segunda-feira, 12 de abril de 2010

12 de abril - AlmanaCULTURA na Bienal: V Encontro do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas

Sala As Três Marias (Auditório B1) 9h – 12h30min Encontro SEBP
V Encontro do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas/SEBP
9h – Credenciamento e entrega de material
9h30min – Abertura: Auto Filho (Secretaria da Cultura do Estado do Ceará), Sandra Domingues (FBN/MinC), Suzete Nunes/Mais Cultura-MinC (Brasil/DF), Karine David (Coordenadoria de Políticas do Livro e de Acervos/COPLA), Aparecida Lavor (Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas/SEBP-CE), Enide Vidal (BPGMP), Regina Lúcia (Conselho Regional de Biblioteconomia/3ª Região) e Teresinha Vieira (Associação de Bibliotecários do Ceará/ABC).
10h30min às 12h30min – Palestra: Políticas Culturais – Investimento em Livro e Leitura
Convidadas: Sandra Domingues/FBN/MinC (Brasil/DF), Suzete Nunes/Mais Cultura-MinC (Brasil/DF) e Julianne Larens/Projeto Biblioteca Cidadã (Brasil/CE)
Mediação: Maria Aparecida de Lavor/Coordenadora SEBP (Brasil/CE)

Sala As Três Marias (Auditório B1) 14h – 17h30min Encontro SEBP
V Encontro do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas/SEBP
14h às 15h30min – Palestra: Experiência Exitosas em Livro e Leitura no Estado do Acre
Convidada: Helena Carloni Camargo/ Coordenadora do Departamento Estadual de Bibliotecas do Acre (Brasil/AC)
Mediação: Vagna Teixeira/Bibliotecária da Pólo de Itapipoca (Brasil/CE)
16h às 17h30min - Palestras e Debate:
16h - Palestra 1: Biblioteconomia: arte ou ciência determinista?
Convidado: Wagner Chacon/ Chefe do Departamento da Ciência da Informação do Curso de Biblioteconomia da UFC (Brasil/CE)
Mediação: David Vernon/Biblioteconomia UFC Brasil/CE)
17h - Palestra 2: Biblioteca Digital
Convidado: Luiz Fernando Sayão/ Ciência da Informação CNEN-RJ (Brasil/RJ)
Mediação: David Vernon/Biblioteconomia UFC (Brasil/CE)
17h20min - Debate

Saiba mais sobre a Bienal, seus convidados, atrações e galeria de fotos acessando: www.bienaldolivro.ce.gov.br

12 de Abril - AlmanaCULTURA na Bienal: Arena Infantil "O Menino Mágico"

Arena Infantil O Menino Mágico (Bloco F Superior) 9h - 17h Infantil SESC
Programação Infantil SESC
9h às 17h - Biblioteca Infantil / Leitura Livre
9h – Contação de Histórias com Beatriz Myrrha (Brasil/MG)
15h – Contação de Histórias com Beatriz Myrrha (Brasil/MG)
9h às 11h – Oficinas
Produção de texto: através das Historias em Quadrinhos, com Ilza Natália
Origami: dobrando e criando, com Giovani
Produção de texto: solte a criatividade e invente uma história, com Ítalo Rovere
Fantoches: criando e brincando, com Mônica Magalhães
Ilustração: criando suas imagens, com Nathália Forte
14h às 17h – Oficinas
Produção de texto: através das Historias em Quadrinhos, com Ilza Natália
Origami: dobrando e criando, com Elaine Assunção
Produção de texto: solte a criatividade e invente uma história, com Ítalo Rovere
Fantoches: criando e brincando, com Mônica Magalhães
Ilustração: criando suas imagens, com Nathália Forte

Saiba mais sobre a Bienal, seus convidados, atrações e galeria de fotos acessando: www.bienaldolivro.ce.gov.br

domingo, 11 de abril de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Lançamento republicação de "I Congresso Brasileiro dos Médicos Católicos", 1946


SOBRE A OBRA
Sobejas razões, médicas, históricas e religiosas, levaram à republicação dos Anais do Primeiro Congresso Brasileiro de Médicos Católicos, realizado em Fortaleza, no ano de 1946, evento seminal para a criação da Faculdade de Medicina da UFC, consoante atesta o jornal O Povo: “Julho, 5 – Realiza-se em Fortaleza, o 1º Congresso de Médicos Católicos. Sabe-se que o espírito predominante é favorável à fundação de uma Faculdade de Medicina em Fortaleza. A idéia é boa, pois o Ceará já reclama que os seus jovens que desejam seguir a carreira daqui não mais precisem sair para Salvador ou Rio de Janeiro”. In: Costa, José Raimundo. Memória de um jornal. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 1988. p.268.


A obra, em si, não se conteve na reprodução “fac-símile” dos Anais organizados pelo padre Monteiro da Cruz, SJ, tendo sido enriquecida por contribuições produzidas por diferentes autores, sob a forma de ensaios sobre o contexto social, político e religioso da época, e de biografias, que resgatam a memória de parte dos organizadores, expositores e até de alguns dos participantes desse congresso.


O livro, para a sua concretização, teve o patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil e da Academia Cearense de Medicina e contou com o apoio das seguintes entidades: Associação Médica Cearense, Faculdade Católica de Fortaleza, Fundação Waldemar Alcântara, Instituto do Câncer do Ceará, Sindicato dos Médicos do Estado do Ceará, Sociedade Brasileira dos Médicos Escritores (Nacional e Regional do Ceará), Sociedade Médica São Lucas, Unicred e Unimed de Fortaleza.


Marcelo Gurgel Carlos da Silva



Importante: A renda integral desse lançamento será revertida para a construção da Igreja de São Francisco de Assis, em Jacarecanga, retomada após meio século de paralisação.


SOBRE O ORGANIZADOR
Marcelo Gurgel
é médico, economista, professor universitário, pesquisador e escritor. Como conhecido polígrafo, lastreado na autoria de uma variedade de livros sobre Saúde Pública, Medicina e Economia, nos últimos tempos, tem enveredado no mundo literário, com atuação nos seguintes gêneros: crônica, conto, memórias, ensaio, romance e teatro. Trabalha como médico e professor do Instituto do Câncer do Ceará. É professor titular da UECE, lecionando no Curso de Medicina e no Curso de Mestrado Acadêmico em Saúde Pública do Centro de Ciências da Saúde e no Doutorado em Saúde Coletiva (Associação Ampla - UECE/UFC). É membro titular da Academia Cearense de Medicina, ocupante da Cadeira Nº 18.

sábado, 3 de abril de 2010

Para o poeta Thiago de Mello (2006)

Thiago de Mello
IX Bienal Internacional do Livro do Ceará

Hoje eu conheci a poesia!
Sim, minha amiga, ela vinha caminhando lenta, pequena, cabelos encanecidos, lábios grossos e um olhar embaciado.
Ela, completamente branca como a nuvem que se banha ao sol, gesticulava grave no ar em dedos finos, nodosos, seguros.
Falava num cantar ritmado sobre a beleza da vida, do amor e de amar.
Falava de gente: a matéria-prima do pecado e a fronteira rente da salvação!

A poesia gotejava, vagarosa, de uma folha verde de grossas nervuras num dia de chuva;
Fixava curiosa com olhos amendoados a descoberta de um ciclope;
Borbulhava tensa no confrontamento que singra nas vaidades de rios;
Desencrespava os negros cabelos e se mostrava firme na face grácil de mulheres em vestes molhadas, esculpidas na doçura da incerteza e na certeza da dúvida.

Gargalhava na sabedoria daqueles que ignoram;
Perseverava, cria e lutava com a delicadeza da simplicidade infrequente dos grandes cavaleiros. Grandes? Existe isso?
Sim, minha cara, hoje eu conhecia a poesia...
Com todo o respeito postava-se em pé, suas palavras ecoavam na flanância forjada na trilha perdida dos anos.
Cada golpe no peito tangia os espíritos belicosos, desabrochava versos no coração.
Visionária, a poesia descortinava o poeta, além de tudo, o legente.

É, querida amiga, hoje eu finalmente descobri, após anos de abstinência, que poesia rima com utopia!
Texto de Raymundo Netto para Ana Miranda, em 8 de junho de 2006, após assistir a uma palestra do poeta que estará, ao lado de Carlos Heitor Cony, na 9ª Bienal Internacional do Livro do Ceará (9 a 18 de abril de 2010)

"Os Jumentinhos de Jesus", crônica de Ana Miranda para O POVO


Ao amanhecer, ou ao entardecer nesta aldeia onde moro, escuto o zurrar dos jumentinhos que vagam por aí, singelos, graciosos, mansos, de pelo claro e olhar dócil. Parece uma cantiga, um pouco triste, um pouco lamentosa, vinda do fundo de seu sentimento. Vejo-os soltos pelas ruas, alimentando-se de uma relva muito rude, bebendo água no maceió, caminhando a esmo nas areias...

Na ladeira da rua do Sol, algum impiedoso dono costuma amarrar um jumentinho a um toco, o pobre animal permanece ali o dia todo, sozinho, debaixo do sol causticante, cena de cortar o coração.
Na minha santa ignorância, achava que jumentos, burros, asnos, mulas, jericos, jegues, seriam o mesmo animal. Não são. Asnos, jumentos e jegues são os asininos, parentes dos cavalos, onagros antiquíssimos que já cruzavam as ruas abissínias carregando tâmaras, vinho, trigo, ou as páginas do Velho Testamento, onde recebem quase uma centena de menções, ora como animais de carga, de tração, ora como montaria daqueles personagens bíblicos. Os mais antigos textos do Brasil colonial já mencionam a presença dos nossos jegues trazidos nas caravelas para uma escravidão jamais abolida. Os burros são híbridos de cavalo e jumenta, e as mulas, de égua e jumento. Dizem os conhecedores que os jumentos são de natureza viva, ágil, dócil, mas diante de tanto trabalho sob maus tratos, ou tanto abandono, tornam-se lânguidos, tímidos e teimosos; quando bem cuidados, como é costume no Oriente, desenvolvem as suas melhores qualidades.
Toda lembrança que esses bichos trazem é suave, é lírica: no casamento na roça levam a noivinha matuta, noutro dia arrastam o arado nas lavouras arcaicas dos interiores... Fazem muito boa figura na nossa literatura. O primeiro conto de Guimarães Rosa em seu primeiro livro, Sagarana, é a história de um burrinho pedrês miúdo e resignado, chamado Sete-de-Ouros, que depois de tanto trabalhar na mocidade estava encardido, sonolento, pisado, quase cego e aposentado. Sua redenção se passa num dia em que é arreado para montaria do vaqueiro João Manico, a fim de tocarem boiada. Em meio ao trabalho, o Major manda Manico trocar de remonta com seu camarada de confiança, o Francolim. Ninguém quer o burrinho, que acaba servindo mesmo é ao bêbado Badu, vaqueiro novo na fazenda e metido em tramas de amor e morte. Zombam de Badu: "Uê, Badu, vai vender leite?" Na travessia do riacho, debaixo de um aguaceiro, o burrico envereda e os vaqueiros se arrogam, vão atrás. Sete-de-Ouros desvia dos galhos, dos troncos, dos poços, dos remoinhos, toma a outra margem e sai trotando. Morrem oito vaqueiros e seus cavalos. Sete-de-Ouros salva Badu e, de quebra, Francolim, tomando pé "por onde os burrinhos sabem ir, qual a qual, sem conversa, sem perguntas, cada um no seu lugar, por todos os séculos e seculórios, mansamente amém".
Machado de Assis também tem seus burricos. "Vejam o burro. Que mansidão! Que filantropia!", começa, num leve tom de sarcasmo. Seus burros dialogam, filosofam, têm consciência da saudade e da humilhação. Primeiro arrastam os bondes ladeira acima e abaixo; depois, trocados pela eletricidade, são abandonados nas ruas do Rio. Depara-se Machado, então, com um burro caído na rua, os ossos a furar-lhe a pele, olhos meio mortos, cabeceando, próximo do fim. O pobre animal faz um exame de consciência, recompõe suas adversidades e a ingratidão humana. E vem o réquiem do desprezado, inofensivo animal que nos ensina "a gravidade do porte e a quietação dos sentidos". Requiescat in pace.
Os jumentos são animais os mais cristãos, marcam o nascimento e a morte de Jesus. É um deles que José puxa pelo arreio, levando em fuga a sua esposa, Maria, prestes a dar à luz, e é numa estrebaria, lugar de abrigo desses pacíficos bichos, ao lado de um boi, uma ovelha, um jumentinho, que Jesus nasce. Seu berço é uma manjedoura. A paixão de Cristo, nossa Semana Santa, começa com sua entrada triunfal pelas ruas de Jerusalém, forradas de folhas de palmeiras bem verdes, sob hosanas e salvas dos habitantes que o aclamam "filho de Davi", herdeiro dos dons desse lendário rei que realizava milagres e curas. Fez Nosso Senhor questão de ir montado num jumento, e não sobre um altivo cavalo do império de Herodes, para mostrar que reinava sobre os simples, que preferia os humildes e os trabalhadores. Talvez essa escolha da simplicidade tenha colaborado para que os mesmos moradores da Cidade Santa, que o festejavam, em seguida o condenassem, absolvendo um ladrão. Coisas de humanos.
Ana Miranda, para O POVO, em Semana Santa.