sábado, 7 de maio de 2016

"Parlamento Muito!", crônica de Raymundo Netto para O POVO


Cunha, entre acunhadores, sendo convidado a desacunhar

O Brasil, como pátria educadora que nunca foi, abriu a grande sala de aula ao vivo e em cores no temível domingão da Câmara de Deputados que, com ares de um stand-up comedy de mau gosto, saiu do anonimato para mostrar sua carantonha, envergonhando-nos colonialmente perante o mundo.
Quem acompanha noticiários e/ou lê jornais mais regularmente, sabe bem que a Câmara, e nosso legislativo como um todo, nos prova: há pelo menos 3 coisas que não tem competência para fazer: representar o povo brasileiro, legislar sobre os assuntos de interesse nacional e fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.
Não seria extravagante se perguntar que tipo de representação essa Câmara sustenta, quem afinal é esse “povo brasileiro”, se algum deles tem noção do que se configura como interesse nacional e, quanto ao último item, vale a máxima de que não se deve colocar lobos para tomar conta de ovelhas.
Tirando o Sérgio Reis, que provavelmente estava ali por engano para uma palhinha de Jeca triste, e assim o foi, os demais chegaram ao microfone cercados por homens e mulheres que, buscando o cinegrafista, vaiavam, assobiavam, aplaudiam e cuspiam numa balbúrdia de bingo de centro da cidade.
O burlesco Plenário – não ouso dizer “palhaçada”, pois esses artistas são sérios e o Brasil, num dito francês, não o é –, como de costume, usou da espetacularização do momento. Coisa preparada para o álbum dos quinze minutos de fama e de sem noção. Cada um que saudava a Deus, à família, ao gato e ao papagaio e aqueloutros que ainda tinham estômago para “recadinhos do coração", comprovava a sua inobservância da causa, da sua função de representatividade e do seu papel de servidor público.
No Domingão da Câmara foi perceptível para as pessoas que não estavam apenas interessadas no placar de seu “time” – muito no nível de torcida organizada de equipe em terceira divisão –, a falta de decoro, a descompostura, a improbidade e a não idoneidade. Pior: o resultado da ausência de educação de cidadania para o exercício do poder. E, convenhamos, não há como falar em civilidade e progresso num país no qual pelo menos metade de seu Congresso Nacional responde (alguns já condenados em primeira instância) a inquéritos, ações criminais e cíveis, entre outros. Dizem até que aqueles que nessa lista não constam, já se consideram “classificáveis”.
Para não sair da harmonia dessa bizarra orquestra, o presidente-maestro também traz um currículo invejável de alta propinagem. Durante o show, apresentava uma fingida apatia de quem percebe que a cacetada vai ser grande, mas que não teria como escapar da sua, o que acontece agora, por unanimidade, com um supremo pé na bunda. O seu substituto também é investigado e, em breve, o presidente do Senado também cairá. E nisso, numa democracia de instrumentos e defensores acanhados, a política é engenhosamente articulada para não permitir mudanças, propiciando a corrupção de praxe, em nome da governança dessa pátria mãe tão distraída sempre mercadejada em acordos, a maioria, para não gastar saliva, imorais. A nossa Independência foi golpe, a proclamação da República, outro, assim como o Estado Novo, a “Revolução” de 64, a chacina do Curió – só para não cair em esquecimento – e o processo desse impeachment.
Infelizmente, o maior e melhor golpe poderia emanar do povo, mas isso só com muita educação, o que nunca fez bater panelas por aqui. #ocupemasescolas!


domingo, 1 de maio de 2016

"Niltoctopus", de Raymundo Netto para "Crônicas Absurdas de Segunda"


Ilustração: Valber Benevides
No meio de uma correria dos diabos, uma moradora faladeira do Monte Castelo veio me chamar, pois aquele nosso novo vizinho, o Nilto Maciel, estava preso fora de casa. Preso? Fora de casa? Como? Fui lá.
Na calçada, algumas pessoas espremiam as oiças no muro, na tentativa de acudir aquele “senhor que morava sozinho e que só botava o nariz fora de casa para receber a correspondência e, vez por outra, pessoas.”
Aproximando-me, também ouvi a sua voz por um combogó:
– Um chaveiro. Podem me chamar um chaveiro? Estou preso aqui. Eu pago.
Conseguiram por ali o tal chaveiro. O rapaz, acostumado com as situações mais estranhas e descabidas, nem nada perguntou. Foi logo descerrando o portão, os cadeados e tudo mais que encontrasse pelo caminho. Entrei em seguida, ouvindo do dono da casa:
– Fecha. Fecha logo. Não deixa ninguém entrar!
Assim o fiz, quando, repentinamente, pasmei: lá estava o Nilto, em cuecas, no pequeno jardim. E, que horror: quase não acreditei quando vi seis braços emergindo de seu tórax magro.
– Tá olhando o quê, Netto? Em casa, eu só ando de cuecas. É pecado? Vou para o inferno por causa disso?
Passado o susto e dispensado o chaveiro, me explicou que estava na lavanderia do quintal, lavando justamente as cuecas, quando um vento inesperado lhe trancou a porta da cozinha. Correu o oitão na esperança de ter deixado a porta da frente aberta. Não deixou. Assim como também não levava o celular com ele – coisa que sempre lhe aconselhava: “Nilto, você mora só, não pode ficar longe de celular!” Daí, pedia socorro aos passantes e curiosos desconhecidos à calçada.
Postamo-nos na sala. Ele, dobrado o joelho sobre o peito, sacudia a cadeira de balanço. Na mesa ao lado, uma canequinha com a logo do Caffé Portuguez. Por trás dele, ao invés da Bíblia, A Besta Humana, de Zola. E, sobre este, a estatueta de Nossa Senhora da Palma, padroeira da cidade natal de boa parte de suas mentiras.
Eu, sentado no sofá, bebia a reserva de Coca-Cola, fingindo não estranhar aquela sua inusitada aparência de deusa hindu. Na verdade, sempre nos perguntamos como ele conseguia fazer tanta coisa ao mesmo tempo. Estava aí o como!
Tranquilo, pôs-se a falar do atraso que aquela situação lhe causaria – a cada dia acordava mais cedo. Então, ali mesmo cortava folhas de papel com endereços impressos, despejava cola no envelope, guardava um livro a ser enviado para um, outro livro para outro, rabiscava alguma coisa em seu diário – hábito que trazia de menino – e separava os livros que recebia de autores de todo o país. E, quando alguns de seus membros excedentes se desocupavam, distraíam-se em quedas de braços.
Debochando de meu assombro silencioso, relatou:
– Quando criança, sonhava em ser goleiro profissional do Fortaleza, sabia?
– Sério, Nilto? Mas preferiu escrever, não é?
– Pensando bem, Netto, eu preferia ser vagabundo. Era meu grande sonho. Mas não consigo viver sem fazer nada. Vejo as pessoas rezando, fazendo crochê, vendo TV, passeando pelas ruas, sentadas nos bancos, sem nada a fazer, tristes. E é verdade, elas não sabem mesmo o que fazer da vida, do tempo. Tenho muita pena delas. Mas eu não sou assim. Estou sempre muito ocupado, a cabeça fervilhando de ideias para livros.
– E esses personagens, cara, você tira de onde?
– A maioria surge por acaso. Não busco nada, não corro atrás deles. Vêm num piscar de olhos. Não os cato nas ruas. Eles se entregam a mim como folhas mortas, papéis velhos, cacos de vidro, esterco. Acolho alguns. Lapido-os, lavo-os e faço deles arte literária. Outros, porém, não existem nem como ideia ou, se existem, estão bem enterrados ou perdidos nas páginas de velhos alfarrábios. Fui procurá-los nas enciclopédias, nos dicionários, nas biografias, em compêndios de história. Teci-os com o objetivo de exibir alguns personagens históricos, não como seres superiores, extraordinários, mas tão somente como seres humanos.
Enquanto ele discorria seu falatório quase sempre mirabolante, eu folheava seus diários. Percebi o quanto Nilto era obsessivo por detalhes e números. Contava tudo. Registrava o número de contos, romances, poesias, artigos. Classificava suas colaborações em blogues e revistas de centenas de pessoas. Catalogava o que publicava em seus blogues, site e nas redes sociais. Contava o número de linhas e de páginas de cada livro: “Vasto Abismo: 4.680 linhas; Carnavalha: 3.750; A Leste da Morte: 3.500 linhas.” Além de criar manuais para tudo, como os de passo a passo de seu equipamento tecnológico, cadernos de registro de dados dele, da esposa, das filhas – sempre me falava delas: Fernanda, Menita, Nioche e Tusa –, telefones dos amigos, e-mailing, agenda de rotinas, relação de medicamentos, cardápio e estudos de personagens – bem parecido com casting teatral –, registro de e-mails enviados e recebidos, acervo de fotos e vídeos etc. Uma mente enlouquecidamente organizada!
– Tá pensando que é fácil, é? Tá pensando que é fácil? Eu já comi o pão que o diabo amassou! – bradava, olhando para o teto com ar solene. – Desculpe-me o lugar-comum, mas preciso ser bem didático, para não incorrer no pecado da inverossimilhança – depois ria, ao balançar de ombros.
Naquele momento, o carteiro gritava ao portão, empurrando livros e cartas pela goela abaixo de sua caixa de correio. Aí, para mudar de assunto, a respeito da constante pilha de livros que via no sofá – boa parte era de tufics, exemplares repetidos –, perguntei:
– Nilto, você precisa mesmo receber todos esses livros? E ainda escrever sobre eles? Não é melhor usar o seu tempo para concluir o seu romance, dedicar-se a novos contos e projetos?
– Herança de meu tempo de editor. Às vezes, é bom saber o que andam escrevendo. Machado e Shakespeare entenderiam. Tem uns mais difíceis de engolir. Um saco. Por isso, tento embromar alguns e alego falta de tempo, morte de parente próximo, incêndio em casa, paralisia nas mãos, cegueira momentânea, doença grave. Digo até que morri, mas eles não acreditam – ri. – Acho que já me consideram imortal.
– É, essa coisa de se dedicar à literatura e de ser escritor não é fácil...
– Também não é difícil. Meu primeiro livro, mirrado, de poucas páginas, capa de causar espanto, sem abas, cheio de erros tipográficos, saiu por uma gráfica de Fortaleza. Paguei a despesa, programei lançamento num bar, convidei amigos da faculdade, do trabalho e vizinhos e me tornei escritor. Simples assim. Por isso tem escritor saindo pelas paredes.
– Mas você conseguiu vários desafetos nessa coisa de resenhar livros, não foi, Niltão?
– Netto, é preciso ser franco em avaliação de arte, como em tudo na vida: nada de ludibriar os iludidos, passar mão na cabeça dos incompetentes, elogiar os medíocres. O copista ou escrevedor pode passar anos e mais anos sendo louvado em jornais, revistas, programas de televisão, blogues, por resenhistas, jornalistas, arcebispos, generais, ginecologistas, deputados, beldades do cinema e da televisão. Pode ganhar prêmios à vontade, cadeiras cativas aqui e ali. Pode ser traduzido para mil e uma línguas e ganhar milhões de dólares. Continuará medíocre para sempre, até desaparecer de vez, ao morrer, como se nunca tivesse existido, como se nunca tivesse escrito uma só página.
Levantou-se, foi à cozinha tomar seu remedinho com um gole de água. Levava a efeito, fielmente, os horários. Há tempos não bebia nem fumava e evitava sair para não esquecer de cumprir a sua rotina de tratamento. Queria viver para escrever e publicar muito. Estava numa ânsia de livros, produzindo como nunca. Na volta à sala, após concluir uma roufenha cantarolada “Dez anos”(1) de araque, continuou:
– Os escritores daqui gostam de andar juntinhos, de mãos dadas, embora em seus sonhos matem uns aos outros. E isso, sabe por quê? Por causa do mercado literário que é como um disco voador: todo mundo diz que vê ou viu, todo mundo é doido para dar uma voltinha ao redor da galáxia, mas a vidinha cá na terra de Alencar continua tão difícil para o escritor de hoje quanto era no tempo dele.
– Pois é, Nilto, mas o escritor não precisa viver nessa fixação de publicar, de se lançar o tempo todo. É muito bom ir devagar, duvidar de si mesmo, insistir na leitura autocrítica, ouvir os colegas mais experientes, ler sempre que possível autores variados. Você tem uma carreira de muitos livros, de prêmios, conhece muita gente no Brasil, tem seu trabalho reconhecido e, sendo agora aposentado, tem a vida inteira para se dedicar ao ofício.
– E por isso eu escrevo todo dia, leio todo dia. Acordo cedo para ver o sol queimar o chão, para me ver dentro do espelho (embora me saiba feio), para esperar a visita (esperada ou inesperada) das moças de corpo e sangue expostos ao meu vampirismo de esteta. Todo dia me correspondo com meus amigos, que são centenas. Não falarei deles, porque eles falam de mim a toda hora e estão quase toda noite em minha casa, a fuçar meus livros raros, a me pedir prefácios e resenhas, a me fotografar e filmar, a fazer perguntas enigmáticas. Mas, como santo de casa não faz milagre, nenhum deles me chama de grande escritor, contista fabuloso, romancista de primeira linha, essas coisas que diz todo leitor sabido.
Difícil não rir diante da indireta no queixo. Mudei de assunto, lembrando de uma viagem nossa para evento em Limoeiro (2), na qual foi surpreendido com homenagem – não confessava, mas adorava as homenagens:
– E quando iremos viajar novamente, Nilto? Não sente falta de sair um pouco da cidade?
– Nunca me interessei muito por conhecer as cidades. Prefiro ficar em casa, a escrever, mexer e remexer nos meus textos. Como não bebo mais, não me sinto à vontade em ambientes festivos. Mas sabe do que eu gosto mesmo? É de pensar. Por isso eu vivo penso, torto. Dizem que quem muito pensa fica torto. Fiquei torto muito cedo. Ou nasci assim. De vez em quando me dá uma reina de pato doido e saio por aí, para ver o mundo, as pessoas. Mas volto logo para casa com saudade de mim.
– Tem algum novo plano em vista?
– Não só um. Infinitos. Inclusive de dominar o mundo, ficar riquíssimo, cercado pelas mulheres mais bonitas do Planeta e de publicar best-sellers. Mas vou precisar de sua ajuda, por que eu não entendo nada de editais, nem de projetos, nem de prestação de contas e não sei contar piadas – e largou uma estrondosa e comprida risada de mentirinha – aha-ha-ha-ha-a-ha... –, enquanto as mãos corriam pelos teclado do computador, à boca da impressora e empurrando um pen-drive teimoso: – Acode-me, são Webston (3)!
– E você precisa mesmo disso tudo, Nilto? Não está bem como está?
– Olha, não sou um homem realizado. Se me realizar, terei chegado ao topo do Everest, à beira do abismo, ao fim da picada. Certamente Camões sonhava outros lusíadas; Dante, outros paraísos; Shakespeare, novos otelos. Não, não sou satisfeito comigo, nem com o mundo. Tudo está para ser feito, realizado. Mesmo assim, hoje acordo satisfeitíssimo porque alcancei minha alforria mental, libertei-me das muralhas de Jericó, da moral puritana, das crenças infantis de paraísos perdidos.
Levantou-se novamente e me pediu para acompanhá-lo à cozinha. Abriu a porta da geladeira, ofereceu-me uma coisa ou outra e de novo mais Coca-Cola. Afastava os pratos e talheres sujos, que guardava lá dentro – para evitar as baratas –, e me falou das últimas visitas, dos últimos telefonemas. Criticava, elogiava, perguntava se havia lido o livro tal ou aqueloutro recém-lançado. Insistia, por pura molecagem, em perguntar se eu queria que ele escrevesse elogios ao meu livro que, por sinal, não gostou. “Mas de jeito nenhum!”, respondi. Daí, me contava as histórias mais absurdas de resenhas e prefácios pedidos por encomenda.
Fomos ao quarto do quintal, onde a manivela de um antigo mimeógrafo pedia intercâmbio(4):
– É isso, Nettó, deixemos a vida alheia para lá. Cuido eu da minha, cuida você da sua. E por falar em minha vida, você sabe que me tornei quase um animal doméstico. Uma espécie de cão sem dono, trancafiado numa casinha de madeira, quase sempre com a coleira atada à argola do muro. Minha missão, porém, não é rosnar e afugentar ladrões ou intrusos. É escrever meu epitáfio, dia e noite, num escreve e apaga sem fim, no chão, no muro, na baba, no céu, na cabeça. Afinal, meu caríssimo amigo, sou marginal da literatura, um escritor de poemas, contos e romances. Há muito deixei de sonhar com glórias e famas. Tudo isso é passageiro. O que é bom fica, permanece. Sem precisar de muletas, fanfarras, galardões ou medalhas.

(1) Dez anos, de Rafael Hernández, versão de Lourival Faissal, sucesso de Emilinha Borba (conhecida como “garota grau dez”).
(2) Jornada das Letras e I Feira do Livro de Limoeiro do Norte (2011)
(3) Webston Moura nasceu em Morada Nova, mas reside em Russas. Poeta e blogueiro, autor de Encontros Imprecisos: insinuações poéticas, era o fiel “consultor técnico” de Nilto Maciel, coeditor do blogue Literatura sem Fronteiras.
(4) Nilto Maciel criou o informativo Intercâmbio, impresso em mimeógrafo, distribuído pelo autor para escritores residentes em diversos estados brasileiros.



Nilto Maciel (1945-2014) nasceu em Baturité, Ceará. Foi um dos fundadores da revista O saco, em 1976. Morou durante muito tempo em Brasília, retornando ao Ceará em 2002. Editou a revista Literatura: revista do escritor brasileiro, de 1992 a 2008. Premiado autor de livros de poesias, contos, romances, novelas e ensaios, como Tempos de mula preta, Punhalzinho cravado de ódio, A última noite de Helena, Os luzeiros do mundo; Luz vermelha que se azula, Pescoço de girafa na poeira, Guerreiros de Monte-Mor, Como me tornei imortal: crônicas da vida literária e Vasto abismo, entre outros. Participou de diversas antologias e organizou, com Glauco Mattoso, em 1977, Queda de braço: uma antologia do conto marginal. Mantinha alguns blogues, como o Literatura sem fronteiras. As falas de Nilto, na crônica, foram extraídas e adaptadas de entrevistas, e-mails e da obra do autor. 


segunda-feira, 25 de abril de 2016

"Fala de Bicho, Fala de Gente", de Marlui Miranda, o CD e o show.


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CD “Fala de Bicho, Fala de Gente”, de Marlui Miranda, uma recriação musical de 15 cantos da tradição Juruna adaptados e arranjados por Marlui Miranda e John Surman.
Leia a seguir como se deu o show de Marlui no Cineteatro São Luiz, no sábado, dia 23 de abril de 2016.
Sobre o show “Fala de Bicho, Fala de Gente”
Fonte: Ascom/ Secult
No Cineteatro São Luiz, público se emocionou neste sábado, ao som de MARLUI MIRANDA e da herança indígena
Uma noite de muita emoção, respeito e sensibilidade com a cultura indígena, representada pela música de diversos povos, reunida e interpretada pela cantora, instrumentista e pesquisadora cearense Marlui Miranda. Assim foi o show especial promovido no Cineteatro São Luiz, equipamento da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, encerrando a semana especialmente dedicada à arte e à cultura indígenas, com grande presença de índios de diversas tribos no cineteatro, ao longo de vários dias, com a mostra de cinema "Olhar Nativo" e as demais atividades em comemoração ao Dia do Índio.
Um ótimo público, incluindo índios Jenipapo-kanindé, Anacés e Taperas, compareceu ao São Luiz para conferir, às 18h deste sábado, o show de Marlui Miranda, ao lado de mestres da cena instrumental brasileira, como Paulo Bellinati (violão), Rodolfo Stroeter (contrabaixo) e Caíto Marcondes (percussão). Chamando atenção pela elaboração harmônica, capaz de surpreender quem esperasse maior simplicidade em um show devotado à música indígena, e pela complexidade rítmica expressa tanto por Caíto quanto por Ricardo Mosca (bateria). Um mergulho em um pouco do infinito universo musical dos índios brasileiros - um painel tão vasto que, conforme ressaltou Marlui, "não há ser vivente que dê conta de um milionésimo dele, porque cada povo é uma nação".
"Eu não falo tantas línguas. Eu canto. A minha opção foi olhar para um pouco da música indígena do Brasil", disse Marlui, ainda no palco, após o show em que entoou principalmente músicas do povo Juruna, mas também dos Ianomâmis, dos Paracanãs, dos Caiapós e dos Tremembés, entre outros. Sempre chamando atenção do público tanto por sua voz privilegiada quanto pela expressividade com que dava vida a melodias, ritmos, ambiências sonoras, sentimentos tornados música e compreendidos apesar da distância verbal e cultural. "A música é o canal melhor pra falar com quem você não conhece", ressaltou Marlui.
Múltiplas referências sonoras
Entre muitas referências sonoras, espaço também para citações ao blues, ao jazz, ao baião, ao Uakti e até ao Clube da Esquina, nos arranjos lindamente costurados pelo violão de Marlui e pelo quarteto, com destaque para Paulo Bellinati e Caíto Marcondes. Todos percorrendo o repertório do disco "Fala de Bicho, Fala de Gente", com cantigas do povo Juruna adaptadas e rearranjadas pelo inglês John Surman. Outro destaque do show foi a conversa entre Marcondes e o batera Ricardo Mosca, senhores do tempo levando ao limite a vivência musical e a pulsação rítmica.
"Juruna canta essas músicas tudinha pras crianças dormir, de tarde, quando o povo vai trabalhar. De tarde, porque de noite não precisa", comentou, ao final de uma cantiga de ninar à Marlui Miranda. Os sons da mata também estiveram sempre presentes, também nos "samples" acionados por Caíto, em meio a uma infinidade de instrumentos percussivos, ajudando a contar as histórias de Marlui. Para, mais que entenderem, todos sentirem.
Homenagem ao cacique Daniel
Marlui Miranda agradeceu a toda a equipe da Secult e do Cineteatro São Luiz, pelo espaço aberto para a música dos povos indígenas, e dedicou o show ao Cacique Daniel, líder do povo Pitaguary, falecido nesta semana. A apresentação musical neste sábado foi precedida pela exibição do filme "As Hiper Mulheres", na programação intitulada Sessão Sonora, que sempre une filme e show, no São Luiz.
Artistas na plateia e "abraço do Brasil"
Vários artistas compareceram ao show de Marlui Miranda no Cineteatro São Luiz, a começar pela escritora Ana Miranda, irmã da musicista. O compositor e pianista Ricardo Bezerra e os escritores Tércia Montenegro e Raymundo Netto também conferiram a apresentação e se emocionaram com a verdade da arte de Marlui, que após o show conversou com o público, em um clima de proximidade e simplicidade.
"Faço música no trânsito. Tem épocas que viajo até as aldeias, mas hoje os índios vêm na cidade pra gente discutir, vem criando uma relação de confiança, que demora a se consolidar", revelou. "Até hoje não descobri a que tribo pertenço. Então, pertenço a todas. É muito bom chegar e ser acolhida, ser abraçada, sentir esse abraço do Brasil".
Mais sobre Marlui Miranda
Cantora, compositora e arranjadora, produtora cultural, dedicada há quase trinta anos à pesquisa e produções musicais na área da música indígena, Marlui Miranda é reconhecida como a mais importante intérprete e pesquisadora da música indígena do Brasil.
Marlui Miranda recebeu a Medalha do Mérito Cultural do Ministério da Cultura em 2002, em reconhecimento à sua contribuição à cultura no Brasil. Recebeu em dezembro de 2005 o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente, por sua contribuição ao desenvolvimento da cultura e sustentabilidade na Amazônia Brasileira. Foi supervisora musical do filme de Hector Babenco “Brincando nos Campos do Senhor” e recebeu o prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Cinema de Brasília com o filme “Hans Staden”, de Luís Alberto Pereira.
As interpretações de Marlui Miranda no disco “Fala de Bicho, Fala de Gente” possibilitaram uma combinação proposital de ingredientes brasileiros e estrangeiros (africanos, celtas), que sintetizam as personalidades de cada um resultando num caráter universalista que é inerente à música Juruna. O resultado é um trabalho primoroso e, acima de tudo, respeitoso de recriação para o povo Juruna, apresentando o repertório com a devida consideração por importantes fatores de sua ordem cultural.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

Lançamento "Audifax Rios: sonho, cores e palavras", de Dideus Sales, homenagem de aniversário do artista


Lançamento
Audifax Rios: sonho, cores e palavras
de Dideus Sales

Data e horário: 23 de abril de 2016, a partir do meio-dia e até o bar fechar!
Local: Flórida Bar (rua D. Joaquim, 68, Praia de Iracema – ao lado da Livraria Livro Técnico)
Informações: (88) 99612.7384

Sobre a obra:
Audifax Rios respira neste mundo!
Não à toa, Dideus Sales, poeta, escritor, radialista, compositor e folclorista, e acima de tudo seu amigo, nos prova isso por meio de seu Audifax: sonho, cores e palavras, no qual é retratado em poesia a revelar seu Traço, sua Palavra, sua Pessoa e o Artista Plural, tanto quanto singular, que o menino grande de Santana nos convencia, sem esforço, de fato ser.
São tantas as formas de nos depararmos com Audifax ainda hoje, que um dos maiores legados que nos deixou foi o de parecer não ter se ido. E talvez não tenha mesmo.
Pode ser que o encontremos numa esquina de Bar Peixe Frito, e, de certo, em seu caprino clube, em paredes coloridas de peixes e pássaros, cangaceiros e conselheiros, a rir-se do mundo, mundo esse que ajudou a criar numa gênese própria e sorridente tal qual o sol que brilhava de seus olhos e pincéis. Por trás de um calorão que nos chega veloz como búfalos do campanário ou na discrição da fresca gostosa que surge por trás das águas do seu rio Acaraú, ainda ouvimos sua voz no ruflar das asas das garças brancas, entre nuvens coloridas onde repousam aqueles em recreio terreno.
Dideus está de parabéns por pintar tão bem esse amigo de muitos que, com sua reconhecida timidez e humildade, já estaria aqui, certamente, a lhe pedir para baixar a bola: “Menos, Dideus, menos...”


Raymundo Netto

quinta-feira, 21 de abril de 2016

AlmanaCULTURA In Dica: "Nise: no coração da loucura"


“Não se cura além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas.” (Nise da Silveira)

IMPOSSÍVEL um filme conseguir retratar a mulher que foi e é a psiquiatra alagoana Nise da Silveira (1905-1999).
Assim, Robertor Berliner, diretor de Nise: no coração da loucura, que estreou hoje e é baseado na biografia escrita por Bernardo Horta, Nise: arqueóloga dos mares, recortou apenas um período de sua vida.
O filme tem início em 1944. Nise, que havia se formado em medicina numa turma em que era a única mulher entre 157 homens – em sua graduação já apresentava ensaio sobre a violência contra a mulher –, e que passara dois anos (1934 a 1936) presa com acusação de ser comunista – tornando-se personagem de Memórias do Cárcere do conterrâneo Graciliano Ramos e companheira de cela com Olga Benário – e mais 8 anos em semiclandestinidade, afastada do serviço público, voltava agora às funções no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no bairro Engenho de Dentro, Rio de Janeiro.
Desprestigiada entre os colegas e discordando das técnicas convencionais da época, consideradas avanços, como o eletrochoque, a lobotomia, a solitária, é punida, sendo locada num setor abandonado do hospital, o Setor de Terapia Ocupacional.
E foi nesse setor que ela conseguiu realizar a sua prática “não-violenta” de psiquiatria em seus “clientes” – ela dizia que “pacientes” eram os membros da equipe que cuidavam dos clientes –, origem de algumas das bases da atual terapia ocupacional no tratamento psiquiátrico e das obras que se encontram, desde 1952, no Museu de Imagens do Inconsciente do Rio de Janeiro, cujas principais coleções são tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
E é esse o momento do filme, estrelado por Glória Pires, fazendo aquilo que ela faz melhor: atuar! Ao seu lado, Cláudio Jaborandy, Simone Mazzer, Fabrício Boliveira, Augusto Madeira, entre outros.
A obra é envolvente, escandalosamente humana, esbanjando afeto, toque, compreensão, empatia, dignidade e a coragem absoluta do insistir e transformar, coisa que só no amor, no verdadeiro e raro amor, se consegue forças para tanto.
Como a grande revolução da prática médica de Nise se baseava na utilização da expressão artística e da sensibilidade, daquilo que a arte consegue explorar do inconsciente humano, no filme, os clientes esquizofrênicos de todos os tipos exercitam essa arte com colorido intenso, em momentos nos quais os seus espectadores, nós,  deleitam-se da vida, do brilho do sol e do espírito e do prazer original de contemplação, refletindo sobre o nosso “engenho de dentro”, a nossa capacidade de colocar para fora toda essa nossa arte – e/ou angústia - escondida atrás de janelas que não se abrem nunca.
Oportunidade ímpar de lavar a pele dos ódios, da desesperança, da intolerância e de tudo aquilo que nós não temos mais coragem de enfrentar. Assistam!


Em tempo: Nise criou, em 1956, a Casa das Palmeiras, primeira instituição a desenvolver um projeto de desinstitucionalização de manicômios no Brasil.

Em tempo 2: Uma surpresa emocionante ao final.


sábado, 16 de abril de 2016

"Se Gritar 'Pega Ladrão'"..., de Raymundo Netto para O POVO


...não fica um! Talvez melhor que não ficasse mesmo. De certo, não é novidade nenhuma, o Brasil é o país do futebol, no qual também há corrupção, mas poderia ser o país das bibliotecas, como a Colômbia, sempre achincalhada pela nossa boçalidade, mas que tem mais leitores do que nas terras da colônia ararajuba.
A corrupção nesse país abençoado por Deus só não dói mais do que a impunidade que chega de braços dados com a ignorância (a nossa), mas curtindo viagens pelo mundo afora em pequenos banquetes gourmet a preço de meses do suor do trabalhador brasileiro. Digo trabalhador me referindo àquele que trabalha, pois às vésperas dos 49 anos já deu para entender que nem todo empregado é trabalhador, assim como nem todo empresário é capitalista.
O povo brasileiro, não todo, felizmente, é corrupto. Quer fazer só o que quer, pensando apenas na própria cauda: atravessa sinais vermelhos, não respeita a faixa de pedestres, guia em alta velocidade e/ou embriagado, fura filas, empurra as pessoas nos ônibus, inventa formas engenhosas de não pagar algum item na conta de bar ou restaurante e de receber seguro-desemprego, sonega impostos, mente, assedia funcionários, joga lixo nas ruas, não devolve troco errado, não paga condomínio, falsifica carteira ou documentação para pagar meia entrada em cinemas e casas de espetáculos, sai para passear com seu cachorro e não coleta seus dejetos e cumpre mais uma série de outros delitos, para ele pequenos, praticados quase que religiosamente, se esse é o termo mais adequado a se empregar aqui.
Entretanto, julga o outro, cujos pecados são sempre maiores. O outro é o grande culpado de nossa infelicidade. O outro não presta. É ladrão. Ademais, sente-se um obscuro prazer nesse julgamento: “Ladrão!”
A corrupção enfeita todas as praças brasileiras. Seja no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Quem faz as nossas leis são pessoas escolhidas pelo povo. E essas pessoas são corruptas, escolhidas por uma gama de pessoas sem educação – não confundir instrução com educação. Que raios de leis podemos esperar? Quem julga e defende essas leis vende habeas corpus, recebe propina, troca ou atrasa processos e pratica uma coleção de ações, quase um segundo código civil, de artimanhas e manobras caras para privilegiar aqueles que têm dinheiro para comprar o sistema, seja inocente ou não, afinal, não se quer a justiça, mas o direito... ou o esquerdo, se esse pagar melhor. Aliás, é grande o número de pessoas que cursam o direito para aprender como burlá-lo.
Em meio à crise econômica e política, encontramos a crise moral, de interesses mesquinhos, senões e sem-razões a traçar uma realidade incontestável: se não houver uma reforma política já, o país vai-se por água abaixo, no nosso caso, quase sem água, mas no fundo do poço e na lama.
Vivemos um momento de constrangimento. Exposta a cozinha brasileira para o Mundo. Os líderes das grandes casas, os seus integrantes, quase todos envolvidos em processos nebulosos diante de uma justiça tendenciosa, desacreditada, e todos com carta branca para derrubar uma presidente eleita pelo voto popular. Vergonha é pouco, mas nos resta o consolo: temos o que merecemos!



terça-feira, 12 de abril de 2016

"O Vestido", poema de Ana Miranda


Eu desejei aquele vestido (ou era um livro?)
Eu o queria para mim (ou era um homem?)
Mas ele se dissolveu
Na sombra do sonho
Somos como um sonho
Porém o cobiçado vestido
Permanecia na sombra
De algum instante
Vestido
Instante
E de noite quando durmo
O espectro de meu corpo se levanta
E veste o vestido sonhado
Um vestido dilacerante
Amplo e imortal
Vestido
Tecido pelas vagas solidões
Do Hades
Vestido cobiçado
Ele tem a amplidão do escuro
O vestido é uma sombra 
Irrevogável 
E quando eu morrer
Ele ainda existirá 
E cessarão todos os segredos
Que me angustiavam
E me vestiam



domingo, 10 de abril de 2016

"Ad Verso", de Raymundo Netto para o AlmanaCULTURA


Esqueço-me entrestrelas que temem a escuridão
Permanentes, incendiadas
No alto da virgem solidão
A curtir na minha pele o esmigalhar de infinitos.
Em seus ritos, despejam os dias cinzentos,
como nos ventos a carrear as tristezas,
As amarguezas,
As palavras a me virem secas como gretas em meu chão.
Nunca de o amor chegar à hora marcada
Nunca de o desejo minar exposto
Nunca de o sorriso brilhar o rosto

Morro, morro, morto.

E, após a morte, renasço na sorte tão igual em minha diferença,
Em minha crença, em meus sonhos doentes,
Nas tardes de meus dias, tais quais manhãs sonolentes.
Recebo a noite dum silêncio antecedo a escorrer no telhado
Do seu céu a me chegar num arremedo tão azul quanto o pejo estrelado.

Face, doce, beijo, molhado.


segunda-feira, 4 de abril de 2016

"As Brumas do Mestre GJ", de Pedro Salgueiro para O POVO.


Mestre Geraldo Jesuino, que já era mestre consagrado nas mil e uma artes (e manhas) da nossa cultura cabeça-chata, que da cadeia de produção de um livro domina só-tudo-e-um-pouquinho-mais, artista plástico e gráfico talentosíssimo, agora resolveu botar as unhas de fora (mas apenas para os incautos, que nem desconfiavam que o quadrinista magricelo de bigode miúdo e pernas de cambito escondesse dentro de si um prosador de mão cheia, desses com uma imaginação privilegiada, que vem acompanhada de um estilo finérrimo, algo assim tão supimpa que mistura uns traços de português quase clássico com pitadas de experimentalismo; tudo com um conhecimento tal que causa certo espanto em quem o lê assim desavisadamente); resolveu, pois, o Mestre Gê-Jota, mostrar-nos sua produção ficcional singular, pacientemente lapidada. Retirou da gaveta, depois de muita insistência dos amigos e admiradores de seus múltiplos talentos, estas inesquecíveis histórias.
Uma estreia literária verdadeiramente de Mestre, dessas que envergonham muitos “gastadores de tinta e papel” que pululam por aí, com seus narizes empinados, encastelados (com suas vetustas arrogâncias) em seus falsos castelos e pseudoacademias. Depois de uma publicação como Brumas, muita gente metida a besta pensará cem vezes antes de desovar qualquer livrete mal alinhavado pelas mil e duas gráficas com pretensão de editoras que infestam a nossa sonsa loirinha desmilinguida pelo sol; mas também servirá de incentivo aos diversos escrevinhadores que burilam em silêncio suas obras: tais persistentes escritores perceberão – com a leitura desse livro maduro de Geraldo Jesuino da Costa – que não são necessários 50, 60 ou 70 tomos para se fazer um verdadeiro escritor, muitas vezes um ou dois ótimos volumes já bastam.
Mas torcemos – seus velhos e novos leitores – que venham mais e mais dessas maravilhosas histórias.
Não só torcemos: Exigimos!

sábado, 2 de abril de 2016

IMPERDÌVEL: Feira do Cordel Brasileiro, na Caixa Cultural Fortaleza (5-10 abril)



Feira do Cordel Brasileiro

Data: de 5 a 10 de abril, das 18 às 21h

Local: Caixa Cultural Fortaleza
(Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema)

Concepção e Coordenação Geral: Klévisson Viana

Informações:

Fone: (85) 3023.3064



Confira a programação para lá de especial.


VOCÊ NÃO PODE PERDER!!!