quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Lançamento-Homenagem "Para Mamíferos/Audifax Rios" no Clube do Bode (28.10)

Lançamento
Para Mamíferos #4
Revista de literatura e artes
Homenagem a Audifax Rios (1946-2015)

Data e horário: 28 de outubro de 2017 (sábado), a partir das 14h
Local: Flórida Bar/Clube do Bode
Apresentação (microfone aberto): editores e amigos de Audifax Rios
Investimento: R$ 20,00

A revista Para Mamíferos, cuja equipe de editores deste quarto número é composta por Jesus Irajacy, Pedro Salgueiro, Fernando Siqueira, Glauco Sobreira, Poeta de Meia Tigela e Nerilson Moreira, após algum tempo de hibernação, volta a cruzar os verdes mares pasmacentos e cearenses. E volta por cima, em uma transatlântica capa do multimegaplus artista das bandas de Santana: Audifax Rios, escritor, ilustrador, pintor, cenógrafo, publicitário e o diabo a quatro que quisesse ser, pois fazia da palha um balaio.
Esta edição traz, em celebração ao seu legado e à sua vida, um breve dossiê biográfico, assinado por Raymundo Netto. Daí a escolha inevitável de trazê-lo de volta ao Clube do Bode, nas tardes caprinas de sábado do Flórida Bar, com o apoio do livreiro mais célebre da cidade, Sérgio Braga, pai de chiqueiro-mor do referido Clube.
A revista imprime também a participação de Sânzio de Azevedo, maior pesquisador da literatura produzida no Ceará, revelando os bastidores documentais sombrios da renomada Padaria Espiritual; contos de Pedro Salgueiro, Luís Marcos e Joca Reiners Terron; poemas de Pedro Henrique Saraiva Leão, Raisa Christina, Carlos Vazconcelos, Natália Maia e Alejandra Pizarnik (em tradução pelo Poeta de Meia Tigela); artigos sobre Descartes Gadelha, por Jesus Irajacy, sobre os 100 anos de Dentro do Passado, de Otacílio de Azevedo, por Raymundo Netto, e sobre a “Turma da Barão de Aracati”, por Fernando Siqueira; ensaio fotográfico de Regino Pinho, mandalas de Leontino Eugênio e, na tradicional seção “Como Você Nunca Viu”, Régis Frota.
Como vê, a revista está imperdível! Venha você também passar uma tarde saborosa com AUDIFAX RIOS, os Mamíferos e o Clube do Bode.
Divulgue e traga seus amigos. Contamos com todos.


Mais Informações sobre a revista: irajacy@yahoo.com.br



"Sobre Crônicas Absurdas de Segunda", por Rita Brígido


Mas já há um ano
que te vi.. aqui,
finalista do
Jabuti???
Meu Deus!!!
O Tempo
é um engano!!!
Já faz mesmo um ano???
Um ano que a gente
esteve bem à frente
na Literatura,
nas asas da Cultura,
vivendo 'crônicas absurdas
de segunda.'
Cegas, mudas, surdas
criaturas
para essa história de que
o prêmio não vingou!!!
Vingou, sim!!!
Para nós, vingou!!!
E vingou a todos nós!!!
Vingou-nos da
Literatura Cearense
inserida no descaso!!!
Não casou...
mas tá de caso
com o Prêmio Nacional!!!
Não seria uma crônica absurda
se, na segunda,
sim, em uma segunda chance,
o enlace seja o lance
com mais do que
um exitoso final...
e decretado, claro,
feriado estadual!!!


terça-feira, 24 de outubro de 2017

Lançamento de "Todo Dia é Dia de Sophia", quadrinhos de Sophia Bandeira e Nathália Pimentel (28.10)



Lançamento
Data e Horário: 28 de outubro de 2017, a partir das 9h
Local: Passeio Público

Sobre a obra:
Quando criança, minhas primeiras leituras, vieram em forma de quadrinhos. E sabia: todo dia era dia de quadrinhos.
Hoje, chega-me às mãos, Todo dia é dia de Sophia, uma short HQ ilustrada e quadrinizada por Nathália Pimentel, a partir de uma seleção de breves histórias baseadas nas experiências vividas e percepções de Sophia Bandeira, uma menininha, que, colecionadas pela mãe, a poeta Milena Bandeira, nos apresentam temas como família, gênero, comunicação, preconceito, desigualdade, bullying, além de pequenas frustrações e inseguranças próprias da idade, ora socializadas ao leitor de forma lúdica. Ele(a), o(a) leitor(a), surpreendentemente perceberá que, mesmo na maturidade, não poderá dizer que detém respostas precisas aos seus questionamentos, estando, como ela, diante de uma sociedade incompreensível e conflitante.
Sim, exercitando a sua forma de pensar e ver o mundo, na busca de respostas não tão simples assim, Sophia, assim como as crianças de forma geral, tem o poder da ludicidade. Tudo aparenta fazer parte de um jogo, de uma brincadeira. Por isso, a educação, que tem – ou deveria ter – o compromisso com a formação dos valores da criança, independentemente se meninos ou meninas, tem papel fundamental no uso de atividades lúdicas para a formação de seu caráter e personalidade.
Platão, em sua A República, já aconselhava a educação pelo brincar, pela busca do prazer, e não pela violência e/ou imposição, para nós, a forma mais prática e desastrosa de se fomentar um espelho dessa sociedade atual: parida, perdida e sem amor. Aristóteles, seu discípulo, também afirmava que, ao brincar, a criança entra em processo de cartase, de “purificação da alma”, por conta da relevante descarga de sentimentos e de emoções, consequência, simplesmente, da caetânica “vivência de coisas belas”. Ou seja, essa arte até nos parece ser coisa de criança, de brincadeira, mas é atividade séria que pode mudar o destino de quem se envolve com ela.
Acho que a Sophia, em sua filoSOPHIA, mais brasileira do que grega, poderia e deveria difundir seus quadrinhos na escola, aos colegas, como parte dessa brincadeira gráfica, abraçando em ciranda a sua visão de mundo, provocando os colegas e os pais delas, porque o pensar não tem partido, mas é, sem dúvida, um desafio. Repetir modelos impostos, pensamentos cristalizados, sim, é o caminho mais curto para a desigualdade, a injustiça e o individualismo. Quisera fôssemos eternamente crianças.
Parabéns Sophia, Milena, Khalil e Natália por esta obra.

Raymundo Netto





segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Rádio AlmanaCULTURA: "Depois", de Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Antônio Carlos



Para ouvir a música e assistir ao vídeo:



Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos,
De um futuro pra nós,
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais.
Quero que você seja feliz.
Hei de ser feliz também.

Depois de varar madrugada,
Esperando por nada,
De arrastar-me no chão,
Em vão,
Tu viraste-me as costas.
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar.
Quero que você seja melhor.
Hei de ser melhor também.

Nós dois
Já tivemos momentos,
Mas passou nosso tempo,
Não podemos negar:
Foi bom.
Nós fizemos história
Pra ficar na memória
E nos acompanhar.
Quero que você viva sem mim.
Eu vou conseguir também.

Depois de aceitarmos os fatos,
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém.
Meu bem,
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém.
Quero que você seja feliz.
Hei de ser feliz também.
Depois...


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

"Criança: o ontem e o hoje", de João Soares Neto


“A mim me salvaram as crianças. De tanto escrever para elas, simplifiquei-me”.
Monteiro Lobato
Era uma vez um menino nascido ao meio-dia de uma sexta-feira. O mundo estava em guerra. Não por tal razão chorava. Havia saído a fórceps do útero de mãe primípara, por obra e graça de parteira diplomada. Seu pai só tinha 20 anos, era ciumento e não deixou a jovem mulher ser assistida por médico. Paparicado por jovens tias maternas, pois o casal estava com pressa de povoar o mundo. Depois dele, não veio o dilúvio, mas oito crianças.
Uma das tias sugeriu e os seus pais aceitaram, iniciá-lo, aos quatro anos, nos estudos em escola experimental americana. Ia só. Quem o acompanhava, ficava longe. Infelizmente, durou pouco. Matricularam-no em ginásio formal. Um dia, não lembra a razão, foi o último a sair do recreio para a sala de aula. De repente, o diretor puxou-lhe a orelha, ralhando. Conseguiu um telefone do próprio ginásio e ligou para o pai contando o fato. Disse: não estudaria mais ali. Dito e feito.
Dezenas de anos passados, ele, já com netos em idade escolar, tenta aproximação de formas diferentes. Meio sem jeito, desde o tempo de pai. Criara (seria o prenúncio de um ficcionista?), dois personagens, a Rosinha e o Paulinho, crianças-exemplos. As filhas procuravam conhecê-los. Ele driblava com evasivas: moram um pouco distante daqui, viajaram, estão de férias etc. Rosinha e Paulinho eram bons filhos, estudiosos e serviram de modelo invisível para as ainda crédulas filhotas.
Agora, conta um pouco do “seu-sem-jeito” como avô. Há anos combinou com uma filha: levaria as crianças dela para a escola. Tentava maior aproximação. Entravam no carro ainda bocejando. Ele, o avô, colocara no toca CD músicas infantis e ia, desafinando, solfejando com eles. A festa durou pouco mais de uma semana. Um dia, perguntou se fazia diferença ir apanhá-los manhã cedo ou outra pessoa servia. Triste, ouviu: tanto faz.
Domingo desses, combinou com outra filha, ir apanhar o seu primogênito para levá-lo a uma feira de numismática. O neto, rosto cheio de protetor solar e saco com lata de moedas repetidas. Sentados no banco da frente, cintos de segurança atados, foram conversando ao Parque da Liberdade, no Centro, a “Cidade das Crianças”, concepção pedagógica da professora Zilda Martins Rodrigues.
Lá, pessoas maduras fazem o escambo e a venda de moedas. Sentou-se em uma banca. O neto, em outra. Fez as suas barganhas e, ao final, o neto queria vender, a qualquer preço, as moedas repetidas. Arrazoou: você não está precisando de dinheiro. Comprou novas moedas para o neto, inclusive, cédula de dólar com a cara do Mickey, só circulante no mundo da fantasia e no dos numismatas.
Depois, foram almoçar. Antes, o neto pediu para tomar sorvete. Concordou, claro. Do almoço provou pouco, mas bebeu duas latas do excêntrico guaraná Jesus, hoje marca da Coca-Cola. Mais um sorvete e tomou o caminho de volta. Papos, risos e abraços. Ficaram combinados, voltariam à feira.


sábado, 7 de outubro de 2017

"Laika: Caroço Sputnik", de Raymundo Netto para O POVO


Há 60 anos, em 4 de outubro, na onda de Guerra Fria, o satélite soviético Sputnik I marcaria o início da corrida espacial, deixando a potência estadunidense impotente diante da incalculada e atroz humilhação. Não bastasse, um mês depois, novamente a U.R.S.S. promoveria o cazaque lançamento ao espaço de um novo satélite, o Sputnik II. A novidade maior seria que a bordo deste estaria acomodado o primeiro ser vivo a orbitar a Terra. Para o orgulho feminino, e por um restritivo detalhe anatômico, o ser não seria “ele”, mas “ela”, a cadela Laika, de apenas 3 anos. Ou seja, ela não falava, porém, já latia.
Na época, dada como morta em circunstâncias que iriam além das divisas atmosféricas e, portanto, da jurisprudência mundial, o destino da heroína e mártir socialista se tornou motivo de diversas conjecturas e teorias. Eu, no entanto, não acredito em nenhuma delas e explico por que.
Há alguns anos, fotografando as ruínas ferruginosas do mercado da carne da Aerolândia – hoje completamente restaurado –, assisti a uma cena insólita: parecia um cão descendo de paraquedas. Seria possível? Seguindo meu instinto de jornalista diplomado em Ministério, corri até a base aérea para saber o que era aquilo.
No descampado, o vi sobre as patas, mangas arregaçadas, a recolher as longas linhas de náilon e o velame. Apresentou-se: era ela mesma, a Laika, em pessoa... ou melhor, em cachorro. Incrível. E todos pensando que ela, há tempos, teria virado “hot dog”!
Latindo fluentemente em português, não demorou a demonstrar a garganta seca e a perguntar, numa sinceridade quase gentílica, “onde poderia encontrar wodka”. Ofereci-me a levá-la ao Benfica. Não bebo. Então, quando me pedem por álcool, ou levo para a farmácia ou ao Benfica.
No caminho, por meio de fórmulas complicadas, que fingi entender para não parecer mais burro, a pequena vira-lata – insistia na tese de que pertencia a uma linhagem pouco convencional de husky siberiano, mas... – me explicava: devido ao tempo relativo, ela, que, teoricamente, deveria ter mais de 60 anos, gozava de uma jovialidade impressionante. Falou também existir uma Sociedade Sideral Protetora de Animais e que foram alguns de seus integrantes que a mantiveram viva quando a equipe russa a largou de mão... Ouvindo tudo aquilo, eu que desconfiava, agora tinha a absoluta certeza: “as vodcas do Benfica não prestam!”
Contou-me mais. Com tempo de sobra, além de encher o bucho com gelatina russa, leu de trás para frente obras de  Фёдор Миха́йлович Достое́вский e de Анто́н Па́влович Че́хов, “gênios”, sendo agora também uma contista: “Aliás, a nossa literatura é a melhor do mundo”. Pior é que é: Gogol, Tólstoi, Pushkin, Maiakoviski...       
Assim, escreveu também diversos livros. Algumas teriam feito bruto sucesso em Fobos, uma das luas de Marte, que, historicamente, vivia em conflito com o planeta vermelho.
Nostálgica, a cãosmonauta falava de seu exílio, da saudade das noites de lua em Moscou, da boêmia em São Petersburgo, até chegar às alucinações da experiência da proximidade com a morte e do seu encontro com Deus, num arrependimento legítimo de um Raskólnikov: Estive, praticamente, nos braços Dele, mais do que qualquer outro ser... mais até do que o Papa!”
Diante de outras divagações e da tediosa mansidão canina, que percebia ir mais longe do que se foi, arrisquei a obviedade: “Desculpe-me, Kaka, mas a pergunta é inevitável: a Terra é mesmo azul?”
Sorrindo com graça e humildade, lambeu o dorso de minha mão e perguntou: “Ora, Raymundo, você esquece que os cães enxergam em preto e branco?”


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

LANÇAMENTO DUPLO: Documentário "História das HQs no Ceará" e "Antologia HQ", no Cine Dragão do Mar (28.9)


Lançamento DUPLO e IMPERDÍVEL:

Documentário História das HQs no Ceará (1h25min)
e
Antologia HQ (com DVD encartado), das Edições Demócrito Rocha

Data: 28 de setembro de 2017 (quinta-feira)  
(Dia Estadual dos Quadrinhos no Ceará)
Horário: 19h30

Sobre o documentário:
História das HQs no Ceará é um registro inédito, em longa-metragem, da história das histórias em quadrinhos no estado do Ceará, destacando os nossos principais nomes, mesmo aqueles esquecidos, além de uma exposição contextualizada dos movimentos e conquistas do segmento de quadrinhos até os dias atuais. O documentário, que tem a coordenação, pesquisa e roteiro de Raymundo Netto e a direção de Roberto Santos, conta com a participação de Ricardo Jorge (Oficina de Quadrinhos da UFC), Daniel Brandão, J.J. Marreiro, Fernando Lima, Weaver Lima, Walber Feijó, Nirez, Gledson Ribeiro, Solange Arrais, Mino, Paulo Amoreira, Eduardo Silva, Denilson Albano, Guabiras, Silvyo Amarante, Débora Santos, Fernando França, Raymundo Netto, Pedro PJ Brandão, Klévisson Viana, Lupin, Max Krichanã, Brendda Lima, Dharilya, Gleidson Lessa, João Gabriel, Victor Alencar, Sirlanney, Débora Silva, Miguel Silva, Pedro Lins, Heitor Ximenes, Janaína Esmeraldo e Renato Roseno (autor da Lei de criação do Dia Estadual dos Quadrinhos no Ceará). Você precisa conhecer essa história!
Ficha Técnica:
Coordenação Geral Raymundo Netto | Produção Executiva Roberto Santos | Pesquisa e Roteiro Raymundo Netto | Projeto Gráfico Amaurício Cortez | Produção Sabrina Ximenes | Motion Graphics Gerson Rodrigues | Montagem Gerson Rodrigues, Leandro Kemps e Rui Ferreira | Finalização Leandro Kemps e Marcílio Mendonça | Narração Marquinhos Vinil | Câmera Antônio Willcefer | Assistente Robson Melo | Direção Roberto Santos

Sobre a Antologia HQ:
A Antologia HQ, organizada por Daniel Brandão, é parte integrante do projeto HQ Ceará, da Fundação Demócrito Rocha com a Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (SecultFOR), composta por quadrinhos de diversos estilos e motivos produzidos por 32 artistas: Fernando Lima, Jean Sinclair, JJ Marreiro, Pedro PJ Brandão, Brendda Lima, Deleon Stu, Alex Lei, Dharilya, João Belo Jr, Heron, Karlson Gracie, Luís Carlos Sousa, Nath Garcia, Marcus Rosado, Rafael Dantas, Sirlanney, Cristiano Lopez, Denilson Albano, Guabiras, Lene, Lincoln Souza, Lucas Pascoal, Mano Araújo, Robério Leandro, Rodrigo Matos, Thyago Cabral, Walber Feijó, Daniel Brandão, Júlia Pinto, Lucas Rebelo, Ramon Cavalcante, Rod Mendez e Weaver.
Em 2017, a Antologia foi finalista em 2 categorias na 29º Troféu HQ Mix.
A obra será relançada juntamente com o lançamento do documentário e com a presença de boa parte dos seus autores.
Quem adquirir a Antologia HQ receberá, encartado, o DVD com o documentário História das HQs no Ceará, e poderá solicitar dos autores o autógrafo.
Ficha Técnica:
Coordenação Geral Raymundo Netto | Organização Daniel Brandão | Editora Executiva Regina Ribeiro | Editor Adjunto Raymundo Netto | Editor Assistente Humberto Pinheiro| Editor de Design Amaurício Cortez | Catalogação na Fonte Kelly Pereira | Revisão Tatiana Pavarino

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Vamos comemorar juntos o Dia Estadual dos Quadrinhos do Ceará


sábado, 16 de setembro de 2017

"Amor para Toda uma Vida", crônica de Raymundo Netto para O POVO


“Não e Não! Nem viesse! Só se entregaria ali com a garantia de casar no papel!”
Ela, enconchada em uma cama de motel – visão digna de Boticelli –, cobria o pelo com lençol branco e higienizado quando lançou no ar de espelhos o bombástico decreto.
O namorado, ainda que surpreso, não se abalou. Levantou-se rapidamente, descartou de um cardápio de cabeceira uma folha de papel e lançou-a no carpete com a delicadeza quase solene de um Romeu. Daí, extraiu a moça dos lençóis ainda frios para juntos se postarem nus por sobre aquele mísero espaço A4 de vida e anunciou: “Se é assim, pronto: agora estamos casados no papel!” Ela enlouqueceu. Ele enlouqueceu com ela. E era tanta loucura que se podia prever dali uma demência eterna, sem precedentes na desumana história da humanidade, desde que Adão atentou contra a maçã da Eva.
Porém, tempos depois, quem os visse, assim durante o dia, diria que eram de uma incompatibilidade medonha: o leite e a manga, a chuva e a fogueira, a fome e a dor de barriga! Não concordavam absolutamente em nada. O casal parecia compartilhar de um amor quase danação, a devorar o ânimo um do outro numa gula feroz de quem ataca um prato de brigadeiro.
Para piorar, além da sociedade conjugal, determinaram a profissional, o que os mantinham 24 horas numa rinha penosa e inclemente.
Nas reuniões de trabalho, poderiam estar diante de dezenas de pessoas, funcionários, fornecedores, clientes e, no entanto, parecia que estavam sempre a sós, na intimidade de seus bate-bocas. O volume da voz de um excedia à do outro com uma segurança de um tenor. Não se viam em beijos, mas a troca de salivas era uma constante.
Com os filhos não era diferente. Discordavam de tudo quanto, perturbando-lhes o juízo e as epífises. Na escola, eram vistos como sonolentos, apáticos, dispostos apenas a não aprender nada que lhes fosse ensinado.
Os casais de amigos, aos poucos, constrangidos com a companhia desvairada do casal, distanciaram-se. De positivo mesmo, é que qualquer casal que conseguisse conviver ao seu lado, mesmo os mais desapaixonados, logo se sentiam em lua de mel. Diante deles, até a sangrenta Batalha de Stalingrado parecia brincadeira de carimba!
E nos aniversários? Despertavam aos beijos de hálito adormecido, como em trégua, mas logo um queria impor ao outro como se daria tal comemoração: “Aniversariante não tem opinião!” Dali, a promoção, talvez, do mais humilhante dia de suas vidas, o desdém a cada detalhe, além de o bolo sempre trazer o sabor preferido do patrocinador da vez.
E por aqui poderíamos encerrar esse enredo que justifica ser o matrimônio a maior causa do divórcio, não fosse sabermos que, à noite, naquela casa, era enlouquecedora a tentativa de dormir dos filhos, criados, visitas e até de vizinhos, mediante a violência de balidos e súplicas, de pregões de feira a dança de tamancos, a eclodir daquele aposento nupcial, a esgotar-se apenas no raiar da manhã, entre heréticas faíscas que se espremiam entre as brechas das portas e janelas, revelando o mais autêntico, escandaloso e nunca-acabável amor.




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

"Crônicas Absurdas de Segunda" no clube Pacote de Textos de setembro



Fotos: Marília Lovatel, escritora e assinante do clube Pacote de Textos

Pacote de Textos
Um pacote. Uma surpresa.

O clube de assinatura de livros Pacote de Textos, do escritor e empreendedor cultural Rafael Caneca, traz, na edição de setembro, Crônicas Absurdas de Segunda, obra de Raymundo Netto, vencedora do Edital de Incentivo às Artes da Secult (2014) e finalista do Prêmio Jabuti (2016).
No Pacote de Textos, a 2ª edição do livro (232 páginas) que, em sua maioria, é uma seleção de textos do autor publicados entre 2007 e 2010 no caderno “Vida & Arte” do jornal O POVO. Neles, Netto visita e apresenta a cidade, a reconhece e a provoca por meio da fala (e dos sentimentos) de seus escritores, principalmente os cronistas, contemporâneos ou não, que encontra em bancos de praça, nos ônibus, em parques, nas casas mutiladas, cemitérios ou em meio a desastres e hecatombes de proporções aparentemente absurdas.
A obra traz ilustrações de Valber Benevides, além da apresentação de Ana Miranda, introdução de Sânzio de Azevedo e posfácio de Pedro Salgueiro.
Os associados ao clube de assinaturas, além do livro, recebem um marcador de página customizado, uma carta personalizada e, eventualmente, um brinde da época.
Já protagonizaram o Pacote... em edições anteriores: Franz Kafka, Clarice Lispector, Fiódor Dostoiévski, Socorro Acioli, João Ubaldo Ribeiro, Walter Hugo Mãe, Milan Kundera, Julian Barnes, Júlio Cortázar, Lima Barreto, entre outros.
Saiba mais sobre o clube Pacote de Textos. Seja um associado:
pacotedetextos.wordpress.com
https://www.facebook.com/pacotedetextos/

sábado, 2 de setembro de 2017

TROFÉU HQ MIX 2017: Curso Básico de Histórias em Quadrinhos da FDR


No dia 6 de agosto de 2016, meu fiel depositário AlmanaCULTURA anunciava: “É isso aí, Galera. A Fundação Demócrito Rocha, em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (SecultFOR), reuniu, pela primeira vez no Universo paralelo do Siará Grande, a Liga dos Quadrinistas Cearenses. E, por meio de um curso livre A DISTÂNCIA, e GRATUITO, aberto a TODO BRASIL, distribuiu o que aprendeu em 12 fascículos e 12 videoaulas e transformou tudo nesse Curso Básico de Histórias em Quadrinhos (12 fascículos + 12 videoaulas) para fãs, leitores e quadrinistas. [...] Toda hora é hora para aprender mais sobre essa apaixonante arte que é fazer quadrinhos.
Saiba mais sobre as outras ações (cursos e oficinas presenciais, palestras, lançamento, documentário, shows e muito mais) do projeto HQ Ceará, se inscrevendo e se ligando no Canal Especial. Ao infinito e além! #partiuHQ”
Hoje, 1 anos depois, com muita alegria recebemos a informação de que aquele tal Curso Básico de Histórias em Quadrinhos, o primeiro em sua modalidade realizado no país, receberá o Troféu HQMIX, maior premiação da América Latina para o segmento, categoria “Grande Contribuição aos Quadrinhos”, dia 17 de setembro, no SESC Pompeia de São Paulo.
Passamos por aqui para dividir com toda a equipe de direção e produção (nos bastidores temos muitos a quem agradecer: equipe da Uane, da produção, marketing, diretoria, divulgação etc.) e a todos os autores, desenhistas, ilustradores, leitores e, em especial, a todos os 6.188 inscritos (jovens padawans de todas as idades ou mesmo os remanescentes da Velha Guarda Sith) no curso de todos os estados brasileiros (menos no Acre), que embarcaram na nave estelar USS Curso, acompanharam seus fascículos e videoaulas, o Ambiente Virtual de Aprendizagem e fizeram a prova final.
Agradecer igualmente à Comissão Organizadora e Julgadora do 29º Troféu HQMIX, representada aqui por José Alberto Lovetro (Jal) e João Gualberto Costa (Gual), além de todos que ajudaram na divulgação do projeto.
Dizer também que abriremos em breve nova turma deste mesmo curso, além de outras novidades e dobras espaciais que, não demora, saberemos e cruzaremos anos-luz por aqui.

E que a força esteja sempre conosco!


Troféu HQMIX edição 2017 (29ª)