domingo, 10 de maio de 2015

ÚLTIMOS DIAS: Exposição "A Poética Plástica em BC Neto: Pacifistas & Guerreiros" (22.5)


Camponês

Um grito surge nos limites dos campos
e é de ti que brotam os frutos...

das enxadas velhas
cravadas numa terra cansada
à espera do teu cansaço

procuram entre portas
o sonhar do povo,
o grito calado
que a terra emana
na divisão do pão

tuas mãos sangram os campos
e é de ti que brotam os frutos

BC Neto

Exposição Pacifistas & Guerreiros: a poética plástica em BC Neto (GRATUITA)
Data: até o dia 22 de maio, das 8 às 17 horas
Local: Centro Cultural do Parlamento Cearense (edifício anexo à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará – rua Barbosa de Freitas, s/n, esquina com a av. Pontes Vieira)
Público-alvo: artistas visuais e literários, pesquisadores de artes e cultura, alunos das escolas públicas e privadas, militantes, arte-educadores e interessados em geral
Informações: (85) 3277-2500

Sobre a Exposição:
AUDIFAX RIOS, numa última ação como “curador-abraçante”, assim apresenta em sua “A Procissão dos Lutadores” a Exposição Pacifistas & Guerreiros: a poética plástica em BC Neto, em cartaz no Centro Cultural do Parlamento Cearense (edifício anexo à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará – rua Barbosa de Freitas, s/n, esquina com a av. Pontes Vieira):
“O incansável BC Neto está de volta, berrando mais alto ainda. Em formas e cores; trocou letras por tintas e invoca pacíficos guerreiros para sua missão: a reconstrução do mundo, a transformação social a partir do homem. Nesta etapa da batalha leva, como escudos, imagens consagradas. São estandartes de campanha onde ressaltam as figuras de Cristo e Conselheiro; Ghandi e Guevara; Martí e Mandela. Gloriosos vultos eleitos pela história e trabalhadores anônimos esquecidos na memória dos homens. Madre Teresa, Beato Lourenço, Francisco de Assis, Marighella, Chico Xavier, Dom Helder, Tiradentes, John Lennon... e o lábaro mais drapejante, talhado com pinceladas mais consistentes, ele próprio, Cândido Bezerra da Costa Neto [o BC], alvoroçado e eterno guerrilheiro do saber.”
A Exposição, cuja curadoria é do artista visual Carlos Macedo, apoiada pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, já esteve presente no Centro Cultural de Horizonte, Centro Cultural Dorian Sampaio (Maracanaú) e no Instituto Federal do Ceará (Campus Cedro) e, desde 16 de abril, está aberta ao público no CCPC, encerrando-se em 22 de maio.
BC Neto conta que a ideia da exposição surgiu da provocação de amigos artistas visuais, como Descartes Gadelha, Audifax Rios e Carlos Macedo: “O trabalho na universidade, na educação superior, na educação popular passou a me consumir e me tornei menos presente nas artes visuais e nos movimentos culturais”, relatou em entrevista, recordando de movimentos que se tornariam históricos no Ceará e que contaram com a sua participação. Entre eles, o Massafeira Livre, e a criação dos grupos Siriará e Nação Cariri.
A Exposição é um cenário da vida e obra do poeta, pintor, educador e militante político e cultural BC Neto, por meio de telas, livros, poemas, apresentações, banners ilustrados e outras curiosidades, umas bem inusitadas.
Aliás, o visitante também poderá contemplar quadros com as ilustrações originais de seus livros, de autoria de grandes artistas como Audifax Rios, Itamar do Mar, Luiz Karimai e Tarcísio Garcia.
Estive lá e achei tudo muito interessante e enriquecedor. Recomendo!

Sobre o poeta, pintor e educador BC Neto:
Nascido no Cedro, Ceará, em 18 de janeiro de 1952, Cândido B.C. Neto, desde menino gostava de desenhar e curtir as cores. Com o tempo, foi aos poucos se envolvendo com a arte, recebendo o apoio de Eusélio Oliveira e José Julião.
Iniciou sua vida como educador nas comunidades de base, expandindo seu trabalho em vários estados brasileiros e no exterior, alcançando inclusive a África (Cabo Verde) e Cuba.
Coordenou e participou de quase todos os programas de educação de jovens e adultos nas últimas décadas, sendo para ele outorgada a Medalha Paulo Freire (2003), honraria conferida a personalidades e entidades que se destacaram nos esforços da universalização da alfabetização e educação de jovens e adultos no país.
É membro fundador do Clube dos Poetas Cearenses (1970), foi redator de artes do jornal Tribuna do Ceará (1973/75), coordenador de várias edições do Festival Nordestino de Cantadores de Viola (Cedro), da I Semana de Artes e Humanidades da Uece, de Ação Cultural na Secult (2008) e curador do Encontro Mestres do Mundo (MinC/Secult – 2009/10). É membro do Clube do Bode (desde 2005) e conselheiro do Almanaque De Um Tudo (com editoria de Audifax Rios, até 2015). No Crato, passou a integrar o Grupo Artístico Por Exemplo, liderado por A. Rosemberg, e do qual também faziam parte Stênio Diniz, Walderedo Gonçalves e Jackson Bantim. É um dos fundadores do Grupo Artístico Pretensão (GAP). Também teve incursão pela arte da escultura. Dentre seus trabalhos, “O Anjo”, talhado em mármore.
Participou de diversas mostras e exposições coletivas e individuais, dentre elas: III Exposição Universitária de Artes (1973), Expô da AAEE/74, XXIV Salão de Abril (1974), XXVI Salão de Abril (1976), Unifor Plástica (1974), Salão de Outubro (1975/Crato), Exposição GAP/BNB Clube (1975), Feira Livre de Artes da UFC, Exposição de Cartões de Natal do BNB Clube (1975), Salão de Artes Plásticas IOCE (1978), Mostra 10 + 10 (1978/Ideal Clube, ao lado de Tarcísio Garcia), Artes ao Sol de Outubro (1983/Crato), Cacimbas de Areia: pinturas do BC Neto (1994/ Náutico Atlético Cearense).
É autor de A Voz do Silêncio (poesias/1971), Resultado Final (poesias/1981), Via Sacra Camponesa (1998), Berrem Alto que o Curral é Grande (2002/ reunião das produções de BC, poemas, ensaios e fortuna crítica), Versos da Caminhada Cotidiana (poesias), Sociologia, Educação e Sociologia da Educação (2004/ganhador do Prêmio da Academia de Ciências de Cuba), Educação Popular de Jovens e Adultos: o Brasil no contexto mundial (2008) e também José Martí: cultivar os sentimentos, bilíngue, este em coautoria com Justo Pereda Rodriguez e Lidia Esther Orraca Ortega, e cuja a coordenação editorial coube a mim (embora o BC tenha esquecido de mencionar em seu banner, mas eu, na humildade de um capitão do mato, o perdoo apenas pelo seu talento e pela amizade), as ilustrações ao Audifax Rios e a diagramação João Rios.
É professor de Filosofia da Educação, Metodologia do Trabalho Científico e Educação Popular da Universidade Estadual do Ceará (Uece), onde também atuou como Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Estudantis. É especialista em Metodologia do Ensino Superior, mestre em Gestão Pública pela Universidade Internacional de Lisboa, Universidade Federal de Pernambuco/Universidade Vale do Acaraú. Atuou em diversos comissões e conselhos, entre os quais o Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Fortaleza, Conselho Diretor da Funece, Comissão de Artes e Humanidades da Uece (1993/94) e Associação Cearense de Escritores.

BC Neto pelos outros:
Diz o contemporâneo Rosemberg Cariri:
“Depois que ele se formou, se fez professor e poeta, participou de movimentos artísticos, escreveu páginas memoráveis nas noites da boemia provinciana, revoltou-se nas passeatas, agitou-se na filosofia, fez exposição das suas pinturas, publicou livros e varou sertões semeando escolas.”

José Alcides Pinto, que o considerava um “poeta da participação social”, diz: “
“[BC Neto] exercita-se no linguajar coloquial desse povo popular (o nordestino), vivendo de seu osso, de seu corpo cansado e desnutrido, denunciando a injustiça dos coronéis rurais/latifundiários e a indiferença das autoridades (anticonstitucionais?) constituídas. Estas são, realmente, insensíveis às aspirações do povo e sua miséria. E isso gera no poeta uma revolta que está presente em seus versos.”

BC Neto encontrou acolhida no coração do então amigo pessoal Patativa do Assaré. Fez a apresentação de três de suas obras: Aqui tem Coisa, Inspiração Nordestina, Ispinho e Fulô e com ele realizou o show “Por Amor ao Chão”, no teatro municipal de Icó. Patativa também lhe dedicou versos, dentre eles:
I
Sei que não tenho sabença
Sou um pobre nafabeto
Mas vou referença
Sobre você, BC Neto,
Proque seus verso moderno
No meu coração fraterno
Senti de leve tocá,
Pois você canta a cidade
Mas também diz a verdade
Das nossas coisas de cá.
II
Imbora seja polida
Sua bonita linguage
A mesma retrata a vida
De nossa gente servage
No meu verso eu tou notando
Que você tá me ajudando.
Obrigado, meu amigo,
Pelo trabaio distinto
Sentindo aquilo que eu sinto
Dizendo aquilo que eu digo.
VI
Canta, amigo, a nossa gente
Do nosso meio rurá,
Meio munto deferente
Do meio da capitá.
Imensa alegria tive
Lendo seu verso sensive
Cantando a vida sem vida
Deste povo abandonado
Que veve e morre apoiado
Numa esperança perdida.

Carlos Augusto Viana afirma:
“Para Cândido B. C. Neto, a poesia é, acima de tudo, um compromisso com a condição humana. Por isso mesmo, o que – a partir, evidentemente, de uma leitura apressada – poderia inscrever-se como regionalismo, deve, a rigor, ser apreendido tão-somente como pano de fundo, vez que visa, substancialmente, ao universal, principalmente concentrado na imensa legião dos que não foram convidados ao banquete industrial. [...] Atrela-se a tudo isso a dicção inflamada, em voz alta, como se estivesse o poeta em uma praça urbana ou num acampamento rural; e, por isso mesmo, as palavras procurassem suprir-lhe a ausência do corpo, representada, então, por interjeições, exclamações ou interrogações demasiadamente sugestivas.”

BC Neto Contatos e Saber Mais:
bcneto@globo.com
www.bcneto.com.br


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Raymundo Netto no Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (8 e 9 de maio)



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Excepcionalmente, estarei em Juazeiro do Norte, no Centro Cultural Banco do Nordeste Cariri (rua São Pedro, 337, Centro), nos dias 8 e 9 de maio, para um bate-papo, com mediação de Paula Izabela, sobre:
·         Dia 8 de maio, sexta-feira: Mercado Editorial no Ceará: literatura e quadrinhos, às 18h (Literatura/Biblioteca)
·         Dia 9 de maio, sábado: Editais de Cultura: pós e contras. O que é possível fazer?, às 14h30 (Troca de Ideias/Políticas Culturais)

Gostaria de contar com a participação e a divulgação de amigos e colegas na Região do Cariri.
Nos dois encontros será apresentado, ao final, o livro Crônicas Absurdas de Segunda, de minha autoria, lançado em abril pelas Edições Demócrito Rocha. Levarei apenas alguns poucos exemplares e o preço de capa é apenas R$ 30,00 (trinta reais).

Assim, quem posteriormente tiver interesse em adquirir o livro poderá fazê-lo por meio da Livraria Virtual da FDR: livraria.fdr.com.br
Contato com o autor: raymundo.netto@uol.com.br

terça-feira, 5 de maio de 2015

Concurso "Antologia de Poetas Lusófonos" (até 31 de maio)


Capa da segunda edição da Antologia de Poetas Lusófonos

Adélia Amaro, coordenadora editorial da Folheto Edições e Design, de Portugal, informa que as inscrições para a VII Antologia de Poetas Lusófonos já se encontram abertas.
O prazo de entrega dos trabalhos decorre até dia 31 de maio de 2015.
Depois do sucesso das Antologias de Poetas Lusófonos anteriores, a Editora Folheto Edições & Design, com o apoio institucional de várias associações, academias e instituições dos países lusófonos, decidiu lançar o regulamento para a VII Antologia de Poetas Lusófonos com o intuito de continuar a promover a poesia e os poetas dos países lusófonos, assim como promover um elo de ligação entre todos os poetas da Língua Portuguesa, neste momento em 22 países.
O tema dos poemas é livre, cabendo, no entanto, à Comissão de Avaliação considerar a pertinência da sua publicação. Todos os trabalhos inscritos serão submetidos à Comissão de Avaliação que, em tempo útil, informará o participante sobre a seleção, ou não, do(s) poema(s) enviado(s).
Os critérios de apreciação serão da responsabilidade da Comissão de Avaliação.
Entre algumas de suas exigências:
1.             Os poemas devem ser digitados em Word, corpo 12, Times New Roman, em língua portuguesa e deverão ser entregues em formato papel, digital ou por e-mail.
2.          Os poemas têm de ser enviados, ou entregues, em/para: Folheto Edições & Design – Praça Madre Teresa de Calcutá, Lote 115, Loja 1 – 2410-363 Leiria – Portugal, ou através do endereço electrónico folheto@gmail.com, até ao dia 31 de maio de 2015, acompanhados da respectiva ficha de inscrição, fotografia pessoal e nota de apresentação.
Observação: paga-se taxa de inscrição. Ver Regulamento.
O Regulamento completo e a ficha de inscrição estão disponíveis nos seguintes endereços:
www.folheto.pt  ou no facebook.
O telefone de contato: (00351) 244 815 198



"19º Festival de Esquetes de Fortaleza", de terça a domingo, no Teatro Dragão do Mar


Com 19 anos de produção ininterrupta, o Festival de Esquetes de Fortaleza (FESFORT), idealizado pelo ator, dramaturgo e produtor cultural Carri Costa, trará 22 peças de grupos de quatro estados do Brasil, homenageando ao longo da programação o notável artista cearense Ilclemar Nunces.

O Festival será realizado no Teatro Dragão do Mar, entre 5 e 10 de maio de 2015, oferecendo quatro esquetes por dia, desde as 18 horas. 

Para comemorar a sobrevivência do teatro cearense, mesmo em um contexto tão adverso para as artes cênicas, o FESFORT fará entrega da comanda "Theatro Concórdia" a diferentes homenageados: grupo teatral, instituição cultural, produção teatral e personalidade teatral. Na edição de 2015, a comenda será entregue ao "GRUPO FORMOSURA", à instituição IFCE, ao produtor teatral WILLIAM MENDONÇA, e à personalidade teatral BETÂNIA MONTENEGRO.

SERVIÇO
LOCAL: TEATRO DRAGÃO DO MAR
DATA: de 05 a 10 de maio de 2014 (de terça a domingo)
HORÁRIO: A partir das 18h
Inteira R$ 4.00 – Meia R$ 2.00

INFORMAÇÕES: (85) 3219 9493 – (85) 8517 2301 - E-mail: carricosta@hotmail.com;
INFORMAÇÕES E ENTREVISTAS: CARRI COSTA (DIRETOR GERAL): (85) 3219 9493 – (85) 8517 2301 - E-mail: carricosta@hotmail.com
COORDENAÇÃO GERAL:  Carri Costa – PRODUÇÃO: APTECE – COORD. DE PRODUÇÃO: Socorro Amarante; Assessoria de imprensa: César A. Martín - Coordenador Técnico: Adriano Pessoa

 HISTÓRICO do FESFORT

Em 1997 no intuito de comemorar um ano da inauguração oficial do TEATRO DA PRAIA, a Cia. Cearense de Molecagem decide realizar um festival de teatro. Surge então sob a coordenação dos atores Carri Costa e Eddie Ferreira o Festival de Esquetes de Fortaleza, o FESFORT. Para estimular os nossos artistas premiamos os destaques da primeira edição com o troféu TEATRO DA PRAIA, substituído nos anos seguintes pelo troféu GASPARINA GERMANO, uma justa homenagem à atriz cearense ícone das décadas de 30 e 40. A cada ano elegemos um baluarte de nossa história para ser homenageado como reconhecimento por seu talento e dedicação ao fazer teatral. Eis os MESTRES DO TEATRO CEARENSE: 1997 - Gasparina Germano, 1998 - Antonieta Noronha, 1999 - Clóvis Matias, 2000 - Ary Sherlock, 2001 - Marcos Miranda, 2002 - Haroldo Serra, 2003 - Fernanda Quinderé, 2004 - Ricardo Guilherme, 2005 - Hiramisa Serra, 2006 - Jane Azeredo, 2007 - Artur Guedes, 2008 - Marcelo Costa, 2009 - Walden Luis, 2010 - Ivanilde Rodrigues, 2011 - Deugiolino Lucas, 2012 - Ana Marlene, 2013 - Fernando Piancó, 2014 – Graça Freitas...2015 – Ilclemar Nunes!
 Desde 1997, o FESFORT objetiva criar um espaço para que artistas de teatro e pessoas interessadas possam vivenciar textos/roteiros, linguagens cênicas, processos de montagem e produção com plena liberdade de criação, permitindo fluir sem receios suas mais variadas ideias de encenações e, consequentemente, reafirmar valores e descobrir outros. Nesses 19 anos o FESFORT se firmou como um festival que representa e estimula a produção teatral em nossa capital.  Em 2013 mais de 1.000 expectadores e em torno de 240 profissionais entre diretores, cenógrafos, figurinistas, autores, maquiadores, iluminadores, produtores e atores, protagonizaram esta ação cultural.
Inserido no CALENDÁRIO CULTURAL DO ESTADO desde 2010 o FESFORT atualmente é produzido pela APTECE - ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES TEATRAIS DO CEARÁ, instituição sem fins lucrativos atuante na área teatral do Estado desde 2002. 

19ª FESFORT - 2015
PROGRAMAÇÃO: ordem de apresentação e espetáculos

Terça-Feira, 05/5 - Solenidade de abertura
PALÍNDROMO
ÓRFÃOS POR UM INSTANTE 
LEVEMENTE
O PERSONAGEM ENCARNADO

Quarta-feira, 06/5
NA PÁGINA 54 
OLHOS DE AZEVICHE 
DOCE VERMELHO
COMO ELE MENTIU PARA O MARIDO DELA

Quinta-feira, 07/5
A MORTALHA
PECADOS DE INOCÊNCIA 
ONÍRICOS
INQUIETADO
ALCALINAS PARA UMA FOCA 

Sexta-feira, 08/5
O MENINO E A LUA
A MATANÇA DO PORCO
ISADORA OMAR 
BOLHAS 
ENSAIO SOBRE AMORES DOENTIOS E ESPÍRITOS LIVRES DA FLORESTA

Sábado, 09/5
O AMOR COMCORDADOR
FLORBELA 
O EDREDOM
A BOLSA 
UM MINUTO PARA DIZER QUE TE AMO

Domingo, 10 /5 - Festa de premiação

Apresentação da esquete vencedora de Júri Popular
Apresentação do espetáculo convidado: "QUANDO O SOL VEM À JANELA", pelo Grupo pernambucano: EU E ELAS COMPANHIA DE TEATRO com texto e direção de Luiz Navarro. RELEASE: A delicada encenação de Luiz de Lima Navarro sobre o drama da perda gradativa da memória. Quando o Sol Vem à Janela* conta a história de Guida, uma senhora que convive com a doença de Alzheimer e de Amélia, que através da sua música busca criar uma ponte capaz de trazer de volta suas lembranças. Amor, amizade, dedicação e companheirismo são alguns dos sentimentos que permeiam o universo destas duas mulheres. Com a cantora Nice Albano e a atriz e arte-educadora Evânia Copino no elenco.
Participação das cantoras Masor Costa, Fabiola Liper e da musicista Sara Kelly:

domingo, 3 de maio de 2015

"Viagens", de Pedro Salgueiro, para O POVO


Sempre fui de viajar bastante. Quando criança transitava pelos distritos mais próximos da minha pequena Tamboril, adorava visitar com meu pai os parentes nos vilarejos à beira do Acaraú; sempre corria estradas a pé ou de bicicleta com os amigos. Um dia fiquei encantado pela primeira vez com uma cidade “grande”, Crateús à beira do Poti. Certa vez fui conhecer minha avó paterna, Inácia, em Nova Russas. Já quase rapazinho corri de ônibus ainda em estrada de terra até o fim do mundo, era Fortaleza.
Depois ganhei mundo com muita vontade, vivia de mochila pronta; até descobrir que, naquela ânsia toda, apenas fugia de mim mesmo. As viagens para mim foram antes de tudo terapêuticas, aliviavam ansiedades, frustrações; então senti que, se não parasse, nunca mais voltaria: à minha cidade, à minha família, a mim mesmo. Com dois filhos fui fazer viagens imaginárias, pelos interiores; perdi quase que por completo a vontade de percorrer mundos.
Dia desses sonhei que tentava correr e algo me segurava ao chão, como se galhos imaginários se enroscassem em minhas pernas, tentava alçar voo e uma espécie de imã gigante me prendia ao solo: comecei a pensar que era a fatal atração da terra, que vai, a partir de certa idade, nos prendendo, nos sugando ao inevitável pó.
Como antídoto, imaginei-me viajando: peguei novamente a velha mochila já bem avariada; pus no sol para tirar o mofo, catei as roupas mais confortáveis, um que outro livro de aventuras (dessa vez não esqueci o cartão de crédito, o plano de saúde, o termômetro e os indispensáveis remédios da pressão). Será, penso, a minha última tentativa de fuga.
Sempre detestei ser um turista típico, daqueles que se vestem como turistas, que agem como turista, que compram como turista. Desses que antecipadamente mapeiam os pontos turísticos em cada cidade a que vai visitar, que tiram mais fotografias do que olham (e sentem) propriamente as paisagens.
Sempre adorei me disfarçar de nativo, sem dar mínima “bandeira” de que era de fora: enfim, me incorporar a cada lugar percorrido, sentir seus sabores e saberes, ouvir seus sons, preconceitos e blefes.
Dia desses cheguei, ao conversar com um garçom, a assumir uma identidade falsa de morador que tinha família quase secular na cidade, que estava apenas retornando depois de muitos anos fora; aproveitei para me inteirar das novidades, do “povo mais novo”; dos lugares da moda.
Acabei confessando que fui na meninice parceiro de futebol do pai dele, lá pras bandas daquele bairro antigo do qual fiquei no dia anterior pela primeira vez encantado.
Marquei até de visitar o velho uma semana depois, quando seguramente eu já teria retornado à minha casa do outro lado do país.
Mas o bom mesmo das viagens é ver o nosso seguro mundinho bem de longe; ver que ele segue inabalável com sua rotina como se jamais tivéssemos feito parte dele. Ver como as coisas andam tão bem sem a nossa presença, como não fazemos a mínima falta.
E depois desse susto o melhor mesmo é voltar. Antes que seja tarde demais!


"Semana do Meio Ambiente 2015 dos Movimentos Socioambientais do Ceará", encontro preparatório (5.5)

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Ilustração: Audifax Rios

Ambientalistas, amantes da natureza e da vida, entidades e integrantes de movimentos socioambientais estão se mobilizando para articular a Semana do Meio Ambiente 2015 dos Movimentos Socioambientais do Ceará, com atividades previstas para o período de 31 de maio a 7 de junho de 2015.
A primeira reunião foi realizada no dia 28 de abril, às 17h30, na ADUFC.
Acontecerão outras reuniões semanais com datas e locais que serão informados na página do evento no Facebook (https://www.facebook.com/events/1608562529384962/) e em outros meios de comunicação alternativos.
O segundo Encontro para Articulação da Semana do Meio Ambiente 2015 dos Movimentos Socioambientais do Ceará acontecerá no dia 5 de maio de 2015, terça-feira, a partir das 18h, na Praça da Gentilândia, no Benfica.
Todos estão convidados. Quem puder e quiser, por favor, convide e compartilhe essa informação. O espaço é democrático e a causa mais que justa.
Entre os mobilizadores e coordenadores dos encontros está o jornalista Ademir Costa, que há anos é responsável, com Luíza Vaz Costa, pelo incansável Movimento Proparque (Parque Rio Branco), caso queiram se comunicar e tirar suas dúvidas sobre os encontros e atividades:
Contatos Ademir Costa: (85) 9994.9052/ 3254.1203/3299.3737


"Oração dos Filhos de Audifax Rios", na íntegra, mensagem da família para o pai no dia de seus ritos fúnebres


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Dizem os antigos, em sua sabedoria, que o sofrimento e a impermanência são as marcas da vida do homem sobre a terra. Para vencer o sofrimento, o homem inventa prazeres e alegrias passageiras, como se pudesse afirmar a vida em uma fantasia constante. Para vencer a impermanência, o homem constrói pirâmides e títulos para que guardem e imortalizem a sua memória, como se fosse possível parar a marcha incessante do tempo.
Essas filosofias falam de um homem abstrato, ainda não nomeado em sua unicidade e particularidade intransferível. Hoje aqui, não falamos de um homem abstrato, mas de uma pessoa real, concreta, tangível: o nosso pai Audifax Rios. O sofrimento da vida, de forma mais generosa e inspirada, nosso pai transformou em arte. As suas pinturas tinham, muitas vezes, cores fortes e intensas, como se dos seus quadros a vida brotasse em toda a sua energia e esplendor. De outras vezes, os seus desenhos tinham traços grossos e de contrastes marcantes, como a xilogravura recortada na umburana bruta, para melhor simbolizar os sofrimentos e alegrias do seu povo.
Muito teríamos que falar do nosso pai como artista plástico, escritor, jornalista, editor, militante ativo de estéticas e éticas transformadoras, com grande importância artística na invenção de uma alma cearense e na afirmação da construção do nosso processo identitário. Deixemos que os memorialistas, que os críticos, que os escritores amigos se encarreguem dessas tarefas. Aqui queremos falar da pessoa que amamos, do nosso pai querido, sempre tão amoroso e solidário.
Se o homem nasce para se realizar através do amor, da amizade e da arte, podemos dizer que o nosso pai, nessa vida, realizou-se. A morte é apenas a completude dessa realização, imortalizando-o em nossas memórias e em nossos corações. Diante da impermanência de todas as coisas, ele afirmou a eternidade do amor.
Um amigo da nossa família contou-nos que, ao saber da morte do nosso pai, foi para casa, em estado de pesar e aflição. No prédio onde morava, com espantosa sincronicidade, encontrou um pequeno pássaro, que entrara por uma fresta, encolhido em recanto do corredor. Ele aproximou-se, o pássaro pousou no seu dedo, e ele pode levá-lo até a janela. Diante da amplidão, o pássaro ganhou os céus e voou até sumir entre as nuvens.
Seria este acontecimento uma abençoada metáfora para acalentar os nossos corações inconsoláveis. Seria a vida este corredor estreito, e voo do pássaro a libertação do espírito que novamente reencontra o Amor de Deus, em sua infinita misericórdia?
Da vida o que fica? O que fica é o tesouro que a traça não rói e a ferrugem não devora... O que fica é o intangível, o imaterial, o que se esconde no fundo da alma e podemos chamar de amor, solidariedade, amizade, beleza, gratidão...
Tudo o mais, pelo tempo e pelas leis da vida e da morte, é transformado em pó. Pó o corpo, pó a casa, pó os troféus e as medalhas que anunciam os prêmios e as glórias, pó as alpargatas com as quais pisamos a terra bárbara na construção de caminhos sobre o mundo... Tudo pó, feito os grãos de areia das dunas que abandonam o mar e, nas asas do vento, voam em busca do sertão.
O sertão é o território mítico e sagrado na vida e na arte do nosso pai. Na sua última crônica, publicada no dia 24 de abril, no jornal O POVO, ele escreveu comovido sobre a sua terra:
"Acaraú, rio das garças. Ato primeiro, assim que me apeio na terrinha, uma chegada na beira do rio, que é também dos acarás, no antigo porto das canoas, a fim de dar uma conferida em seu leito e arredores. De costas para a igreja matriz, oração silenciosa destinada aos peixes e aves, também criaturas de Deus".
Depois dessa oração, como introito, na mesma crônica falou dos amigos de infância, dos banhos na beira do rio, das histórias de assombrações, das narrativas imemoriais de índios e conquistadores da terra... Falou das festas e dos amores, da igreja e das festas da padroeira, dos mortos que o tempo encantou, numa litania sensível, feito Antônio Conselheiro quando se despediu do mundo, rezando:
"Adeus morros, adeus árvores, adeus flores, adeus passarinhos.... Adeus meu povo de Deus".
Essa última crônica escrita pelo nosso pai tinha o dom profético de uma carta de despedida. Não foi por coincidência que, para partir desse mundo, o nosso pai escolheu Santana do Acaraú, a sua querida Licânia – o mesmo lugar que o viu nascer. Em tudo a marca do sertão profundo e da infância mágica que ecoou em forma de arte e cores e poesias, até o último momento da sua vida. Morreu perto dos sentimentos mais profundos e dos mitos fundadores da sua vida. Assim, ele fechou o ciclo da vida, reencontrou a dimensão cósmica da sua reunião com Deus, na terra da bem aventurança. Morreu nos vastos prados do sertão sagrado.
É belo e profundo o Salmo de Davi que reza: "O Senhor é o meu pastor; nada me falta. Em verdes prados me faz descansar, e para águas tranquilas me guia em paz".
Os sábios antigos e os santos do sertão – Padre Ibiapina, Antonio Conselheiro, Padre Cícero, beata Maria de Araújo e Beato José Lourenço, junto com os anjos, acompanham o nosso pai à morada do Senhor, nos infinitos sertões do céu. Abençoados pela última invernada, os prados de Santana do Acaraú estão verdes, os vaqueiros aboiam despedidas dolentes e os passarinhos cantam suas canções mais bonitas. De forma mais intensa, choramos nós nesses momento de comunhão com o Sagrado.
Como nas brincadeiras antigas do Reisado, em nossos corações, ecoam os versos dos brincantes no terreiro, quando a lua já estavam alta e eles, antes de partir, cantavam: "Despedida, despedida, despedida dolorosa, eu não sei como separam o cravo do pé de rosas". O nosso pai era o cravo balsâmico das nossas vidas e nós somos as rosas órfãs e frágeis. Juntos formamos o mesmo buquê oferecido, em suavidade e perfume, ao jardim de Deus.

Adeus, pai.


sábado, 2 de maio de 2015

"Memória de Encantamento de Audifax Rios", tributo de Raymundo Netto para O POVO

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Ilustrações de Audifax Rios

AUDIFAX RIOS era um príncipe... em pele de sapo! Assim, para reconhecê-lo era inevitável, acima de tudo e de tantos, amá-lo, condição única para o desencantar dos olhos viciados a se deslumbrarem com fachadas enganosas, caiadas de injustificada arrogância e empavonamento, ilusões pela conta bancária e por medalhas de araque que, solenes, apenas imitam e plagiam o ouro.
Tímido, virtuose da humildade, não se enganem: trazia no peito amoroso a convicção do seu trabalho, do talento e da originalidade. Empunhava o bastião da cultura “para que não desabasse por falta de quem por ele lutasse, pois olho grande é o que não falta”, e assim inventava De Um Tudo: pintava, desenhava, escrevia, pesquisava, publicava, cercava-se de amigos, admiradores e o escambau.
Contudo, costumava dizer que os artistas visuais da maroceânica Fortaleza não o reconheciam como tal e por isso preferia, por ora, escrever. Como assim não reconheciam? É “oito ou oitenta!”
Lembro-me de uma ocasião em que estava no lançamento de uma revista nossa – não perdia eventos dos amigos – e soube da presença da Ana Miranda. Acanhado, perguntou se eu poderia fotografá-lo com ela. Chamei a Ana e o apresentei. Ela imediatamente disse que era sua leitora e o nosso artista quase se desmanchou: “Deve ler uma vezinha ou outra...”, disse, disfarçando a face encarnada com sorriso da criança que nunca deixou de ser.
Tive a sorte de conhecer e aprender muitas coisas com o mestre combo-artista. Trabalhamos juntos em alguns projetos. Gostava de estar a seu lado, pois, além de ouvir cambalhóticas histórias da sua confidente e amante lourinha, sentia a segurança de falar, de rir, de ser eu mesmo, e de ele gostar disso! Audifax nada nos pedia, nem queria. Sua alma já estava de todo salpicada de riquezas invulgares.
Certo dia, um gaiato ao ler a crônica que escrevi em que Audifax era o protagonista, disse-lhe: “O Raymundo Netto falou mal de você no jornal!” Ele, por sua vez, com sua voz pachorrenta, tascou: “Cara, o Raymundo é meu amigo, pode falar mal de mim. Os inimigos é que eu não deixo!”
No mais a mais, recebia seus telefonemas ou o acolhia na recepção do O POVO. No meio da conversa, leitor dos cronistas da casa, lançava uma graçola no ar. Às vezes eu “voava”. Ele, percebendo, me chamava a atenção: “Cara, está na tua crônica dessa semana...” E ria-se. Daí, eu retornava falando sobre a sua, a das sextas, de palavreado sertanejo, meio moleque, narrativa gostosa e irônica, de riso, fé e dor, nas quais conseguia o milagre de trazer à vida e à humanidade personagens que se foram há tempos e que, para mim, até então, tinham ares de estátuas frias.
Em “Rio Acaraú: um filete de esperança”, última crônica publicada no jornal O POVO, Audifax profeticamente se despedia da Santana infantil de não tantas priscas eras, pisando na beira do rio, revendo amigos que se foram e o sol risonho que sempre pintou, caminhando por entre o rosário de serras, acenando com lenço branco as velhas promessas, as lapinhas licânicas e histórias como a de um Raimundo, outro que não eu, o canoeiro, vítima, imaginem, de um infarto fulminante. Um infarto. “Haja Nostradamus!”.
Ultimamente tenho escrito frequentes crônicas-obituários, o que entristece e me farta de vazio, exceto pela saudade daqueles que nos deixam no meio do caminho. Penso que o Audifax, trajando uma de suas berrantes camisas, pegou carona em um de seus peixes voadores cobertos de escamas coloridas, feito lantejoulas carnavalescas, entre nuvens miscelânicas, no meio de uma procissão de um conselheiro Antônio, sendo recebido pela luz e pela glória daqueles que ele nunca nos deixou esquecer.
Ah, como é ingrata a dona morte, que pegou na distração nosso amigo de coração mole de ribeirinho, silenciando a ceia larga do seu caprino clube, no qual enquanto fiel sentinela e guardião não nos deixava sair sem assinar o irreverente caderno de atas. Deixa para trás e para nós o lamento distribuído entre Deus e o mundo, ciente de que o Altíssimo dessa vez acertou e levou o melhor entre todos nós.

Dobram os sinos e o sineiro, e, como dizia AR: “depois do episódio maligno, tudo divino no quartel de Quirino”. Vai com Deus, querido Audi, e voe com a gente quando desmorrer!


Entronização no livro de atas do Clube do Bode, 
Galeria Caprina nº 225, 
abril de 2015, por Audifax Rios


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Registro de fotos do lançamento de "Crônicas Absurdas de Segunda", de Raymundo Netto


Registro de fotos, por Helton Oliveira​, designer e fotográfo, do lançamento de Crônicas Absurdas de Segunda, de Raymundo Netto, no Espaço O POVO de Cultura & Arte, dia 11 de abril de 2015.

Para ver as fotos, clicar no link a seguir:

A obra traz uma seleção de textos do autor publicados entre 2007 e 2010 no caderno Vida & Arte do jornal O POVO. Neles, o cronista caminha pela cidade e a reconhece por meio da voz de seus escritores, na maioria cronistas, como: José de Alencar, Rachel de Queiroz, Airton Monte, Nilto Maciel, Mário Gomes, José Alcides Pinto, Ana Miranda, Pedro Salgueiro, Francisco Carvalho, Narcélio Limaverde, Nirez, Oswald Barroso, Demócrito Rocha, Ramos Cotoco, Jorge Pieiro, Sânzio de Azevedo, Estrigas, Nice, Antônio Sales, Quintino Cunha, Audifax Rios, Ciro Colares e mais uma seleção de personagens inesquecíveis e imprescindíveis de Fortaleza.

Para adquirir a obra (capa dura, 232 páginas), a partir de 6 de maio, por meio da livraria virtual da Fundação Demócrito Rocha: www.livraria.fdr.com.br

Valor do investimento: apenas R$ 30,00 + frete.
Fale com o autor: raymundo.netto@uol.com.br