, João José da Silveira, Stélio Torquato Lima, José Mendonça, Richelly Barbosa, Nice Arruda, Alan Bezerra Torres, Álvaro Beleza, Alice Mendonça, Gabriel Petter, Talita Nojosa do Nascimento, Zélia Sales, Simone Ferreira, Hortência Siebra, Robson Oliveira, Kedma Damasceno, Carlos Vazconcelos, Renato Pessoa, Manoel Messias, Epitácio Macário, Jesus Irajacy da Costa, Rosa Morena, Joaquim Pontes Brito, Carlos Pontes, Nonato Nogueira, Eudismar Mendes, Rita Brígido, Dyego Stefann, Malvinier Macedo, Zislane Mendonça, Suzete Nunes, Ricardo Bezerra, Boaventura Bonfim, Ricardo Kelmer, Fabrícia Góis, Geraldo Jesuíno da Costa, Elinalva Oliveira, Eugênio Leandro, Susana Frutuoso, André Araújo, Tião Ponte, Aurila M C Araújo, Levi Jucá, Heduvirges Dola, Grecianny Cordeiro, Adriana Flach, Augusto César B Barbosa, Charles Ribeiro, Paulo Avelino, Sarah Diva Ipiranga, Benedita Carvalho, Mário Sawatani, Tim Oliveira, Luizete Nery, Ana Rachel Freitas, Deglaucy Jorge Teixeira, Andrea Araujo, Wesley Eduardo de Sousa, Danniel Fernandes Bezerra, Adryana Joca, Sofia Dantas, Heitor Vasconcellos de Carvalho, Marcos Lopes, Mônica Serra Silveira, Fátima Alencar, Jáder Soares (Zebrinha), Alberto Ponciano, Francisco Raphael Bezerra dos Santos, Rouxinol do Rinaré, Luana Rachel, Liana Rebeca, Alemberg Quindins, Vladimir Araújo, Duarte Dias, Lílian Martins, Rebeca Coelho, Mailson Furtado, Albanisa Dummar, Vicente Martins, Rebeca Coelho, Mailson Furtado, Márcia Campos, Renata Lygia Colares, Lourdinha Leite Barbosa, Paulo Verlaine, Maria Ivoneide da Silva, Francisco Auto Filho, Gylmar Chaves, Alan Mendonça e André Azevedo.

(*) o negrito destaca aqueles(as) que contribuíram com a aquisição de mais de um exemplar.

Graças a essas pessoas o livro entrará na gráfica esta semana. E logo que receber os exemplares impressos, enviarei a cada um(a) desses(as) amigos(as).

Os(as) demais interessados(as) poderão adquirir o livro pelo canal já utilizado (a seguir) ou por outros que serão posteriormente divulgados, entretanto, fora da campanha de PRÉ-VENDA.

Chave-PIX:

livrodoray@gmail.com






 

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

"Campanha de Pré-Venda do livro "Coisas Engraçadas de Não se Rir", de Raymundo Netto (promoção por tempo limitado)

Campanha

PRÉ-VENDA DO LIVRO

COISAS ENGRAÇADAS DE NÃO SE RIR 

do escritor RAYMUNDO NETTO


 

Vem aí, Coisas Engraçadas de Não se Rir, terceira coletânea de crônicas de Raymundo Netto.

Participe, garanta o(s) seu(s) exemplares e contribua com esse projeto!

Clique na imagem para ampliar

PROJETO

Coisas Engraçadas de Não se Rir, terceira coletânea de crônicas de Raymundo Netto, apresenta a comédia do cotidiano, por meio de cerca de 50 textos, em sua maioria humorísticos (“de não se rir...”), versando sobre o ridículo da nossa sociedade, aquilo que empurramos para debaixo do tapete ou que fingimos não ver.

Histórias que nunca acontecem comigo ou com você, mas com nossos vizinhos, primos, amigos ou mesmo com aqueles(as) cujo nome nunca de nos lembrarmos... Para quê, né?

Em formato 14x21cm (fechado) e 120 páginas, o livro traz ilustrações do quadrinista e cartunista GUABIRAS.


SELO DE CONTRIBUIÇÃO

Adquirindo esse livro, não apenas ele será SEU, mas também só se concretizará GRAÇAS A VOCÊ!

APENAS aqueles(as) que contribuírem em nossa campanha de PRÉ-VENDA, independentemente da faixa de contribuição escolhida (a seguir), receberão seus exemplares com a dedicatória do autor e o seguinte SELO DE CONTRIBUIÇÃO:

        HORA DO VAMOS VER!

Adquira o(s) seu(s) exemplar(es) através das 4 faixas de PRÉ-VENDA abaixo e pague com o PIX*:


CHAVE-PIX: livrodoray@gmail.com

 

(*) IMPORTANTE: após efetuar o pagamento, envie PARA O E-MAIL livrodoray@gmail.com o comprovante de pagamento e mais os seus dados (nome, endereço completo e CEP) para o envio do(s) seu(s) exemplar(es).

 

AGORA, ESCOLHA UMA DESSAS FAIXAS DE PRÉ-VENDA A SEGUIR E GARANTA JÁ O(S) SEU(S) EXEMPLAR(ES):


FAIXA BRONZE 1 – R$ 60,00 (preço exclusivo para Fortaleza)

·  Aquisição de cada 1 (um) exemplar de Coisas Engraçadas de Não se Rir (autografado e com Selo de Contribuição Personalizado)

 

FAIXA BRONZE 2 – R$ 65,00 (preço exclusivo para outros municípios cearenses que não Fortaleza e outros estados que não o Ceará)

·   Aquisição de cada 1 (um) exemplar de Coisas Engraçadas de Não se Rir (autografado e com Selo de Contribuição Personalizado)

 

FAIXA PRATA – R$ 1.000,00

·  Aquisição de 5 (cinco) exemplares de Coisas Engraçadas de Não se Rir (autografado e com Selo de Contribuição Personalizado) e MAIS 1 (uma) apresentação, palestra ou bate-papo* (1h de duração) com o escritor para grupo de pessoas reunidas pelo contribuinte (escritores(as), funcionários(as) de empresas ou órgãos de qualquer natureza ou fim, bibliotecários(as), mediadores(as) de leitura, alunos(as) de cursos de Letras e/ou escolas públicas/privadas, clubistas literários, entre outros(as) interessados(as).

(*) sem outros custos, exclusivamente para o município de Fortaleza. Para outros municípios cearenses ou demais estados brasileiros, o(a) interessado(a) arcará(ão) com alimentação, transporte e hospedagem. A data do referido evento/ação deverá ser previamente acordada mediante agenda do autor.

 

FAIXA OURO – R$ 2.500,00

Aquisição de 10 (dez) exemplares de Coisas Engraçadas de Não se Rir (autografado e com Selo de Contribuição Personalizado) e MAIS 1 (um) café da manhã ou almoço* exclusivo com o autor (1h de duração), em local escolhido exclusivamente pelo autor e com a sua conta paga**.

(*) faixa restrita ao município de Fortaleza. A data do referido evento deverá ser previamente acordada mediante agenda do autor.

(**) caso o(a) interessado(a) deseje levar acompanhante, responsabilizar-se-á pelo pagamento da conta do(a) seu(ua) convidado(a).

 

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SOBRE O AUTOR

Raymundo Netto, jornalista, editor, quadrinista, produtor cultural e de conteúdo audiovisual, publicou sua primeira obra em 2005, o romance Um Conto no Passado: cadeiras na calçada (ganhador do I Edital de Incentivo às Artes da Secult-CE). Em 2012, publicou seu primeiro livro de contos, Os Acangapebas, ganhador do Edital de Incentivo à Literatura da Secretaria Municipal de Cultura de Fortaleza (SecultFOR) e do Prêmio Osmundo Pontes da Academia Cearense de Letras. Em 2015, lançou, pelas Edições Demócrito Rocha, seu primeiro livro de crônicas, Crônicas Absurdas de Segunda, ganhador do Edital de Incentivo às Artes da Secult-CE e finalista do Prêmio Jabuti de Literatura (2016), e, em 2019, Quando o Amor é de Graça! (Editora Demócrito Dummar), também de crônicas, contemplado pelo Edital de Incentivo às Artes da Secult-CE. No prelo, além de Coisas Engraçadas de Não se Rir (crônicas), temos Todos os Fantásticos!, uma seleção de contos.

Durante esse período, publicou outras obras infantojuvenis, como A Bola da Vez (EDR, 2008, com ilustrações de Giovanni Muratori), A Casa de Todos e de Ninguém (EDR, 2009, com ilustrações de Tarcísio Garcia), Os Tributos e a Cidade (EDR, 2011, com ilustrações de Daniel Dias), Boto Cinza Cor de Chuva (EDR, 2013, com ilustrações de Raisa Cristina), A Galera se Liga em Cidadania (EDR, 2014, com ilustrações de Karlson Gracie), além de ensaios, como Cronologia Comentada de Juvenal Galeno (Secult, 2010), Centro: coração malamado (SecultFOR, 2014), Padre Cícero: o filme (EDR, 2017), Nilto Maciel: perfil biográfico (EDR, 2017), entre outros.

Mantém o blog AlmanaCULTURA desde 2019 e é cronista do caderno “Vida & Arte” do jornal O POVO desde 2007.

Foi coeditor das revistas literárias CAOS Portátil: um almanaque de contos e Para Mamíferos e editor da Maracajá (suplemento literário comemorativo da FDR, 2019).

Desde 2005, editou e/ou organizou cerca de 200 títulos, e criou e coordenou cursos a distância, juntamente com a Universidade Aberta do Nordeste da Fundação Demócrito Rocha (FDR), como Cidadania ParticipAtiva (coordenação de conteúdo de Thaís Holanda), Formação de Mediadores de Leitura (coordenação de conteúdo de Lidia Eugênia Cavalcante), Curso Básico de Histórias em Quadrinhos (coordenação de conteúdo de Daniel Brandão) – projeto ganhador do Troféu HQMIX, maior premiação do segmento na América Latina –, Quadrinhos em Sala de Aula (coordenação de conteúdo Waldomiro Vergueiro), Formação de Mediadores de Patrimônio (coordenação de conteúdo de Cristina Holanda), Literatura Cearense (coordenação de conteúdo de Lílian Martins).

Organizou e participou de obras, como: Antologia HQ: quadrinhos para sala de aula (FDR, 2018), História das Histórias em Quadrinhos no Ceará (FDR, 2018), Álbum Fortaleza Ilustrada (FDR 2020), Almanaque Itapipoca 200 anos (FDR, 2023), entre outras.

Coordenou, argumentou, roteirizou e/ou codirigiu os documentários: História das HQs no Ceará, Padre Cícero: o filme, A Fortaleza da Cultura e Praia de Iracema: uma história de amores.

Desde 2012, atua na Fundação Demócrito Rocha. Hoje, como gerente de criação de projetos.

 

EXPEDIENTE

Coisas Engraçadas de Não se Rir, de Raymundo Netto

Formato: 15 x 21cm

Nº de Páginas: 120 pg

Capa: Dhara Sena, Raymundo Netto e Welton Travassos

Ilustrações da Capa e Miolo: Guabiras

Organização e Coordenação Editorial: Raymundo Netto

Projeto Gráfico: Dhara Sena, Raymundo Netto e Welton Travassos

Revisão: Mayara Freitas

Designer: Welton Travassos

Editora: Fundo de Quintal








segunda-feira, 14 de outubro de 2024

Entrevista COMPLETA de Miguel Araújo com Raymundo Netto sobre a Coleção NOVA Terra Bárbara


ENTREVISTA PARA MIGUEL ARAÚJO PARA

O CADERNO “VIDA& ARTE” DO JORNAL O POVO

EM VIRTUDE DO LANÇAMENTO DA COLEÇÃO NOVA TERRA BÁRBARA

(06.10.2024)

 

1. EM PRIMEIRO LUGAR, GOSTARIA DE SABER O CONTEXTO DO LANÇAMENTO DESSA NOVA TERRA BÁRBARA. COM QUE PROPÓSITO SURGIU ESSE PROJETO?

Em 2025, a Coleção Terra Bárbara completa 25 anos de sua primeira edição, na época, concepção e coordenação de Lira Neto. A Coleção Nova Terra Bárbara surgiu com o propósito de ser uma edição comemorativa desses 25 anos, dando continuidade ao objetivo da coleção, que é reconhecer, valorizar e promover a diversidade cultural, definida por meio de linguagens artísticas, múltiplas identidades e expressões culturais, democratizando o acesso ao conhecimento e reconhecimentos de personalidades cearenses – nascidas no Ceará ou que, mesmo nascidas em outros estados, tiveram no Ceará o seu campo maior de atuação e/ou que aqui deixaram seu maior legado – nos mais diversos âmbitos e/ou linguagens artísticas, como: literatura, dança, teatro, música, artes visuais, política, ciência, arte, cultura, religião, economia etc.

“Terra Bárbara” é uma homenagem do Lira Neto, editor das EDR na época, ao jornalista e escritor Jáder de Carvalho – sendo dele um dos primeiros cinco perfis publicados em 18 de maio de 2000 –, em menção ao seu homônimo poema que em seus versos nos diz: “Na minha terra,/ as estradas são tortuosas e tristes/ como o destino de seu povo errante

 

2. QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS OBSERVADAS NESTA NOVA COLEÇÃO EM RELAÇÃO À ANTERIOR?

Em minha apresentação da Coleção, escrevi que a sua grande novidade, ao nos referirmos a um produto editorial brasileiro, talvez seja a sua continuação, mesmo decorridas mais de duas décadas.

A diferença maior aqui se dá na concepção do projeto gráfico, em seu formato, ainda pocket (de bolso), contudo, acreditamos, mais elegante, e na inserção de subtítulos à obra, ampliando o apelo e atrativo ao(à) biografado(a).

Tentamos até orientar algumas mudanças no conceito da própria formulação de texto, mas considerando a liberdade de escrita e de método de cada autor(a), deixamos livres essa produção, logicamente, conduzindo durante o processo de edição e em acordo com os(as) autores(as) algumas dessas mudanças.

 

3. QUAIS SÃO OS DESTAQUES DESTA NOVA COLEÇÃO EM SUA ANÁLISE?

São 10 os novos títulos da Coleção:

·       Narcélio Limaverde (Natercia Rocha)

·       Adísia Sá (Luiza Helena Amorim)

·       Henriqueta Galeno (Natercia Rocha)

·       Juvenal Galeno (Raymundo Netto)

·       Alba Valdez (Keyle Sâmara de Souza)

·       Emília Freitas (Alcilene Cavalcante)

·       José Alcides Pinto (Carlos Vazconcelos)

·       Suzana de Alencar Guimarães (Carmen Débora Lopes Barbosa)

·       Gerardo Mello Mourão (Rodrigo Marques) e

·       Francisco José de Abreu Matos (Mary Anne Medeiros Bandeira)

 

Quando da concepção dos títulos da nova Coleção, fiz questão de assegurar um número equitativo entre homens e mulheres biografados(as), o que fizemos. De acréscimo, desta vez não intencionalmente, o número de biógrafas superou o número de biógrafos: 7 mulheres e 3 homens.

Todos os títulos se referem a novos(as) biografados(as), embora conhecendo a Coleção, acredito que alguns dos mais de 60 perfis biográficos publicados até hoje poderiam e mereciam, sim, um novo olhar, uma revisão da atualidade e até por outros(as) biógrafos(as).

Adísia Sá, a única biografada ainda viva, já teve uma biografia publicada pela própria autora, a jornalista Luiza Helena Amorim, mas desta vez, segundo a autora, traz um novo olhar sobre a história de Adísia, “um novo relacionamento com as fontes históricas, com os fatos, com os modos de contar uma vida”.

Estreia nessa fila, Narcélio Limaverde, o grande homem do rádio, em seu primeiro perfil biográfico, de autoria de Natercia Rocha. Narcélio, em janeiro de 2025, completará 3 anos de sua passagem.

É também de autoria de Natercia o perfil de Henriqueta Galeno, uma das grandes novidades da Coleção, saindo de seu papel de guardiã do pai para o de feminista e grande promotora da literatura e da cultura cearense na criação e na resistência na manutenção da Casa de Juvenal Galeno, equipamento cultural vinculado à Secult-CE, a meu ver, o mais legítimo centro cultural do Ceará.

Emília Freitas, de autoria de Alcilene Cavalcante, com o subtítulo “a rainha sem rosto”, é outra inserção obrigatória nessa coleção. Ela que é autora de A Rainha do Ignoto (1899), primeiro romance fantástico brasileiro, atualmente estudada nacionalmente por diversos(as) pesquisadores(as), mas que até hoje ninguém conseguiu sequer uma imagem da autora.

Gerardo Mello Mourão, cearense pouco conhecido pelos(as) leitores(as) cearenses, mas que chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel, vem pelas mãos de Rodrigo Marques, em uma biografia bem ao estilo “romance”.

O “poeta maldito” José Alcides Pinto chega merecidamente na Coleção por meio de Carlos Vazconcelos, que nos apresenta esse que é sem dúvida um dos mais prestigiados e valorosos nomes da nossa literatura contemporânea.

O perfil de Francisco José de Abreu Matos, o criador do projeto “Farmácias Vivas”,  grande cientista e botânico brasileiro, que se vivo fosse estaria em 2024 completando seu Centenário, é escrito por Mary Anne Bandeira.

Susana de Alencar Guimarães teve sua biografia lançada de forma independente por sua sobrinha-neta Carmem Débora Barbosa. Desta vez inclusa na Coleção NOVA Terra Bárbara, merecidamente, por sua história estar vinculada diretamente a Demócrito Rocha e ao jornal O POVO. Ela, a quem Rachel de Queiroz chamava de “madrinha”, embora tivessem praticamente a mesma idade, participou ativamente na revista Ceará Ilustrado, no suplemento Maracajá (única mulher a figurar no retrato do “grupo Maracajá”, que reunia os modernistas cearenses, em 1931) e dos primeiros anos do jornal O POVO, fosse como escritora (cronista, poetisa) ou como crítica literária, de cinema e das artes plásticas.

Alba Valdez é outra personagem feminina que, por meio de Keyle Sâmara Ferreira de Souza, não poderia mais ficar de fora da Coleção. A escritora foi a primeira mulher a ingressar na Academia Cearense de Letras, sendo membro também do Instituto do Ceará e fundadora da Liga Feminista Cearense.

Um personagem que inaugura quase tudo que conhecemos na literatura produzida no Ceará é Juvenal Galeno, o que nos faz estranhar que, em 25 anos, não tenha sido ainda motivo de nenhum perfil biográfico da Coleção. Virá desta vez, escrito por mim.

 

4. VOCÊ ATUA COMO EDITOR E TAMBÉM COMO BIÓGRAFO. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS DESAFIOS DE LIDAR COM ESSAS FRENTES?

O trabalho do editor é quase sempre ingrato. Editar seja o que for é colocar-se na condição de juiz, é incorporar a tomada de decisão, de escolhas. Isso, editar é escolher. Um bom editor pode, naturalmente em consenso com o(a) autor(a), dar luz ao texto, trabalhar graficamente para realçá-lo na obra, torná-lo uma leitura agradável, sedutora. Para isso é preciso ter sensibilidade, afinidade com esse “bicho-livro”, aproximar-se da intenção do(a) autor e do conceito da Coleção que, por si só, tem a difícil tarefa de cair no gosto de um público heterogêneo, de faixas etárias distintas, de graus de instrução distintos. O livro tem que ser saboroso de ler e deve ter o poder de reter nosso(a) leitor(a), e isso não é missão apenas de quem escreve, mas de quem o edita.

 

5. QUAIS SÃO OS DESAFIOS RELACIONADOS À ESCRITA BIOGRÁFICA E QUAIS OS CUIDADOS NECESSÁRIOS?

Um dos maiores desafios da escrita biográfica é manter a objetividade, o olhar crítico e não se deixar sucumbir à heroicização da personagem biografada (nem a sua vilanização), principalmente quando se conviveu muito de perto ou se tem grau de parentesco ou amizade com ela. E não vou dizer que nessa Coleção não tenha acontecido isso em maior ou menor intensidade: aconteceu também. Aproximar-se do outro(a), revivê-lo, adentrar um universo, a princípio desconhecido, para compreendê-lo pode mexer com a cabeça das pessoas. Claro, não é possível entender a realidade da personagem sem nos aproximarmos do seu contexto social e histórico, pois corremos o risco de nos iludirmos com estereótipos, ideias e imagens distorcidas de seu tempo até pelo(a) próprio(a) autor(a). Risco maior é o de usar da ficção para preencher lacunas, o que também não é incomum no mercado editorial de biografias. Aliás, muitas dessas são as que mais agradam ao gosto popular.

É preciso ter um pouco de empatia com a personagem, mas quando se há um alto grau de identificação, é grande a chance de se tornar parcial demais.

A vigília de um biógrafo passa por duas fases importantes de sua construção: a da apuração (busca por fontes históricas confiáveis) e a da sua escrita. E nessa primeira fase estamos cientes de que é muito real a chance de não encontrar material suficiente para alcançar a personagem em todas as suas nuances, o que pode levar a especulações e suposições. Conforme a sua presença, algumas ainda podem ser bem-vindas para provocar um futuro estudo, uma análise a partir do conjunto documental, mas outras podem simplesmente desvirtuar a verdade pelo simples pretexto de “defendê-la”, “protegê-la”.

Outras vezes, encontramos durante o processo de apuração, histórias e dados fornecidos por conhecidos intelectuais, não necessariamente bons biógrafos, que não têm comprometimento algum com a realidade, porém, sendo há anos replicados erroneamente. O(A) autor(a) tem que ter condições e repertório suficientes para refutar essas informações “daninhas”.

Em alguns títulos da nossa Coleção, estimulamos que os(as) biógrafos(as) apresentassem ao(às) leitores(as) as divergências e contradições encontradas durante a sua escrita para que eles(as) próprios(as) pudessem construir seus questionamentos e interpretações a respeito.

Para escrever biografias faz-se mister saber que elas serão sempre limitadas por fatores vários. No caso da Coleção NOVA Terra Bárbara, não temos a pretensão da plenitude, até por que nos propomos apenas a desenvolver perfis biográficos, ou seja, queremos, sim, atrair nossos(as) leitores(as) para conhecer esses nomes, saber a respeito daquele(a) personagem, sentir desejo de ler suas obras, conhecer seus legados, compreender o seu tempo e espaço.

E, naturalmente, temos ciência de que, conforme novas evidências, como registros e documentos que podem aflorar de algum lugar inesperado, alguns pontos da história dessas personagens poderão ser elucidados e/ou acrescidos, o que nos faz ter a feliz certeza de que nenhuma biografia é definitiva!