quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Lançamento "Pequenas Eternidades", de Zeca Lemos (30/9), no Ideal Clube


LANÇAMENTO
Pequenas Eternidades,
de Zeca Lemos
Data e Horário: 30 de setembro de 2016, sexta, às 19h
Local: Ideal Clube (área social)
Prefácio de Batista de Lima e capa de Totonho Laprovítera.
Investimento: R$ 30,00
Sobre a Obra:
Pequenas eternidades reúne uma seleção de crônicas e contos do blog homônimo escrito por Zeca Lemos. São textos escritos entre os seus 14 e os 17 anos, como uma forma de depurar as angústias adolescentes e, por meio da imaginação, criar um mundo onde a delicadeza é possível.
Suas narrativas são curtas como os estilhaços de pequenas eternidades.

Por Aila Sampaio

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Cidade Surrealista
                                                                   Zeca Lemos

Eu queria poder ver todas as cores que meus olhos absorveram mais uma vez, mas faltava-me coragem. Arrepiava-me ao conjecturar como seria enfrentar todos os obstáculos novamente. Visitar algumas pessoas era amedrontador. A escuridão em cada corredor, o silêncio em cada quarto e o sentido de cada recordação me tiravam a vontade de levantar. Sonhava com o dia em que recordar os momentos fosse o passatempo de toda a humanidade. No meu universo, o absurdo correspondia ao fantástico, e o mundo se remodelava a cada segundo.
O que havia de mais intimista era o que eu via como mais bonito. Perdi a conta de quantas das minhas noites foram dedicadas a tentativas de desvendamento do que os olhares das pessoas que eu conversava traziam. Eu sabia que cada um podia inventar a história que quisesse para sua vida, mas ficava me perguntando qual o limite que as pessoas davam para suas criações.

Nasci e me criei no lugar em que o calor trazia passagens. E em cada esquina eu podia sentir o coração da cidade. Nos bares antigos, nas paredes desgastadas, nas livrarias quase vazias e, sobretudo, nas bancas de jornais. Cada uma trazia seu aspecto. Os diários estampando suas manchetes e as revistas ostentando suas imagens comerciais faziam as minhas manhãs sorridentes. E eu ficava pensando que estava enlouquecendo, pois não sabia explicar o porquê daquela banalidade me fazer sorrir. Sentia que os jornais exploravam as emoções dos fatos da forma mais poética. Era como se eles fossem fotografias: tomavam cenas estáticas para eternizá-las, como se tempo nenhum fosse capaz de destruir os sentimentos expostos.

Algumas imagens eram captadas como marcantes. O meu olhar fazia os fatos cotidianos se transformarem em narração de histórias. E em cada nova história o meu coração terminava se perdendo em um labirinto. Era tudo difícil, sofrido e complicado. Mas quanto mais me maltratava, mais vontade eu tinha de reviver. Era estranho, mas deixava minha alma pura. Como meu sentimento pelos filmes surrealistas. Eu sabia que não era comédia, drama ou terror. Mas sentia tudo que esse gênero poderia trazer. E foi ali que eu vi que nada me fazia tão realizado quanto ver ideias absurdas tomando forma.


http://palavreares.blogspot.com.br/



sábado, 24 de setembro de 2016

Encontro de Produtores, Formadores e Coletivos em Quadrinhos no Ceará, 28/9, no Dragão do Mar


Data e horário: 28 de setembro (quarta-feira) de 2016, às 19h
Local: Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Convidados da mesa:
· Fabiano dos Santos Piuba (secretário da Cultura do Estado do Ceará)
· Paola Braga (secretária executiva Municipal da Cultura de Fortaleza)
· Glauber Uchôa (coordenador da Economia Criativa do Sebrae)
· João Belo Jr (integrante do coletivo The Comics Café)
· Débora Santos (integrante do Netuno Press)
Mediação: Daniel Brandão (quadrinista e formador em HQs)
Objetivo do Encontro:
O encontro é uma GRANDE CHAMADA que visa reunir e integrar autores (produtores), formadores e coletivos em quadrinhos que compõem as cadeias criativa, produtiva e leitora de HQs para debater assuntos de interesse, entre eles, as políticas públicas de fomento, formação e ampliação da atuação das referidas cadeias, oportunizando espaços alternativos de produção, promoção e fruição de bens e serviços culturais.
Na ocasião, a Secult, SecultFOR e Sebrae apresentarão a sua visão e as propostas ao segmento para o ano de 2017, entre outras novidades.
É fundamental que os autores independentes e integrantes de coletivos de quadrinhos, além de todos os interessados no desenvolvimento das ações relativas às HQs, se façam representar, estando presentes, ouvindo, participando e contribuindo com sua experiência na discussão e na busca de alternativas de fomento do segmento.
Na entrada do auditório, serão registrados todos os autores/coletivos presentes.
Divulguem, compartilhem, reúnam-se e fortaleçam os Quadrinhos do Ceará.
Podemos conseguir mais, se estivermos juntos!
Entre com a gente nessa corrente!
fdr.org.br/uane/hqceara
Apoio
Instituto Dragão do Mar
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Secretaria da Cultura do Estado do Ceará
Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza
Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
Realização

Fundação Demócrito Rocha

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Mercado dos Quadrinhos/Projeto HQ Ceará, 17 de setembro, no Mercado dos Pinhões


O universo das HQs vai invadir o Mercado dos Pinhões neste sábado (17/9), a partir das 17 até às 21 horas, com a terceira edição do Mercado dos Quadrinhos. A programação reúne artistas autorais cearenses e um público ávido por novidades no segmento que agrega tanto a fãs como colecionadores. Na ocasião, além de compra e troca de publicações exclusivas, quem comparecer poderá trocar ideias com outros fãs e curtir a seleção musical de Ivan Timbó.
E não para por aí! Outro destaque do Mercado dos Quadrinhos são os painéis temáticos. O primeiro painel, cujo tema será “Projeto HQ Ceará", terá início as às 17h30min e conta com os palestrantes Raymundo Netto e Daniel Brandão. Logo após, às 18h30min, o tema será “Quadrinhos Autobiográficos”, com Brendda Lima, Dhio Barreto e Elisa Azevedo.
Os expositores confirmados para esta edição são: Adriano Sousa (Anarcopato); Alexandre Vidal (The Comics Café); Brendda (Netuno Press); Camila Oliveira de Medeiros (Grupo Tom) ; Daniele Leite (Dani Mãe); Débora Santos (Netuno Press); Dharilya Sales (Grupo Tom); Dhiovana Barroso (Coletivo Arminina); Elisa de Azevedo (Caramujolândia); Felipe Heloi (1000 Traços); Francisco Oliveira (Apenas um Chico); Guabiras; Heitor Ximenes (Nasinecura); Ícaro Araújo (Caramujolândia); Jean Sinclair; João Belo (The Comics Café); João Gabriel Ramos Neto; Julio Belo (The Comics Café); Marcio Moreira (Netuno Press); Mariana Marrie; Maykson Liberato (Mayk); Milene Fernandes (Grupo Tom); Nádia Lopes; Natàlia Mendes Maia (Coletivo Arminina); Natália Prata(Grupo Tom); Nat Matos; Nycola di (4° bagunçado); Oráculo (Grupo Tom); Pedro Lins (Pinhead-Detona); Rafael Dantas; Sirlanney (Magra de Ruim).
E se a fome bater, a expositora de gastronomia Juh Veras estará a postos para lhe atender. 
O Mercado dos Quadrinhos é uma realização da Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal da Cultura.

Mercado dos Quadrinhos
Sábado (17/9), a partir das 16h às 21h
Mercado dos Pinhões (Praça Visconde de Pelotas, s/n – Centro – próximo ao Colégio Militar de Fortaleza)

Informações: (085) 3105.1386 / 3105.1292


domingo, 11 de setembro de 2016

Lançamento "Viagens Introspectivas" e "Escrito nas Jangadas", com Márcio Catunda e Eugênio Leandro (14.9)


Clique na imagem para ampliar!

Dia 14 de setembro (quarta-feira), às 19h, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Espaço Rogaciano Leite Filho), Márcio Catunda, poeta cearense, autor de vasta obra literária em poesia e em prosa, lançará Viagens Introspectivas, seu mais recente livro de poemas. Trata-se de uma colheita de poesia da maturidade de Márcio como escritor, cuja temática versátil abrange os questionamentos existenciais do homem, sua liberdade, sua busca de plenitude e a consciência de sua espiritualidade. A maior parte dos textos foi escrita em Madri (cidade onde o autor trabalhou a serviço do Ministério das Relações Exteriores), e em Argel, onde trabalha atualmente.

No mesmo dia será lançado também o CD “Escrito nas Jangadas”, com poemas de Márcio Catunda musicados por Eugênio Leandro, e com participações especiais de Izaíra Silvino, Nonato Luiz, Fernando Néri e Clarice Trummer, entre outros artistas cearenses.



sábado, 10 de setembro de 2016

Literatura Suicida: "SopÓpera: crônica poemarcelo bittencourt", de Raymundo Netto, em Crônicas Absurdas de Segunda


VIVER! Ainda é a melhor escolha.
10 de setembro
Dia Mundial de Prevenção do Suicídio

Nasce o poeta à luz de um dia, extraído de gomos de nuvens, forjado em flandres, coração cerzido por cantos de anjos. Vem ao mundo na cangalha de vento, ao caminhar lento de quem nada espera do desperdício das horas que se arrastam pela vida afora num sopro fresco a tremular a cortina fina da janela, a revelar a parede caiada, branca fumaça, tal qual folha sem graça de papel sem rastros de versos.
Ainda menino, sente-lhe cair ao colo a étima poesia. Descontem-se os sentimentos que afloram e afaunam a sua apatia. Como fora luz a mostrar palmo de língua a si mesma, insaita: a poesia não está na palavra, pois que esta é larva; a poesia é não mais que sim, é você antes de mim, é mais antipoesia que poesia e se respira no quintal, na grama verde, no sorriso da criança que comove e se rende à esperança, e, finalmente, a poesia não é a cara do poeta, mas do mundo, e o mundo uma sombra que vaga no fundo de seu olhar.
O néscio, cuja fronte suada é cingida pelos louros do ideal, opta pela vereda anárquica original, musa da loucura melódica a flutuar na monocórdica mansidão do mundo ao som profundo dos estertores de seu peito magro e punho. Mal sabe ter elegido, como destino de vida, um reles rascunho.
Ordena-se, então, com pompas de herói marginal, por meio do sonho, o poeta sem igual e, desdentão, se põe a dançar com os demônios, a rir-se e a se rir, à socapa, com eles, a lhes vender por nada a alma, a deitar em sua lama, em sua cama, a coçar-lhes as feridas às costas, a lhes provar o fel da amargura e dissabor, a transformar todo o infortúnio deste orbe em amor.
Carrega assim, vida sem fim, na aflição da alma lunar, todas as madrugadas, por travesseiros as calçadas e a própria febre como cobertor.
Colhe no ar cada palavra e a semeia com a dura doçura de esteta e palavrador, aquarelas palavras que espinham a garganta, que lhe cortam os dedos e que alfinetam o pensamento ensimesmado. O fio de ideias que lhe escapam o novelo, a embaraçar os cabelos, a enrugar-lhe a testa que, em festa, comemora seu verso engrolado.
O poeta não o sabe – há quem (lhe) diga –, mas carrega entranhado em si a dor de todos, e a ela suporta com olhos lacrimosos no decotar do peito arfante da mulher da rua, no meio-fio frio nas noites de luar, na urina que lhe escapa ainda quente à parede do bar, na volúpia da anca pública, na morte anunciada em seu olhar. E descreve sua poesia com letras da fome, sabendo que as fomes maiores vêm da agonia dos que nada tem, pois que se lhes é arrancado todos os dias pelos insaciáveis tubarões do Congresso que as mantêm.
Dói... Ah, como lhe dói a marcha vida. A ele, e somente a ele, o mundo impõe o exílio, e este, sem auxílio, pode estar aqui em meio a todos, no escárnio, no deboche de quem lhe diz: “Doido! Maluco! Abestado!”
O poeta, sim, sem enfado, sabe, mas não acredita que sabe tudo, pois tudo às suas vistas é imensidão, é indecifrável, é beleza. Ao contrário dos homens doutos que em sua vileza dizem saber tudo, pois conseguem ir e vir da esquina; e têm dinheiro para comprar a esquina, ou aquela que encosta-se a seu poste ou na feira, mas que não veem que nunca a possuirão inteira.
O poeta, deitado em seu quarto, coxas à barriga, morre todos os dias e sonha para esquecer a vida. Veem-no e o dizem preguiçoso, dorminhoco, um pastor com sobrosso de um louco, em querelas de mesa de bar: “Poetas, vagabundos a vaguear!”
Cinzas ilusões, cinzéis de emoções, antes da garganta sufocar e seu corpo, em balanço, pendular, molha para trás os cabelos. A barba negligente, pela última vez, coça. Lê mais um verso do “maldito” e adoça o último orvalhar de sua face a si estranha.
Ao poeta desconhecido, a sepultura forrada com borboletas, a sarjeta pessoal, a mesa posta em mistérios de um universo estrelado de lantejoulas, entre folhas de papel crepom luzidias e amargas balas de celofane.
Quando suas palavras quedam entre as fagulhas do seu poema, diluem-se, estalam-se e viram vidro, caneta, papel e incompreensão.
Da taça que bebes, ó poeta, entornas do seu verso, em semente, a solidão.

SopÓpera: crônica poemarcelo bittencourt, de Raymundo Netto, Crônicas Absurdas de Segunda (2015) - publicado originalmente em O POVO em 5 de novembro de 2010.

Sobre o homenageado: Gentil Marcelo de Barros Bittencourt Filho, o Marcelo Bittencourt, era poeta e boêmio, um dos editores e colaboradores da revista Pindaíba.

Como geralmente acontece, era um cara alegre, mas de espírito atormentado. Alucinado pelo “maldito” José Alcides Pinto, assunto comum em todas as vezes, e poucas, que sentamos à mesma mesa no bar do Assis, na Gentilândia. Suicidou-se numa quarta-feira, dia 6 de outubro de 2010, deixando o Benfica, seu bairro-lar, numa noite escura sem estrelas. Ao Marcelo, meu minuto de silêncio de sonora e gritante poesia.






sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Literatura Suicida: "Intermezzo”, de Raymundo Netto, em Os Acangapebas


VIVER! Ainda é a melhor escolha.
10 de setembro
Dia Mundial de Prevenção do Suicídio

lasciate ogni speranza, voi ch'entrate
(Dante Alighieri, A Divina Comédia)


(...)

Ela morreu. Ninguém mandou, mas mesmo assim, ela morreu.
Rompeu a lógica num absurdo e abmudo processo.
Caiu num abismo de incertezas e conflitos que, ninguém sabia, trazia entre os cabelos quase sempre desalinhados.
Ela morreu. Difícil crer no vazio de seu quarto.
É estranho poder, agora, ler as cartas recebidas; mexer nas caixas guardadas secretamente no armário; escolher suas roupas; separar o seu prato e o copo; distribuir seus livros, fotos e discos... Aliás, nada do que tanto amava levou consigo, nem a vida nem eu.
Ela morreu. Olhava por aquela janela todos os dias. Parada, encostava a cabeça, empunhava uma xícara de café e lançava o olhar — contornado pelo cansaço das noites indormidas — para adiante. Só o olhar, então, só o olhar.
Mas ela morreu; não, não morreu; sim, foi-se.
Nunca falou nada sobre isso. Por que não gritava, por que parecia que nada, absolutamente nada, lhe pesava tanto? Precisava? Precisava?
Não, ela falava sim, falava o tempo todo, quem quisesse poderia ver na sua inquietude, no silêncio, no toque das mãos, no suor, no olhar... Ela estava lá, o tempo inteiro, naquele olhar.
Ela morreu. A apoteose deu-se à calçada, sem flores nem jardim. O cinzento do céu combinava com o cimento da garagem. Tanto fazia o céu como o chão. Voar ou morrer.
Ela morreu.


Intermezzo, em Os Acangapebas, de Raymundo Netto (2012)






quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Literatura Suicida: "Portas Fechadas", de Raymundo Netto, em Os Acangapebas


VIVER! Ainda é a melhor escolha.
10 de setembro
Dia Mundial de Prevenção do Suicídio

lasciate ogni speranza, voi ch'entrate
(Dante Alighieri, A Divina Comédia)

Para o amigo Manuel Bulcão

Todo mundo sempre me dizia: quem tem depressão, não pode deixar as portas fechadas!
Não entendia o porquê das portas, mas sabia, sim, o que era depressão. Uma tristeza sem fim, sem razão, e, ao mesmo tempo, com todas elas. Uma sensação de vazio imenso, a angústia, o coração apertado, uma vontade sofrida de chorar... Aliás, certa, certa, só mesmo essa vontade, quase vergonhosa, de chorar.
Geralmente, minha casa estava escura. Trancava as portas e as janelas, não queria ver ninguém. Era doído mostrar um sorriso de aparência, fingir atenção ao ouvir as medíocres histórias do dia a dia de todo o mundo, assisti-los a rir de piadas velhas ou a me contar de suas esperanças e crenças e, o pior: vê-los a zombar das próprias desgraças!
Televisão ou rádio, eu nem ligava. Ouvia música, sim, mas sempre, sempre, as percebia tão tristes quanto eu.
No mais, sempre me diziam: Olhe, quem tem depressão nunca pode deixar as portas fechadas, hein?!
Pus a fazer assim: não as fechavas mais, contudo, também não aparecia mais à porta, para que não me vissem, não me incomodassem... esquecessem de mim! Então, quando os mendigos ou carteiros batiam palmas no portão, eu ficava imóvel, silenciado, olhando pela fresta da basculante até eles se irem de vez.
Eu escrevia. E escrevia sempre, seja o que fosse, escrevia. A cabeça sempre ocupada, cheia de pensamentos a se acotovelarem, não me deixando dormir. Assim, varava as madrugadas e escrevia. Os meus dedos cumpriam por mim aquelas prometidas caminhadas pela praça ou à beira-mar, recomendadas pelos amigos, como terapia. Eles já achavam: precisava de terapia.
Em minha mente se passavam todos os tipos de acontecimentos, porém, na minha vida mesmo, sentia que nada acontecia; nada me suportava a vida!
Sentado diante do computador, lembrava momentos passados, rostos quase esquecidos, antigas promessas, dentre elas a maior, a da felicidade, feita ainda à juventude, que se foi sem que me desse conta. Não acreditava um dia envelhecer. As pessoas diziam: “mas você não tem nem quarenta anos!” Eu nem que acreditava...
Olhava a caixa de mensagens de cinco em cinco minutos: nada! Ficava pensando que logo, logo, alguém escreveria falando de seus planos e eu, com ele, sonharia, desfiando o sonho alheio, ponto a ponto, até cansá-lo e tirar-lhe o gosto. Eu mesmo, fazia tempo, não colecionava sonhos, não esperava por nada nem por ninguém. Eu não acreditava mais.
Nisso, de repente, um vento entrou e fechou-me a porta da sala. A casa escura!
Lembrei: quem tem depressão não pode deixar as portas fechadas!
Senti medo. O que aconteceria, então? Vozes frequentes ao pé do ouvido mudaram o discurso: ele morreu? ele morreu? ele morreeeu... Uma sombra pesada em tom de cinza pairou sobre minha cabeça. O frio desceu-me a nuca e fiquei em silêncio, atônito, a esperar, mas nada aconteceu. Na sala, tudo parecia olhar para mim: os livros, os quadros, as prateleiras, as canecas... até o gato que numa apatia incômoda não ria nunca, também me fitava... eles sabiam... mas nada aconteceu!
Fui ao banheiro, olhei para o espelho, e não era eu quem estava lá. A garganta apertava-me, e eu chorei, chorei, chorei, abri as torneiras... mas nada aconteceu. Nada acontece nunca e nunca mais abri as portas nem os olhos, trancado para sempre na minha mais absoluta solidão.


Portas Fechadas, em Os Acangapebas, de Raymundo Netto (2012)


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Zé Wellington, roteirista e autor do Curso Básico de HQs da FDR ganha Troféu HQ Mix 2016


O administrador Zé Wellington, sobralense, autor do fascículo nº 2 (Roteiro e Narrativa), em coautoria com Ricardo Jorge, do Curso Básico de Histórias em Quadrinhos da Fundação Demócrito Rocha, em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza, foi agraciado esta semana com o Troféu HQ Mix, categoria Novo Talento Roteirista, com a publicação Steampunk Ladies: vingança a vapor (Draco), que neste ano já havia ganhado o Prêmio Angelo Agostini.
Os ganhadores do prêmio foram escolhidos entre os mais de 2.000 lançamentos da área dos quadrinhos, em 2015, votados por desenhistas, professores, pesquisadores e jornalistas brasileiros, por meio da Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) e do Instituto Memorial de Artes Gráficas do Brasil (IMAG).

Zé Wellington é analista técnico do Sebrae/CE, atuando na instituição em diversas áreas, entre elas a Economia Criativa. É Escritor e roteirista de HQs. Entre seus projetos: Interludio (independente, 2009), indicado ao Troféu HQ MIX 2010; Quem Matou João Ninguém? (Editora Draco, 2014), indicado ao Troféu HQ MIX 2015; e Steampunk Ladies: Vingança a Vapor (Editora Draco, 2015), vencedor do Troféu Angelo Agostini (2016) e ganhador na categoria “Novo talento – Roteirista” no Troféu HQ Mix 2016.
Participa de diversas coletâneas e revistas especializadas em literatura fantástica e quadrinhos. É ainda vocalista da banda Sobre o Fim e podcaster dos sites Iradex e Avantecast.
Quem quiser conferir o trabalho do artista, visite seu site oficial: www.sewellington.com
Parabéns, Zé Wellington, e sucesso sempre. É o desejo da equipe de coordenação e dos demais autores do Curso Básico de Histórias em Quadrinhos da FDR.

Para saber mais sobre o curso (pé quente!), se inscrever e divulgar:

fdr.org.br/uane/hqceara

Troféu HQ Mix 2016
(Supermãe, de Ziraldo)

sábado, 13 de agosto de 2016

"O Ceará em Quadradinhos", de Raymundo Netto para O POVO

Bolão, Azeitona e Reco-Reco, de Luiz Sá, no traço de Guabiras

A primeira grande manifestação das histórias em quadrinhos do Ceará se deu com Luiz Sá (1907-1979), desenhista, caricaturista, ilustrador, quadrinista, pintor, cenógrafo e publicitário. Luiz era filho e neto de desenhistas (o avô, também Luiz Sá, foi o único desenhista e pintor entre aqueles que fundaram o movimento de letras e artes conhecido como Padaria Espiritual, e a sua mãe, Francisca Sá de Araújo, professora de desenho na Escola Normal) e, ainda enquanto estudante do Liceu, elaborava um jornalzinho a mão, denominado Charleston. Antes de partir para o Rio, por volta de 1928/29, na busca de “tentar a vida”, ainda trabalhou como gravador de clichê em jornal e colaborou em revista humorística em Fortaleza.
No Rio de Janeiro, passou por maus bocados até conseguir publicar na “Tico-Tico”, a primeira revista em quadrinhos do país, em que nasceram seus mais famosos personagens: os “redondos” Reco-Reco, Bolão e Azeitona. Daí, não parou mais, aventurando-se, inclusive, pelo cinema de animação, sendo um dos pioneiros no Brasil, ilustrando panfletos e cartilhas do Serviço Nacional de Educação Sanitária – onde trabalhou por 12 anos –, aberturas de jornais cinematográficos e das emissoras de TV Rio, Continental e Globo, e até desenhando ao vivo para plateias de programas de auditório da Rádio Globo.


Em 1938, Luiz Sá, que daqui saiu anônimo, sem lenço nem documento, visitaria agora a sua Fortaleza, em breve passagem de “celebridade”, sendo anunciado por João Jacques no jornal O POVO: “conhecido a princípio através do trabalho que o granjeou apenas franquia nas páginas da imprensa diária e das melhores revistas do país, já é agora um ilustrador disputado, um colaborador cuja assiduidade todos desejam sem restrição.” Naqueles tempos, assim como ainda hoje na provinciana terrinha, os artistas têm que ser validados pelos cariocas e/ou paulistas para ser “disputado” por aqui, já que a crítica local, seja ela de qual linguagem for, inexiste, sendo exercida em passant apenas por amigos e bajuladores.
Assim, no dia 7 de fevereiro de 1938, às 19h, após visitar a redação de O POVO e conversar com seus redatores, seria aberta a sua exposição (a “Feira Artística”), como de costume na época, no hall do Cine Moderno, na praça do Ferreira, sob o patrocínio da Sociedade de Cultura Artística. Eram cerca de 20 quadros, dos quais mais da metade foram vendidos para famílias cearenses. Onde estarão? Ainda existem?
No dia 12 de março, véspera de seu regresso pelo paquete “Almirante Jaceguai”, amigos e admiradores lhe ofereceram um jantar no restaurante do Baquial Hotel, na Praia de Iracema, “regado a vinho e cerveja”. Entre os presentes, Florival Seraine, Renato Soldon (que discursou em nome do grupo) e Paurillo Barroso. Não encontramos mais nenhum registro de vindas de Luiz Sá ao Ceará*, desde então, e, após 41 anos, 14 de novembro de 1979, nosso caricaturista faleceria em Niterói, vitimado por complicações pulmonares, sequelas de uma insistente tuberculose adquirida ainda nos primeiros dias de fome e de sufoco em terras guanabaras. Morre o quadrinista... a sua obra morre com ele?

(*) Depois de publicado esse artigo, conseguimos registro oral da vinda de Luiz Sá a Fortaleza em fevereiro de 1976, três anos antes de seu desaparecimento.

IMPORTANTE:
Para quem ainda não sabe, a Fundação Demócrito Rocha, com apoio da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza, realiza, desde 9 de agosto, o projeto HQ Ceará, composto de diversas ações. Entre elas, o Curso Básico de Histórias em Quadrinhos (GRATUITO, a distância, com 12 fascículos encartados no jornal O POVO, às terças-feiras, e 12 videoaulas exibidas pela TV O POVO, também às terças, às 13h, e/ou fascículos em PDF e videoaulas também no site fdr.org.org.br/uane/hqceara) e os 9 (nove) Cursos e Oficinas em HQs (GRATUITOS e PRESENCIAIS) que acontecem no Espaço O POVO de Cultura & Arte (de 12 de agosto até o dia 6 de setembro), além de palestras, lançamentos, documentário, shows etc.
Quem tiver o interesse de participar, de saber mais sobre os 9 cursos/oficinas, de divulgar para amigos, familiares ou alunos de sua escola, acompanhe a fan page da Fundação Demócrito Rocha no Facebook e/ou se inscreva gratuitamente no Canal dos Quadrinhos do Ceará:
fdr.org.br/uane/hqceara

Vem com a gente que é sucesso!


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

INSCRIÇÕES ABERTAS Cursos e Oficinas Presenciais GRATUITAS para HQs em Fortaleza (12 de agosto a 6 de setembro)

Ilustração: Guabiras

Galera, quem quiser participar dos cursos e oficinas PRESENCIAIS E GRATUITOS do projeto HQ Ceará, realização da Fundação Demócrito Rocha com apoio da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (SecultFOR), escolha a seguir um curso e/ou oficina e INSCREVA-SE pelo site fdr.org.br/uane/hqceará em “Eventos”.
Guarde o seu ticket de inscrição para apresentá-lo ao chegar no Espaço O POVO de Cultura & Arte (Av. Aguanambi, 282 – anexo ao jornal O POVO).
Esperamos por vocês!

Informações: (85) 3255.6153 (Uane/FDR)

fdr.org.br/uane/hqceara

Curso 1: Desenho para Quadrinhos
Facilitador: Walber Feijó
DIAS E HORÁRIOS: Sexta (12/08), das 18h às 22h, e sábado (13/08), de 08h às 12h e de 13h às 17h.
Pré-requisitos para os inscritos: gostar de desenhar e ser leitor de quadrinhos.
Idade mínima: 11 anos
Material do aluno: caneta, lápis, borracha e papel.
Biografia breve do facilitador: nascido em Maranguape, Walber Feijó cresceu sob influência das Histórias em Quadrinhos de onde tirou inspiração para o desenho. Formado em Administração de Empresas pela Uece, foi nesse período que entrou em contato com a Oficina de Quadrinhos da UFC, na qual colaborou em vários projetos, entre os quais a obra Moreira Campos em Quadrinhos. Teve trabalhos publicados na revistas Manicomics e Brazilian Heavy Metal e, atualmente, compõe o grupo Armagem Herética, que publica material on-line. Além de quadrinhos, trabalha com ilustrações e retratos, especializando-se em técnicas como a aquarela e pastel. Walber é funcionário público do estado do Ceará desde 1993. Link:  www.armagem.com

Oficina 1: Criando um Super-herói
Facilitador: Alex Lei
DIAS E HORÁRIOS: Quarta (17/08) e quinta (18/08), das 13 às 17h.
Pré-requisitos para os inscritos: gostar de desenhar e curtir super-heróis.
Idade mínima: 10 anos
Material do Aluno: lápis, apontador, caneta, borracha e papel.
Biografia breve do facilitador: Formado em Letras pela Fafidam (Limoeiro do Norte), iniciou a carreira em 1997, sendo o primeiro arte-finalista a trabalhar regularmente com Ed Benes, um dos pioneiros no ingresso no mercado norte-americano de HQs. Por meio da Praxis publicou, em 2008, seu título autoral juntamente com os amigos Rob Lean e WG, tendo também publicações nacionais como A Lenda de Uru (graphic novel pelas Edições Demócrito Rocha), Andrea D (trilogia publicada nos Estados Unidos) e As Filhas de Íris (romance em quadrinhos). Contato: juciealexlei@gmail.com

Oficina 2: Desenho de Cartum
Facilitador: Cristiano Lopez
DIAS E HORÁRIOS: Quarta (17/08) e quinta (18/08), das 18h às 22h.
Pré-requisitos para os inscritos: gostar de desenhar.
Idade mínima: 10 anos
Material do Aluno: caneta, lápis, borracha e papel.
Biografia breve do facilitador: Desenhista, ilustrador e quadrinista, Cristiano Lopez é desenhista projetista no Núcleo de Ensino a Distância (Nead) da Universidade de Fortaleza (Unifor). É ilustrador e chargista freelancer do jornal Agrovalor e da revista Ponto Empresarial (Sescap/CE). Contato: cristianoartist@gmail.com

Oficina 3: Roteiro para HQs
Facilitador: Pedro Brandão
DIAS E HORÁRIOS: Terça (23/08) e quinta (25/08), das 13h às 17h.
Pré-requisitos para os inscritos: gostar e ser leitor de quadrinhos, gostar de escrever.
Idade mínima: 12 anos
Material do Aluno: caneta, lápis, borracha e papel.
Biografia breve do facilitador: Pedro 'PJ' Brandão é formado em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Graças ao projeto de extensão Oficina de Quadrinhos, do qual foi aluno, monitor, bolsista e hoje é professor, decidiu se dedicar às HQs. Formou-se com monografia sobre linguagem quadrinística. É fundador do grupo de discussão sobre HQs Avantecast, além de professor do módulo de roteiro no Percurso Formativo em Quadrinhos da escola Porto Iracema das Artes e em outros locais da cidade de Fortaleza. Site: http://avantecast.com/

Curso 2: Roteiro para HQs
Facilitador: Luís Carlos Sousa
DIAS E HORÁRIOS: Terça (23/08), quinta (25/08) e sexta (26/08), das 18h às 22h.
Pré-requisitos para os inscritos: gostar e ser leitor de quadrinhos, gostar de escrever
Idade mínima: 12 anos
Material do aluno: caneta, lápis, borracha e papel.
Biografia breve do facilitador: Luís Carlos Sousa é professor e roteirista do Estúdio Daniel Brandão. Já trabalhou como revisor e editor independente. Foi coordenador do Fórum de Quadrinhos do Ceará e organizador e roteirista da edição comemorativa de 40 anos do Capitão Rapadura (Armazém da Cultura). Hoje é consultor editorial da Editora Riso, do cartunista Mino. Contatos:  

Oficina 4: Narrativa para Quadrinhos
Facilitadora: Débora Santos
DIAS E HORÁRIOS: Terça (30/08) e quarta (31/08), das 13h às 17h.
Pré-requisitos para os inscritos: gostar e ser leitor de quadrinhos.
Idade mínima: 12 anos
Material do Aluno: lápis, apontador, caneta, borracha e papel.
Biografia breve da facilitadora: Nascida em Fortaleza, Débora Santos é formada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e atua há quatro anos como ilustradora. Passou a publicar quadrinhos em 2015, ano em que também imprimiu seu primeiro zine, Rebuliço, e publicou os quadrinhos Como sobreviver à terra da luz, com Brendda Lima; Pombos!, com Márcio Moreira e Lua Cheia, todos pela Netuno Press, coletivo que integra. Atualmente, dá aulas de desenho e trabalha como ilustradora. Portfolio: https://www.behance.net/drebasantos
Tumblr: http://drebasantos.tumblr.com/

Curso 3: Arte-Final
Facilitador: Robério Leandro (Rob Lean)
DIAS E HORÁRIOS: Terça (30/08), quarta (31/08) e quinta (01/09), das 13h às 17h.
Pré-requisitos para os inscritos: possuir noções básicas de desenho e de arte-final e ser leitor de quadrinhos
Idade mínima: 12 anos
Material do aluno: caneta, pincel, bico de pena, tinta nanquim branca e preta e papel.
Biografia breve do facilitador: Rob Lean, em 1996, inicialmente office-boy de Ed Benes, um dos primeiros cearenses a se inserir no mercado norte-americano de HQs, aprendeu a arte-finalizar e, a partir de 1999, passou a trabalhar no segmento, também ilustrando obras infantojuvenis. Entre os títulos em que trabalhou: Superman, Supergirl, Chastity, Thundercats, Andrea D e Superboy (em parceria com RB Silva, resultando em convite para duas convenções da Wizard World Comic Com). É um dos sócios do Velame Studio. Contato: robleandro@gmail.com

Oficina 5: Tirinhas (HQ)
Facilitador: JJ Marreiro
DIAS E HORÁRIOS: Segunda (05/09) e terça (06/09), das 13 às 17h.
Pré-requisitos para os inscritos: gostar de desenhar e ser leitor de quadrinhos.
Idade mínima: 10 anos
Material do Aluno: régua 30 cm, esquadro, lápis, borracha e papel.
Biografia breve do facilitador: Três vezes vencedor do Troféu HQ Mix de melhor fanzine, com Manicomics, é criador dos personagens Zohrn, Mulher-Estupenda, Beto Foguete e da tira Lucy & Sky (publicada em jornais dos estados do Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul). Começou a trabalhar com quadrinhos em 1991. Formado em Publicidade com atuação nas áreas de Design e Arte-educação. Participou dos álbuns MSP + 50, Mônica's, O Gralha: tão banal quanto original e As Histórias perdidas do Capitão Gralha. Ao lado de Daniel Brandão e Geraldo Borges, é cofundador do primeiro estúdio profissional de quadrinhos do Ceará e pioneiro no ensino de técnicas de mangá no estado do Ceará. Blog: http://laboratorioespacial.blogspot.com.br/
Site: armagem.com | e-mail: jjmarreiro@gmail.com

Oficina 6: Desenho de Mangá
Facilitadora: Blenda Furtado
DIAS E HORÁRIOS: Segunda (05/09) e terça (06/09), das 18h às 22h.
Pré-requisitos para os inscritos: gostar de desenhar e curtir mangá.
Idade mínima: 10 anos
Material do Aluno: lápis, apontador, caneta, borracha e papel.

Biografia breve da facilitadora: Formada em Fisioterapia, Blenda Furtado assumiu em 2009 a coordenação e a disciplina em estilo Mangá no Estúdio Daniel Brandão, e, em 2016, também o ensino de desenho acadêmico. Ilustradora, arte-finalista e colorista, trabalha com a produção de artes encomendadas, ilustração institucional e editorial, participando com desenhos publicados em livros relacionados à quadrinhos, ilustração, RPG, entre outros.


Ilustração: Guabiras