quarta-feira, 8 de abril de 2026

"Invasão", de Raymundo Netto para O POVO


Foto: Imago/ZUMA Press/U.S. Army

À madrugada, telejornais anunciavam a ocupação de Burak, um paisote totalmente ignorado, não fosse um tabloide sensacionalista revelar ali a existência de uma riqueza ímpar na Terra, misteriosamente intacta, tomando quase todo o seu solo.

Havia um príncipe, diziam “ditador”, que, embora desconhecido, provavelmente não respeitava os direitos civis e usava de força e tirania para dominar o seu povo. Algo assim afronta sempre os Estados Unidos, desinteressado e incondicional defensor da democracia e dos povos sofridos deste Planeta. Não faltaria muito – não tinham provas, mas convicções – para que Burak ameaçasse a vida humana com armas de destruição em massa. Assim, o presidente americano, em seu Oval Room, decidiu enviar tropas para invadi-lo. A ONU, após caríssimos meetings, não concordou, mas eles não quiseram nem saber – afinal a sede da ONU é onde mesmo? – e, sem pudor algum, noticiaram a convocação de toda a inteligência e de seu poderio bélico em uma operação cívica e patriótica – e por que não Cristã? – contra o “inferno terrorista” de Burak. Os jornais de todo o mundo se dirigiram às estreitas fronteiras tentando registrar o conflito. O embate estava lançado, o “grande furo”, o maior massacre da história transmitido via satélite.

A invasão se deu à noite. Confiante, a força militar chegava por terra, pelo céu e pelo mar. Um desfile de tanques blindados, milhares de soldados descendo em flores de paraquedas. Uns, por trás de escudos, munidos de metralhadoras, granadas e bazucas, se jogavam e arrastavam-se pelas areias e por trás de rochas negras. Outros, desciam velozes de tanques anfíbios pelo mar. Aviões reluzentes iniciaram o bombardeio aéreo. Uma produção digna de Hollywood. Os oficiais, com trajes de segurança, falavam de liberdade aos jornalistas: “Não iria custar aquela rendição. Seria uma revolução sem sangue!”

Porém, após tanto barulho, em meio à fumaça que se espalhava inofensiva, todos se perguntavam: “Cadê o Exército buraquiano?”. Os soldados, confusos e ansiosos para mandar bala, se angustiavam com o silêncio sem fim. Queriam aparecer na TV, heróis que eram... ou que afirmavam que eles seriam. Os repórteres entediavam a audiência com reclames de sabão em pó. Um suspense literalmente de matar, mas ninguém morria, ninguém aparecia, ninguém se dignava a morrer em Burak.

Ao comando, os soldados adentraram o terreno cada vez mais. Já entravam em palhoças, apontando as armas, sedentos de qualquer coisa – inclusive de pequenos saques ou abusos de mulheres, afinal, eram apenas inimigas –, mas nada encontravam. Nem soldados, nem civis. Ninguém. Nada. Já temiam e tremiam à espera do aguardado momento.

Na escuridão quente como brasa, imagine que um por um daqueles soldados começaram a tombar. Ouviu-se um primeiro grito antes do papocar insano de metralhadoras: “He is dead! Deaaad!” 

Ninguém via o que os acertava, de onde vinha, se vinha, eles caíam ou sumiam, restando-lhes apenas os trajes semienterrados nas areias. Com pouco, em meio ao pânico e à cegueira da noite, os soldados acertavam uns aos outros. Granadas e armas explodiam em cadeia. Em toda a parte, pessoas em chamas. O pavor só não era maior que a carnificina. Homens fortemente armados corriam no cessar fogo. As câmeras de TV, como espalha-brasas, mexiam-se em vão para todos os lados, só conseguindo registrar mesmo a retirada em fuga, o choro em calças borradas num escandaloso pânico não americano.

Nunca se soube explicar o que aconteceu. No geral, pessoas comentavam: “Como aquele povo insignificante e invisível ao mundo, pôde chutar os fundos da maior Potência Mundial, herdeira da Terra e de seus quiosques em shoppings?”

Em Burak, distante das câmeras de TV, aquele povo emergia das areias: eram crianças, apenas elas, todas cegas, pálidas, magérrimas e sorridentes, encordoadas com pedras e paus, se amostrando então em trajes novos de assassinos e com a mais rara e legítima vontade de viver.

 





 

Um comentário:

  1. No começo do semestre, eu te mandei o meu material antigo de bioinorgânica, só para te ajudar, alguns meses depois, você resolveu comprar a dor dos outros e resolveu praticar linchamento virtual no grupo de duvidas do CAFAR, você não esperou nem o semestre acabar para se voltar contra mim. Me desculpa por ter te mandado o meu material antigo só para te ajudar, eu já deveria saber que você não presta.

    Eu vou te contar na treta que você se meteu, a 3 anos atrás a Gabriela Santana Andrade viu que iria ficar reprovada em analítica 1. Teve uma semana que eu peguei um resfriado muito forte, eu cheguei a ficar com febre, então como a Gabriela não podia descontar a raiva dela na professora de analítica 1, a Gabriela resolveu descontar a raiva dela em mim, que estava doente. A Gabriela mandou a amiga dela do curso de pedagogia chamada Ana Beatriz Procession Guimarães entrar no grupo de analítica 1 se passando por uma tal de Simone. Naquele dia a Gabriela e a “Simone” ficaram me humilhando por causa de iniciação científica no grupo de analítica 1. A Gabriela ficou compartilhando com os amigos da atlética de farmácia, um áudio de eu tossindo e gritando que eu estava doente Gabriela. Foi nesse tipo de treta que você se meteu. Você é igualzinha a Ana Beatriz Procession Guimarães, você fica se metendo em problemas, que não são seus.

    Eu sei tudo sobre você, eu achei o perfil no Instagram e no Linkedin:

    https://www.instagram.com/karollina_04/

     

    https://br.linkedin.com/in/ana-karollina-1a0233349

     

    Mas também você é amiga do Guilherme de Sousa Barbosa. Ano passado, o Guilherme ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. O Guilherme nunca falou comigo na faculdade, a única vez que ele veio falar comigo é para ameaçar me bater. Depois que o Guilherme ameaçou me bater mesmo sem eu ter feito nada contra ele. A Camilly Enes Trindade, a Ana Clara Gomes de Oliveira, a Ana Carolina Vieira Metello, a Bruna Coelho de Almeida, a Giulia Amarante de Almeida Mussi da Silva, a Leticia de Sousa Albuquerque, o Nathan Genovez Dias de Fonseca e o Vinicius Gomes Gadini foram fazer queixinha sobre mim na coordenação da farmácia.

    Por causa dessa queixinha, algum FDP da coordenação da farmácia da UFRJ vazou as minhas informações pessoais para uma pessoa, que nem me conhece, que nunca fez uma disciplina junto comigo e que já concluiu o curso de farmácia. Se esse FDP achou que iria me calar, ele pode ter certeza que ele não conseguiu, eu nunca vou me calar em frente às injustiças. Se esse FDP morasse aqui na minha rua, os traficantes já mandariam esse FDP subir até a boca de fumo. Os traficantes não gostam nada de gente, que faz as coisas para sacanear os outros. Aqui em frente a minha casa funciona um ferro velho clandestino, que fornece material furtado para os traficantes fazerem barricadas.

    A vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte, eu não vou perder a minha bolsa.


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