domingo, 1 de junho de 2014

Rádio AlmanaCULTURA: "Não Adianta", de Sérgio Sampaio, com participação de Raul Seixas


Quem quiser ouvir a música, acesse:
https://www.youtube.com/watch?v=ECq476qhU0o

Não adianta,
Não adianta nada ver a banda,
Tocando “A Banda" em frente da varanda,
Não adianta o mar,
E nem a sua dor.

Não adianta,
Não adianta o bonde, a esperança,
E nem voltar um dia a ser criança,
O sonho acabou,
E o que adiantou?

Não tenho pressa,
Mas tenho um preço,
E todos tem um preço,
E tenho um canto,
Um velho (novo) endereço,
O resto é com vocês,
O resto não tem vez.

O que importa,
É que já não me importa, o que importa,
É que ninguém bateu em minha porta,
É que ninguém morreu,
ninguém morreu por mim.

Não quero nada,
Não deixo nada, que não tenho nada,
Só tenho o que me falta e o que me basta,
No mais é ficar só,
Eu quero ficar só.

Não adianta,
Não adianta, que não adianta,
Não é preciso, que não é preciso,
Então pra que chorar?
Então pra que chorar?
Quem está no fogo, está pra se queimar,
Então pra que chorar?


sábado, 31 de maio de 2014

Um Mês de Saudade de Nilto Maciel


Um mês se passou, foi em 30 de abril de 2014, desde que chegou a Palma e ao mundo adjacente a notícia do encantamento do escritor e guerreiro de Monte-Mor Nilto Maciel.
Muito se falou sobre isso. Como as pessoas, muitas delas, não o conheciam além das fronteiras de páginas de suas obras, deram a pensar em um certeiro suicídio, pois era escritor e morava sozinho, como se esses elementos se bastassem para justificar o ato.
Outros pensaram e até comentaram sobre a negligência da família em "largar" aquele "grande escritor" sozinho, à própria sorte, o que deixou a sua família, naturalmente já desolada com a perda e a forma inesperada como se deu, ainda mais abalada.
Quero, então, aproveitar o momento para dizer o que digo a todos:
Nilto Maciel foi um afortunado. Viveu como escolheu viver. Mesmo com a insistência da família em levá-lo a Brasília, onde a esposa e a maior parte das filhas (são quatro) residiam, ele OPTOU em ficar no Ceará, terra onde foi gerado, inclusive literariamente, onde reconhecia seu chão. Morava só, porque precisava da solidão para compor, a qualquer tempo e hora, o que quisesse, não estando preso a nenhum compromisso doméstico, ou a coisa alguma. Rejeitou a proposta da família de ter uma doméstica em casa, pelo mesmo motivo. Assim como também recebia a poucas pessoas, e o fazia quando elas traziam conversas sobre literatura, seu mundo particular. Mesmo dessa forma, geralmente, não gostava de "visitas surpresa".
Costumava dizer que, por vezes, sentia um comichão de ver pessoas (por isso era encontrado tomando cafés e comendo tapiocas em shoppings centers, quando aproveitava para realizar suas operações financeiras), mas logo era tomado de uma "saudade de si" e corria para a sua casa.
Para quem não sabe, saía pouco à noite, não bebia nem fumava há anos, sua alimentação era regrada e não fugia dos horários. Dizia não sair à noite para não esquecer de tomar seus medicamentos (não gostava quando a diarista mexia nos remédios e trocava as caixas de lugar, pois tinha medo de tomar remédio por engano) e, nas últimas semanas, estava comemorando: sua médica o havia elogiado pelos resultados dos exames de rotina. Ele, como sempre, respondia: "E a senhora está achando que foi de graça, é? Tenho me esforçado bastante!"
A seguir, alguns trechos de e-mails de abril de 2014, que mostram que o amigo Nilto estava numa fase ótima, entusiasmado em abrir o evento de literatura fantástica em Sobral, muito feliz com seus últimos lançamentos, cheio de ideias e de planos para o futuro (já havia encomendado mais duas coletâneas de artigos, planejava mais uma Fortuna Crítica, além da reedição de A Rosa Gótica e de inéditos), que a sua família, felizmente para todos nós, contribuirá para concretizar-se.

"Na verdade, sempre pensei em ser vagabundo (desde menino). Era meu sonho. Mas não consigo viver sem fazer nada. Vejo as pessoas rezando, fazendo crochê, vendo TV, passeando pelas ruas, sentadas nos bancos, sem nada a fazer, tristes. E é verdade, elas não sabem mesmo o que fazer da vida, do tempo. Tenho muita pena delas. Mas eu não sou assim. Estou sempre muito ocupado, a cabeça fervilhando de ideias para livros." (Nilto Maciel, sobre a sua correria do dia a dia)

"A Literatura é cachaça que não faz mal. Abraço de um cachaceiro viciado desde menino e que vem se mantendo vivo por isso." (Nilto Maciel, para um leitor)

"Se pudesse, viajaria até Brasília. Mas com medo de avião (agora tenho mais, depois de saber de mortes ocultadas de passageiros com problemas de coração, em voos).
Não quero morrer no ar. Não quero na terra. Não quero morrer na água. Não é justo morrer, como dizia Gabriel García Márquez [morto em 17 de abril de 2014]. Tenho tanto a pensar, a escrever, a ler, a viver!" (dia 21 de abril, menos de 10 dias de sua passagem)

Biobliografia Breve

Nilto Fernando Maciel nasceu em Baturité, Ceará, em 1945.
Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará em 1970. Criou, em 76, com outros escritores, a revista O Saco. Mudou-se para Brasília em 1977, tendo trabalhado na Câmara dos Deputados, Supremo Tribunal Federal e Tribunal de Justiça do DF, ano em que organizou, com Glauco Mattoso, Queda de Braço – Uma Antologia do Conto Marginal (Rio de Janeiro/Fortaleza, 1977)..
Regressou a Fortaleza em 2002. Editou a Literatura: revista do escritor brasileiro, de 1992 a 2008.
Obteve primeiro lugar em alguns concursos literários nacionais e estaduais: Secretaria de Cultura e Desporto do Ceará, 1981, com o livro de contos Tempos de Mula Preta; Secretaria de Cultura e Desporto do Ceará, 1986, com o livro de contos Punhalzinho Cravado de Ódio; “Brasília de Literatura”, 1990, categoria romance nacional, promovido pelo Governo do Distrito Federal, com A Última Noite de Helena; “Graciliano Ramos”, 92/93, categoria romance nacional, promovido pelo Governo do Estado de Alagoas, com Os Luzeiros do Mundo; “Cruz e Sousa”, 1996, categoria romance nacional, promovido pelo Governo do Estado de Santa Catarina, com A Rosa Gótica; VI Prêmio Literário Cidade de Fortaleza, 1996, Fundação Cultural de Fortaleza, CE, com o conto “Apontamentos Para Um Ensaio”; “Bolsa Brasília de Produção Literária”, 1998, categoria conto, com o livro Pescoço de Girafa na Poeira; "Eça de Queiroz", 1999, categoria novela, União Brasileira de Escritores, Rio de Janeiro, com o livro Vasto Abismo, além do Edital de Incentivo às Artes da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, com Luz Vermelha que se Azula e A Fina Areia das Dunas (último livro de contos, no prelo, pelo Armazém da Cultura).
Participa de diversas coletâneas, entre elas Quartas Histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa, org. por Rinaldo de Fernandes (Ed. Garamond, Rio de Janeiro, 2006); 15 Cuentos Brasileros/15 Contos Brasileiros, edición bilingüe español-português, org. por Nelson de Oliveira e tradução de Federico Lavezzo (Córdoba, Argentina, Editorial Comunicarte, 2007); Capitu Mandou Flores, org. por Rinaldo de Fernandes (Geração Editorial, São Paulo, 2008), "O Cravo Roxo do Diabo": o conto fantástico no Ceará, org. Pedro Salgueiro (Expressão Gráfica, Fortaleza, 2011) e Sonetos de Bolso: antologia poética, org. por Jarbas Júnior e João Carlos Taveira (Thesaurus Editora, Brasília, 2013), dentre outros.
Publicou estudos sobre o conto cearense, dentre eles Contistas do Ceará: d'A Quinzena ao CAOS Portátil (1998), referência para pesquisa no gênero. Deixou incompleta a pesquisa Notícia da Literatura Cearense, recorte entre o período do Clã até os dias atuais.
O romance O Cabra que Virou Bode (1991) foi transposto para a tela pelo cineasta Clébio Ribeiro, em 1993.
Os Guerreiros de Monte-Mor, com 2ª edição pelo Armazém da Cultura (a primeira é da editora Contexto, de São Paulo), foi um dos contemplados no Edital do Programa Nacional Biblioteca Escolar.
Publicou ainda, coletânea de crônicas, Menos Vivi do que Fiei Palavras (Penalux, 2012), e de artigos e resenhas, como Gregotins de Desaprendiz (Bestiário, 2013) e Sôbolas Manhãs (Bestiário, 2014), e um autobiográfico/memórias, Quintal dos Dias (Bestiário, 2013).
Tem contos e poemas publicados em esperanto, espanhol, italiano e francês.



segunda-feira, 26 de maio de 2014

"Moreira Campos", no ano do Centenário


Um pouco mais de Moreira Campos, com Carolina Campos, Neuma Cavalcante e Odalice de Castro e Silva, sob a condução da jornalista Letícia Amaral .

Recomendo.

Para assistir ao vídeo, acesse:

https://www.youtube.com/watch?v=TtgnZpvXxA4

"Os Princípios do Modernismo no Ceará: esquecimento crônico", de Raymundo Netto


Clique na imagem para ampliar!

Hoje (24 de maio), no Programa "Autores & ideias", da FM Assembleia, especial comemorativo dos 100 anos de Moreira Campos, dentre as falas, uma me chamou atenção, a que se refere à ligação de Moreira Campos com o início do Modernismo literário no Ceará. E por quê? Porque já ouvi de muitas pessoas a afirmação de que o início do movimento modernista no Ceará se deu na década de 1940 com o grupo Clã, do qual Moreira faria parte.
Entretanto, o que poucos sabem, é que o modernismo cearense teve sua primeira manifestação, na verdade, com Mário da Silveira (1899-1921), autor do poema "Laus Purissimae", composto entre 1920 a 1921, ou seja, antes mesmo da Semana de Arte Moderna, a de 1922. Ainda em 1922, Jáder de Carvalho e Edigar de Alencar, na coletânea Os Novos do Ceará no Primeiro Centenário da Independência, também apresentavam poemas com características modernas.
O jornalista Gilberto Câmara, pai do nosso querido musicólogo Christiano Câmara, acolheu em sua casa (a mesma em que ainda reside Christiano), em 1925, Guilherme de Almeida, que aqui veio para palestrar no Theatro José de Alencar sobre o movimento modernista do qual fazia parte e era um dos mais ferrenhos defensor.
O certo é que no ano de 1927 seria publicado o livro O Canto Novo da Raça, de Jáder de Carvalho, Franklin Nascimento, Sidney Netto e Mozart Firmeza (irmão do Estrigas), considerado o MARCO INAUGURAL DO MODERNISMO NO CEARÁ, afirmação do crítico, ensaísta e poeta Sânzio de Azevedo, o maior pesquisador e historiador da nossa Literatura Cearense.
Não é à toa que Assis Brasil, em sua pesquisa, indica que: "O Ceará é um dos primeiros estados a tomar conhecimento da Semana de Arte Moderna de 1922, deflagrada em São Paulo."
Em 1928 e 1929, o jornal O POVO, de Demócrito Rocha, assumiria o papel de veículo de difusão do modernismo cearense, trazendo em suas páginas vários autores modernos, como Mário de Andrade (do Norte), Filgueiras Lima, Heitor Marçal, Martins D'Alvarez, Antônio Garrido (pseudônimo do próprio Demócrito Rocha), Rachel de Queiroz e alguns dos demais autores já citados anteriormente. Culminou esse processo com a elaboração e divulgação para todo o país do suplemento Maracajá (1929). Mas essa é outra história.
Apesar de a produtora e apresentadora Lílian Martins ter afirmado durante o programa, em uma fala posterior, a correta posição do grupo Clã, ou seja, a de CONSOLIDAÇÃO do Modernismo no Ceará, achei por bem lançar esse alerta, pois percebo que muitos ainda insistem em divulgar esse equívoco, da mesma forma que muitos ainda apontam, desprezando a vasta literatura existente a respeito, a Padaria Espiritual como um movimento modernista, que é outro absurdo.
Tive o privilégio de ser editor da 2ª edição de O Canto Novo da Raça, com ilustrações de Audifax Rios e a apresentação de Sânzio de Azevedo, pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, 84 anos depois do lançamento da primeira edição, assim como um dos editores da segunda edição de O Modernismo na Poesia Cearense: primeiros tempos, de Sânzio de Azevedo, pelas Edições Demócrito Rocha (EDR). Aconselho a leitura de ambos, assim como aconselho que assistam à reprise do Programa "Autores & ideias", na terça-feira, dia 27 de maio, às 20h, com a participação de Sânzio de Azevedo, Odalice de Castro, Neuma Cavalcante, Geraldo Jesuíno, Leite Jr, Pedro Salgueiro, Carolina Campos e Paulo Linhares (representando a curadoria da Bienal Internacional do Livro). 
O programa, como sempre, está ótimo.

"Sonhos", de Akira Kurosawa, no "Psicanálise & Arte em Sessão, na Livraria Cultura (30.05)


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Realização 
Grupo de Estudos em Psicanálise de Fortaleza

Apoio
Livraria Cultura

sábado, 24 de maio de 2014

Machado de Assis Genérico, para leitores ruins, ganha UM MILHÃO DE REAIS!


Na semana, participei, no programa "Debates do POVO", na rádio O POVO CBN, apresentado por Ruy Lima , com a direção da queridíssima Maryllenne Freitas, ao lado do jornalista Cliff Villar e da profa. Maria da Luz Veras Mourão, da escola pública de Messajana, debatendo sobre o projeto, aprovado (surpreendentemente) pelo Ministério da Cultura, no valor captado de um pouco mais de UM MILHÃO DE REAIS, para elaboração de um texto "facilitado" de duas obras clássicas da literatura brasileira: O Alienista, de Machado de Assis, e A Pata da Gazela, do José de Alencar.
A proponente, a profa. Patrícia Secco, se propõe a trocar palavras do texto original para que os alunos não "rejeitem a obra". Ela acredita que Machado endossaria tal ato, pois queria ser lido e conhecido do público (numa visão de autor de porta de editora, disponível a escrever sobre qualquer coisa, desde que possa ostentar o título de "escritor publicado"). Para mim, o fato de ela dizer que "entende por que os jovens não gostam de Machado" já demonstra uma total insensibilidade à arte da escrita.
Acredita ela, pelo menos é o que diz, que faz isso para que o gari, a lavadeira, o garçom queiram e consigam ler Machado. A visão social da senhora Secco quase me faz chorar... de raiva! Com tantas obras escritas (os periódicos dizem que ela tem mais de 200 obras infantojuvenis publicadas), o que acho uma cifra exagerada, ela troca a palavra "sagacidade" por "esperteza" ou "boticário" por "farmacêutico", simplesmente por achar que o jovem não sabe o que isso significa, e que, dessa forma, ele se entusiasmará a ler. Veio-me à cabeça, imaginar um dia que a escola seria o local ideal para educar, para que o aluno fosse estimulado a ler e ampliar seu repertório vocabular. Em pouco, as famosas "cousas" de Machado se transformarão, pelas mãos de outro especialista, em "troços", para facilitar a leitura. Ou quem sabe a Capitu poderia dar um beijinho no ombro, ou o Brás Cuba poderia se transformar num vampiro romântico, ou deva sonhar com a criação de um site de relacionamentos, uma espécie de facebook, ao invés de emplastros. Aliás, o que diabos é emplastro, mesmo? Vamos facilitar esse negócio?
Pois é, a educação brasileira, há muito tempo, vem adotando a mania de "facilitar", assim como facilitou o curso superior, o mestrado e o doutorado, gerando um bocado de gente cabeça oca* com titulação inútil, presas a um LATTES bizarro, sistema injusto e teatral, que "se passa", mas que determina uma série de empurra-empurra (ou jogo de carniça) nos departamentos de sisudos estabelecimentos de ensino. Ou seja, onde deveríamos estar construindo uma escola que se aproxime de Machado, o tiramos de seu tempo, lhe roubamos as palavras (lembrando que a literatura não é apenas conteúdo e que nela não importa apenas O QUE se diz, mas COMO se diz, que é o que difere um "escritor" de um "ser alfabetizado").
Pior ainda é imaginar que o Estado promove isso, que mais de 600 mil livros com texto de Machado Genérico será distribuído para o Brasil e para fora dele. Daqui a 50 anos, certamente, quem saberá qual o texto correto do autor (detalhe: no livro da Secca, na capa, não consta que a obra seja adaptação, facilitação ou obra frankenstein).
Enfim, para fomentar o debate, deixo a seguir o link do site Letra&livros, do amigo Vladimir Araujo, que faz ponderações muito sensatas sobre a temática. Sugiro a leitura:


http://www.letraselivros.com.br/livros/artigos/3451-a-desconstrucao-de-machado

(*) Felizmente ainda são muitos, não o bastante, os bacharéis, mestres e/ou doutores que honram o título conquistado com empenho, esforço, dedicação e criatividade. Eu mesmo tenho o privilégio de conhecer alguns que podem bater no peito por não ter vendido a alma, bem baratinha, para arranjar um negocinho desses. 


sexta-feira, 23 de maio de 2014

"Uma História das Copas do Mundo: futebol e sociedade", de Airton de Farias


Clique na imagem para ampliar!

Encontro do autor e ilustrador com os leitores no
Armazém da Cultura
DIA 24 DE MAIO, sábado, às 10h, com transmissão ao vivo pela internet.

Venda do livro a
PREÇO PROMOCIONAL!



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Rádio AlmanaCULTURA: "Your Song", de Mr. Elton John


Para assistir o vídeo, ouvir a música, acesse:

https://www.youtube.com/watch?v=RwzdVHTNpXs

Para terminar a noite que não finda,
Um sol de lua amarelinda
Margeando um pensamento de convexidade
a campear com eternidade
A luz remota da estrela que não fala, mas também não cala.


terça-feira, 20 de maio de 2014

Curso a Distância e Seminário Promoção da Equidade no SUS (ambos GRATUITOS)


Fundação Demócrito Rocha realiza Curso a Distância e Seminário
abertos a todos e GRATUITOs
com o tema Promoção da Equidade no SUS


SERVIÇOS
1. Curso a Distância "Promoção da Equidade no SUS"
Período de veiculação dos fascículos no O POVO: 21 de maio a 6 de agosto
Período das videoaulas na TV O POVO: 25 de maio a 10 de agosto pelos canais 48 (TV Aberta) e 23 (Multiplay)
Prova on-line: 11 de agosto a 11 de setembro
Inscrição gratuita: 
www.fdr.com.br/equidadenosus
Informações: (85) 3255 6153 ou 0800 280 2210 

2. Seminário "Promoção da Equidade no SUS"
Quando: 23 de maio (sexta-feira), das 14h às 18 horas
Onde: Centro de Eventos do Ceará
Inscrição gratuita: 
www.equidadenosus.com.br
Informações: (85) 3255 6185

Mais Informações a seguir:

A Fundação Demócrito Rocha (FDR), em parceria com a Universidade Aberta do Nordeste (Uane), realiza o projeto Promoção da Equidade no SUS, que conta com curso a distância e seminário presencial. Para participar, é preciso fazer inscrição on-line e acompanhar a publicação de 12 fascículos pelo jornal O POVO, sempre às quartas-feiras, a partir do dia 21 de maio. Complementando a formação, será realizado seminário no próximo dia 23 de maio, sexta-feira, no Centro de Eventos do Ceará.
A implementação de Políticas de Promoção da Equidade em Saúde, preconizada pelo Ministério da Saúde, objetiva diminuir as vulnerabilidades a que grupos populacionais estão mais expostos e que resultam de determinantes sociais da saúde, como níveis de escolaridade e renda, condições de habitação, acesso à água e saneamento, conflitos interculturais e preconceitos relacionados a racismo e homofobia.
“A equidade no SUS institucionaliza modos de pensar, fazer e cuidar da saúde. É por ela que se qualifica a igualdade da assistência, construindo práticas de enfrentamento e superação das iniquidades sociais, além do respeito às diferenças e às diversidades culturais, étnicas, de gênero, raça, cor, entre outras que nos atravessam a vida”, resume Neusa Goya, doutoranda em Saúde Coletiva e coordenadora de conteúdo do curso "Promoção da Equidade no SUS".
O projeto propõe formação e difusão de conhecimentos em saúde para fortalecer a implementação de intervenções que promovam o reconhecimento de iniquidades e seu enfrentamento, sobretudo nas práticas da Atenção Básica em Saúde.
O médico Luiz Odorico Monteiro, ex-secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde (MS) e atual representante do Ministério do Programa "Mais Médicos" do Estado do Ceará, ressalta a atuação dos Agentes Comunitários de Saúde: “É fundamental a Política Nacional de Educação Popular em Saúde, instrumento que busca a horizontalidade dos saberes técnico-científicos e populares, levando em conta atores importantes, como os Agentes Comunitários de Saúde, que precisam estar aptos a reconhecer as iniquidades relacionadas às populações vulneráveis, para enfatizar um diálogo com a comunidade”.
Segundo o presidente do Conselho das Secretarias Municipais da Saúde do Ceará, Wilames Freire, muitas comunidades sofrem com problemas persistentes de saúde por falta de informações básicas de cuidado: “A realização do Projeto de Promoção da Equidade no SUS pode ser considerado um pontapé importante no apoio aos gestores e suas equipes no desempenho de suas funções e pronto atendimento à população da forma adequada, já que o aperfeiçoamento do SUS dependerá de novo pacto na distribuição da receita e na redefinição das responsabilidades entre os entes federados, bem como na formação profissional das equipes de saúde nos seus diversos níveis”, destaca.  

O curso a distânciacom carga horária de 120 horas/aula, emitirá CERTIFICADO pela parceria com a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual do Ceará (Uece). O resultado da prova on-line, disponível entre os dias 11 de agosto e 11 de setembro, definirá se o cursista receberá certificado de extensão universitária, caso o aluno obtenha nota maior ou igual a seis.
A veiculação dos fascículos, no jornal O POVO, será iniciada nesta quarta-feira, dia 21 de maio, e prosseguirá semanalmente até o dia 6 de agosto. Além dos fascículos impressos, os cursistas terão à disposição tutoria on-line, videoaulas, por meio da TV O POVO, aos domingos, e Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA).
O conteúdo, o perfil dos autores dos fascículos, o calendário de atividades e a ficha de inscrição para participar do curso estão disponíveis na página www.fdr.com.br/equidadenosus

Seminário – o encontro presencial será nesta sexta-feira, 23 de maio, no Centro de Eventos do Ceará, das 14h às 18 horas.
Joaquín Molina, representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), e André Bonifácio, secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, são presenças confirmadas. 
Além das palestras, o encontro contará com apresentações de capoeira, maracatu, quadrilha junina infantil e oficinas de fanzine para a criançada.  No encerramento, haverá pocket show do MC Edi Rockdo grupo Racionais MC’s. 
Os participantes do seminário também terão direito a certificado on-line e as inscrições para o curso poderão ser realizadas, durante o seminário.


sábado, 17 de maio de 2014

"O Verso do Espelho", crônica de Raymundo Netto para O POVO (17.5)


Almoçava sozinho no L’Escale, o melhor lugar para almoçar na cidade, claro, depois da casa da sua mãe, quando chegou-me, ante a mesa, um rapaz a estender-me as duas mãos: “Raymundo Netto, leio sempre de você no jornal. Sou seu fã!”
Brinquei com piada velha: "Ah, então é você? "“Ora, devem lhe dizer isso sempre...” Não, isso nunca aconteceu comigo antes, e digo isto sem folclore. Tem a minha mãe a garantir não haver no Ceará, quiçá no Brasil e nas redondezas do universo, escritor melhor do que eu, embora nunca me leia nada e assine o jornal concorrente. Sabe como é mãe: “Não li e já gostei”.
Sem cerimônia, puxou a cadeira. Sacou guardanapo, caneta e pediu autógrafo. Senti-me o próprio Moacir Franco ou Odair José, de uns 15 anos, em pleno revival. Tirei do cinto de utilidades um Cadeiras na Calçada e o dediquei. Ele abraçou o livro: “Essa edição eu não tinha!” Para não esfriar de todo o meu prato, prenunciada a tardança, pedi: falasse algo de si. Não queria. Preferia expor a sua compreensão dos meus textos, compreensão essa largamente estendida. Tudo lhe era suposto, acreditado, evocado e tão ampliado em sua imaginação, de fazer percebê-la bem mais generosa que a minha. “Eu entendi o que você quis dizer quando...” e ria, ria bastante dessas “coisas de não se rir”.
Fato: Eu não queria dizer exatamente aquilo. Poderia. Talvez gostasse até do dizer além, ou não. Escrever é exercício de desconfiança em si mesmo, uma constante autocrítica. O pensamento dando voltas em nossa cabeça até desmanchar-se em letras a unharem o papel. As palavras não se permitem domesticar. São livres e, acima de tudo, libertadoras. A nossa segurança única é o ancorar do ponto final, o fechar da porteira. Demais, ser escritor, em tese, é quase nada. Escrever pode ser, mas ler é muito mais.
Droga, aquele cara era bom! Passou-me pelo lado cafajeste de todos nós a ideia de sugerir a sua inspirada leitura antes de pôr o selo de envio à redação, mas assim nem tinha graça. Acabei por perguntar se escrevia. “Quem me dera... Não tenho esse talento.” Pelo jeito, nem eu. Tento. Um dia aprendo ou tomarei o túnel do esquecimento, em fila epopeica com alguns melhores do que eu, com o consolo do igual deslembramento de minhas falhas, das atrapalhadas histórias nem sempre alegres, ou tristes mesmo, às minhas janelas.
Como era o seu nome? “Raimundo. Entretanto, Raimundo de pobre com ‘i’ mesmo”. Pobre, dizia, mas fazia questão: pagaria-me a conta, mais salgada que o prato, garanto. Não satisfeito, ofereceu-me carona, “podia dizer para onde”, sabia da minha inaptidão ao guidom, dentre outras que citou zombando a valer — nunca de supor minha tragédia tão divertida. Não aceitei. Deus me livre de ele saber até onde eu morava. Jamais!
Porém, tomou-me, não tive como evitar, o número do meu celular. Pensei se ligaria, a cada crônica publicada, a me ferir os brios com tudo aquilo de nunca escrito. Ao mesmo tempo, registrado também o seu número, poderia não atendê-lo, e engendrar, a cada ligação, toda a sua literatura presumida. 
Nós dois, Raymundo e Raimundo, passaríamos a ser ficção de nós mesmos, como duas faces de espelho num jornal, a tentar nos encontrar no pasmo eterno de nosso próprio reflexo.