segunda-feira, 6 de abril de 2015

Lançamento da Exposição "Pacifistas & Guerreiros: a poética plástica de BC NETO" (16.4)


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Lançamento da Exposição
Pacifistas & Guerreiros: a poética plástica de BC NETO
Local: Centro Cultural do Parlamento Cearense (edifício anexo à Assembleia Legislativa – rua Barbosa de Freitas, S/N, 5º andar – esquina com a av. Pontes Vieira)
Solenidade de Abertura: 16 de abril (quinta-feira), às 19h
Período da Exposição: 16 de abril a 7 de maio de 2015
Apoio:
Secretaria da Cultura do Estado do Ceará

Assembleia Legislativa/ INESP


Lançamento "Antologia do Quadrinho Underground Cearense" na Livraria Cultura (9.4)


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Lançamento da compilação em livro dos fanzines do
grupo Seres Urbanos (1991-1998).
Um resgate da produção gráfica underground produzida no Ceará na década de 1990.
WEAVER | MARCÍLIO | ELVIS | LUPIN | KAOS | GALBA | MYCHEL
Local: Livraria Cultura
Data: 9 de abril (quinta-feira)
Horário: 19h

SÂNZIO DE AZEVEDO, sobre "Crônicas Absurdas de Segunda" de Raymundo Netto


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Confesso (e não é força de expressão) que perdi a conta dos prefácios e introduções que escrevi para livros de escritores de nossa terra, mortos e vivos.
           Mas revelo que é sempre com prazer que recebo o convite de um escritor para apadrinhar um novo livro seu. Raymundo Netto, que conheci em 2005 numa viagem a Aracati, é autor de dois ou mais livros de ficção e cronista d’O POVO, o “mais tradicional e antigo (em exercício) jornal do estado do Ceará”, como ele orgulhosamente lembra. E é justamente uma seleção das crônicas desse periódico o livro que se vai ler.
       Estive quase para dizer ao meu amigo que Crônicas Absurdas de Segunda dispensam qualquer apresentação, principalmente minha, mas, para ser sincero, aqui se juntaram a honra do convite e o fato, nada despiciendo (que passe a palavra), de se tratar de textos que falam do Ceará e, bem ou mal, meu nome estar ligado à literatura cearense.
       É interessante a maneira como o escritor trabalha com autores vivos e com autores mortos, indistintamente.
       Claro que não falarei aqui de todos os autores que são personagens deste livro, mas Rachel de Queiroz, com quem tive o prazer de estar diversas vezes, hoje habita, em bronze (será bronze?), um banco na praça General Tibúrcio, ou praça dos Leões, pertinho da Academia Cearense de Letras.
       Lembro Quintino Cunha, que não alcancei (ele se foi quando eu tinha cinco anos de idade) e que Raymundo homenageia com rara felicidade, aproveitando trechos das famosas anedotas do Quintino, nem todas referendadas pela Lourdite Cunha, filha mais velha do poeta, orador e boêmio.
       Meu saudoso amigo e mestre Moreira Campos não poderia ficar de fora, e o cronista o ressuscita literariamente, dando-lhe o destaque que ele merece como grande contista, o maior da nossa terra, a meu ver.
       Milton Dias, nosso cronista maior (pelo menos na minha opinião), escritor que por mais de vinte anos iluminou com sua verve as páginas do mesmo citado jornal, é lembrado comme il faut. É louvável a lembrança de Netto pelo fato de Milton não ter sido em nossos dias, a meu ver, homenageado como merece por sua personalidade e por sua obra.
       Sou obrigado a confessar que me comoveu profundamente o texto focalizando José Alcides Pinto, esse um amigo querido, poeta e ficcionista, com quem eu tinha um pacto do qual não me envergonho: se alguém falasse mal de mim em sua presença, ele me contava, fazendo eu o mesmo se eu ouvisse alguém falando mal dele...
       E Demócrito Rocha, e Eduardo Campos, e Francisco Carvalho! Quanta gente que se foi e que entretanto palpita cheia de vida nas crônicas de Netto!
       Minha comoção maior ocorre por conta da crônica falando do livro Dolentes, de Lívio Barreto, cuja terceira edição, preparada por Raymundo Netto para a Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, teve uma segunda tiragem para corrigir erros de digitação. O cronista tratou essa edição com todo o carinho e foi, ele mesmo, fazer o lançamento do livro em Granja, terra do poeta. No livro está reproduzida a introdução que escrevi em 1970 para a edição do Centenário do autor, a pedido de Raimundo Girão e de Braga Montenegro. E Raymundo reproduz, na abertura do livro, um fac-símile da folha de rosto da edição príncipe, de 1897, que guardo com carinho, presente que foi da professora Maria da Conceição Souza, minha amiga.
       Lívio Barreto foi tema do primeiro artigo que escrevi sobre escritor cearense, e ocupa cerca de 15 páginas de Poesia de todo o tempo, na secção “O Livro de Clã”, estampado no nº 24, de revista, em 1968, quando eu tinha 30 anos de idade. Em 1970, sairia como livro autônomo.
       Nos anos 60 do século passado, como revisor d’O Estado de S. Paulo, convivi com Lívio Xavier, sobrinho do poeta, e aqui vim a conhecer mais dois outros sobrinhos, dona Líbia Xavier e Emanuel Xavier.
Para encerrar, direi que meu único filho chama-se Lívio, claro que em homenagem ao poeta cujo livro já afirmei ser “o livro máximo do Simbolismo no Ceará...”
Disse que Raymundo contempla mortos e vivos, e aqui desfilam escritores atuais e atuantes, como Angela Gutiérrez, Horácio Dídimo, Pedro Salgueiro, Ana Miranda, Socorro Acioli, Jorge Pieiro e outros mais.
       Há até uma crônica na qual Netto reinventa “a verdadeira história da Padaria Espiritual”, com a participação de vários escritores atuais, inclusive eu, e... Antônio Sales!  Quando essa crônica foi estampada no jornal, Noemi Elisa Aderaldo, presidente da Comissão de Redação da Revista da Academia Cearense de Letras, sugeriu sua inclusão num dos números desse periódico, o que foi feito...
       A presença do meu nome, mais de uma vez, neste livro, é apenas mais uma prova da amizade que me liga a Raymundo Netto, o que muito me honra.   


Sânzio de Azevedo (na Apresentação da Obra)

domingo, 5 de abril de 2015

"Escritores dos Escritores", de Pedro Salgueiro para O POVO


Anton Pavlovich Tchekhov

Existem aqueles escritores que são mais lidos – citados, e até copiados – por outros escritores. São os chamados “escritores de escritores”. O anglo-americano Henry James é um deles, com seu estilo sinuoso e pleno de sutilezas agrada muito a seus pares; o canadense-norte americano Saul Bellow também é bastante prestigiado por colegas de ofício; na América Latina o uruguaio Juan Carlos Onetti é mais mencionado por outros escrevinhadores que pelo público leitor em geral. Talvez o pernambucano Osman Lins seja o caso mais acabado de “escritor para escritores” entre nós: admirado, propalado, mas pouquíssimo lido.
Nosso Moreira Campos volta e meia citava o russo Tchekhov, seja em informais conversas com amigos ou em palestras sobre literatura; me recordo de umas quatro vezes em que o ouvi citar de cor frases do famoso contista: “Se a espingarda não vai atirar, retire-a da sala” era uma das sentenças mais lembrada; repetia entre risos a que afirmava: “se um personagem tosse no primeiro parágrafo, fatalmente morrerá tuberculoso ao final do conto”. Também outro “monstro sagrado” das nossas letras, o paranaense Dalton Trevisan – ele mesmo bastante apreciado por outros contistas mundo afora – paga sempre tributo ao criador do exaustivamente mencionado A dama do cachorrinho; num texto em que enumera as verdadeiras “delícias da vida”, o “Vampiro de Curitiba” confessa babar por “um que outro conto de Tchekhov”.
Mas Tchekhov foi um caso singular entre os “escritores de escritores”, começou sua carreira literária escrevendo bem-humorados continhos em jornais para ajudar no sustento da família, que era muito pobre. Ainda cursando medicina, criou fama com suas engraçadas historinhas, revelando acima de tudo o lado ridículo da gente mais simples. Só tempos depois, já bem de vida, foi que passou a escrever, digamos – lembrando que mesmo seus primeiros textos eram de qualidades insuspeitas, como atestam as muitas coletâneas que ainda hoje os reproduzem em todas as línguas –, seus “contos pesados”, que revolucionaram a narrativa curta e o tornaram um dos mais citados autores do século XX.

Diferentemente dos contos, suas peças teatrais não agradaram de início, até seu mestre e amigo Tolstói lhe dizia que as detestava: já hoje, Jardim das cerejeiras, A gaivota, Tio Vânia e As três irmãs se tornaram “cult” e são encenadas no mundo inteiro com enorme prestígio. Deixou, como todo verdadeiro mestre, uma legião de seguidores: desde os simples diluidores aos recriadores mais poderosos: entre os mais famosos estão a neozelandesa Katherine Mansfield, o russo Ivan Bunin e o brasileiro Dalton Trevisan. E mesmo já se passando mais 100 anos de sua morte é comum lermos resenhas sobre novos escritores começarem com diretas comparações a ele, frequentemente alguém é tido – com razões ou forçadamente – como seu discípulo: inclusive a recém-ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura, a discreta canadense Alice Munro, não tem seu nome citado sem que ao lado não esteja a sombra poderosa de Anton Pavlovich Tchekhov.

sábado, 4 de abril de 2015

Ana Miranda, sobre "Crônicas Absurdas de Segunda" de Raymundo Netto


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Raymundo Netto me lembra Alencar. Gosta da linguagem adornada, aqui e ali usa uma palavra surpreendente, aprecia o belo, as entrelinhas. De seu texto emana aquele mesmo aroma derramado pela brisa que perpassou não apenas “os espatos da carnaúba e a ramagem das aroeiras em flor”, mas as ruas, histórias e segredos de uma metrópole toda feita de sertões interiores.
Como o de Alencar, seu texto é cearense, inspirado na limpidez de nosso céu. Tem uma pureza de berço. Deve ser lido na varanda de casa, ao embalo de uma rede, aos “murmúrios do vento que crepita na areia, ou farfalha nas palmas dos coqueiros”, como recomendou Alencar aos leitores de Iracema. O texto de Netto é descansado, sonhador, ambulante e dialogado, nunca em silêncio. Nunca solitário. Não se importa com o realismo e mesmo quando é realista carrega a fantasia da memória. Mas, se Alencar estendeu a sua literatura ao imenso Brasil, Raymundo Netto elegeu apenas o Ceará, principalmente a “rapariga civilizada” que é Fortaleza, mas dando umas escapadas pelas cidades que ficam à beira de praias, rios, nas serras, ou caatingas.
O seu narrador me faz lembrar um senhor de chapéu coco e fraque, muito elegante, cortês. Entusiasmado e fervoroso, vaga pelas ruas a olhar tudo e conversar com quem aparece ali. Gosta de conversa. Um narrador carregado de sentimentos, uma afetividade à flor da pele, e um pouquinho de malícia. Fala num tom de certo gracejo inocente, aproveitando todos os momentos para chistes e improvisos. É quase o mesmo narrador do primeiro livro de Netto, Um conto do passado: cadeiras na calçada, romance preciso e admirável, com jeito de crônica, no qual, enquanto se passa uma história de amor, a cidade vai se mostrando e se transformando.
A série de crônicas que Netto aqui apresenta tem uma linha mestra: é uma agenda de encontros com fantasmas. De repente o cronista se depara com algum autor de livros que ele mesmo leu, e não esqueceu. Os seus fantasmas literários tomam corpo e vida, conversam, zombam, tresvariam, surpreendem e nos fazem rir, mas às vezes de olhos marejados.
São escritores antigos ou atuais, uns célebres e outros desconhecidos do leitor, mas todos, gente da terra cearense. Essas visagens não aparecem para discutir literatura nem falar de livros, mas para olhar a cidade e seus costumes, seus personagens pitorescos, suas comidas, músicas, seus maracatus, becos, bares, bibliotecas, as casas demolidas, as preservadas, e mais detalhes. Para se lembrar de lugares e de gente. Travam conversas arrastadas dentro de um ônibus, debaixo de uma castanholeira, num banco de praça, em locais inesperados, sempre cheias de “saudades enluaradas”.
Conversas que vão montando um novo conto de amor: pela literatura, pelo lugar onde vivemos, pelos escribas e seus livros, pela lembrança, e acima de tudo, amor pela liberdade do devaneio. Como ele mesmo diz, “a linguagem está além da razão humana”. Nestas Crônicas Absurdas de Segunda a imaginação nos diz mais do que a própria história.


Ana Miranda (na apresentação da obra)

Demissões na Biblioteca Nacional, descontos em livros, MalbaTahan e PNLD


A Biblioteca Nacional dispensou 28 funcionários terceirizados, de vários setores, nesta semana. Segundo a instituição, o corte de 10% no contrato de terceirização foi uma necessidade em vista do orçamento menor previsto para este ano – o valor final ainda não está definido, mas o ministro da Cultura, Juca Ferreira, já afirmou que a pasta vem trabalhando com uma expectativa de contingenciamento de até 30%.
Com as demissões, agrava-se a situação da instituição, que há um mês desligou 79 estagiários e ainda pode sofrer novos cortes. A biblioteca, a maior da América Latina, tem hoje cerca de 600 funcionários, entre servidores e terceirizados. Há um ano, aguarda autorização para convocar 40 bibliotecários que passaram em concurso. Além disso, quase metade do quadro atual de servidores pode se aposentar em até três anos.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Rádio AlmanaCULTURA: "O Melhor da Vida", com Marcelo Jeneci



Para ver o vídeo e ouvir a música, acesse:

O que vale nessa vida
Tem um pouco do seu jeito.
Jeito do seu corpo, jeito do seu pensamento.
Jeito de gostar dos outros cada vez gostando mais
Do seu jeito de falar tranquilo
Como quem promete e faz.

O que vale nessa vida é ver como você aproveita
Desde a hora que levanta até a hora que deita.
Quando escolhe a coisa certa é tudo sem receita.
Quando perto de você a própria confusão se ajeita bem.

E me vem que a vida vale mil,
Mil vezes sou nós dois,
Mil meses de amor
Antes de ter prorrogação.
Se a vida é por um fio,
Valeu pra quem já viu
Seu jeito de tocar no coração.

E nas noites que o tempo para e você me abraça
Sinto que o melhor da vida sempre vem de graça.
Sinto que o melhor momento é aquele que não quer passar
E que dura toda a eternidade
E isso é só pra começar.

O que vale nessa vida, vale como um bom presente,
Cai do céu, um bem que a gente sente
Vem como você vem antes de eu me preparar
E me diz: Vai ficar aqui, pois aqui é seu lugar.

E me vem que a vida vale mil,
Mil vezes sou nós dois,
Mil meses de amor
Antes de ter prorrogação.
Se a vida é por um fio,
Valeu pra quem já viu
Seu jeito de tocar no coração.


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Exposição: "Circula Boneco Nordeste: acervo Augusto Bonequeiro"


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Exposição: "Circula Boneco Nordeste: acervo Augusto Bonequeiro".

A partir do dia 2 de abril, dia do aniversário do mestre Augusto Bonequeiro, acontecerá a exposição de grande parte de seu acervo. Parte da sua história, da sua experiência profissional com a sua ex-companheira, Zilda Torres, e com outros artistas bonequeiros que compartilharam sua vida profissional.
Tudo impresso na produção dessas criaturinhas apaixonantes,
desses bonecos que tanto apreciamos.

Abertura da Exposição: dia 2 de abril (quinta-feira), a partir das 18h
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste (prédio do antigo Mercado Central: rua Conde D'Eu, 560 - Centro.
Horário: das 18 às 20h
Curadoria: Ângela Escudeiro
Produção: Ângela Escudeiro e Lene Venerio
Equipe de Apoio: Emily Cardoso, Janaína Marcout, Maria Vasconcelos, Zildélia Castro.
Recuperação dos Bonecos: Zilda Torres
Registro Fotográfico: Kennedy Saldanha

Coordenação Geral: Lene Venerio

terça-feira, 31 de março de 2015

Exposição "Fortaleza: cores da cidade", no Dragão do Mar, de 2 a 26 de abril


Fortaleza: cores da cidade é uma exposição em homenagem a Fortaleza, no seu mês de aniversário. A exposição conta com a participação cerca de trinta telas de artistas, como Fernando França, Vando Figueiredo, Carlos Macêdo, Cláudio César, Lia Sanders, Mano Alencar e João Marcelo Pereira que “resgatam paisagens e personagens, oferecendo novos tons a cenários já invisíveis de tão familiares”.

Período/Local: de 2 a 26 de abril de 2015, na Multigaleria do
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

Visitação: terça a sexta, das 9h às 19h (com acesso até as 18h30);
sábados, domingos e feriados, das 14h às 21h (com acesso até as 20h30).


Gratuito.


Inscrições abertas para os Editais Culturais do Dragão (até 24 de abril de 2015)


Inscrições para os Editais Culturais do Dragão

De 26 de março a 24 de abril de 2015

Os Editais Culturais 2015/2016 são os novos editais de ocupação do Dragão do Mar. 
Serão 194 projetos selecionados em nove linguagens artísticas – Música, Teatro, Dança, Literatura, Performance, Artes Visuais, Fotografia, Cinema e Circo – e ainda na categoria Pontos no Dragão, que selecionará projetos de Pontos de Cultura.
Juntos, os 194 projetos contemplados formarão a nova Temporada de Arte Cearense do Dragão. Serão 438 ações culturais ao longo deste e do próximo ano. 
O investimento total é de R$ 1,3 milhão.

Confira no site www.dragaodomar.org.br o documento completo e seus anexos. 
Qualquer dúvida pode ser dirimida pelo email edital@dragaodomar.org.br ou pelo telefone 3488.8600.