terça-feira, 11 de agosto de 2026

"O Meu Interior é a Memória", de Tuty Osório

 


Quando li uma crônica de Raymundo Netto pela primeira vez fiquei confusa. Afinal, sobre o que diabos este cara está falando? Rapidamente me encontrei com o seu estilo múltiplo, um estranhamento aliado de uma contação envolvente. Raymundo narra a magia real sem pretensões de arauto, com a mesma desenvoltura tímida com que se desloca por ambientes onde, com certeza, é uma celebridade.

Jornalista, cronista, contista, romancista, dramaturgo, sei lá que letras mais, os trocadilhos para falar dele e de seus livros não são frases elaboradinhas para impressionar. Cabelos compridos, pai de família, aventureiro trabalhador, sobretudo escritor, exímio contador de histórias. E vamos combinar que escrever de verdade exige muita contradição. Falo de escrita. Não de marketing.

Indicado e laureado com variados prêmios, fato que pra mim é igual ao litro (expressão portuguesa para dizer que não significa nada), no caso de Raymundo coincidem o talento e as premiações. Não sou ingênua e sei que esses certames literários são legitimadores da importância que o público dará à obra. Por covardia ou arrogância sou muito arisca aos concursos, porém, separei alguns para exercitar a exceção.

Quero deixar claro que o caso de Raymundo Netto é diferente. É um famoso, na bolha e fora dela, que admiro. Estou organizando o hábito de ler sempre a sua produção jornaleira e blogueira. Seu último livro, uma reedição lindinha de uma saga contada originalmente por volta de 2004, não é o relato das conversas de calçada. Porém, é sobre um tempo em que toda a Fortaleza conversava em cadeiras dispostas do lado de fora das casas. A Jacarecanga era um bairro chique, a Praia de Iracema, desabitada, era o Açude do Boris, e a Aldeota ainda era o início de uma aventura.

Amei essa viagem. Espiar o passado pelo olhar de um estudioso que sabe tornar os nossos próprios olhos férteis. Ávidos pela próxima linha. Paga ingresso porque é de bom tom comprar o livro e eu não empresto o meu. A não ser para algumas amigas que andam meio comprometidas em dívidas e gostam muito de livros. Brincadeiras à parte, topem esse rolê guiado pela literatura despojada do Raymundo.

Lucinha, mãe de Cazuza, diz que só as mães são felizes. Eu concordo com ela. Acrescento: quem ama ler, também.

 

UM CONTO NO PASSADO: CADEIRAS NA CALÇADA, de Raymundo Netto, reeditado pelo selo Fundo de Quintal em 2025.

Para comprar:

Diretamente com o autor pelo Instagram: @raymundonetto67

Ou pelo e-mail: livrodoray@gmail.com

Preço de Capa: R$ 40,00 (sem frete)




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