“O pior analfabeto é
o analfabeto político”. Ouvi essa frase – habitualmente atribuída
ao dramaturgo Bertolt Brecht – pela primeira vez quando estudante universitário,
no final dos anos 80, no engatinhar da redemocratização do país, quando o Brasil,
após 21 anos de imposta escuridão, abria as porteiras rangentes de uma ditadura
cansada, pútrida, repleta de pústulas e pecados.
Naquele tempo, ausente de qualquer centelha
democrática, o que fazia boa parte das pessoas seguir em frente e ainda sorrir era
a sua completa ignorância ou indiferença aos fatos omitidos na imprensa à base
de violência velada ou de negociatas vantajosas e imorais: globos, folhas,
estadões...
Fartava-se no coração dessas pessoas a
vontade de não saber, de não querer ver. Contudo, na reserva do quarto, em
falas sussurradas, havia um consolo quase canalha: “Minha filha, se prenderam
ou se mataram é porque estava fazendo algo de errado... Era terrorista,
comunista, só pode!”. E assim, a consciência da família “de bem” conseguia não
pesar sobre o travesseiro, mesmo quando ali na cabeceira pendia trêmulo o extenso
rosário.
No mais, essa apatia era recompensada pelo
futebol, agora transmitido na TV a cores, ou pelo conforto do capítulo da
novela – aprovado sob CENSURA –, na qual nada seria mais importante do que assistir
à sedutora Gabriela pendurada no telhado ou ao beijo da Regina, a comprovar para
todos que, ao final, seremos felizes para sempre.
Essas pessoas não se importavam e nunca se
perguntavam o porquê de não poderem escolher seus governantes, seus
representantes políticos, nem participar das decisões sobre o rumo das suas
vidas e do seu país. Expressar a sua vontade, manifestar-se contra a exploração
de seus patrões numa greve, lutar pelos seus direitos, denunciar a desigualdade
e injustiça social? Nem pensar! Não gostavam de política. Para esses, a
sensação era de aparente paz. E se algo lhes parecia ruim, é porque Deus assim
o quis. Eis o analfabeto político!
Votei pela primeira vez em 15 de novembro
de 1989. Era o primeiro turno da primeira eleição direta para presidente da
República em 29 anos. Na minha inocência e idealismo de 21 anos, nascido em berço
da Ditadura, acreditava que todos os males da nossa sociedade decorriam de
nossa impossibilidade de votar. Pensava que quando pudéssemos votar o Brasil
seria outro, pois a maior parte de nosso povo era – e ainda é – trabalhadora e pobre.
É lógico que essas pessoas votarão em quem defende a sua causa, quem os
representa e pode lutar pela melhoria da qualidade de suas vidas e a de seus
descendentes.
37 anos depois, sou obrigado a rever minhas
convicções. Surpreende-me assistir ao grande número de trabalhadores, pobres, jovens,
negros, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência que, apesar de beneficiados por
políticas públicas e programas sociais outrora inexistentes, se deixam seduzir por
campanhas milionárias de desinformação, deboche e pela manipulação de seitas
religiosas mercadoras da fé. Esses eleitores, como não leem e levaram pau em
História, erguem a bandeira fascista – e a norte-americana – sob o lema “Deus,
Pátria e Família”, herança do Integralismo brasileiro e do salazarismo
português.
A elite econômica brasileira, a mais cruel,
une-se aos piores aliados – e aí encontramos um espectro grande de classe média
–, aqueles que não confessam (sempre), mas que são racistas/escravagistas,
neonazistas, milicianos, corruptos, hedonistas, homofóbicos, pedófilos,
misóginos, agressores e outros tipos de conservadores bizarros que repudiam e
atentam contra as conquistas sociais, a defesa dos direitos humanos, a
mobilidade social ascendente, a inclusão econômica e a erradicação da pobreza.
Acredite: somos nós contra eles. E ainda somos
muitos.
De que lado você está? Eu já escolhi o meu
lado. Pelo bem da democracia, do povo e do país: sou
13!

A tragédia não é apenas o analfabetismo político, mas a capacidade de transformar a desinformação em convicção e o voto em instrumento contra os próprios direitos.
ResponderExcluirTexto importantissimo
ResponderExcluirTexto cirúrgico sobre tudo que tá acontecendo. Dia 25 é 13!!
ResponderExcluireu lamento profundamente que a nossa sociedade esteja tão cega a ponto de não reconhecer quem trouxe benefícios pra ela. estamos estarrecidos com a ingratidão e com a marcha infame que muitos tem seguido rumo ao abismo do obscurantismo
ResponderExcluirLula tem força e coragem,
ResponderExcluirDefende o trabalhador,
Leva a voz do povo humilde,
Com esperança e valor!
Dia 25, vamos de LULA 13!
Esse lema "Dividir para conquistar", isso sob meu ponto de vista quer dizer "AMERICANALHAR'.
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