domingo, 17 de julho de 2011

"Orgulho de ser Cearense", crônica de Carri Costa


EITA! Tive um sonho estranho, poeticamente estranho...


Nele, no Ceará todim, de cabo a rabo, todo mundo devorando as culturas, uma antropofagia alencarina. Como resultado se nascia em todas as casas uma cearensidade meio que pão, meio que padaria, meio que espiritual...


Nele, os macunaímas paridos se apropriavam da arte, de sua memória...


Era um orgulho forte feito baobá, doce como o chegadim, livre como Mororó, divertido feito Quintino...


Nele, avistava essa carrada de gente marchando, às margens de um Pajeú, por nossos contos, por nossas danças, por nossos cantos, por nossas cenas, por nossas ruas com cheiro de caju, com cor de oiti maduro, com gosto de história, forma de coração de castanholeira, uma reverência à ancestralidade viva, pulsante, nossa!


Nele, vi uma mulher que poderia ser Bárbara embainhando o arco de uma rabeca como se com ele criasse uma ética republicana.


Nele, vi um dragão arrastando do meio do mar, pelos bilros, uma rede esbranquiçada de sal banhando de encantamento à cidade da jandaia.


Nele, homens, mulheres, crianças, jovens e velhos caiavam as cumeeiras tentando ressuscitar seu tempo.


Acordei com minha avó estalando os bilros e revelando na renda, por entre espinhos do mandacaru, a forte sensação de saudade da história que não vivi.


Mãos à obra!




quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Insensatez" para insensatos


Insensatez

(Jobim e Vinícius)


A insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor
O seu amor
Um amor tão delicado
Ah, porque você foi fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração que nunca amou
Não merece ser amado

Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão,
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão,
Perdão apaixonado,
Vai porque quem não
Pede perdão
Não é nunca perdoado

quarta-feira, 13 de julho de 2011

"Quando o Amor é de Graça II: Bem Querer Sem Querer", crônica de Raymundo Netto para O POVO (13.7)


Aprendi de amor assistindo — “das colinas tão distantes” — aos Teletubbies. Eu sei, eu sei, eu sei que isso não é coisa que se diga, de então, perdão, explicarei.

Em verdade, tal esdrúxula afirmação nada tem a ver com aquele maçante e recorrente programa inglês ou com sua famigerada “hora de dar tchau”, nem tampouco com sua bendita “torradinha”, “torradinha”, “torradinha”...

Sempre gostei de televisão. Muito. “Alucineava-me” com as produções cinematográficas, grandes roteiros, interpretações conflitivas, fotografias belíssimas e todas essas coisas que só o cinema traz de ruma, mas com o nascimento de minhas filhas passei a deixar a TV ligada sempre em infantis. Era uma maratona de programas em canais exclusivos para crianças, como Teletubbies; Bob, o construtor; Barney; Clifford, o cão vermelho e outros mais de nomes complicados.

Passados dois anos é que, um dia, encostado ao sofá, dei por mim assistindo à porcaria toda apenas para fazer companhia às meninas. Ali mesmo, diante de intermináveis e coloridos “tchaus”, fiz uma retrospectiva e cheguei à conclusão de que não há no mundo amor mais verdadeiro do que aquele cuja renúncia nasce sem sofrimento. Amor? Só podia de ser!

Aliás, percebi também: quando se têm filhos, todas as crianças do mundo assemelham-se a eles. Batem numa criancinha na Cochinchina e a gente sente daqui. Engraçado isso... Passamos a nos sensibilizar gravemente pelas crianças largadas em cestos de lixo, feridas em guerras no Oriente Médio, espancadas ou encarceradas pela violência do lar. Passamos a afagar a cabeça de pequenos estranhos e a distribuir-lhes sorrisos em playgrounds. Enfim, é como se a paternidade pudesse, ou devesse, ser compartilhada.

Quando a Lua e a Lia nasceram, padeci da experiência de um ano sem dormir uma noite completa. Acordavam-me todas as noites. Era uma seguida da outra, ou, quando às vezes, as duas juntas. Quando apenas uma, plantava-me à janela aberta à escuridão e cantarolava, balançando-me num movimento contínuo — uma espécie de forró em “slow motion” — e esperava seu sono chegar. Não funcionando, o plano B era sair ao sereno do condomínio — enrolava-as numa manta — e caminhava lentamente até o quarto bloco, tempo geralmente necessário para adormecê-las. Porém, quando chegava lá e elas ainda tinham os olhinhos abertos, pulava do plano C para o D, de desespero, a encrenca seria grande e, provavelmente, dessa vez, daríamos bom-dia ao Sol...

Morava num apartamento que não tinha nem 50m2 e quando elas acordavam a chorar, o bloco inteiro, ou mesmo o condomínio, noticiava no outro dia: “Elas deram trabalho ontem, né?” Pois é.

Quando completaram 3 meses, ao surgirem as famigeradas crises das cólicas, as visitas corriam por todos os lados, pulando as janelas em pavor: “Não aguento ver isso, não!” Era o que diziam.

Aos domingos, a mãe delas cumpria seu plantão no hospital e eu passava o dia todo com aqueles bebês do berço do quarto à sala. As cabeças eram grandes e carecas e o pescocinho parecia não poder dar com elas. Eram assim meus domingos: preparava o leite, trocava as fraldas, as banhava e ficava por ali jogando brinquedinhos para elas pegarem ou lendo meus livros no tapete da sala a ouvir aquela conversinha que não me dizia nada, justificada apenas pelo sorriso banguela, engraçado e o olhar brilhante que, de criança, ainda se tem.

Hoje, acho tediosas as frias e intermináveis discussões sobre “o amor que estraga as crianças”. Muito menos critico aos avós que, quase aflitos, o ofertam. As nossas crianças e as do mundo inteiro têm mesmo é que aproveitá-lo, pois, num futuro próximo descobrirão que desta nossa humanidade de discursos vazios e teorizações caleidoscopicamente inúteis o que sentirão falta sempre é de amor.


Contato: raymundo.netto@uol.com.br


segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Eco no Labirinto", ensaio de Carlos Roberto Vazconcelos


Inicia-se o ano de 2006. Surpreendo-me lendo o romance O Nome da Rosa, do italiano Umberto Eco, num momento em que só aumenta, nas livrarias e bibliotecas, a procissão em busca do Código da Vinci, de Dan Brown.

Às vezes ando mesmo na contramão. E tenho manias muito pessoais: visitar cemitério em dias comuns, que não o de finados; preferir os templos vazios às missas ou cultos; cascavilhar nas locadoras de vídeo não os novos lançamentos, mas os eternos clássicos... Ler o Eco, em vez do Brown?

Na verdade, tentei ler O Nome da Rosa em 1991. Desci à biblioteca, abracei o livro e me dispus a decifrá-lo. Já adiantado na leitura, foi com decepção que verifiquei faltarem trinta páginas do volume. Devolvi-o à prateleira, assisti ao filme mais de uma vez e nunca mais quis saber do calhamaço.

Talvez eu demore quinze anos para decidir ler O Código da Vinci... e Anjos e Demônios... e Fortaleza Digital... Existem modismos, mesmo em literatura... Não sou obrigado a segui-los. Sou anacrônico. Não pela vaidade de ser. Mas por que nossa geração está cada vez mais ávida por novidades? Vivemos a era do descartável. A música de hoje não sobreviverá amanhã. Os derradeiros quintais deverão ser devastados para os arranha-céus florescerem. As estrelas que se apaguem para a sobrevivência do neon. Hoje leio Eco, mas deveria ler Brown?

A edição que tenho em mãos (33ª) é de 1991. Não havemos de nos assustar com tantas reedições, pois o livro de estreia de Eco foi realmente um êxito de vendas no mundo inteiro, um “sucesso unânime de crítica e público”, como veio anunciado na própria capa. Um best-seller (atente-se para a ambiguidade dessa expressão).

O autor dialoga com o escritor inglês Conan Doyle, estabelecendo referências explícitas ao personagem Sherlock Holmes. O “herói” da narrativa é Guilherme de Baskerville (primeira referência óbvia), um investigador cerebral, capaz de deduzir com acerto o que não viu. Lógico, exato, cartesiano, politicamente correto e de fina ironia. No cinema, nenhum outro ator poderia encarná-lo melhor do que Sean Connery. Perfeito. Aliás, justiça seja feita, o filme é uma obra-prima à parte. O parceiro de Guilherme é o noviço Adso, espécie de Watson, que vive os acontecimentos junto ao mestre e também se responsabiliza de narrá-lo à posteridade. Encontra-se uma vez o epíteto consagrado: Elementar, meu caro Adso (Watson), embora ele haja se popularizado sem aparecer uma vez sequer na obra original de Doyle.

A história é uma espécie de policial noir. Crimes misteriosos, insinuações eróticas, traições, cujo cenário é um mosteiro medieval da velha Itália. O livro é carregado de erudição (como não poderia deixar de ser, em se tratando de Umberto Eco), mas tem como leitmotiv a desmistificação religiosa, a denúncia da hipocrisia ocultada por trás dos hábitos, e principalmente, o fanatismo superando qualquer outro sentimento, inclusive o de Deus. Não seria justo negar que, em alguns momentos, o ritmo da narrativa é arrastado, monótono, bastante enfadonho, com incansáveis citações latinas e erudição escorrendo pelo ladrão. Algumas páginas parecem até desnecessárias para um enredo brilhante. Mas isso não ocorre também no Crime e Castigo, de Dostoiévski? No Guerra e Paz, de Tolstói? N’O Corcunda de Notre Dame, de Vítor Hugo? Não seria essa característica própria dos romances destinados a serem clássicos? Ou seriam prolixidades de estreante? Pensa-se até em desistir, mas a curiosidade é maior. Por que tantos crimes no ambiente sacrossanto? Onde há o crime deve haver o criminoso. Instala-se o suspense.

Eco vai nos levando pelos labirintos do mosteiro, e das naturezas humanas, e da biblioteca, ponto crucial de toda a trama. Lá está Jorge de Burgos, personagem inspirado na figura de Jorge Luís Borges. O cego e seu labirinto. O minotauro à espreita... A biblioteca é um grande labirinto, signo do labirinto do mundo. Entras e não sabes se sairás.” (Eco, p.187). O labirinto é o símbolo mais evidente de estar perdido. (Borges).

O próprio enredo labiríntico da obra é intertextualidade. Dialoga com o conto A Biblioteca de Babilônia, de Borges. Eco valida o conceito do velho mestre de que livros podem nascer de livros, literaturas podem derivar de literaturas. Outro gênio, nosso Machado de Assis, também sabia estabelecer a perfeita diferença entre a recriação e a mera imitação.

Ah, e quanto ao título? A leitura não torna explícito. Que rosa? O conhecimento, a sabedoria, o sagrado...? Aí começa o mistério. O autor é semiólogo, homem preocupado com a representação dos signos. Possivelmente, o título foi inspirado em um dos versos de Romeu e Julieta: O que há em um nome? O que chamamos rosa cheiraria tão docemente com qualquer outro nome... Isto só reforça ainda uma vez a tese da intertextualidade

Eco nos conduz às consequências do fanatismo, fio tenro entre a razão e a loucura. No fim, resta-nos a lição de cinco linhas apresentada em mais de quinhentas e sessenta páginas:

Teme, Adso, os profetas e os que estão dispostos a morrer pela verdade, pois de hábito levam à morte muitíssimos consigo, freqüentemente antes de si, às vezes em seu lugar. Talvez a tarefa de quem ama os homens seja fazer rir da verdade, fazer rir a verdade, porque a única verdade é aprendermos a nos libertar da paixão insana pela verdade.

Em suma: Foge do presunçoso que detém a verdade absoluta

Fica a pergunta: Ler ou não ler O Nome da Rosa? Aos mais exigentes, sim. Aos imediatistas, vejam o filme. Mas não esqueçam: a obra literária original sempre superará qualquer adaptação, mesmo as superproduções cinematográficas. Ora, quem dera pudéssemos ler os clássicos sempre nos idiomas originais. Ah, quem dera!

domingo, 10 de julho de 2011

"Nas Pedras do Estoril", conto de Pedro Salgueiro para O POVO (6.7)


Bem ali, onde hoje é o calçadão, ela e o namorado passavam, antes de um show no Pirata.


A grana entre o ingresso e o bagulho.


E enquanto palmilhavam mar adentro o espigão perceberam as sombras compridas dos três bem atrás. Um com a mão nos bolsos. O segundo agitando nervoso os braços. O outro despejava calmamente goela abaixo o litro de aguardente.


As sombras foram diminuindo. O primeiro agora segurando a faca. O do meio maquinalmente tirava a roupa. E o terceiro reluzia o gargalho à luz da lua.


O despido agarrou o braço dela. Puxou com força sua calcinha e marcou sua coxa. No salto a lâmina fez um talho no braço dele. Em sua cabeça os vidros e o restinho da cachaça.


Ao acordar ela chorava ao seu lado. A lua lá pras bandas do Pirambu.


***


Eles quase nunca mais se falaram.

Depois certa dúvida se fora mesmo verdade.


***


Ele jamais retornou ao bairro. E esconde na manga longa da camisa a marca fina do arranhão, que subiu um pouco na direção do ombro. Mas só consegue gozar se se recorda enfim do triste episódio, variando até o infinito o seu desfecho.


Ela raramente se lembra do que aconteceu. Mas quando passa de carro pela Abolição não se furta de dar uma espiada, meio de esguelha. Olha, então, longamente para o marido e procura logo um assunto.

Lançamento "O Professor de Piano", livro de contos, de Rinaldo de Fernandes (13.7)


Data: 13 de julho de 2011 (quarta-feira)

Horário: 19 horas

Local: Livraria Cultura (Shopping Varanda Mall - Av. Dom Luís, 1010 – Meireles)


Já lançado em São Paulo, Recife, Salvador, São Luís, João Pessoa e Campina Grande, O Professor de Piano (Ed. 7Letras/RJ), o mais novo livro de contos de Rinaldo de Fernandes, terá lançamento em Fortaleza dia 13 de julho (quarta-feira), a partir das 19h, na Livraria Cultura. Na ocasião, Rinaldo falará sobre o escritor nordestino, o mercado editorial e haverá um bate-papo com o público.

Rinaldo de Fernandes, professor de literatura na UFPB e doutor em Teoria e História Literária pela UNICAMP, é um escritor que tem se destacado na literatura brasileira contemporânea com obras como Rita no Pomar, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2009, e também por ter organizado coletâneas de contos e de ensaios de sucesso editorial, tais como O Clarim e a Oração, Chico Buarque do Brasil, Contos Cruéis, Quartas histórias e Capitu mandou flores.

Já participou de várias antologias de contos, no Brasil e no exterior, como Futuro presente, O Cravo Roxo do Diabo (org. Pedro Salgueiro) e 90-00 cuentos brasileños contemporâneos (org. Nelson de Oliveira e Maria Alzira Brum Lemos), editada no Peru e que terá reedição no México.

Ao posfaciar O Professor de Piano, a grande ensaísta Regina Zilberman se rendeu ao talento do autor, chamando-o de “Mestre do Conto”.

“O professor de piano”, que dá título ao livro, é um dos contos mais brilhantes de Rinaldo. Um mergulho na alma de um personagem atormentado por dramas econômicos e familiares e por uma forte paixão. Neste conto, como também em “Beleza”, Rinaldo refina ainda mais – investigando, com intensidade e de forma funcional, a subjetividade do homem contemporâneo – o uso das técnicas do monólogo interior e do fluxo de consciência, já tão bem exploradas em Rita no Pomar.

O leitor encontrará em O Professor de Piano, 11 contos que, sem dúvida, se enquadram entre os melhores da literatura brasileira dos últimos anos. Um livro marcante para ser lido e comentado. E, certamente, para não ser esquecido.


Contatos com o autor:

e-mail: rinaldofernandes@uol.com.br

Exposição Inédita: "Bandeiras da Nice", no Museu do Ceará (13.7)


Abertura da exposição “Bandeiras da Nice”

13 de julho de 2011

Horário

18 horas

Local

Museu do Ceará (Rua São Paulo, 51, Centro – ao lado da Praça dos Leões)


Durante a exposição, acontecerá o lançamento de Conversas com Nice (76 páginas), de Alberto Rodrigues Soeiro.


Sobre a Exposição:


Fazer noventa anos de vida é muito e completar esses noventa anos pintando, desde a adolescência, é viver duas vezes.

É o que acontece com Nice, que aprendeu, na SCAP (Sociedade Cearense de Artes Plásticas), a pintar, desenvolvendo toda a sua capacidade artística. Não parou mais. Pintou paisagens, marinhas, trechos de ruas e tudo mais que desejou, da figura ao abstrato.

Houve época em que os artistas descobriram que fazer interferência nos trabalhos dos colegas era interessante. Nice provou desse momento.

Em 1994, no Mondubim, escolheu sobre quem e sobre o quê interferir, sem perder seu tom e identidade. Antônio Bandeira foi o escolhido e o trabalho foi um desenho reproduzido na capa do catálogo do Mini-Museu Firmeza.

Vinte e oito tra­balhos surgiram dessa interferência, onde Nice, sem deixar de ser Nice, ocupou o espaço já ocupado por Bandeira, deixando no ar um Bandeira em segredo.

No embalo dessa fase fui guardando sua produção para um futuro mais ex­pressivo, onde melhor poderiam ser apreciados. Ficaram inéditos até então.

Esse passado encontra agora, em julho de 2011, nos noventa anos da Nice, o seu momento oportuno para ser exposto, se revelando em pinturas que o Museu do Ceará apresenta em homenagem à pintora.


Estrigas


Realização

Secretaria da Cultura do Estado do Ceará

Museu do Ceará

Associação dos Amigos do Museu do Ceará

sábado, 9 de julho de 2011

Caricatura sincera de autoria de Klévisson Viana

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Não tinha ideia de como era feio, até meu amigo Klévisson Viana me entregar essa caricatura.
Achei tão parecida que cai em mim do bonito que é feio e nos parece.
Ainda bem que creio em reencarnação e na misericórdia divina...

Manuscrito do Poema "O Tempo Cósmico", de Ferreira Gullar

Manuscrito de poema de Ferreira Gullar

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