segunda-feira, 16 de maio de 2011

Lançamento "Embates & Combates por boas e intrigantes causas", de Marcelo Gurgel, na OBOÉ (19.5)


Embates & Combates

por boas e intrigantes causas

(Ed UECE)

de Marcelo Gurgel


Data: 19 de maio de 2011 (quinta-feira)

Horário: a partir das 19h30

Local: Centro Cultural OBOÉ (Rua Maria Tomásia, 531, Aldeota)

Apresentação da Obra e do Autor: José Maria Barros Pinho

Para aquisição de livros ou contato com a autora: marcelo@hospcancer-icc.org.br ou pelo blogue: http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com


A sessão de autógrafos acontecerá durante o coquetel.


A renda integral do lançamento será revertida para as ações sociais da “Casa Vida”, mantida pela Rede Feminina do Instituto do Câncer do Ceará.


Sobre o Autor: Marcelo Gurgel é polígrafo, médico, economista e professor universitário, Doutor em Saúde Pública e Pós-Doutor em Economia da Saúde. Publica em todos os gêneros, agregando alguns prêmios em sua carreira literária.

Lançamento de "Silas", de Sérgio Fantini, no Café Vitrola (18.5)


Lançamento de "Silas", do escritor mineiro, Sérgio Fantini


Local: Café Vitrola (Avenida 13 de maio, 2861, Benfica - sobre a Livraria Lua Nova)

Data: 18 de maio de 2011 (quarta-feira)

Hora: A partir das 20h


Contato do autor: sergiofantini@gmail.com


Release: No dia 18 de maio de 2011, o escritor mineiro Sérgio Fantini lançará em Fortaleza o livro “Silas”, uma coletânea de contos protagonizadas pelo personagem que lhe fez ganhar prêmios e notoriedade em Belo Horizonte e outros estados do Brasil. A obra traz várias histórias que foram escritas desde 1991, como a aclamada novela “Diz xis”, e está sendo lançada para uma dupla comemoração: os 50 anos do autor e 20 anos do personagem Silas, ambos celebrados em 2011. “O livro é uma espécie de biografia do personagem que já me acompanha há 20 anos”, afirma o autor.


Sérgio Fantini é um prosador que encontra na oralidade a força para ficções enxutas, lapidadas pelo leitor voraz que foi e continua sendo. Faz parte de uma geração de autores que revelou Luiz Roberto Guedes, Marçal Aquino, Marcelo Carneiro da Cunha, Jetter Neves e tantos outros. Em 2007, por intermédio do também escritor Marcelino Freire, conheceu o trabalho dos "Jovens Escribas" de Natal (RN).


Editora Jovens Escribas

Surgida em Natal há 7 anos como um selo literário independente e recentemente convertida em editora, a Jovens Escribas chega a Fortaleza, promovendo o lançamento de um dos melhores autores mineiros da atualidade e trazendo também outros títulos de seu catálogo para serem distribuídos nas livrarias da cidade.

Diversos títulos de autores potiguares como “O Dia das Moscas” de Nei Leandro de Castro, “É Tudo Mentira!” de Carlos Fialho e “A Cega Natureza do Amor” de Patrício Jr. estarão à disposição dos leitores da capital cearense junto com “Silas" de Sérgio Fantini.


Lançamento IMPERDÍVEL (HOJE - 1º de junho): "O Cravo Roxo do Diabo": o conto fantástico no Ceará, organizado por Pedro Salgueiro


“O Cravo Roxo do Diabo”:

o conto fantástico no Ceará

(Expressão Gráfica e Editora/ Selo Edição do CAOS)


Organização de Pedro Salgueiro

e pesquisa de Sânzio de Azevedo, Pedro Salgueiro e Alves de Aquino (o Poeta de Meia-Tigela)


— ganhador do V Edital de Incentivo às Artes da SECULT —


O FANTÁSTICO em 130 contos, 60 poemas e

17 recortes de romances cearenses.


A maior e mais completa coletânea do gênero no Estado!


Data: 1º de junho de 2011 (quarta-feira)

Horário: 19h

Local: SESC/SENAC Iracema (Rua Boris, 90 – ao lado do Dragão do Mar)

Apresentação: Entrevista de Carlos Vazconcelos, no projeto “Bazar das Letras do SESC”, com o organizador e pesquisadores da obra.


Durante o coquetel acontecerá a sessão de autógrafos


Sobre a obra: Incansável, obstinado vampiro de antiguidades, o neopesquisador Pedro Salgueiro (também praticante do fantástico) se deu a missão de vasculhar o passado impresso (livros, revistas, jornais), à cata de obras fora do realismo. Porque, na verdade, só existem duas categorias de literatura: a realista e a não-realista ou fantástica. Não satisfeito com o que encontrou nas bibliotecas públicas de Fortaleza, empreendeu viagens aos mais distantes porões da memória. Certamente não encontrou tudo, porque tesouros estão bem enterrados e muitos talvez nunca sejam localizados. Descobriu [com o auxílio de Sânzio de Azevedo e do Poeta de Meia-Tigela (Alves de Aquino)] poemas, contos, crônicas e romances que vão do absurdo mais arrepiante à irracionalidade mais contagiante. (...) Não se tem notícia de obra tão abrangente no Ceará e mesmo no Brasil. Coletâneas de contos fantásticos há muitas. No entanto, nesta coleção há muito mais do que narrativas curtas de mistério, horror, espanto. Salgueiro arrancou do fundo da terra – como um coveiro imortal, sempre a cavar o chão, embora enterre os mortos (seria melhor dizê-lo, pois, arqueólogo) – peças literárias criadas pela banda sórdida da imaginação humana.

Nilto Maciel

escritor e pesquisador em literatura

Apoio Cultural

Secretaria da Cultura do Estado do Ceará

Serviço Social do Comércio SESC/CE

Ana Miranda e Socorro Acioli no "Diálogos O POVO & Cultura", 18 de maio (quarta-feira)


Literatura & Cidade

Convidada: Ana Miranda

Mediação: Socorro Acioli


Local: Auditório da Livraria Cultura (Shopping Varanda Mall: Av. Dom Luís, 1010, Meireles)

Data: 18 de maio de 2011

Horário: 19h30

Entrada franca


O projeto “Diálogos O POVO & Cultura” receberá nesta quarta-feira (18), na Livraria Cultura, em Fortaleza, para debater o tema “Literatura & Cidade”, a escritora cearense Ana Miranda, autora de Boca do Inferno (Prêmio Jabuti de Revelação, 1990), Desmundo, A Última Quimera, Dias & Dias (Prêmio Jabuti de Romance e da Academia Brasileira de Letras, 2003), dentre outros.


“Literatura & Cidade” contará com a mediação da escritora e jornalista Socorro Acioli.


Sobre o Projeto: “Diálogos O POVO & Cultura” é um projeto do O POVO, em parceira com a Livraria Cultura. São encontros quinzenais entre artistas, professores, escritores, pesquisadores que debatem temas voltados às questões que envolvem a vida na cidade. O projeto é coordenado pelos jornalistas Plínio Bortolotti e Regina Ribeiro.


domingo, 15 de maio de 2011

Entrevista a Pedro Salgueiro para a "Muito" - revista semanal do grupo "A Tarde"

MUITO – Revista Semanal do Grupo “A Tarde”

Breno Fernandes

Pedro Salgueiro (Tamboril, Ceará, 1964) é da geração que ficou conhecida como Geração 90, por conta da compilação homônima organizada por Nelson de Oliveira. Salgueiro tem editados os livros de contos O Peso do Morto (1997), O Espantalho (1996), Brincar Com Armas (2000), Dos Valores do Inimigo (2005) e Inimigos (2007), de contos; além de Fortaleza Voadora, de crônicas. Vencedor do Concurso Guimarães Rosa, da Rádio France Internationale, e do Prêmio de Contos da Biblioteca Nacional/Instituto Nacional do Livro para obras em curso, dentre outros. Tem contos nas coletâneas Contos Cruéis, Geração 90: manuscritos de computador, Os Menores Contos Brasileiros do Século, Quartas Histórias e Todas as Guerras.

Diz ele que, se essa tal Geração 90 tem algo em comum, é justamente a falta de um estilo ou temática em comum. De sua parte, prefere ambientar seus contos nas pequenas cidades.


Muito: É possível ensinar a escrever?

Pedro Salgueiro: Ensinar a escrever, sim, claro, com técnica, boa gramática e um estudo apurado; agora, escrever com talento é bem mais difícil. Acredito muito que exista uma capacidade inata para apreender o mundo ao redor e transportá-lo para o papel em forma de arte; assim como acredito também que sem um esforço de elaboração, de suor, de tentativas várias, não se consiga desenvolver um texto de valor maior. Um jogador de futebol esforçado pode até ser mais eficiente que um craque relapso, mas um craque esforçado vale por mil apenas esforçados.


M: O que mais te atrai no conto?

PS: O desafio de tentar dizer tudo o que se tem em mente com pouquíssimas palavras, de contar uma história ou sensação sem ter que matar (como bem dizia Clarice Lispector) com palavras as entrelinhas. Acho que o contista, por causa desse desafio, tende a ter uma técnica mais apurada, um senso de escolha mais contundente. Como escreveu o argentino Cortázar, o escritor de contos tem que ganhar a luta de boxe por nocaute (já o romancista pode muito bem se contentar em vencer por pontos), com um golpe certeiro.


M: Nunca tentou o romance, a poesia?

PS: Como quase todo jovem comecei escrevendo poesia, uma poesia muito ruim, imitando a ruim poesia dos poetas marginais dos anos 1970. Com o tempo, e quase sem querer, fui, naturalmente, indo para a prosa curta. Não acredito que um autor escolha o gênero em que vai escrever melhor, acho que o gênero é quem escolhe o escritor. Tem pessoas que até pra dar um recado dão arrodeios, fazem associações em várias direções, traçam paralelos, acabam (se não tiverem muito talento) confundindo o interlocutor; estes serão os romancistas. Outros enfeitam tudo que falam, tem uma presença de espírito em dizer coisas banais; escreverão poesias com êxitos. Já o sujeito seco, lacônico, fatalmente se sentirá atraído pelo conto. Na maioria das vezes em que escuto essa pergunta de quando irei escrever um romance, percebo um certo ranço de preconceito para com o contista (não é o seu caso, acredito), como se o romance fosse um passo além… Então, para desafiar o interlocutor, costumo afirmar que escreverei um romance quando não tiver mais capacidade de escrever um bom conto (claro que devolvo o mesmo preconceito, mas serve como vingança).


M: Minimalismo é escolha estética ou dogma?

PS: É tendência inata, não escolhi escrever contos curtos com uma consciência teórica, sempre fui lacônico, calado, casmurro… Tudo o que é derramamento sempre me enfadou muito. Talvez por eu ser de uma região muito seca (o sertão dos Inhamuns, no Ceará) tenha adquirido uma secura interior inconsciente; na minha região as pessoas são lacônicas, falam as frases pela metade, nunca completam o raciocínio começado, têm medo de que a quentura seque a saliva de suas bocas. Claro que a escolha dos meus autores prediletos seria por esses parâmetros, da contenção, da secura; da tentativa de dizer o máximo com o mínimo de palavras. Sempre fui fanático por Machado de Assis, Juan Rulfo, Dalton Trevisan, Luis Vilela, Tchekov, Moreira Campos e outros mini(ani)malistas.


M: Qual o ponto em comum dos autores chamados Geração 90?

PS: Apesar de ter participado da coletânea Geração 90: Manuscritos de Computador, organizada por Nélson de Oliveira, eu nunca consegui ver uma identidade comum entre os muitos autores, eu mesmo sempre me senti um peixe fora d’água dessa turma toda, pois ainda faço uns contos ambientados em cidades pequenas, quando a maioria é bem urbana… Talvez o que pareça mais comum nessa minha geração seja a falta de traços comuns entre seus membros (risos). Sinto-me mais próximo talvez (descontando o desnível, claro) de um José J. Veiga, de um Graciliano Ramos; também percebo alguns pontos de contato dos meus pequenos contos com os que fazem hoje, por exemplo, Ronaldo Correia de Brito (também cearense) e o sergipano Antônio Carlos Viana.


M: O que foi marcante na literatura nos anos 00?

PS: Acho muito cedo pra que se analise até mesmo a minha geração, que hoje é composta por tios grisalhos e barrigudinhos, quanto mais a essa safra maravilhosa de bons autores que pululam por aí em todos os estados; daqui a uns 20 anos talvez se vislumbre o pouco trigo perdido em meio a esse imenso matagal de joios. Mas nós precisaremos sempre de classificações, de amarras, de compartimentos estanques, de etiquetas… Muitas vezes um autor é bem mais próximo de outro que escreveu um século antes, outros estão completamente à frente de seu tempo (estes, muito poucos). Aqui mesmo no Ceará e outros estado do Nordeste vejo uma juventude muito afoita, muito aguerrida; mas dificilmente agora saberemos quem é fera mesmo, quem é só fogo de palha… o que se tem aprendido com o passar das gerações é que sobrevive bem pouca gente, e que nem sempre é quem está na boleia de sua geração (risos).

M: Como é seu processo de escrita?

PS: É uma mistura de intuição com técnica aprendida ao longo de anos de leitura; de erros muitos e acertos poucos; de muito papel riscado (ainda hoje escrevo à mão as três primeiras versões dos contos), de cada ano floresce duas ou três historinhas em meu jardim de cactos, quando muito. Gosto de ficar matutando a narrativa um bom tempo antes de pô-la no papel, mas às vezes elas vêm de uma vez com uma força danada, como um transe espírita (o que sempre acho um mistério). Guardo por um bom tempo, releio, vejo se mantém ainda o fogo do início; penso em outras maneiras de contar a mesma história, faço variações, submeto aos amigos escritores, à minha companheira, também mostro para pessoas que não têm muita familiaridade com a literatura, pra sentir alguns aspectos de compreensão, de efeito das imagens. Porque o conto tem várias camadas, e alguns níveis de escrita nem todos vão perceber, mas acho que temos que fazer um bom balanceamento dessas camadas, para que não caiamos nem no conto raso, anedótico, típico, nem na mera masturbação estética, preciosa, vazia.


M: Quem são os escritores que mais te influenciaram?

PS: Não dou conta de quantos, desde os livrinhos de caubói que lia na bodega de meu avô, que era viciado, fanático mesmo, passando pelos cordéis de feira (tão comuns em minha região), que passavam da voz dos cantadores para o papel ruim das tipografias, até os livros ditos literários mesmo. Sempre li de tudo, de literatura barata aos clássicos. Claro que com o tempo você vai se apegando a alguns autores, que foram vários em diversas épocas; teve o tempo do realismo mágico, li quase tudo de Jorge Luis Borges, Garcia Márquez, Vargas Llosa, Júlio Cortázar, veio a época dos clássico nacionais, dos estrangeiros, me ficaram alguns autores de cabeceira, como Juan Rulfo, Graciliano, Moreira Campos, John Fante, Salinger, Dalton Trevisan, José J. Veiga e diversos outros que volto de vez em quando. Agora mesmo estou relendo todo o Tchekov que tenho guardado, e que prazer renovado, que força, que sensibilidade. Onde terá aprendido tanto da alma humana em tão pouco tempo de vida aquele discreto médico de província, de família miserável e atitudes discretas? Um mistério! Agora tento aprender mesmo é com o livrão do mundo, como bem disse Raduan Nassar em uma de suas raras entrevistas (Cadernos de Literatura, do Instituto Moreira Sales).


M: Que obra dita grandiosa você leu e achou ruim?

PS: Diversas grandes obras da humanidade li sem nenhum prazer, mais por incapacidade minha, por pressa, por estar mais interessado em outras coisas; de alguns autores esperava muito e me decepcionei, muitos anos depois, por contingência de um relançamento ou outro qualquer, fui reler e adorei. Uma grande obra não é nunca ruim, outros é que são os nossos anseios, expectativas. A primeira vez que li os contos de Juan Carlos Onetti achei um “saco”, monótonos; eu ainda estava impregnado de García Márquez e seu turbilhão de imagens, não poderia gostar mesmo naquele momento, tempos depois me tornei fanático pela obra do uruguaio, que hoje tenho toda num lugar bem seguro da estante, sempre ao alcance da mão.


Breno Fernandes para a Muito, revista semanal do grupo A Tarde

Indicação de leitura de Pedro Salgueiro no portal Cronópios

http://www.cronopios.com.br/site/prosa.asp?id=3957

quarta-feira, 11 de maio de 2011

"Amor às Máquinas", crônica de Tércia Montenegro, para OPINIÃO de O POVO (10.5)


Conheço pessoas que amam suas máquinas. São capazes de dedicar tardes inteiras ao banho ritualístico do carro, tratam com diminutivos o computador e fazem mãos de seda para tocar no aparelho de som. É curioso, esse entendimento entre um ser vivo e um conjunto de engrenagens, mas – ainda que isso vire mote de filmes doces como Inteligência artificial – não me parece coisa natural. Justamente por não ser algo da natureza, uma máquina não me traz grande emoção.


Lógico que elas estão cada vez mais sofisticadas, e o mercado sabe estimular a súbita necessidade ou dependência que as máquinas impõem. Há modas e tendências ferozes em torno disso. Fala-se em revolução de comportamento, lavagem cerebral ou simples anseio de imitação: pouco importa a perspectiva de análise, o fato é que cada vez mais consumidores caem, fascinados pela potência da tecnologia.


Existem mesmo os que usam a aparência de suas máquinas como slogans temperamentais. Isso é típico no uso de carros, quando a escolha do modelo parece servir como anúncio do estilo do motorista – embora muitas vezes tal estilo fique só na intenção, sem corresponder à verdade. Os psicólogos saberão analisar o mecanismo compensatório que faz com que certos homens adquiram veículos gigantescos, blindados, capazes de fazer rali na Lua. Geralmente, esses carros alcançam velocidade suicida – assim como algumas motos, que esvoaçam no trânsito, faiscando em ziguezague. Não é bonito de se ver, mas há gosto para tudo... Já escutei marmanjos suspirando, ao conversar sobre as características de automóveis: falam do painel, do motor, dos assentos, como se enumerassem encantos de um corpo desejável.


Hoje em dia há quem saia com a única companhia de seu celular. O aparelho disfarça qualquer solidão: com ele, conversa-se, fotografa-se, joga-se, escreve-se... tudo em meio a jantares, sessões de cinema ou reuniões de trabalho. Chego a me sentir apiedada de gente assim, com seus parceiros eletrônicos tão parcos de sensibilidade, tão vazios de cheiro, carne e afeto real. O próprio sentimento que parece voltado à máquina nunca é estável; aquela euforia do início, com um apego exagerado aos benefícios e belezas da nova aquisição, logo desaparece. O mercado lança um exemplar diferente, ou um instrumento completamente inédito, e em pouco tempo o aparelho anterior torna-se antigo, obsoleto.


A efemeridade no relacionamento com as máquinas cria uma noção de amor volátil. Elas sempre serão substituíveis e rotativas; por mais que despertem interesses infinitos, não sabem inspirar mistérios. Podem se tornar simulacros humanos com eficiência invejável – mas mantêm um jeito asséptico, uma neutra monotonia. E, por mais que criem presença através de ruídos, luzes ou fisionomia, nunca terão a temperatura ou o fôlego de um ser vivo. Essa diferença, para mim, é decisiva. Que o mundo se virtualize até o extremo; eu continuarei preferindo a existência de árvores, bichos e gente.

Tércia Montenegro (escritora, fotógrafa e professora da UFC)

"Escritores", por Pedro Salgueiro, para O POVO (10.5)


I - Esses viventes estranhos, metidos a querer saber de quase tudo, a ser “antenas da raça”. São seres falíveis, feito quaisquer unzinhos; cheios de defeitos, pululam por aí emitindo opiniões sobre o planeta e arredores. Dariam uma enciclopédia em cem volumes todas as previsões, dicas e besteiras que proferiram pelos tempos afora.

A mim me (sic) parece serem apenas pequenos seres inofensivos, cavilosos, vaidosos, mas inofensivos. Raros escrevem algum livro que mudam uma geração, poucos lançam palavras que se sustem no vento.

Mas quão triste seria o mundo sem esses vermezinhos feitos de ira, vaidade e água.


II – Me irrito profundamente quando escuto ou leio alguém reclamando da enorme quantidade de escritores e lançamentos de livros em nossa volúvel loirinha desmazelada pelo sol (esses mesmos jamais reclamam da enorme quantidade de políticos ladrões, marginais de toda sorte, péssimos profissionais e outras mazelas mais que inundam nossa vã sociedade).

Se for escritor o reclamante, imagino logo que o sujeito quereria ser escritor sozinho e que se acha infinitivamente melhor do que os outros (o que não se confirma na maioria das vezes).

Caso seja um jornalista o criticante, vejo com piores olhos ainda, visto serem os profissionais que mais deveriam valorizar a classe dos escritores (que todos, mesmos o fazedor de horóscopo, deveriam almejar ser; e não raro são os que mais inflacionam o mercado com obras dispensáveis e medíocres).


III – Adoro lançamento e se pudesse iria a todos.

E são raras as semanas em que não vou prestigiar um amigo, um desconhecido ou até antipatizante, com minha gordita presença em sua noite de autógrafos.

Verdade que detesto discurso e apresentações, e a primeira coisa que observo num palestrante é a quantidade de páginas em suas mãos.

O resto é só festa, reencontro de amigos, rebuliço de gente, corrida atrás dos quitutes e bebidas; de gente, em sua maioria, de bem (o que não se pode afirmar de muitas reuniões sociais, clubes granfinos e convenções de partidos).

Portanto, amigos, escrevam bastante e tentem fazê-lo cada vez melhor; pois se seus escritos não ajudarem a tornar melhor o mundo, com certeza não o tornará pior.


Contato Pedro Salgueiro: pedrosalgueiro64@yahoo.com.br

terça-feira, 10 de maio de 2011

"Cauby, Cauby!", por Audifax Rios, para O POVO

Noites de inverno, ruas desertas, e na pracinha alguns vultos sisudos sob igualmente circunspectos guarda-chuvas negros a conversar à luz dos globos que haviam substituído os antigos lampiões de gás. Uma voz nova ecoava dos roufenhos alto-falantes da Amplificadora Padre Antonio Tomás apregoando ser o amor uma pérola rara, ter o fulgor de um rubi. Era uma versão que Haroldo Barbosa e Roberto Luna haviam concebido para o novo astro tornar sucesso como vinha fazendo acontecer a outras canções estrangeiras como "Innamorata" e "Blue Gardenia". Bom, sem mais suspense, essa nova estrela que surgia fulgurante na constelação da música popular brasileira chamava-se Cauby Peixoto de Barros, um fluminense nascido numa família de músicos, cujo parente mais famoso era nada menos que o tio Ciro Monteiro.


O pai, Cadete, que tocava violão, era certamente um leitor de José de Alencar. Ninguém, sem essa prerrogativa, colocaria nos filhos os nomes de Moacir e Araquém (instrumentistas) e Iracema e Andiara (cantoras). De quebra havia a mãe que arranhava o bandolim e o tio Nonô, pianista. Todos useiros e vezeiros dos palcos da Tupi do Rio, Excelsior de São Paulo e das boates Casablanca, Oásis e Arpege. Nesse meio tempo o empresário Di Veras pretendia renovar o cast da Rádio Nacional (Emilinha, Marlene, Orlando Silva, Alcides Gerardi...) e preparou o garoto Cauby nos moldes americanos, com grande aparato publicitário, visual diferenciado e muitos recursos sonoros adicionais. Uma legião de fanzocas foi posta à porta da emissora no dia da estreia, pronta para rasgar-lhe as roupas adrede pespontadas. Todo o Brasil deu resposta imediata e, desse modo, os alto-falantes da pequena cidadezinha também bradavam, a plenos potenciômetros, o amor a "Conceição" (Jair Amorim e Dunga) jurado ante o "Nono Mandamento" (Renê Bittencourt). E logo vieram os sucessos de "Prece ao amor", "Ninguém é de ninguém" e "É tão sublime o amor". Um passo para o reconhecimento lá fora. A revista Time considerou Cauby Peixoto o maior ídolo da canção brasileira e logo enviou passaporte para excursão na América.


Durante anos Cauby, agora Ron Coby, dividiu sua vida entre o Brasil e o Estados Unidos. Lá fez filme para a Warner Brothers (Lamboreé) e gravou "Maracangalha (I Go)" do Caymmi. Na Itália arrastou o grande prêmio do Festival de San Remo com "Zíngara" (R. Alberteli, versão de Nazareno de Brito). De volta ao Brasil apresentou-se, em diversas ocasiões, nos sets da querida TV Ceará, canal 2, onde fez sólida amizade com a apresentadora Neide Maia.


Ao comemorar os vinte e cinco anos de carreira, Cauby passou de intérprete a personagem. Gravou Cauby, Cauby com músicas feitas especialmente para ele por Caetano Veloso (a do título), Chico Buarque ("Bastidores"), Tom Jobim ("Oficina"), Roberto e Erasmo Carlos ("Brigas de amor") e outros. Logo depois lançou um álbum em parceria com Ângela Maria aberto com "Começaria tudo outra vez" de Gonzaguinha.


Tempos passaram e a antiga irradiadora da cidadezinha (como o circo) foi engolida por aparelhos mais sofisticados, mas é como se na pracinha molhada ainda ecoassem as vozes dos antigos astros: Nelson Gonçalves, Nora Ney, Chico Alves, Dalva de Oliveira. E Cauby Peixoto, aquela nova luz, à procura da musa, Conceição, perdida nos ainda inocentes morros cariocas.


Durante toda essa trajetória uma coisa ficou patente: o irretocável timbre de voz do cantor. Aos oitenta ainda surpreende. Ainda a gema rara e o rubi. O fulgor dos brilhantes, o ouro de lei. Como rezava a composição de Jay Livingstone e Ray Evans. Mas Conceição era uma cabrocha bem brasileira.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Lançamento: "Fragmentos: poemas e ensaios", de Carlinhos Perdigão (13.5)


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Sobre a Obra: A obra possui trinta poemas inéditos, com temas que envolvem questões sociais e amorosas, numa mistura entre o “eu poético” do autor e o mundo vivenciado. Além das poesias, há dois ensaios literários - um versando sobre as perspectivas relacionais existentes entre o livro e o filme Vidas Secas, respectivamente de Graciliano Ramos e de Nelson Pereira dos Santos, e um outro sobre o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Dentre outros textos, há também um artigo de divulgação científica que problematiza questões relacionadas à leitura - tema de permanente interesse do autor. O livro é todo perpassado por imagens que remetem à musica, com ilustrações da artista plástica Renata Holanda, formada em Belas Artes pela Universidade de Barcelona. O prefácio é do poeta pernambucano/cearense Carlos Dantas.

Sobre o Autor: Carlinhos Perdigão, ou Carlos Alberto Ferreira Junior, tem formação em Administração e Letras, com pós-graduação em Gestão Escolar. É professor de língua portuguesa do curso de Comunicação Social da Faculdade Cearense, poeta, baterista, produtor e pesquisador cultural. É aluno-mestrando do Programa de Doutoramento em Teoria da Literatura e Literatura Comparada da Universidade de Santiago de Compostela/Espanha. Na área da arte-educação, é autor de diversos projetos com circulação constante no Ceará e em outros Estados, tais como: “Seminário de Literatura Brasileira no Cinema”, “Leitores entre mil e uma leituras e textos”, “Machado de Assis: uma (re)visão a partir de seus contos, poemas e de suas crônicas”, “Literatura em Cena: a palavra na obra A Cartomante, de Machado de Assis”, “O Fantástico Literário de Murilo Rubião”, “Toque de letra: música, futebol e leitura”, “Vinícius de Moraes: 30 anos depois”, "Lima Barreto: cronista do Brasil", “Bateria Brasileira”, “Led Zeppelin-Blues: tributo a John Bonham”, “Projeto Cream: tributo a Eric Clapton”, “Poesia, Blues e Rock´n´Roll”, “Força Tropical: uma viagem lítero-musical à Tropicália”, “Meu Canto”, “Poemário Musical” e “Instrumental Blueseiro”.


Maiores informações: perdigaoferreira@hotmail.com

"Brotinhos e seus Problemas", de Lídia Noêmia Santos, Prêmio Guilherme Studart da SECULT (12.5)

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