quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Lançamento "Nem Um Dia Sem Uma Linha" de Joan Edessom de Oliveira (01.10)

A Prefeitura Municipal de Sobral, por meio da
Secretaria da Educação e da Escola de Formação Permanente do Magistério, e o
Grupo de Pesquisa História e Memória Social da Educação e da Cultura da Universidade Estadual Vale do Acaraú/UVA
convidam para o lançamento do livro:
Nem Um Dia Sem Uma Linha:
a oficina de trabalho do Padre Osvaldo Carneiro Chaves

do professor, poeta e escritor
JOAN EDESSON DE OLIVEIRA

O autor e a obra serão apresentados pela
Profa. Izolda Cela,
Secretária da Educação do Estado do Ceará.

1º de outubro de 2009, às 19 horas
Centro de Convenções de Sobral – Auditório Plutão
Divulgue para os amigos!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Lançamento "A Eloquência do Ódio" de Manuel Soares Bulcão Neto (29.09)


A Eloquência do Ódio:reflexões sobre o racismo e outras alofobias
(editora Livro Pronto/SP)
Livro de Manuel Soares Bulcão Neto

Data: 29 de setembro de 2009 (terça-feira)
Horário: a partir das 19h
Local: Espaço Cultural FAUSTINO/ Restaurante Faustino (Av. Beira-Mar, 3821)
Coquetel de lançamento: até as 21h
Preço promocional na ocasião: R$ 25,00 (vinte e cinco reais)
Contato com o autor (para aquisição de livros e/ou outros): manuelbulcao@uol.com.br

Trecho da Obra:
“Em nome de abstrações biomorfizadas ou antropomorfizadas, pelos interesses misteriosos de grandes ideias substancializadas (a Pátria, a Raça, a Classe, a Letra sagrada...), os homens se desindividualizam, submergem "felizes" na indiferença das massas, convertem-se em instrumentos voluntários, infligem sofrimentos indescritíveis nos outros — "nos estranhos, nos diferentes..." — e em si mesmos, matam e se matam com volúpia, chegando, inclusive, a despersonalizar esta que é a experiência mais íntima: a experiência da morte.

Realmente, como disse Hannah Arendt (1906-1975), o que foram os campos de extermínio de Treblinka, Auschwitz-Birkenau e Sóbibor senão fábricas cujo produto final era a Grande Morte Anônima e Coletiva? Judeus, ciganos, membros da elite polonesa e prisioneiros de guerra soviéticos, antes de serem assassinados, eram despojados de suas roupas, barbas, bigodes, cabelos, em suma, de qualquer coisa que denotasse gosto pessoal e, portanto, uma personalidade. Nos fornos crematórios, sob a grelha, a cinza e a gordura dos corpos nus se misturavam numa gosma indiferenciada, “impessoal”. E todas as almas seguiam para o Céu em legiões difusas, por chaminés, na mesma lufada de fumaça.”

Sobre o AUTOR: Manuel Soares Bulcão Neto nasceu em 1963 na cidade de Fortaleza. Em 1988 bacharelou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará. Ensaísta e escritor, publica artigos no site do Observatório da Imprensa. Tem se dedicado a estudos críticos sobre questões filosóficas fundamentais do mundo contemporâneo, sobretudo no que tange às implicações sociopolíticas dos avanços atuais da ciência. É autor de AS Esquisitices do Óbvio (2005) e Sombras do Iluminismo (2006).

domingo, 27 de setembro de 2009

Ficou mais fácil participar do VI Edital de Incentivo às Artes


Oficina de Elaboração de Projetos para o
VI Edital de Incentivo às Artes da SECULT

— Literatura, Livro e Leitura —

Data: 03.10.2009 (sábado)
Horário: a partir das 8h30
Local: Salão de Eventos da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel (ao lado do Dragão do Mar)
Inscrições e Informações: (85) 3101.6794

O Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, disponibiliza o maior recurso já destinado na história do Fundo Estadual de Cultura para o fomento de ações desenvolvidas por profissionais do livro e da leitura (categorias e link do Edital logo a seguir).

Como é do interesse desta Secretaria favorecer a participação de todos, democratizando cada vez mais os recursos e apoiando iniciativas legítimas e eficientes de incentivo, produção, fruição e formação cultural, realiza, por meio de sua Coordenadoria de Política do Livro e de Acervos e de seu Programa Por Um Pacto Social Pelo Livro, esta Oficina de Elaboração de Projetos (EXCLUSIVAMENTE para Literatura, Livro e Leitura), oportunidade para que juntos possamos discutir, tirar nossas dúvidas, saber quais os principais “descuidos” praticados pelos proponentes e quais os principais critérios analisados pela Comissão de Análise e Seleção de Projetos das referidas áreas, além de conhecer algumas dicas importantes para elaboração de seu orçamento (principalmente gráfico) e reunir os principais atores da área.

Acredite, inscreva-se, participe e convide seus amigos.

As vagas serão limitadas!

Outras Informações:
Literatura, Livro e Leitura (Total disponibilizado: R$ 712.000,00)*

· Criação Literária (até 06 projetos, R$ 12.000 cada)
· Formação Literária (até 06 projetos, R$ 12.000 cada)
· Programa de Incentivo à Leitura (até 10 projetos, R$ 40.000 cada)
· Republicação de Obra Esgotada e de Valor Cultural (até 04 projetos, R$ 12.000 cada)
· Pesquisa em Cultura Cearense (até 10 projetos, R$ 12.000 cada)
(*) metade para a Capital e metade para o interior do Estado.

Para acessar o Edital na íntegra:

http://www.secult.ce.gov.br/categoria1/VI-EDITAL-DE-INCENTIVO-AS-ARTES-MINUTA.pdf

"Vamos Fugir..." crônica de Pedro Salgueiro para O POVO

"O Grito" de Munch/ Rubem Fonseca/ Cartaz de "Laranja Mecânica" de Kubrick

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Vamos Fugir...

"Vamos fugir pra outro lugar, baby,
onde haja um tobogã onde
a gente escorregue"
(Gilberto Gil)

Faz algum tempo que eu e alguns amigos, diversos familiares, dois ou três conhecidos, temos conversado muito e frequentemente sobre a impossibilidade crescente de se viver numa grande cidade. Pensamos em ir embora pra bem longe, mas bem longe é apenas uma forma do medo ir tentando anular os terríveis perigos que nos rondam. Não vivemos mais tranquilos em canto nenhum, na rua, no bar, na esquina, botando o lixo na calçada, no trânsito nem se fala, na cama... Do interior do Estado nos chegam notícias aterrorizantes, de roubos, saques, drogas e medos, medos, medos... Onde então nossa Passargada?

Vivemos numa ditadura do medo, andamos sobressaltados, mesmo de manhãzinha na caminhada, no café da padaria, no cochilo da novela. O perigo nos ronda por todos os lados: basta que liguemos a TV, o rádio, os sentidos.

Talvez esse medo só vá ser sentido mais claramente nas próximas décadas, nos fetos prematuros, nos filhos violentos, nos avós insones, nas mães aflitas. Nas mãos, sim, nas mãos. A doença do medo ultrapassará o câncer, o infarto, as doenças fora de moda e as da moda. O medo dominará o mundo, o ser humano construirá pra si não mais casas e apartamentos, mas prisões domiciliares... e a polícia não servirá pra proteger os de fora, os outros, porém os de casa, os guardados.

Os bairros serão separados, grandes portões nos finais das ruas, câmeras em todas as árvores. Viveremos que nem as gangues, os daquela rua em diante serão nossos inimigos mortais. Nossa querida e sonsa loirinha descamisada pelo sol se tornará uma imensa fronteira da Aerolândia com o Lagamar. Estádios de futebol serão fechados, assistiremos às pelejas pelos canais fechados e os jogadores terão lugares determinados pra comemorarem os gols, em pontos estratégicos bem longe da fúria das torcidas organizadas.

Construirão grandes condomínios fechados, auto-suficientes, com escolas, supermercados, transportes individuais. Aos poucos cada unidade condominial se tornará naturalmente mais complexa, terão que ter não mais síndicos, mas prefeitos, vereadores, juízes internos; não demorará muito e serão necessárias prisões.

Pois, inevitavelmente, sem que nenhum de seus muros tenha sido violado pelos de fora, o medo terá invadido as fortalezas, as de Nossa Senhora de Assunção ou não.

``Porque ele nunca teria ficado apenas do lado de fora``, diz a senhora religiosa. Ah, sim, as religiões, claro, crescerão e se multiplicarão. Medo, pelo medo... — Como solução, proponho que se subdividam todos os condomínios fechados em unidades residenciais, grunhiu o prefeito, que fora um dia síndico e que acha que tem conhecimentos acumulados pra cuidar de sua própria casa. Mas tem dúvidas...

Não demorará muito e nossa obra de arte mais apreciada e valorizada será O Grito, nosso escritor predileto será Rubem Fonseca, nosso filme adorado será Laranja Mecânica.

Mas também sei que quando finalmente chegar essa época nosso pavor terá se transformado em fascínio, pois inevitavelmente o medo nos terá vencido.

PEDRO SALGUEIRO é escritor. Publicou O Peso do Morto (1995), O Espantalho (1996), Brincar com Armas (2000), Dos Valores do Inimigo (2005) e Inimigos (2007), de contos; além de Fortaleza Voadora (2007), de crônicas.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Falecimento de Alberto Porfírio, patrimônio vivo da cultura cearense

Amigos ao lado de Alberto Porfírio durante as homenagens a ele na Feira do Sebo (SECULT) de Literatura de Cordel (2008). Foto: Luizinho Ferreira
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Faleceu, na manhã de ontem, o poeta, escritor, escultor e cantador Alberto Porfírio, que, há cerca de sete meses, lutava contra uma fibrose pulmonar causada pelo contato com o cimento, uma das matérias-primas de sua arte. Antes disso, ele já havia sido acometido por um AVC, que o deixou semiparalítico, mas que, conforme dizia, não o fez perder o senso. Filho de pai agricultor e de poucos recursos, Alberto tinha deixado o hospital pela última vez em agosto, depois de uma melhora parcial. Na semana passada, no entanto, ele teve de ser internado novamente na UTI do Hospital Antônio Prudente. Dessa vez, ele não resistiu. ``Foi um grande sofrimento, mas, graças a Deus, ele está agora descansando``, afirma Eugênia, filha dele que, no fim de sua vida, supriu a deficiência do pai datilografando ou digitando seus escritos.

Ao longo de seus 83 anos de idade, o multi-artista nascido no município de Quixadá chegou a presidir a Casa do Cantador e traçou uma carreira que o tornou, segundo o cantador e repentista Geraldo Amâncio, um nome de grande importância para a cultura cearense. “Além de sua produção, ele tinha também um lado intelectual. Ele dava aulas sobre métrica, rima, escrevia sonetos e livros”, explica. “Ele é de uma época em que, em toda família, havia mais de um cantador”, lembra de forma nostálgica Geraldo, referindo-se a um artista que, de fato, tinha família grande, de nove pessoas no total.
Antes de morrer, Alberto se preparava para lançar uma autobiografia, o que deveria acontecer em dezembro. Apesar de sua morte, a filha dele garante que o livro será lançado, conforme a vontade do pai. Seu corpo foi velado no período da noite, na própria Casa do Cantador, instituição que ajudou a fortalecer.
Fonte: O POVO

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

"Os FitoManos" de Raymundo Netto em "A Humanidade"

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III Conferência Municipal de Cultura em Fortaleza

Van Gogh

O Secretário Executivo da Secretaria de Cultura de Fortaleza (SecultFOR), Márcio Caetano, está se reunindo com as classes artísticas para divulgar e debater a III Conferência Municipal da Cultura. É a oportunidade para que os atores da Literatura, do Livro e da Leitura (escritores, editores, livreiros, ilustradores, mediadores de leitura, etc.) possam se manifestar.


A reunião acontecerá na Biblioteca Pública Dolor Barreira (Av. da Universidade, 2572), dia 22 de setembro de 2009, terça, às 19 horas. Na pauta, haverá também informes gerais sobre o Seminário Do autor ao leitor: caminhos da literatura, do livro e da leitura no Estado do Ceará, promovido pelo Fórum de Literatura do Estado do Ceará (FLEC), em parceria com a Assembleia Legislativa.


Segue abaixo, um release informativo sobre a Conferência:

III CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE CULTURA DE FORTALEZA


A Conferência Municipal de Cultura de Fortaleza é um espaço de consulta pública, reconhecido e convocado pelo Poder Executivo Municipal, no qual a sociedade civil e os representantes governamentais debatem princípios e diretrizes a fim de orientar a política e a gestão municipais da Cultura. A proposta central é estabelecer, de forma participativa e democrática, um novo modelo de gestão que, após as reformulações institucionais necessárias, vem reorganizar o papel do poder público municipal e da sociedade civil na área cultural.


Em 2005, a primeira edição da Conferência resultou na assinatura de um Protocolo de Intenções entre a Prefeitura de Fortaleza – representada pela Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (FUNCET) – e o Governo Federal – representado pelo Ministério da Cultura (MinC) – para a implantação do Sistema Nacional de Cultura, uma articulação/pactuação entre os governos (municipais, estaduais e federal) e a sociedade civil para coordenar planos e ações públicas para a Cultura em todo o país.


Na II Conferência Municipal de Cultura de Fortaleza, realizada entre 13 de novembro e 15 de dezembro de 2007, firmou-se o compromisso de criação da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural (COMPHIC) e do Conselho Municipal de Política Cultural. Essas ações legitimam a Cultura como um campo estratégico para a atual administração e dizem sobre o compromisso da atual gestão com a democratização das decisões políticas e a institucionalização de instrumentos de democracia participativa.


Etapa integrante da II Conferência Nacional de Cultura, a III Conferência Municipal de Cultura pretende discutir a cultura nos seus aspectos da memória, de produção simbólica, da gestão, da participação social e da plena cidadania; propor estratégias para o fortalecimento da cultura como centro dinâmico do desenvolvimento sustentável; promover o debate entre artistas, produtores, conselheiros, gestores, investidores e demais protagonistas da cultura, valorizando a diversidade das expressões e o pluralismo das opiniões. Entre seus objetivos, a III Conferência deverá aprovar diretrizes que orientarão a política nacional de cultura, a elaboração do Plano Municipal de Cultura de Fortaleza e a implantação do Sistema Municipal de Fomento à Cultura de Fortaleza; aprovar o Plano de Ação para as cidades históricas; e eleger delegados para a etapa estadual da II Conferência Nacional.


Com o tema geral “Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento”, a III Conferência Municipal de Cultura será realizada nos dias 27, 28 e 29 de outubro de 2009. Desde já, é o momento de afirmarmos a Cultura como política de Estado e não de governos. Daí a importância da participação de todos e todas no ciclo de debates preparatórios para a III Conferência Municipal de Cultura.

domingo, 20 de setembro de 2009

Lançado o VI Edital de Incentivo às Artes com o maior recurso já disponibilizado pelo Fundo Estadual de Cultura/FEC

Estão abertas até o dia 19 de outubro as inscrições para o VI Edital de Incentivo às Artes. Com verba oriunda do Fundo Estadual de Cultura – FEC, o Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura/Secult, investe recurso da ordem de R$ 3,2 milhões para o fomento de projetos nas áreas da música, literatura (literatura, livro e leitura), artes visuais (artes plásticas, fotografia e artesanato artístico) e artes cênicas (teatro, dança e circo). As inscrições são gratuitas e podem ser feitas tanto por pessoas físicas e jurídicas de direito privado. O edital e as fichas de inscrição estão disponíveis no site www.secult.ce.gov.br.

O recurso disponível para os editais da Secult em 2009 é o maior já disponibilizado pelo Fundo Estadual da Cultura (FEC). O cinema e vídeo recebeu R$ 3 milhões e as outras quatro linguagens (música, artes cênicas, artes visuais e literatura) recebem agora um incremento de mais de 100% em relação a 2008, passando de R$ 1,5 milhões a R$ 3,2 milhões em financiamento de projetos culturais do Ceará. Com este recurso obtido pelo Governo do Estado, o dobro de projetos cearenses poderá ser apoiado em 2009, chegando a até 180 projetos, sendo 50% destes oriundos do interior do Estado.

A mudança mais significativa neste edital é referente à documentação apresentada. No ato da inscrição, o proponente enviará somente a documentação da habilitação técnica, que é composta de um envelope contendo três vias do currículo do proponente ou do diretor responsável pela gestão do projeto (pessoa física e jurídica); três vias impressas do projeto técnico (formulário do FEC/Anexo II) e uma via apresentada em formato digital (em CD ou DVD). No caso específico do segmento Literatura, Livro e Leitura inclui-se na fase de habilitação técnica a entrega de originais (em três vias), sob PSEUDÔNIMO, para a avaliação.

Portanto, a Secretaria da Cultura simplifica o processo para os proponentes. Somente após o resultado da fase de avaliação técnica, os habilitados terão o prazo máximo de três dias úteis, contados a partir da publicação de sua convocação no Diário Oficial do Estado (disponível pelos site www.ceara.gov.br) para remeter, por meio dos serviços de postagem ou diretamente na SECULT, a documentação jurídica exigida no Edital. Serão convocados para a análise jurídica somente os candidatos que obtiverem as maiores pontuações na habilitação técnica.

Os projetos selecionados pelo edital terão, por limites a serem financiados, o mínimo de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e o máximo de R$ 40.000,00 (quarenta mil reais), respeitando o segmento cultural escolhido. Os tetos de cada área estão assim definidos:

LITERATURA, LIVRO E LEITURA
· Criação Literária: até 06 projetos no valor máximo de R$ 12.000,00
· Formação Literária: até 06 projetos no valor máximo de R$ 12.000,00
· Programa de Incentivo à Leitura: até 10 projetos no valor máximo de R$ 40.000,00
· Republicação de obra esgotada e de valor cultural: até 04 projetos no valor máximo de R$ 12.000,00
· Pesquisa em Cultura Cearense: até 10 projetos no valor máximo de R$ 12.000,00

TEATRO
· Pesquisa Teórica ou de Linguagem: até 06 projetos no valor de R$ 10.000,00 cada;
· Manutenção de Grupos e Companhias Permanentes: até 16 projetos no valor de R$ 39.000,00 cada;
· Auxílio a Montagem de espetáculos: até 12 projetos no valor de R$ 20.000,00 cada;
· Circulação de Residências Artísticas de Grupos ou Companhias Permanentes: até 10 projetos no valor de R$ 10.000,00 cada.

DANÇA
· Pesquisa Teórica ou de Linguagem: até 02 projetos no valor de R$ 10.000,00 cada;
· Manutenção de Grupos e Companhias Permanentes: até 04 projetos no valor de R$ 39.000,00 cada;
· Auxilio a Montagem de Espetáculos: até 04 projetos no valor de R$ 20.000,00 cada;
· Circulação de Residências Artísticas de Grupos ou Companhias Permanentes: até 04 projetos no valor de R$ 10.000,00 cada.

CIRCO
· Manutenção de Grupos e Companhias Permanentes: até 06 projetos no valor de R$ 15.000,00 cada;
· Auxílio a Montagem de espetáculos Temáticos – Cordel e/ou Meio Ambiente: até 10 projetos no valor de R$ 5.000,00 cada;
· Circulação de Residências Artísticas de Grupos ou Companhias Permanentes: até 12 projetos no valor de R$ 5.000,00 cada.

MÚSICA
· Pesquisa Teórica ou de Linguagem: até 04 projetos no valor de R$ 10.000,00 cada;
· Circulação de Show: até 08 projetos no valor de R$ 10.000,00 cada;
· Apoio a Álbum Fonográfico Inédito (Estúdio): até 08 projetos no valor de R$ 10.000,00 cada;
· Apoio a Álbum Fonográfico Inédito (Prensagem): até 08 projetos no valor de R$ 10.000,00 cada;
· Apoio a Manutenção de Grupos Musicais: até 12 projetos no valor de R$ 10.000,00 cada.

COMPOSIÇÃO PARA BANDAS DE MÚSICA (PRÊMIO ALBERTO NEPOMUCENO)
· Até 04 projetos no valor de R$ 10.000,00 cada.

ARTES VISUAIS
· Até 07 projetos no valor de R$ 40.000,00 cada e até 01 projeto no valor de R$20.000,00 em Artes Plásticas ou Artesanato Artístico

FOTOGRAFIA (PREMIO CHICO ALBUQUERQUE) Até 06 projetos no valor de R$ 33.500,00 cada.

"Geografia de Iracema" crônica de Ana Miranda para O POVO (18.09.09)


"Ibiapaba, que na língua dos naturais quer dizer Terra Talha, não é só uma serra, como vulgarmente se chama, senão muitas serras juntas, que se levantam ao sertão das praias de Camuci, e mais parecidas a ondas de mar alterado que a montes, se vão sucedendo, e como encapelando umas após das outras em distrito de mais de quarenta léguas: são todas formadas de um só rochedo duríssimo, e em partes escalvado e medonho, em outras cobertas de verdura e terra lavradia, como se a natureza retratasse nestes negros penhascos a condição de seus habitadores, que, sendo sempre duros e como de pedras, às vezes dão esperanças, e se deixam cultivar".

Assim começa o padre Vieira sua descrição da serra de Ibiapaba, uma obra-prima dentro dos escritos instrumentais do jesuíta, a Relação da Missão da Serra de Ibiapaba. Ele subiu a serra em março de 1660, acompanhado de três sacerdotes e vários índios "tobajaras e pernambucos", em vinte e um dias de caminhada. Os padres descalços, com os pés em chagas, subindo mais com as mãos que com os pés, chegaram ao alto numa "quarta-feira de trevas". A região era conflagrada, fora ocupada por franceses, holandeses, e era ponto estratégico nas políticas coloniais portuguesas. Os missionários fizeram procissão, oficiaram, converteram, levaram índios a largarem suas "concubinas", Vieira casou-os com a "mulher, que por direito era legítima", em uma festa de doze dias e doze noites. Ele criou o cargo de Executor Eclesiástico, deixando-o, registrado em papel, ocupado por um índio principal com a missão de fazer os indígenas irem à igreja, cumprirem com "outras obrigações de cristãos, e os castigar e apenar, se for necessário". Tudo isso li, e reli, por mais de duas décadas, pensando em escrever algum dia um romance passado na região. Que, finalmente, pude conhecer, convidada a participar do animado festival literário do município.

Quase não pude conter meus sentimentos, ao chegar ao pé dessa serra descrita pelo padre Vieira. As pedras escalvadas se erguiam acima de nós como um monumento à natureza, guardando mistérios de sua formação tão abrupta. E ali, de onde eu admirava as serras, era um lugar ainda mais precioso sob o olhar literário. Do alto das rochas despencava um riozinho de águas brancas que se desfazia como um véu, juntando-se novamente o orvalho em água nos tanques entre pedras, bem ao pé da serra. Ali vivia Iracema, a virgem dos lábios de mel andava naquelas matas e banhava-se naquela bica. Ali começa a obra prima de José de Alencar. Ali, "mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara." Ali, o corpo coberto do aljôfar da água, os cabelos ainda úmidos e onde pousavam flores de acácias, Iracema encontrou Martim pela primeira vez. Ipu, uma pequena e linda cidade, com seu casario de certa maneira preservado, tem esta herança literária, este tesouro, de ser cenário em textos de dois dos maiores autores da literatura. A professora Ingrid Schwamborn falou-me sobre a ideia de se criar, nos moldes do Caminho de Santiago, o Caminho de Iracema. Como sabemos, Iracema saiu dali de Ipu, acompanhando Martim. Seus caminhos começam na serra de Ibiapaba e vão até as dunas de Mucuripe em Fortaleza, passam a montanha despida de arvoredo e tosquiada como a capivara, Ibiapina; as margens do Camocim e do Acaracu; a montanha com tantas frutas que se enchia de moscas, a Meruoca; as areias onde urubus pastavam de dia e de noite retornavam ao milho, Uruburetama; as voltas contínuas e enganosas do Mundaú; a foz do rio repleto de traíras; as margens do Soipé onde abundavam pacas, macios jacus, veados; o rio Taíba cujas margens abrigavam porcos-do-mato; Cauípe, onde se fabricava vinho de caju. Ainda, o lugar onde Iracema foi "abandonada" pelo guerreiro branco, a lagoa de Messejana. Há várias incursões pelo interior: o casal visita o avô de Poti na serra de Maranguape; Iracema toma banho na lagoa de Porangaba, vai para a lagoa de Sapiranga; com o esposo conhece Pacatuba, Guaiuba. Quando Martim vai à guerra, passa por Aquiraz, trava batalha contra os tabajaras e os franceses em Camucim, outra batalha é travada em Jericoacoara... Nem as grutas de Ubajara ficaram de fora. Como vemos, a geografia de Iracema, escolhida por José de Alencar, é quase um perfeito roteiro para conhecimento da costa e parte do sertão do Ceará. Foi escolhida com sensibilidade e lucidez, como tudo o que tem o toque do romancista.

ANA MIRANDA escreveu Boca do Inferno, Desmundo, Dias & Dias, Yuxin, entre outros romances, editados pela Companhia das Letras. amliteratura@hotmail.com.

terça-feira, 15 de setembro de 2009