sábado, 30 de novembro de 2019

Paul Gerhard: o "Doutor HomemTerra"




Hoje o dia amanheceu chorando. Embora o céu ainda azule, os passarinhos gorjeiam um lamento: a partida de Paul Gerhard Wirtzbiki de Almeida (1955-2019), o "Doutor HomemTerra", sem sombra de dúvida, uma das pessoas que mais me impactaram em minha vida, um personagem típico de romances de cavalaria, uma presença ímpar, um amigo, um irmão... uma saudade sem cura.
Com ele pude conhecer um outro lado do mundo que a ingenuidade e a inocência desejada nos impedem de conhecer e com Paul pude conhecê-lo da melhor forma, a mais divertida e até debochada. De outra forma, certamente eu não suportaria.
Também com ele fui provocado a pensar grande, a desafiar-me, a desconhecer impossibilidades, a me divertir com as seriedades inúteis, a rir-me das mentiras do mundo (ele conhecia tantas), a entender que a vida pode e deve ser divertida naquilo que nos propomos a fazer, ensinamentos que levei por onde passei e que trago comigo, sempre rodopiando em minha cabeça e me exigindo a não conformar-me nem espalhar ilusões desnecessárias.
Mas ontem, dia 29 de novembro, poucos dias depois de seu aniversário, durante a comemoração de aniversariantes do mês de novembro de seu mundo-parque, aquele que lhe era maior, o coração, o traiu e calou o seu sorriso para sempre.
Lembrei-me desse texto a seguir, escrito para ele durante a passagem de seu aniversário. O li, o vi nele, e percebi a sua imortalidade em mim e, certamente, naqueles que conviveram com ele, que privaram de seus afetos, amores, cuidados e presença.
Vida longa ao doutor Paul, que sempre quando via alguma coisa minha publicada em jornais, me escrevia - sempre em poucas linhas - "Netim" ou "Doutor Neto", me orgulho de ser seu amigo.
Eu muito mais, Paul Gerhard. Vá, mas no melhor abraço de Deus. 


Paul Gerhard: o "Doutor HomemTerra"

Há cerca de 15 anos* conheci Paul Gerhard Wirtzbiki, o "doutor Paul", ou "o doutô", como o chama a maior parte das pessoas daqui do "sítio", forma pela qual ele se refere a esse espaço que conhecemos hoje como Parque Ambiental e Zoológico (o “P.A.Z.) Ecopoint.
Na época, no mesmo local que se prestava a conservadouro conservacionista, se via o início do planejamento e a construção de sonhos da realização de um zoológico, o primeiro a ser regulamentado pelo IBAMA em Fortaleza, que recebesse alunos das escolas particulares e públicas do estado. Um centro de difusão de educação ambiental, da pesquisa científica, de prática para alunos dos cursos de biologia, veterinária, zootecnia, entre outros.
Nem preciso dizer do meu encanto à primeira vez que pisei nesse pedacinho de chão, coisa que nesses anos todos, mesmo em períodos em que estive mais distante, via e ouvia das pessoas a mesma reação: "o quanto era maravilhoso esse espaço", "o que era isso?" ou "as pessoas tem que vir aqui, têm que conhecer esse lugar".
Logo que aqui cheguei, fui apresentado ao Paul e ele próprio foi quem me mostrou o lugar. Para mim, na época, acreditava ele ser apenas mais um empresário, talvez alguém com muito dinheiro no bolso e querendo tentar algo diferente, o que o Ecopoint sempre foi e ainda é. Mas já numa primeira volta no sítio, volta esta que passei a repetir com todos que aqui chegavam para conhecê-lo, percebi não se tratar apenas de uma boa ideia e de questão de investimento. Fui guiado por aquele homem de recepção acolhedora, olhar agudo e sorriso irônico, muitas vezes debochado, que andava ligeiro sobre as pedras demarcadas por ele mesmo, como uma trilha, e que me indicava os recintos, acarinhava a Suzi, a sussuarana, brincava como o Tucanaçu (um tucano), enquanto fazia uma espécie de revista nos espaços, no estado dos animais e das plantas, e, assim, de quando em quando gritava entre os vazios das árvores centenárias em sonora voz: "Cosme! Riba! Jorjado! Zééé! Socorro! Pintor! Madeira!" Percebi que era daquele jeitão que ele dirigia aquele novo mundo. Sim, logo, logo descobri que aquele era o SEU MUNDO particular.
Prova disso, é que anos depois, chegando ao parque, final de expediente, me chamou para andar com ele. Sempre muito ansioso, estava com umas ideias... Quando parou ao lado do salão, olhou para cima e disse que ali era um bom lugar para se ter uma árvore (não lembro bem se era um abricó-de-macaco ou um ipê). Sabia ele que havia um pé já crescido na área de Fazendinha (área do Ecopoint simulando o aspecto rural). Assim, saiu gritando por um bocado de gente, mexeu meio mundo para conseguir um carro para transportar aquela árvore que seria transplantada e o dia seguinte já amanheceu com uma árvore nova ao lado do salão. Era como se brincasse de ser Deus, o que só seria possível nesse seu mundo, claro.
Voltando ao nosso primeiro encontro, sentamos juntos e ele me contou a história que nada tinha a ver com emas, capivaras, micos e onças, mas sim a sua história, que sempre começara na Alemanha, pelo vovô Franz, e depois aqui, no sítio Gluck-Auf, a casa onde viveu sua infância, as aventuras pelo centro de Fortaleza, prestando serviços ao pai, as histórias da mãe, a “dona Érika”, que é como ele, com um carinho respeitoso, chamava aquela senhora de sorriso largo e olhar azul, a sua relação com os irmãos, os aprendizados da caserna (na época que serviu), as coisas da política e uma extensa apresentação da família, que logo eu iria conhecer: Maria Amélia, Gabriela e Vitor. De tanto me falar dos filhos, ainda adolescentes naquele tempo, da forma afestuosa como se tratavam, quando surgiu a ideia de criar uma espécie de cartilha de educação ambiental em quadrinhos com o tema do Ecopoint, batizei alguns dos personagens de Gabi e Vitor. Obviamente, entre os personagens, o mais "errado" tinha que ser o Paulinho (uma homenagem ao crianção que era o Paul).
Pois, sim, o Paul, que no primeiro encontro estava bem trajado, nos demais, aparecia apenas de calção, sempre descalço, suando com uma raquete na mão (no Ecopoint tem uma quadra de tênis muito movimentada). Rebolava um par de meiões por ali e sentava num canto de porta, numa mesinha infantil, brincando com os calangos que apareciam para saudá-lo, a comer coxa de frango e farofa de cuscuz, embebidos pelo Red Johhny Walker, e passava a contar mais histórias, a contar piadas, tirar sarro com seus companheiros de partida, Robério e Gildervan, entre outros. Gostava de falar sobre ideias, mas não atentava muito a processos, esquivava-se da chatice deles, de suas explicações e elucubrações, embora, independentemente da hora e lugar, puxava um pedaço de papel e com uma caneta passava a desenvolver projetos de carpintaria e alvenaria, a desenhar croquis, a fazer cálculos, a chamar um por um de seus funcionários, gritando seus nomes pela janela. As conversas eram hilárias. Ele, com o óculos na ponta do nariz,  fazia cobranças e pedia relatórios. Alguém dizia: "Doutor, quebraram!" No que ele logo interrogava: "Quem quebraram?" E por aí vai, a conversa se prolongava até que chegassem todos, que se encostavam por ali para ouvir os carões do "doutô".
E nessa hora, também chegava mais gente: policiais sorridentes, fornecedores, vendedores de peças antigas (algumas arrebentadas, que ele dava um jeito de restaurar para ver funcionando), e até os beneficiados da “Fundação Paul Gerhard de Assistência Social”, sucursal do coração daquele grandalhão que, generoso, sempre inventava uma desculpa para dar a mão àqueles que ele achava não ter muitas chances nem oportunidades.
Foi assim que cheguei a trabalhar fixo por um período de cerca de um ano por aqui, conhecendo-lhe um pouco mais de perto. Vendo-o no meio das festas da dona Maria Amélia, quando ele se tornava "invisível", apenas se preocupando com o bem-estar dos convidados e a satisfação de todos, catando copos ou palitos de picolé deixados no meio do caminho, retirando aquele capim que estava excessivo na beira do passeio, coletando instrumentos de trabalho esquecidos, ou chamando o tratador para tirar aquele animal destroçado no recinto e outras aventuras que só quem trabalha em zoológicos sabe que acontece.
Sempre admirei a sua humildade e a simplicidade de ser, além da sensibilidade, senso estético e zelo. Poderia ficar se exibindo como dono, proprietário daquela “Disneylândia” ecológica e naturalista, mas talvez pensasse: "Aqui já tem muitos pavões!", e ficava ali, na sua sala, jogando paciência, cutucando a coleção "Tesouros da Juventude" da infância sempre saudosa, assistindo à TV, a postos para qualquer coisa, até mesmo para pular no tanque da piscina quando percebeu que uma garota ali havia caído e que todos ao redor estavam atônitos e imóveis.
Lembro-me com certa graça, de uma festa em que ele conseguiu atravessar no meio dos convidados e de crianças, sentados e se divertindo, um carrinho de mão que trazia, por baixo de uma lona, uma onça pintada adormecida. Ah, se eles desconfiassem... E muitas são as suas histórias.
Paul Gerhard é assim. Dá jeito em tudo. O “doutor HomemTerra”, que é como o intitulei um dia, tornou-se um amigo. Honra-me e alegra-me dizer isso. Creio que quem o conhece de perto, sente o mesmo. Preocupo-me com sua saúde, com seu bem-estar, não apenas pela amizade, mas por reconhecer-lhe todos esses predicados e valores que o fazem um ser humano especial. A vida não é fácil. Nem sempre as coisas se dão como queremos. Às vezes temos que abrir mão de nossos sonhos, mas é bom saber que alguns, e ainda próximos, guardam na alma essa paixão, essa ternura e sensibilidade. Paul tem isso tudo e ainda traz muita coragem, mesmo quando põe a mão na cabeça, fecha os olhos e diz: "Ai, meu Deus do Céu!"
Que essa data se repita por muitos e muitos anos, e que possamos, nós todos que aqui estamos, ainda compartilhar de suas aventuras, de suas histórias, de sua força, de sua companhia e de seu mundo, ouvindo suas gostosas e ruidosas gargalhadas, torcendo pelo seu sucesso e felicidade.
Brilhe sempre, doutor Paul Gerhard.

(*) Texto escrito e apresentado ao Paul durante as festividades de seu aniversário no Parque Ecopoint, em 2016.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Show de Lançamento duplo de Henrique Beltrão e Flora Beltrão (30 de novembro, Adufc)



Show de lançamento duplo
EP A Casa do Tempo,
de Henrique Beltrão,
e O Menino que Não Tinha Medo de Monstros,
livro de estreia de Flora Beltrão.
Data e Horário: 30 de novembro, sábado, a partir das 19h
Local: ADUFC (av. da Universidade, 2346)
Entrada franca


Sobre as obras e o show:
A Casa do Tempo é um show que marca o duplo lançamento do EP A Casa do Tempode Henrique Beltrão, e de O Menino que Não Tinha Medo de Monstros, livro de estreia de Flora Beltrão, sua filha de 7 anos.
Desde bem pequena, motivada pelo pai e pela mãe, Flora Martins Beltrão faz versos e melodias, cria e conta histórias, fala de maneira rica o português e tem ligeiras noções de francês, língua em que fez breve participação falando no samba Dainah, composto por Ellis Mario e Henrique Beltrão, gravada no CD Mutirão (2017) e encartado na revista Mutirão 3, que reúne, além da música deles, fotografia, colagem, HQ, prosa e poesia.
O livro O Menino que não Tinha Medo de Monstros foi narrado por Flora para a mãe que gravou para posterior transcrição do pai. Essa gravação original em um celular se encontra disponível no YouTube e o link assim como o QR Code correspondentes estão no livro:  https://youtu.be/zYltzoK5eA4 
Os pais da pequena escritora confiaram o projeto gráfico a Wellington Jr. que assina também a capa e encarte do EP A Casa do Tempo 1 e 2.
O projeto de autoria do poeta, compositor, radialista e professor do Departamento de Letras Estrangeiras da UFC, Henrique Beltrão, envolve dois momentos: no primeiro EP estão as três melodias feitas por diferentes artistas para o poema “Tempo” (Vermelho, 2006): Daniel Sombra, Wanderley Freitas e Wilton Matos. Com arranjos do maestro Ellis Mário e direção musical de Rogério Franco, o trabalho transita da interpretação de Daniel Sombra, cantor lírico, ao rock de Wilton Matos, passando pelo dueto entre Beltrão e Wanderley Freitas.
A Casa do Tempo 2, a ser lançado no início de 2020, trará as três melodias distintas para o poema “A Casa”, também do livro Vermelho. Nele, as vozes de Simone Guimarães e Fagner se somam às de Henrique e do pequeno João Franco (11) e da jovem Dora Lima e seu pai a Paulo Branco. 
O show contará com o repertório dos dois EP, com a presença de diversos parceiros e parceiras de Henrique, inclusive poetas, com destaque para as crianças: João Franco que canta com Beltrão, Mel Damasceno que diz poema de HB feito para a ocasião e, claro, Flora Beltrão, que lerá a história de seu primeiro livro, à venda no local, ao passo que o EP estará disponibilizado gratuitamente em diversas plataformas digitais.
O espetáculo, com entrada franca, começa com Beltrão interpretando “Para Flora”, gravada por ele e Jean-Robert Poulin (do Québec).
O livro de Flora estará à venda juntamente com os discos e livros de Henrique Beltrão por um preço simbólico. 
Entre nesta festa poético-musical. 

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Lançamento " O Olhar Tardio de Maria", de Carlos Gildemar Pontes (6 de dezembro, no Shopping Benfica)



Lançamento
O Olhar Tardio de Maria
Contos de
Carlos Gildemar Pontes
Data e Horário: 6 de dezembro (sexta-feira), a partir das 19h
Local: Shopping Benfica (ao lado do Habbib’s)
Apresentação: Aila Sampaio
Curadoria: Silas Falcão
Preço promocional do livro: R$ 30,00

Sobre o autor e a obra:
Aplaudida pela crítica acadêmica e jornalística, a obra de Carlos Gildemar Pontes se consolida a cada livro como literatura que faz sombra para muitos jovens aspirantes ao difícil mundo da arte literária e, ao mesmo tempo, lança luz sobre caminhos ainda não trilhados da literatura.
Multiversado nos gêneros literários, Gildemar Pontes transita com maestria pela poesia e pela prosa, escrevendo crônicas em jornais, revistas e sítios diversos. No conto, assina três livros importantes para o conhecimento e desenvolvimento do miniconto ou conto mancha, desafio de produção com enredo mínimo, sugestivo, como se tivesse o mesmo efeito do haicai para o poema. Nos três livros de contos já publicados, O silêncio (infantil), A miragem do espelho, premiado na Paraíba em 2018, pela Universidade Federal da Paraíba, e Da arte de fazer aeroplanos, percebe-se a evolução do gênero nas mãos hábeis de um escritor contemporâneo que conhece literatura, já que é professor desta disciplina na Universidade Federal de Campina Grande, e sintonizado com os problemas existenciais das grandes cidades (o autor é de Fortaleza) e das cidades pequenas e médias, enraizadas no interior do Brasil. Como professor e palestrante, espalha seu conhecimento pelos rincões mais entranhados no Nordeste e Sudeste do Brasil.
Sua produção literária iniciou muito cedo, quando ainda era estudante de Letras da UFC, publicando nos suplementos de cultura do Diário do Nordeste, O POVO, Tribuna do Ceará, Jornal de Cultura da UFC e da Revista Acauã, da qual foi fundador e hoje é o editor.
Dos muitos prêmios literários que recebeu, o primeiro talvez considere o mais importante, pois foi vencedor de um concurso de contos promovidos pela Sociedade Cearense de Psiquiatria do Ceará, na década de 1980, justamente quando estava começando a desenvolver sua aptidão para a prosa. Depois vieram outros concursos e a presença em antologias nacionais importantes, publicando em Contos cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea; e Capitu mandou flores: contos para Machado de Assis nos cem anos da sua morte, ambos pela Geração Editorial de São Paulo; Quartas histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa, pela Editora Garamond, todas organizadas por Rinaldo de Fernandes; O cravo roxo do diabo: o conto fantástico do Ceará, organizada por Pedro Salgueiro; além de inúmeras antologias nos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Ceará e no Distrito Federal.
Discípulo de Moreira Campos, Gildemar foi seu aluno no Curso de Letras da UFC e teve no livro premiado A miragem do espelho, o posfácio escrito pelo mestre do conto cearense. Assim disse Moreira Campos “Surpreendeu-me a obra de Carlos Gildemar Pontes, um apaixonado pelo conto desde os tempos de estudante, paixão esta mais apurada, já que é professor de Literatura Brasileira da Universidade Federal da Paraíba.”
Outros escritores e críticos também abonaram a obra de Gidemar Pontes. Edilberto Coutinho, Anazildo Vasconcelos, Pedro Lyra e Adriano Espínola, no Rio de Janeiro; Rinaldo de Fernandes, Hildeberto Barbosa Filho, Paulo de Tarso Cabral, Linaldo Guedes, na Paraíba; Francisco Carvalho, Pedro Salgueiro, Nilto Maciel, Sânzio de Azevedo, Artur Eduardo Benevides, Roberto Pontes, Carlos d’Alge, no Ceará; Leontino Filho e Anchieta Pinto, no Rio Grande do Norte, dentre tantos jornalistas em muitos estados.

O autor Carlos Gildemar Pontes

Neste novo livro de contos, O olhar tardio de Maria, Carlos Gildemar Pontes passeia do conto poético “A miragem”, que se esbalda no derramamento lírico, ao conto cruel, “O sorriso de brinquedo”, cuja aspereza da realidade dos miseráveis leva ao cúmulo de um grupo de mendigos assaltar o depósito do lixão de uma grande cidade. Não deixa o autor também de transpor o limite do grotesco em “Gemidos sinceros”. Ou a surpreendente descoberta de um narrador inusitado em “Minha gente”, conto homônimo ao conto de Guimarães Rosa, publicado em Primeiras histórias. Há, ainda, um conto extremamente bem realizado, “Diário de um cego”, escrito em forma de diário por um narrador em terceira pessoa que acompanha o dia a dia de um cego. O personagem cego é apaixonado pelo cheiro de uma mulher que o leva ao delírio de vê-la, possuí-la e ser seu homem. Tudo isso mediado por uma narrativa do cotidiano comum de alguém que percebe o mundo através dos sentidos. Uma verdadeira obra-prima. Os contos fantásticos são uma parte do livro que eleva a condição do escritor a desfilar ao lado de Kafka ou Murilo Rubião. “Perfil de um homem comum” e “O sequestro de Gregor” são dois belos exemplos desta temática.
É um livro que se impõe pelo fino trato de um artesão pelo modo com que o autor trabalha seus contos. E como disse Rinaldo de Fernandes, prefaciador do livro. “O leitor, portanto, está diante de um contista consistente, de escrita poética, cujas narrativas se inserem nas vertentes centrais do conto contemporâneo. Pelas situações que aborda e pelas formas que adota, Carlos Gildemar Pontes é, plenamente, um contista do nosso tempo.”. 

Linaldo Guedes
Poeta e Jornalista






domingo, 24 de novembro de 2019

IV Festa Literária da ACE, no Shopping Benfica (25 a 29 de novembro)


Serão 5 dias de programação, com início às 10 e término às 22 horas.
A Feira de Livros, com novidades da Literatura produzida no Ceará, estará aberta do início ao fim da ação.
abertura oficial será no dia 25, às 18h, no Shopping Benfica, Galeria Benficarte, com a apresentação da patronesse desta edição, a mestre da cultura e pajé Raimunda Tapeba.
Muito importante a participação de todos.
Quer saber mais sobre a IV Fliace?

A Festa Literária da Associação Cearense de Escritores (ACE), em sua 4ª edição, como a própria se define, é uma festa, um rito social a ser partilhado por um grupo de pessoas em celebração. Que se mantenha assim, em festa, pois como diz Leonardo Boff, “no sacro e no profano, todas as coisas se reconciliam. [...] Pela festa, o ser humano rompe o ritmo monótono do cotidiano, faz uma parada para respirar e viver a alegria de estar juntos, na satisfação de [...] gozar do encontro e de celebrar a amizade.”
A ACE, por meio de seus associados e curadores fomentam e defendem o espírito desses banquetes afetivo de leitores, escritores, cordelistas, oficineiros, livreiros, entre outros seres moventes ao redor do livro, da leitura e da literatura, em uma programação diversa que democratiza holofotes e palco a todos, não apenas aos mais experientes e/ou midiáticos, mas àqueles também iniciantes, desejosos de celebrar coletivamente a bondade, a gentileza, as alegrias e a vida à procura de poesia. E, ampliando a festa para nações, traz como patronesse, nesta edição, uma mulher, pajé e mestra da cultura cearense. Sim, orienta-nos Nietzsche: “Festejar é poder dizer: sejam bem-vindas todas as coisas.”
E essas coisas são os tesouros que respiram em cada um de nós.

Raymundo Netto







segunda-feira, 11 de novembro de 2019

"Romântico", de Raymundo Netto para O POVO



Mais romântico que Baltazar estava para nascer! O homem era um verdadeiro amante à moda antiga. Distante de bares, sabíamos logo estar em pleno exercício de um novo e sempre incomparável amor. Da mesma forma, mais cedo ou mais tarde era certo que o encontraríamos em uma daquelas mesmas mesas de bar, enchendo a cara, acolhido por melosas músicas de abandono, a clamar para quem quisesse – e mesmo para quem não quisesse – ouvir sobre o infortúnio de sua vida e de sua malograda paixão.
Há quem jurasse ser ele capaz de começar uma história amorosa simplesmente para poder terminá-la e iniciar as curtidas dores intensas e inarráveis dos corações malferidos.
Quem arriscasse a se aproximar um pouco mais, ouviria dele a sentença: “Eu a amo tanto, como nunca jamais amei ninguém nesta vida. Ninguém!”
Tentar consolá-lo, entretanto, seria um erro gravíssimo. Aquela sua dor era sagrada, só sua, muito sua. Seria como tirar o doce de uma criança que não ama nem sabe amar a mais nada na vida, a não ser aquele doce. Então, ele era capaz de expulsar o incauto da mesa, praguejar-lhe alguns palavrões, acusá-lo por sua frieza, insensibilidade e inveja.
Para os amigos, não havia dúvida de que estavam diante de um coração poligâmico, superior, plural. “Deus o criou assim e jogou a receita fora!”, concluíam.
Uma noite, após outras de sofrência extrema de quase morte, Baltazar nos chegou diferente, radiante. Nós nem conseguiríamos suspeitar, pensava ele, se não nos dissesse que “ontem mesmo, encontrei o amor da minha vida... o mais verdadeiro amor!”
Sim, até aí sem novidade, afinal não estamos falando do Baltazar? Pois é, a novidade mesmo é que desta vez vitimava-se por um amor impossível: a Lua.
Como você, por aqui a moçada também não o levou a sério, a princípio, mas durante a semana, dava até pena assisti-lo, lágrimas nos olhos, fitando-a, declamando poemas ou ofertando-lhe plangentes serestas na calçada fria até o galo anunciar sua retirada aos intransponíveis aposentos celestes.
Durante uma semana, como uma Julieta sem balcão, sua virgem selênica não deu as caras e Baltazar quase sucumbiu – e infernizou a nossa vida – daquele amor. Cobiçava-a, dizia, mais do que a qualquer outra que conhecera na vida. O seu brilho lumiava os caroços de seus olhos jurados de tal encantamento a acompanhar com uma servidão singular o seu curso perverso. Sem ele, sua vida não tinha mais sentido.
Um dia, quando ela se apresentou novamente no céu estrelado, o vimos cruzar a rua pelado numa carreira desembestada em direção à lagoa. Corremos atrás. No alto da colina, comprovamos o motivo do alvoroço. Lá estava, refletida no espelho da água, grande e nua, a sua amada imortal. Ele, sedento de amor, corria para o desejado e até então impossível abraço. Lançou-se no leito de águas frias e, desde então, nunca mais foi visto ou encontrado.
Anos depois, aquele amor tornou-se lenda na cidade. Em noites de luar, contam que ele conseguiu realizar o seu sonho e chegou à Lua. Lá, escolheu a terra de alabastro, separou os pedregulhos, socou a massa e construiu a sua casa adamantina às margens do imenso Mar da Tranquilidade.



segunda-feira, 28 de outubro de 2019

"Amor Fatal", de Raymundo Netto para O POVO



“Na alegria, na tristeza; na saúde, na doença... até que a morte os separe? Ora, nem a morte, ouviu, nem ela!”, clamava Amadeu apontando aos céus o dedo trêmulo em riste, postado ali, ao lado da mulher morta, manifestando a sua viuvez honesta e sisuda, enquanto os mesmos céus lhe respondiam com trovões gargalhantes. Amava a mulher mais do que tudo. Daí, quando anunciada a sua prematura e cara perda, os mais próximos pressagiaram: “O Amadeu se vai logo!” Só que ele não foi. Embora, durante os ritos fúnebres, sua dor fosse claramente assistida, transparecia ao mesmo tempo algum misterioso consolo. À boca pequena, todos comentavam, mas ninguém compreendia. Se ele se matasse, aí, sim, ninguém se admiraria.
Dias após a morte da amada, mudou-se de casa e se afastou dos familiares. Pensaram eles se tratar de um necessário exercício de desapego. E, de fato, quem o encontrava não lhe percebia a dor esperada daquela viuvez. Amadeu cumpria suas atividades na firma normalmente. Há quem diga, falava da morta como se viva fora. E não era por menos. Quem pudesse ingressar em seu novo endereço – e ninguém podia –, seguir o úmido corredor que levava ao quarto íntimo, encontraria uma mulher, vestida de branco, deitada na cama perfumada por incontáveis pétalas de rosas vermelhas. Ao lado da cama, a poltrona favorita de Amadeu, na qual ele lia para ela romances e poemas, contava sobre o seu dia e fazia as refeições. Tarde da noite, punha-se junto à sua pele fria e a beijocava com uma ternura de invejar a qualquer mulher, viva ou morta, a chorar o silêncio compreensível e doloroso daqueles lábios. Se já a amava viva, morta a amava muito mais.
Ninguém sabia do seu feito. Na noite do funeral, voltou ao cemitério, dirigiu-se à cova da amada, violou-a e retirou o seu corpo, depositando-o naquela casa, longe dos olhos bisbilhoteiros. Havia solicitado de uma firma russa de tanatopraxia o embalsamento do corpo da esposa. Fizera questão de estar presente. Aprendera a massagear os músculos enrijecidos, a retocar a maquiagem, as sobrancelhas e como utilizar cremes na pele e na boca. Injetava diariamente desinfetantes e outros líquidos de combate às bactérias e à formação de gases. Semanalmente, com auxílio de um equipamento adquirido ilegalmente, transfundia o seu próprio sangue, o que o deixava exaurido, quase morto, às vezes. Dessa forma, durante anos não sofreu a ausência da mulher... até conhecer Bartira, uma moça contratada para trabalhar com ele, em sua primeira experiência profissional. Amadeu assistiu com surpresa um desejo invasivo e despropositado a capturar seu corpo, sua cabeça, seu peito. Percebia nela, uma gentileza incomum e um sorriso sem igual, e, aos poucos, saía mais tarde da firma e dispensava os cuidados à esposa. Em casa, sentia remorso, tremia e gaguejava quando se aproximava dela. Confessava, mãos à cabeça, num vaivém doído, o que estava acontecendo. “Nunca a traí antes. Nunca!”
Uma tarde, porém, convidou Bartira para um sorvete. Ela topou. Parecia interessada. “Maldito dia em que conheci o seu sorriso. Não posso mais viver sem ele. Você quer ficar comigo? Quer?”
A moça, cansada da solidão e emocionada, chorou um sim esperançoso e feliz.
Naquela mesma noite, Amadeu, após uns goles de álcool, chegou pé ante pé no quarto do casal. Pediu perdão à mulher e a enrolou bruscamente no edredon, como se pudesse sufocá-la. “Eu te amo, eu te amo... mas eu preciso!”. Colocou o corpo no carro e dirigiu-se ao cemitério, lhe restituindo ao túmulo vazio.
Dias depois, era Bartira quem se dirigia àquele quarto pela primeira vez. Apesar de um pequeno estranhamento diante da escuridão e a umidade do ambiente, estava com seu amado, a quem confiava seu futuro e sua vida. Amadeu, fitando-a profundamente apaixonado, pôs-se a beijá-la até, em determinado momento, apunhalar as suas costas e lhe sufocar da boca o grito. Bartira desfaleceu. Ele, abraçando-a, sorriu. Imediatamente iniciou os preparativos, costurou-lhe a ferida, injetou-lhe líquidos e com esforço conseguiu lhe deixar na face aquele seu sorriso, aquele sem o qual não poderia viver. Comovido, ao seu lado, se convencia: para o amor, a morte não existe!


domingo, 29 de setembro de 2019

"A Dois", de Raymundo Netto para O POVO



Aquele casal se amava tanto, mas tanto, tanto, que um dia acordou pregado!
De primeiro, perante o espetaculoso incompreendido, o sobressalto. Depois, com pouco, a constatação bem-querida. Ele: “Agora eu tenho certeza, amor, de que você não me escapa!” E ela: “Hummm... e eu, que tenho você todinho para mim...” E num chamego quase autofágico o casal descobriu em seu mundo sem novidades matrimoniais o alvorecer de um inconcebível prazer de amar a si mesmo, a bolinação inesgotável, o compartilhar de seu próprio gozo, tão extraordinário quanto a descoberta da areia lunar.
Passados alguns meses de experimentos e satisfações transcendentais de fazer inveja à Kama Sutra, encontramos o mesmo casal trazendo no corpo as marcas da perversa convivência íntima: feridas, hematomas e cicatrizes nos braços, nas pernas, na alma.
Não havia absolutamente nada que eles gostassem de fazer juntos – e eles tinham, por anatomia, que fazê-lo exatamente assim, juntos –, muito menos pensar – sim, compartilhavam também os seus pensamentos. O certo é que não se toleravam mais. Para eles, o companheiro ou a companheira era de um tédio nauseante, de até desejar a morte: a própria e, por efeito, a do outro.
Mesmo em silêncio, em frente à TV, um zapeado incontrolável. À mesa, ela não suportava os maus hábitos dele e reclamava da comilança que a deixava cada vez mais gorda. Por outro lado, ela o fazia perder horas em shoppings na busca de acessórios ou nas tardes de sábado no salão, além de raspar-lhe as pernas. Gentilezas? Coisa do passado. Ele: “Vai primeiro, preguiçosa”. Ela: “Seu porco, e eu tenho que esperar a sua boa vontade para poder me lavar direito.”
Daí, uma manhã, ao se coçar enquanto acordava, ele percebeu-se livre da incômoda mulher, deitada do outro lado, despregada de seu corpo cativo. Imediatamente a despertou com a boa nova. Não demorou nada e, mesmo sem despedidas ou perguntas, ambos cruzaram a porta e seguiram a calçada, claro, por caminhos completamente opostos.
Durante anos eles seguiram pelas ruas de outras cidades, outros estados e países, viveram outras vidas, amaram e desamaram ao desfrute da liberdade outrora lhes negada. Curiosamente, vez ou outra cruzavam o mesmo itinerário. Nesses casos, quando possível, mudavam de calçada, davam meia-volta, embrenhavam-se à primeira porta aberta. E, quando inevitável, no máximo – às vezes nem isso –, um tchauzinho insosso com cara de “passa reto” ou “desgruda de mim”.
Um dia, sem data marcada, cansados de tanta permissividade e falta de rumo, voltaram a sua casa. Ambos estavam profundamente diferentes, e mesmo assim se reconheceram. Estavam cansados, mais velhos e mais leves. Fitaram-se demoradamente, como a compreender o papel daquela pessoa em sua vida. O choque das lembranças a dois de algo que não era amor, mas coisa muito melhor, os atravessou como o cheiro do vento que aquecia àquela mesma calçada. Sem palavras, entre risos e lágrimas, arriscaram tocar no rosto um do outro e caíram de lábios em um beijo indecente, apoteótico, jamais visto ou compreendido, rendidos para a vida em um perdão supremo e desnecessário, mais unidos do que nunca por um só coração.


quinta-feira, 22 de agosto de 2019

LANÇAMENTO "Quando o Amor é de Graça!", de Raymundo Netto (24.8, às 16h)


Ilustração de Jabson Rodrigues sobre 
"La Femme Bateau" de Sérvulo Esmeraldo

LANÇAMENTO
Quando o Amor é de Graça!
de Raymundo Netto
com ilustrações e capa de Jabson Rodrigues
Data: 24 de agosto de 2019 (sábado)
Horário: a partir das 16 horas
Local: Espaço Natércia Campos (Térreo)
Centro de Eventos
XVIII Bienal Internacional do Livro do Ceará
PROMOÇÂO de lançamento (Bienal): R$ 25,00*
(*) preço de capa original R$ 38,50

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Sobre Quando o Amor é de Graça!
Chega-me riscando os céus por sobre o Atlântico os originais desse Quando o Amor é de Graça!
Raymundo Netto, seu cultor, foi a mim apresentado por Crônicas Absurdas de Segunda, outro volume do gênero, finalista do prêmio Jabuti naquele ano. Lendo Quando o Amor é de Graça!, assim enfático, como uma certeza ou uma desmedida ironia de “quem ainda crê no amor e ama numa gratuidade frouxa de rir”, identifico-lhe a mesma voz, o estilo, o vocabulário e a sua “escrita essencial”, as miudezas que definem entre palavras o seu componente artístico. Contudo, sou arrebatado por outro Netto que nos faz pensar não apenas nos distintos e complexos amores que traz, mas sobre alguns dos ângulos sensíveis da existência. Para ele, “só os egoístas serão felizes”. A própria busca da felicidade artificial – ou espetacular – parece ser o caminho do individualismo de todas as gentes, quem sabe o grande mal da humanidade. Ele escreve para os “tristes” e se vê, com alegria, como tal, à contramão da “sociedade de gentes iguaizinhas e deslumbradas”, como figura nas páginas a berrar como tribunas o seu testemunho.
Quando o Amor é de Graça!, assim como boa parte de seus títulos anteriores foi também selecionado pelo Edital de Incentivo às Artes da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará. Porém, ao contrário da obra que a precede [Crônicas Absurdas de Segunda], os textos – antes publicados em jornal local – soam esparsos, com temática diversificada e hibridismos, algumas vezes mesclando-se com outros gêneros, como poema em prosa, conto, dramaturgia ou página autobiográfica.
Ao final de sua leitura, ficou-me de consolo uma vontade de viver e (re)viver todos esses amores, e a certeza de que a felicidade não se busca, mas se conquista... todos os dias.

Camilo Pestana
Jornalista, poeta e editor

"Raymundo Netto", por Jabson Rodrigues.

Sobre Raymundo Netto

Escritor, editor, quadrinista e produtor cultural. Autor do romance Um Conto no Passado: cadeiras na calçada, ganhador do I Edital de Incentivo às Artes da Secult, de Os Acangapebas (contos), ganhador do Prêmio Osmundo Pontes da Academia Cearense de Letras e do Edital de Literatura da SecultFOR, Crônicas Absurdas de Segunda, ganhador do Edital de Incentivo às Artes da Secult/CE e finalista do Prêmio Jabuti (2016), e de Quando o Amor é de Graça!, selecionado pelo Edital de Incentivo às Artes da Secult/CE (2017), da Cronologia Comentada de Juvenal Galeno, de Centro: o coração mal-amadode Padre Cícero: o filmede Nilto Maciel: perfil biográfico; dos infantojuvenis A Bola da VezA Casa de Todos e de NinguémOs Tributos e a CidadeBoto Cinza Cor de Chuva, etc., e coautor de Antologia HQ: quadrinhos para sala de aula e História das Histórias em Quadrinhos do Ceará, pelas Edições Demócrito Rocha.
É cronista convidado do Caderno Vida & Arte do jornal O POVO desde 2007. Coeditor das revistas CAOS Portátil e da Para Mamíferos; curador e editor do suplemento Maracajá, encartado no jornal O POVO. Atuou como coordenador de Políticas do Livro e de Acervos da SECULT, responsável pela coordenação editorial das suas coleções (2008-2011), membro do Conselho Curador da IX Bienal Internacional do Livro do Ceará, redator e elaborador do Prêmio Literário para Autor Cearense e o redator e um dos coordenadores da I Feira do Livro do Ceará em Cabo Verde.
Recebeu a Medalha Boticário Ferreira em 2012, pela sua atuação na cultura. Em 2017 recebeu o Troféu HQMIX, maior premiação dos quadrinhos na América Latina, pelo projeto Curso Básico de Histórias em Quadrinhos (EaD/120h), em parceria com a UFC e SecultFOR. Roteirizou e coordenou o documentário História das HQs no Ceará. Atualmente, é gerente editorial e de projetos da Fundação Demócrito Rocha.