domingo, 10 de agosto de 2025

"Pais", de Raymundo Netto


Hoje é um dia comum como todos que nos amanhecem e nos convidam a viver, sendo o resto, o que vamos fazer com esse dia, absolutamente por nossa conta.

Um sistema consumidor nos diz ser o Dia dos Pais, mas não existe esse dia, porque todos os dias são dias dos pais, de ser pai, de ser filho ou filha de um pai. E esse pai nem precisa estar mais por aqui, nem precisa ser biologicamente o seu, você nem precisa conhecê-lo, também como não é exigido de você que o ame, independentemente da situação de ânimo que existe ou simplesmente pareça não existir entre vocês.

A vida é breve. Certeza única. E tenho a nítida e muito próxima impressão que perdemos tempo demais e que amamos sempre de menos. Dessa vida aproveitamos bem pouco, enquanto tentamos nos distrair para não perceber que temos que fazer alguma coisa que, por algum motivo, nos parece ser difícil demais de encarar, de dizer, de fazer.

O que nos resta são alguns momentos, felizes ou não, mas que podem ser únicos, mesmo quando aparentemente acontecem todos os dias, como ares de ternura, embora monotônicos, o que os tornam especiais.

Às vezes, sem eles, a vida perde o sentido, e voltamos à mesma estrada simplesmente porque nos parece ser o caminho mais seguro a seguir e nós sempre preferimos não arriscar muito. Temos medo do que essa “outra vida” pode nos proporcionar... e somos tristes.

O amor de pais não tem cara de outdoor nem aparece em telas. Existe particularmente no mais profundo de seu coração, e você que é pai não sabe explicar de onde veio, mas se surpreende sempre quando lhe toma os olhos em lágrimas e aperta-lhe o peito de emoções antes não conhecidas.

As filhas e os filhos são presentes que nos tiram de uma outra estrada e nos apresentam novos horizontes, nos tiram de nós mesmos, do nosso conforto, dessa mania de não ser ou viver o outro. Ser pai nos ensina todos os dias – ou deveria nos ensinar – a pensar fora da nossa caixa, a criar empatia, a nos desdobrar para amar a vida que existe lá fora... mas isso não acontece sempre, nem com todos, pois é poderoso demais.  

Para você, pai, um dia a refletir, recordar, para abraçar, beijar e deixar o amor fluir e ser amado. E que todos os seus dias possam ser também assim: de Pais e Paz.


 

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