sábado, 12 de novembro de 2016

"I Diálogos com o Feminino", GRATUITO e IMPERDÍVEL (17 a 19 de novembro)


Clique na imagem para ampliar!

I Diálogos com o Feminino*,
da Sociedade Cearense de Ginecologia e Obstetrícia (Socego)
Programação GRATUITA e sem necessidade de INSCRIÇÃO!
Data: 17 a 19 de novembro de 2016
Local: Faculdade de Medicina Christus – Sala 5
(rua João Adolfo Gurgel, 133, Cocó)
Mais Informações: (85) 4011.1575
Programação COMPLETA

(*) O I Diálogos com o Feminino integra a programação do XXIX Congresso Nordestino de Ginecologia e Obstetrícia e IV Congresso Cearense de Ginecologia e Obstetrícia, sendo aberto e gratuito a tod@s @s interessad@s.

Exposições Fotográficas Permanentes (17 a 19 de novembro):
·         “Florescer”, de Roberta Martins, um olhar artístico sobre o parto humanizado.
·         “Sereias”, de Fernanda Oliveira, o universo das mulheres trabalhadoras do mar.
17/11 – Quinta (Sala 5)
14 às 16h:
Cine-Materno: “O Começo da Vida” – com análise ecomentários de Bernadete Porto (pedagoga e professora da UFC) e Álvaro Leite (médico e professor da UFC). O Começo da Vida é um filme de Estela Renner.
SINOPSE: Uma análise aprofundada e um retrato apaixonado sobre os primeiros mil dias de um recém-nascido, o verdadeiro começo da vida de um ser humano, tempo considerado crucial pós-nascimento para o desenvolvimento saudável da criança, tanto na infância quanto na vida adulta, onde os pais precisam ter o maior cuidado, amor e carinho possível. O filme nos convida a refletir juntos, enquanto sociedade: será que estamos cuidando bem deste momento único da vida que determina tanto o presente quanto o futuro da humanidade?
16 às 17h:
Atividade Banco de Cordão Umbilical (BCU)
Diálogo sobre aleitamento materno –Thalita Cavalcante (enfermeira)
Coleta de cordão umbilical – Fabrício Martins(médico)
Mesa Redonda: “Redes Sociais e o universo do parto humanizado” – como debatedoras: Monique Lima(doula, fisioterapeuta, PHC), Krys Rodrigues (doula, psicóloga, PHC), Roberta Martins (doula e fotógrafa de partos, autora da exposição “Florescer”, em cartaz durante o Congresso) e Emily Gama (videomaker de partos).
18/11 – Sexta (Sala 5)
8 às 11h:
Sessão Pública do Comitê de Mortalidade Materna do Estado do Ceará
(1) apresentação do último boletim epidemiológico das mortes fetais, maternas e infantis do estado do Ceará; (2) apresentação do consolidado trimestral das macrorregionais.
11 às 12h:
Roda de diálogo sobre a feminização da infecção por HIV – como debatedoras: Iolanda Santos (assistente social, educadora, facilitadora de grupos, profissional da área de saúde pública com foco na prevenção DST/Aids/HIV, gênero, saúde sexual e reprodutiva e prevenção de violência) eKitah Soares (filósofa, astróloga, psicopedagoga, educadora e facilitadora de grupos).
14 às 16h:
Filme-provocação: “Olmo e a Gaivota” – com análise ecomentários de Beatriz Furtado, professora do curso de Cinema da UFC. Olmo e a Gaivota é o premiado filme de Petra Costa e Serge Nicolai.
SINOPSE: Uma travessia pelo labirinto da mente de uma mulher, O Olmo e a Gaivota conta a história de Olivia, atriz que se prepara para encenar A Gaivota, de Tchekov. Quando o espetáculo começa a tomar forma, Olivia e seu companheiro Serge, que se conheceram no Théâtre du Soleil, descobrem que ela está grávida.
16 às 17h:
Bate-Papo e Lançamento: “O Instante-Quase” – com participação de Juliana Diniz, autora do livro de contos O Instante-Quase (editora 7 Letras), professora do curso de Direito da UFC e mãe de gêmeos.
SINOPSE da Obra: Doze nomes, doze mulheres, doze histórias: a prosa certeira de Juliana Diniz nos envolve a cada conto de O instante-quase, revelando um olhar feminino ao mesmo tempo múltiplo e singular, pelas lentes de cada uma de suas protagonistas. Com amplo domínio da língua e das técnicas narrativas, Juliana é uma autora estreante que escreve como veterana – alternando o foco entre narrador e personagem, valendo-se de cartas, diálogos ou confissões para expor variados pontos de vista, e sempre conduzindo com maestria o leitor até a conclusão, muitas vezes inesperada (da Editora).
O livro estará disponível para venda e autógrafos no local.
17 às 19h:
Mesa Redonda: “Ser mulher na cidade” – como debatedoras: Silvania de Deus (designer de moda e coordenadora do grupo de artesãs que confeccionou a bolsa adotada para o Congresso), Fernanda Oliveira (professora de fotografia, autora da exposição fotográfica “Sereias”, em cartaz durante o Congresso), Jamile Menezes (estudante de medicina, em relato sobre sua experiência do ser mulher no curso) e Valéria Pinheiro (planejadora urbana, pesquisadora e militante do direito à cidade).
19/11 – Sábado (Sala 5)
8 às 10h:
Filme-provocação: “No Limite do Silêncio” – comanálise e comentários de Priscila Campos, fundadora e psicóloga na empresa CASULO (Centro de Apoio ao Sujeito no Luto). No Limite do Silêncio, de Tom McLoughlin.
SINOPSE: Psiquiatra fica arrasado quando seu filho adolescente se suicida, fato que provoca a sua separação. Três anos depois, ele não mais consulta, até ser provocado a acompanhar um caso que o surpreende e pode mudar o rumo de sua vida e profissão. Uma travessia de contornos complexos e psicológicos.
10 às 12h:
Mesa Redonda: “As mulheres, a depressão e a prevenção do suicídio” – Projeção do filme "Elena", de Petra Costa – como debatedoras: Priscila Campos(psicóloga), Mirela Hipólito (psicanalista, professora do curso de Psicologia da Unichristus), um(a) representante do Centro de Valorização da Vida (CVV) e um(a) representante do Projeto de Apoio a Vida (Pravida).
19/11 – Sábado (Auditório principal) - programação paralela à Sala 5, excepcionalmente no Auditório, juntamente com os demais participantes do Congresso Nordestino de Ginecologia e Obstetrícia.
8h – 8h40: Conferência: “Os direitos humanos das mulheres” - com Marinina Gruska.
8h40 – 9h30: Conferência Magna: “Os médicos não temem o sangue, por que temem falar de sexo?” - com Ricardo Cavalcanti.
10h – 10h30: Conferência: “Gênero, saúde e cidadania” - com Aline Veras Brilhante.
10h30 – 12h: Fórum: “Enfrentamento à Violência contra a mulher” - Organização da rede de assistência à mulher vítima de violência nos serviços de saúde (Léa Dias) | Violência obstétrica (Liduina Rocha) | Bioética e assistência obstétrica (Humberto Chaves)

Promoção e Realização
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)
Associação Cearense de Ginecologia e Obstetrícia 

Apoio
Cooperativas de Ginecologistas e Obstetras do Ceará

Unichristus: Centro Universitário Christus



sexta-feira, 11 de novembro de 2016

"Crônicas Absurdas de Segunda", agora em formato e-book, pela AMAZON


Crônicas Absurdas de Segunda, de Raymundo Netto, obra finalista do Prêmio Jabuti 2016, categoria Contos e Crônicas, agora em formato e-book!
Quem não conhece o livro, ganhador do Edital de Incentivo às Artes da Secult 2014 e finalista do Prêmio Jabuti 2016, poderá visualizá-lo em parte (degustação) no site do Prêmio Jabuti.
Quem já for cliente da Amazon, ou seja, que já tenha efetuado qualquer compra, poderá inclusive deixar a SUA AVALIAÇÃO do livro, servindo de indicação para futuros leitores.
Quem gostar de ler livros em formato e-book e não conhecer o Crônicas Absurdas de Segunda, ou mesmo aqueles que o tiverem em formato físico, mas assim mesmo o quiserem em sua biblioteca eletrônica, poderá adquiri-lo baratinho (oferta por tempo limitado) no site da Amazon.
Confira. Compartilhe. Acesse:

Crônicas Absurdas de Segunda (Ficha Técnica)
Autor: Raymundo Netto
Ilustrações: Valber Benevides
Prefácio, introdução e posfácio (respectivamente): Ana Miranda, Sânzio de Azevedo e Pedro Salgueiro
Preparação de texto: Natercia Rocha
Revisão: Miguel Leocádio Araújo
Projeto Gráfico: Dhara Sena e Raymundo Netto
Editora: Edições Demócrito Rocha
Contato com o autor: raymundo.netto@gmail.com

Participação especialíssima de: Rachel de Queiroz, Pedro Salgueiro, José de Alencar, Oswald Barroso, Nirez, Marciano Lopes, Estrigas, Nice Firmeza, Christiano Câmara, Douvina Câmara, Zenilo Almada, Liberal de Castro, Bode Yoyô, Quintino Cunha, Raimundo de Menezes, Airton Monte, Moreira Campos, Eduardo Campos, Carlos Câmara, Haroldo e Hiramisa Serra (Comédia Cearense), Ramos Cotoco, Túlio Monteiro, Adriano Espínola, Ribamar Lopes, Rouxinol do Rinaré, Klévisson Viana, Arievaldo Viana, Jorge Pieiro, Movimento Proparque, Milton Dias, José Pereira da Luz, José Alcides Pinto, Francisco Carvalho, Ana Miranda, Gragório de Matos, Augusto dos Anjos, Gonçalves Dias, Clarice Lispector, Tércia Montenegro, Marlui Miranda, Ciro Colares, Audifax Rios, Dedé de Castro, Dimas Macedo, Mário Gomes, Augusto Pontes, Clóvis Beviláqua, Ary Sherlock, Poeta de Meia Tigela, Juca Fontenelle, Lívio Barreto, Maria Ximenes, Demócrito Rocha/Antônio Garrido, Lúcia Dummar, Adísia Sá, Antônio Sales, Carlos Nóbrega, Carlos Vazconcelos, Astolfo Lima Sandy, Socorro Acioli, Horácio Dídimo, Lustosa da Costa, Major Facundo, Marcelo Bittencourt, Moacir C. Lopes, Narcélio Limaverde, Nilto Maciel e os 100 poetas que choveram em 2007.


sábado, 5 de novembro de 2016

Pois hoje é sábado: "While My Guitar Gently Weeps"



O engraçado é que, no instante em que nós escrevemos,
nos é possível ver as coisas assim...
CONFIRA ao som dos Beatles:


"Hoje eu só Quero Falar de Passarinhos...", de Raymundo Netto para O POVO


Zenaide, em registro de sua Primeira Comunhão

Dizia Drummond: “Fosse eu Rei do Mundo,/ baixava uma lei:/Mãe não morre nunca”, mas como sou apenas um Raymundo, cuja lei se limita à desconfiança de todas as leis, à busca da impossível liberdade (inclusive das coisas materiais que não preenchem o espírito) e à aventura de assistir e colorir pensamentos e humanidades, o que posso fazer é continuar celebrando a vida que acontece. E, exatamente no dia destinado àqueles que se foram, ela, essa mãe, parte ao seu encontro marcado. Do peito, o suspiro anônimo de profundo consentimento e, de repente não mais que de repente, do silêncio se fez e se faz um poema.
No horizonte, me germinam as memórias queridas, os momentos singulares e imorredouros de uma vida tomada pelas rédeas da coragem, determinação e abundante amor. Eu acredito não haver um só momento em minha vida em que ela estivesse ausente, pois habita inapelavelmente no que sou, de forma que me são tomados os ouvidos, mesmo agora, pela voz de suas palavras, e, nas angústias, pela sua tácita companhia.
Seguindo o coração diligente, foi mãe de seus irmãos, depois de seus alunos, antes de ser mãe de seus seis filhos, e também antes de assumir a maternidade de outras centenas de pessoas que buscavam seu amparo em momentos de aflição, de dor, de desespero. Uma mulher que não dá chance a queixumes e cuja a vida é breve num “cuidar que se ganha em se perder”.
Em seu consultório, montado em casa, atendia seus pacientes com alegria, num sorriso que abraçava. Enquanto enrolava o algodão na pinça, contava histórias, tomava conhecimento dos dramas pessoais, aconselhava, orava ou cantarolava alguma canção feliz – para desviar os maus pensamentos, dispersar energias negativas ou o cansaço.
Ao vê-la repousar distraída no leito frio, envolta em luminoso adorno de pétalas brancas, uma lembrança me seduziu: era uma almoço na casa de minha avó, sua mãe. Um dos últimos. Na sala pequena, tomada pelos dez filhos, esposos e esposas, uma música antiga vibrava no ar. Um dos filhos tomou de abraço a vó Zilma, já bem velhinha e por vezes até apática, e dançou com ela. Os demais filhos passaram a revezar-se na dança. Quando minha mãe assumiu a sua vez, minha avó levantou os olhos acinzentados e repartiu um sorriso. Difícil mensurar o quanto de vida havia nele. Quantas histórias de amor e de compartilhamento ele continha. Estava ali a sua despedida e a sua gratidão. Mãe e filha, em um instante de milagre, entendendo por “milagre” a mais sublime e sincera expressão de doação e renúncia que se pode esperar na Terra.
Sim, eu sei que a saudade, como canta Manuel de Barros, “não precisa do fim para chegar”, e vai doer, mas vai doer diferente, como a música que nos embala uma distância sem volta e nos tira do mundo “que gira depressa” num ensejo gratuito de paz e de recordações.
Hoje, estou feliz, minha mãe saiu da “gaiola”: é livre! E na certeza de que os poetas, como aqueles que amam, “podem ver na escuridão”, trarei comigo a dona Zenaide, com toda a gratidão desse encontro maior do que o mundo: “Uma passarinha me ensinou uma canção feliz e quando solitário estou, mais triste do que sempre sou, recordo que o ela me ensinou.” Nunca adeus!


 Quer conhecer mais a dona Zena, saber de algumas de suas histórias? Acesse o link a seguir. Crônica do jornal O POVO em 2011: “Mãe Zena”: 
http://raymundo-netto.blogspot.com.br/2011/10/quando-o-amor-e-de-graca-vi-mae-zena.html


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

"Só dois livros de crônicas na final do Jabuti", de Henrique Fendrich para a "Rubem" (22.10)


Ano após ano, é a mesma história: o Prêmio Jabuti reúne, inexplicavelmente, Contos e Crônicas em uma única categoria e o resultado é uma enxurrada de livros de contos na final e um ou outro livro de crônica – normalmente do Verissimo, porque, este, nem o Jabuti consegue ignorar.
Assim, entre os finalistas da malfadada categoria neste ano de 2016 está lá As mentiras que as mulheres contam (Objetiva), a mais recente antologia de crônicas de Luis Fernando Verissimo.
A boa notícia é que, a despeito da teimosia da Câmara Brasileira do Livro em misturar gêneros, outro cronista conseguiu passar pelo crivo dos juízes e foi para final: o cearense Raymundo Netto. Podemos até dizer que houve um aumento de 100% dos cronistas na final, já que em 2015 só Humberto Werneck estava lá. Passamos de 1 para 2. Alvíssaras.

Crônicas absurdas
O feito de Raymundo Netto foi conseguido com o livro Crônicas absurdas de segunda (Edições Demócrito Rocha), seleção de textos publicados entre 2007 e 2010 no jornal O POVO, de Fortaleza. Essas crônicas são “absurdas” porque a proposta do autor foi promover encontros fictícios com escritores e os botar para falar sobre Fortaleza. Raymundo se valeu da intertextualidade, tentando captar voz, trejeitos e pensamentos de cada escritor para colocar em cada crônica.


Foto: Tatiana Fortes para O POVO

Assim é que participam dessas crônicas personagens como Rachel de Queiroz, José de Alencar, Milton Dias, Clarice Lispector, Gonçalves Dias, Gregório de Matos, Airton Monte, Ana Miranda, Quintino Cunha, entre outros, vários deles locais.
Trata-se, portanto, de uma proposta criativa, que rendeu unidade ao conteúdo do livro, e que, ao envolver também nomes conhecidos da literatura, conseguiu comover os jurados do Jabuti, que o deixaram entrar na final, não obstante ser um livro de crônicas.
Agora é esperar o resultado, que sai no dia 24 de novembro, para ver quem sairá prejudicado dessa vez, se os cronistas, como de hábito, ou os contistas que não terão um livro do seu gênero contemplado. Afinal, apesar de tudo, a cada cinco ou seis anos o vencedor é, contra todas as expectativas, um desses escassos livros de crônicas que passam para a final.
É verdade que o jabuti não é mesmo dos animais mais rápidos, mas já está mais do que na hora de criar categorias distintas para gêneros distintos, não é mesmo?

Henrique Fendrich
para a Rubem: revista da crônica – notícias, entrevistas, resenhas e textos feitos ao rés-do-chão

https://rubem.wordpress.com/2016/10/22/so-dois-livros-de-cronicas-na-final-do-jabuti/


sábado, 15 de outubro de 2016

"O Pequeno Príncipe ou 'Aquele que é Desejado'", de Raymundo Netto para O POVO (15/10)


O mundo é um bocado de surpresas. Aquela gripe repentina, a loteria às pressas que se ganha, a promessa de aumento quase esquecida, a demissão por corte de pessoal, o encontro com aquela que pode ser o grande amor de sua vida, a despedida ou a traição de alguém que se ama, o incêndio a configurar tragédia a um acontecimento de mudar para sempre o seu destino. Podemos esperar de um tudo da vida, principalmente a morte ou coisa parecida, certeza fatal que enquanto a alguns causa temor, para outros é fetiche.
Uma outra certeza que temos é que independentemente de nossa vontade e querer a vida acontece. Abrem-se as cortinas, ligam-se as luzes, você pode estar sozinho, ter esquecido o texto e o show tem que continuar. Apruma-se a garganta e se improvisa. Temos que continuar, e para frente, porque para trás a roda não gira.
A nossa percepção das coisas ainda é muito pequena para entendermos como podemos ou temos que ser o que não somos ou o que não queremos ser. Meio que Fernando Pessoa, quando: “Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!”
Há pouco mais de um ano soube que Saulo já vinha. Não me perguntava nem me pedia nada, e já chegava sem anúncio, a bordo de um rabo de cometa a aportar por ali. Entregara-se à vida, sem trajar-se dos incômodos do mundo, que para ele nem seria tão grande nem maior do que os braços da mãe, onde parecia encontrar tudo que precisava e queria, assim como ela oferecia ao pequeno muito mais do que se pode esperar daqui.
Vivendo à parte, experiência difícil, nos estranhamos. Sabia: a conquista de afeto se dá nos degraus do calendário, na ciranda do relógio, na presença sem alardes ou imposição, mas aquela que se dá com gratuidade e tolerância, no reconhecimento de nossas existências, imperfeições e afinidades. Exige tempo, mesmo que não seja esse nem o de agora. Quem pode sabê-lo? A entrega é gratuita, mas a conquista tem um preço. E na rota dessas surpresas, quando a sós, percebo a sua espontaneidade. O sorriso de criança feliz e amada espalha-se no rosto. Olhos atentos, lança-me os braços na possível brincadeira, mesmo quando diante do “pai muito cansado de tanta dor que ele tem”.
Cala-se a tarde. Os carros a riscar ruídos na avenida. “Nessa rua, nessa rua tem um bosque, que se chama, que se chama solidão...” No acalanto da penumbra, ao vento que escorre na sala, ele se entrega inteiro em meu peito, fecha as pálpebras dos pingos de céu, enquanto vigio seu sono e penso num futuro, após lançados pelas janelas traumas, frustrações ou sentimentos inquietadores, enrodilhados como os brotos de seus cabelos.
Amanhã é seu aniversário, Saulo. Nessa pirueta de surpresas, chega-nos ainda a brisa fresca em favor da nossa possibilidade, sem pressa, no vagar do que a vida nos trouxe e nos dá em forma da alva esperança a erguer-se no céu ao nascer de um novo dia, na batida sereníssima do coração, na respiração tranquilo de um oceano. 
Parabéns pelo seu primeiro aninho, filho.




sábado, 8 de outubro de 2016

"O jornal ainda é a principal fonte confiável", diz editor de Spotlight

                                          Mauro Fagiani - 23.jan.2016/Pacific Press/Alamy Live News

MARCELO NINIO, de Washington
06 de outubro de 2016

Apesar das dificuldades financeiras vividas por jornais ao redor do mundo e da explosão da internet, são eles que continuam sendo a mais importante fonte de informações confiáveis, diz um veterano jornalista, que ficou famoso ao ser interpretado pelo ator Michael Keaton no cinema.
Bom de papo e apaixonado por sua profissão, Walter Robinson, 70, chefiou a equipe de reportagem investigativa do jornal Boston Globe que revelou a enorme escala de abusos sexuais em série cometidos por padres católicos na cidade em 2002.
A história deu origem a Spotlight: Segredos Revelados, que ganhou o Oscar de melhor filme neste ano.
Em sua primeira visita ao Brasil, Robinson participa neste sábado (8) de um painel do Festival Piauí GloboNews de Jornalismo, em São Paulo.
Pouco antes de embarcar, ainda sem compreender a demora para obter o visto para o Brasil —que lhe exigiu três idas ao consulado—, Robinson conversou com a Folha por telefone sobre a reportagem que rendeu à equipe o prêmio Pulitzer, o mais importante do jornalismo americano, o filme e o futuro da profissão.
Analisados quase uma década e meia depois, já com o conhecimento dos fatos, é difícil entender porque os abusos cometidos por padres em Boston, com o acobertamento da Igreja Católica, só foram revelados em sua verdadeira extensão quando a equipe de Robinson mergulhou no assunto. Segundo ele, um dos motivos foi a "deferência" à igreja em Boston, que tornava o assunto de certa forma intocável.
"Se alguém dissesse há 30 anos que milhares de padres católicos haviam abusado de dezenas de milhares de crianças e que a igreja havia acobertado tudo, essa pessoa seria considerada louca. A ideia de que a igreja estava envolvida em algo assim era inimaginável. Depois descobrimos que uma grande quantidade de casos era conhecida da polícia e dos procuradores, mas eles não fizeram nada por deferência à igreja", conta.

'FORASTEIRO'
Nascido em Boston há 70 anos e desde 1972 no Boston Globe, o jornalista reconhece que foi preciso um "forasteiro" para empurrar a reportagem, o editor Marty Baron, que chegou de Miami com um "olhar novo e sem se importar com quem iria ficar ofendido". O início do trabalho foi motivado "por medo do chefe", diz Robinson. "Parece piada, mas fizemos por medo."
Partindo de um caso antigo de um padre que havia sido acusado de abusar crianças nos anos 1980, em uma semana a equipe de Robinson entendeu que aquilo era "apenas a ponta do iceberg".
O que no início parecia ser no máximo uma dúzia de casos revelou-se muito maior, com quase 250 padres envolvidos em abusos de crianças em Boston. O trabalho rendeu à equipe o mais cobiçado Pulitzer, o de serviço público. Algo que Robinson, sem modéstia, considera totalmente justificado.
"Dada a extensão dos crimes e o fato de que sua exposição levou a mudanças significativas na forma como a igreja opera, acho que não dá para imaginar um serviço público melhor", diz.
Com recursos cada vez mais escassos para reportagens de fôlego, Robinson lamenta que os jornalistas têm deixado escapar muitas histórias importantes, mas acredita que os jornais continuam fundamentais.
"Os jornais ainda são a principal fonte de informação e reportagens de fundo", afirma Robinson. "O problema é que demos de graça o nosso produto por tanto tempo [na internet] que é difícil convencer o público de que, se você de fato quer notícias com profundidade, tem que pagar por elas."


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

"Belchior Sete Zero", lançamento do projeto, do livro e de outras informações (7/10)


O projeto Belchior Sete Zero celebrará os 70 anos do poeta, cantor e compositor Belchior (que nasceu em 26.10.46, em Sobral, Ceará), unindo literatura, música e teatro.
Será realizado nos meses de outubro e novembro, em equipamentos culturais, bares e faculdades, com lançamentos de livro, shows musicais, debates e apresentações teatrais.
A abertura do projeto acontecerá na sexta-feira, 7 de outubro, no Teatro José de Alencar (Palco Principal), de 19h a 21h, com show de Erickson Mendes, Jord Guedes e Lúcio Ricardo, que interpretarão os grandes sucessos de Belchior, acompanhados de Moacir Bedê, Fábio Amaral e André Benedecti.
Na ocasião será lançado o livro Para Belchior com Amor, com textos literários de catorze autores cearenses inspirados em canções de Belchior.
Xico Sá | Kátia Freitas | Gero Camilo | Ethel de Paula | Raymundo Netto | Carmélia Aragão | Joan Edesson de Oliveira | José Américo Bezerra Saraiva | Cleudene Aragão | Ricardo Kelmer | Roberto Maciel | Thiago Arrais | Jeff Peixoto


Preço do livro: R$ 10,00.
Página oficial do projeto, com a programação GERAL atualizada (inclusive peças, shows, entre outros):
https://www.facebook.com/belchiorsetezero

Ingressos: R$ 30,00 (inteira), R$ 15,00 (meia)
À venda no TJA a partir de 4 out (das 14h às 17h).
IMPORTANTE: Pagamento somente em dinheiro.
Informações: 85-99605.0508/ 85-98668.7232
Agência / Produção:
·         Amar Arte Produções (Marta Pinheiro)
·         Clube de Cultura (Rogers Tabosa)
Direção Musical: Moacir Bedê
Coordenação geral do projeto Belchior Sete Zero: Ricardo Kelmer

Parceria: CCBNB - Centro Cultural Banco do Nordeste


domingo, 2 de outubro de 2016

"Nos Bastidores das HQs: produção e mercado no Brasil", com Raphael Fernandes, editor da DRACO(SP) e da revista MAD/Brasil (6/10)


Encontro
Nos Bastidores das HQs:
produção e mercado no Brasil

Data e Horário: 6 de outubro de 2016, às 19h
Local: Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Fortaleza – Ceará)
Convidado: Raphael Fernandes (editor da revista Mad Brasil e da Editora Draco, de São Paulo)
Mediação: Fernando Lima (jornalista e quadrinista)
Lançamento e sessão de autógrafos do álbum em quadrinhos O Despertar de Cthulhu*, com a participação dos quadrinistas Elias Aquino e Caiuã Araújo.

Autores independentes, coletivos, formadores, editores e outros personagens das cadeias criativa e produtiva em quadrinhos estão mais do que convidados a se fazerem presentes. Contamos com vocês!

Informações: (85) 3255.6203 | raymundonetto.fdr@gmail.com

Conheça mais do projeto: fdr.org.br/uane/hqceara


(*) O Despertar de Cthulhu, álbum EM QUADRINHOS da Editora Draco (SP), reúne a produção de oito histórias inspiradas no terror de H.P. Lovecraft.