quinta-feira, 17 de março de 2016

"Tudo Faz Sentido", de João Soares Neto


Fim de semana é muito tempo. Enjoado do que vejo na televisão, vou aos jornais. Na “Ilustrada” (12.03.2016), Folha de S. Paulo, leio que saiu agora, em português, pela Companhia das Letras, o livro A Conexão Bellarosa: quatro novelas, de Saul Bellow, filho de judeus russos fugidos das conflagrações que deram origem ao bolchevismo, em 1917, na imperial terra soviética.
Nascido em Montreal, no Canadá, em 1915, mudou-se, com a família na metade dos anos vinte, para Chicago. Viveu a “Grande Depressão”, dos anos trinta. Os seus pais fomentaram nele a ideia de que naquele lugar havia a possibilidade de crescer na escala social. Era antropólogo, professor da Universidade de Chicago e escritor consagrado com o Nobel, em 1976. Faleceu em 2005.
Paro um pouco. Vou às minhas desarrumadas estantes e encontro um livro de Saul Bellow, lido há anos: Tudo Faz Sentido: do passado obscuro ao futuro incerto. Não é romance. É compacto de textos literários seus, de observações sobre vida, pessoas e viagens; palestras mundo afora e o encontro com o tempo, pois escrito na velhice, depois dos prêmios Pulitzer e Nobel, dos anos setenta.
O livro Tudo Faz Sentido já está com a fenda perpendicular das traças. Nele, encontro páginas que apontei com lápis, as quais me permiti reler, enquanto buzinas, fanfarras, gritos e palavras de ordem desordenavam a quietude da noite de sábado e o dia de domingo.
Chicago deu a Bellow várias visões. Primeiro, a da sua rua, onde famílias judias e de outras etnias moravam. Daí vai se alargando com as transformações que a cidade passava, erigindo novos pontos de encontros em diversas mudanças urbanas acontecidas. Depois, o mundo.    
No Tudo Faz Sentido  está incluído o longo, erudito, bom, embora prolixo discurso que proferiu, em 1976, ao receber o Prêmio Nobel. Ele começa: “Há mais de quarenta anos, eu era um homem sem diploma universitário e muito voluntarioso. Certo semestre me inscrevi num curso sobre Dinheiro e Técnica Bancária e me concentrei na leitura nos livros de Joseph Conrad. Nunca me arrependi disso”. E se estende sobre o escritor Joseph Conrad, também imigrante, e outros autores. Divaga. 
Volto à Folha. Nela há realce para a amizade de Bellow com o escritor e acadêmico Allan Bloom. Remexo na página 317 de Tudo Faz Sentido. Lá, quando da morte do amigo, em 1992, Bellow afirma, em discurso: “Conheci e admirei muitas pessoas extraordinárias na vida que me foi dada, mas ninguém mais extraordinário do que Allan Bloom”.


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