quarta-feira, 28 de abril de 2010


Lançamento "Sobral que Não Esqueço"

Data: 29 de abril de 2010, às 19h

Local: Centro Cultural OBOÉ (rua Maria Tomásia, por trás do Banco do Brasil da Santos Dumont)


Sobre Sobral que Não Esqueço:

Tenho quase certeza que o Lustosa, filho de “seu” Costa que, por sua vez era filho do Chico Bento que matava porco no Morro do Moinho e de dona Vitalina, não é apenas um. Não sei onde encontra tempo para se aventurar em escrever mais livros!

O fato é que, ainda esta semana, chegou-me às mãos mais uma de suas aventuras, encapada pela figura da fazenda Pocinhos, da família Monte, descida da pena de Campelo Costa e de uns recortes de cartas antigas e de reclames: “Novidades!” Assim eu li...


O livro — Sobral que não esqueço — mais uma rasgada declaração de amor à cidade onde não nasceu, é fruto da mistura de lembranças do autor, mas com a diferencial evidência de uma criteriosa pesquisa em jornais locais ou mesmo nacionais, muitos deles, atualmente extintos: O Nordeste, A Tribuna, A Lucta, Jornal do Comércio, Gazeta de Notícias, Correio da Manhã, Correio do Ceará, Correio da Semana, Folha do Povo, A Cidade, O Rebate e outros.


Desta vez o cronista e jornalista trabalharam juntos, de pertinho, costurando uma pesquisa investigativa à ótica e humor de cronista inteligente que Lustosa o é.


A Sobral do livro não passa inteira pela janela que assistiu o crescimento de L.C. Dividido em blocos, como A Cruz e o Couro, Quando Sobral Dividia sua Gente, Seca em Sobral, Paladar Sobralense, Usos e Costumes etc. (são onze ao todo), o autor, com os pés dependurados nos galhos de fícus, discorre sobre os mais diversos aspectos que marcaram o passado, e daí cutuca as feridas no século XX, e que decidiram o futuro que hoje se vê com toda a sobralidade divulgada aristocraticamente ao universo (“Não sou universal, sou apenas municipal”). Sobral pensa grande, assim como o veterano “sobralense”...


Fico a imaginar o que move um homem sempre no sentido de sua cidade que, para o Lustosa, numa tradução poética e com toda licença, “não é uma cidade, é uma saudade chorando baixinho em mim”. Assim, como no livro, antes de revelar-se um pesquisador atento, deixa escoar pela branquidão de suas páginas, as memórias meninas de escadarias de madeira do Palácio do Bispo, das cadeiras nas calçadas ao som da velha amplificadora, do teatro São João, dos banhos de bicas dos “jacarés”, cujas águas alimentavam o Acaraú, das histórias do Chico Monte, do Educandário e do Seminário Apostólico São José e da imagem bonita, quase de cinema, dos olhos voltados às noturnas telhas de vidro e da manta que, de tão ordinária, espinhava. Pronto: o leitor está cativo!


Pesquisar não é tarefa fácil. Temos sempre a nítida impressão de que poderíamos encontrar algo mais, uma nova peça de quebra-cabeças que traduzam com exatidão aquilo que nós queremos, como em tela, apresentar. O enfeixamento tem de ser bem feito, senão o leitor desagrada logo. Não é o caso, e daí o mérito, de Sobral que não esqueço. Primeiro porque mesmo sem ser da Princesa do Norte, o leitor facilmente agarra-se à mão do livro e se deixa levar por histórias interessantes que representam uma época de desenvolvimento de um Ceará, de cartolas e em pó de arroz de Belle Époque, com direito, inclusive a pormenores de cardápios de entrée de panelada à brasileira, petit pois ao molho picante, ponche de abacaxi ao chartreuse e champã Veuve Chiquot ao som de magnífica orquestra.


Tudo em Sobral... tem cara de fotografia. A cultura, a economia (que vem desde a época da pecuária e da “Civilização do Couro”), a religião (sempre bem detalhada com seus bispos e dons pelo ex-seminarista e admirador da inteligência dos homens de batina como Dom José Tupinambá da Frota, Monsenhor Linhares, Dom José Bezerra Coutinho e outros), o racismo, a aristocracia, os costumes (estes que perpassam por todos os blocos e que, na minha opinião e gosto, é o que melhor ilustra o texto), as histórias, os chistes, a publicidade (rico detalhamento de estratégias de marketing rudimentar), a política (aí, nem se fala...), as secas, e, ao final, capítulo a parte, “Gente da Gente, um apanhado de figuras e histórias espirituosas da cidade do Beco do Cotovelo: Francisco de Paula Pessoa — senador dos bois —, Joaquim Miranda Paula Pessoa, José Leôncio Pessoa de Andrade, José Saboya, Francisco de Almeida Monte, Teodoro Ziesmer, Vicente Loiola, Clodoveu Arruda, Emilianinha, “Seu” Costa (é claro), e mais outros tantos protagonistas de causos desta cidade tão escancaradamente amada pelo amigo Lustosa.


Ler Sobral que Não Esqueço, me fez lembrar também um pouco do que sou — do que somos — e marcou-me de uma saudade do que não vivi, uma saudade boa de conversa de calçada, daquelas que a gente quase não vê mais. Quase, ainda bem. Viva o Lustosa!

Raymundo Netto

sábado, 24 de abril de 2010

"Sobre Livros e Leitura", de João Soares Neto


Participei, nesta semana do livro, de debate na TV Fortaleza. Agradeci a Arnaldo Santos, coordenador, pelo oportuno convite. Falei a Auto Filho, Secretário da Cultura do Ceará, da alegria pela participação efetiva e bem recebida da Academia Fortalezense de Letras na 9ª. Bienal Internacional do Livro.
Arnaldo criticou a ausência de políticos na Bienal. Ao meu lado esquerdo, estava a jornalista Adísia Sá, mestra e escritora. Ela é mulher casada com o livro de papel. Argumentei que o livro foi e é o caminho usado por nós, os debatedores, para aprender, procurar entender os fatos do mundo, aguçar o pensamento e transformá-lo em conhecimento, depois de depurado.
Lamentei que só 7,0% da população brasileira adquire livros não didáticos. Constatei, por pesquisa do Ibope, que crianças entre 4 a 11 anos passam 5 horas por dia defronte a um aparelho de televisão.
Segundo o mesmo IBOPE, 60 milhões de pessoas (adultos e crianças) passam igual número de horas diárias frente às tvs vendo novelas, programas policiais, fofocas, esportes, notícias plantadas e apresentadores apelativos.
Relatei, com base em pesquisa nacional de 2009, feita pela Ipsos Public Affair, que mesmo as pessoas que dizem ter algum tipo de atividade cultural, - seja ir ao cinema, teatro, ler, comparecer a shows, dançar em festas e ver exposições de arte - apontam uma baixíssima média anual. Leem 5,1 livros, assistem a 4,1 filmes, vão a 3,8 shows, participam de 3,5 eventos de dança e só vêem 2,1 exposições de arte. Por ano, lembrem.
Argumentei, citando o crítico literário José Paulo Paes que lutava, entre outras coisas, pela facilitação da leitura e escreveu o ensaio “Por uma literatura de entretenimento (ou: o mordomo não é o único culpado)”, no livro “A aventura literária”. Segundo Paes, os escritores brasileiros precisariam ser menos canônicos e não apelar tanto para o regionalismo. Ler deve ser um prazer para quem está iniciando e não punição ou tortura.
Ainda, segundo Paes, muitos escritores manteriam discussões linguísticas e acadêmicas e se descuidariam do público leitor. Viveriam em atritos, igrejinhas e se bastariam em suas questões recíprocas. Todos sabem que é preciso ter gosto de leitura apurado para ler, por exemplo, Machado de Assis, Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Mas, nada impede que se comece com escritores de linguagem mais simples.
Acreditava ele haver preconceito contra a crônica, o romance policial, a ficção científica e o sobrenatural. Constatamos que todos devem procurar gostar de ler, desde cedo. Um bom leitor não tem solidão. Ele tem o livro como companhia, sempre.
Sabemos que o mercado editorial já descobriu que livros de leitura mais acessível são fáceis de vender. Mas, é um absurdo que o livro “A Cabana” esteja há meses na lista dos mais vendidos no Brasil. Auto Filho afirmou que o brasileiro passou do estágio da oralidade para a cultura do áudio-visual sem parar no livro. Isto é, passou das histórias de Trancoso, assombrações ou de ninar para as novelas.
Adísia Sá reclamou que não se lê e referiu que até professores universitários, inclusive doutores, quase nada leem. Pareceu claro para nós que alunos da 4ª. série do ensino fundamental não conseguem desenvolver competências básicas de leitura. Informei que o Brasil tem apenas 2.500 livrarias, quando, segundo especialistas, seriam necessárias 10.000.
Disse ainda que 89% dos municípios brasileiros não têm uma única livraria. As pequenas livrarias estão definhando com o surgimento de mega-stores que focam na auto-ajuda e em livros ditos profissionais.
Entretanto, paradoxalmente, o Brasil é o oitavo maior produtor de livros do mundo, com 2.000 editoras, mais de 12.000 títulos e 300 milhões de exemplares por ano. Desse total, 93% são livros didáticos, a maioria pagos pelos governos e, somente 7.0% são de outros gêneros. Por outro lado, é preciso saber que a leitura digital já vai atingir neste 2010 o total de 10% do mercado de livros nos Estados Unidos. Certamente, haverá um impacto nos livros didáticos, com a possibilidade de consulta de mapas e fazer pesquisas em salas de aulas equipadas com computadores ligados à internet.
A distinção entre livro físico e livro digital já deve ser considerada. Estes serão, inicialmente, para um público específico, mas os e-books vieram para ficar. O Kindle, o Sony-reader e o I-pad podem ser popularizados e transportados para os computadores de bibliotecas públicas e escolas. Ler é viver.

(publicado no Jornal O Estado, em 23.04.2010)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

"Cortina de Memórias: à madrinha Rachel", crônica de Raymundo Netto para O POVO

Em 2010, quando se completam cinco anos de lançamento de Um Conto no Passado: cadeiras na calçada, obra que me apresentou à literatura cearense, é em abril que comemoro, agora com "vocês" (crente que mais de um sobrevivente ledor me resta), três anos de crônicas absurdas para o caderno Vida & Arte de O POVO e dois de trabalho com políticas do livro e da leitura na Secretaria da Cultura do Estado. Tanto o convite para escrever n’O POVO quanto o de trabalho na Secretaria vieram exclusivamente por conta do Cadeiras..., não resta dúvida. Também devo ao despretensioso romancete, a maior parte dos amigos que hoje tenho — alguns desafetos também, é verdade, mas insignificantes —, assim como a lida de escravo branco, os momentos estranhamente divertidos, as noites em companhia de estrelas que brilham sem vaidade, uma caixa de correio repletas de nomes, um blogue e a biblioteca cujo destino principia-se trágico.


Quando a Regina Ribeiro, num descuido da generosidade, me convidou para escrever no jornal, orientou: “Você tem que escrever sobre Fortaleza. Por que não escreve como fez no Cadeiras na Calçada?”


Na época aceitei. Nunca dizia não. E passei a refletir sobre o que escrever. Não queria reescrever o Cadeiras..., e sim, fazer alguma coisa de diferente, uma linha definida que, em fio, encantasse o caminho dos demais textos que se seguiriam. Preocupava-me, pois tinha apenas dois anos de escriturices e não queria decepcionar a convidante. Mas escrever sobre o quê?


Foi numa quadra invernosa bonita de chuva, mês de abril. Habitualmente ia à rua a fotografar minhas casinhas velhas de paredes pintadas por limbos, quando sentei no banco da estátua de Rachel de Queiroz, na Praça dos Leões. Olhando para a escritora, lembrei que fora cronista no mesmo jornal. Coroou-me a memória da lembrança de sua Crônica nº 1, texto publicado na revista O Cruzeiro, em 1945. Nele, Rachel, diante do convite para publicar crônicas, travava uma tímida apresentação ao futuro leitor e tenta conquistá-lo traçando “regrinhas” e expondo os seus anseios, muito embora “há anos sabia ser infalível o resultado da estrela da manhã”.


Corri para casa. Escrevi. Li e reli o meu rascunho diversas vezes até enviá-lo e vê-lo estampar uma manhã de março de 2007:


“Numa dessas manhãs chuvosas em que me dá uma vontade doida de sair para o centro da cidade a fotografar prédios antigos, estava num dos locais mais queridos para mim: a praça dos Leões. (...)Sentei-me num dos seus bancos de madeira, sob as árvores enegrecidas, e pus-me a pensar no tema para a crônica do jornal. Afinal, o que escreveria para vocês? Ao meu lado, a dona Rachel de Queiroz, que por ali também curtia a fresca na praça, ria-se da minha preocupação que já não lhe estranhava. Ao pescoço, desenhava-lhe apenas um discreto colar de contas. Tinha as pernas cruzadas, os braços de Clotilde levemente pousados sob curtas mangas, as mãos sobrepostas e, com vagar, discorria:
— Divertir um pouco o tédio alheio é tão gratificante... Ah, mas não pense em escrever sobre política... Não fale em política, por favor... azeda tudo! — sorrindo, bateu as pontas dos dedos nos lábios — Cala-te boca, Rachel...”


Comecei assim, com A Moça do Zepelim Prateado, minha crônica nº 1. Recordo, num exercício afetivo, dos diversos e-mails recebidos naquele dia. Inclusive, de telefonemas de amigos da Rachel que juravam de pés juntos não lembrarem de mim, apesar de conhecerem os mais próximos da protagonista. Dizia-lhes: "Não a conheci, nunca ouvi a sua voz, a não ser a que trazia em seus livros". Era decepcionante. As pessoas pareciam ter esperanças de encontrar uma nova pista, uma outra nova peça de sua existência e, na verdade, revelava-me apenas mais um "fingidor que finge tão completamente..."


Mas, dentre a correspondência, um colega me interrogou: “Quero saber até quando você vai conseguir sustentar esses encontros...” Passados três anos, a resposta ainda me salta desafiadora. Tive o privilégio de dividir crônicas com José de Alencar, Quintino Cunha, Ana Miranda, Audifax Rios, Sânzio de Azevedo, Pedro Salgueiro, Tércia Montenegro, Horácio Dídimo, Socorro Acioli, Augusto Pontes, Milton Dias, Airton Monte, Moreira Campos, Raymundo de Menezes, Clóvis Beviláqua, Alcides Pinto, Otacílio Colares, Eduardo Campos, Francisco Carvalho, Demócrito Rocha, Nilto Maciel, Lívio Barreto, Ribamar Lopes, Jorge Pieiro, Ramos Cotoco, Juca Fontenelle e alguns outros, e vejo ainda tantos nomes a serem lembrados, explorados e revividos, e esta é a forma pela qual eu contarei a minha cidade, Regina: pelos seus escritores! Dizem-me por aí: não seria melhor falar de Drummond, Clarice, Manuel Bandeira? Respondo: Não, versarei sobre os escritores daqui, os cearenses, mesmo quando condenado à “localidade” como me alertam constantemente.

De então, passei a ouvir comentários sobre as crônicas, sabê-las agradando aqui e incomodando ali, fixadas em paredes, publicadas em blogues, distribuídas para amigos, jogadas na lama, enfim, vivas e livres. Muitos presentes elas me trouxeram, muitos novos amigos me apresentaram, minha vida mudou e ainda muda a cada publicação, por mais incrível que possa parecer, como num Zepelim que prateia os sonhos inocentes de uma Tangerine Girl.

Escrever é perigoso, hoje eu sei. Uma delícia de perigo...

Raymundo Netto. Contato: raymundo.netto@uol.com.br blogue: http://raymundo-netto.blogspot.com.br

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Bienal Internacional do Livro do Ceará - CONCLUSÃO

Foto: Marília Camelo (DN)

Uma multidão barulhenta, andando desordenada pra todos os lados, se esbarrando apressada demais para pedir desculpas. A imagem dificilmente seria a melhor para descrever algo desejável. No entanto, quem ama os livros (e mais ainda: pessoas lendo livros) vai entender a exceção. Foi esta a imagem da IX Bienal Internacional do Livro do Ceará, que ocupou o Centro de Convenções entre 9 e 18 de abril.
A festa do livro e da leitura terminou domingo, mais ou menos como começou, em grande estilo, ao som de rock. A diferença é que o show da Pequeno Cidadão, projeto que reúne Edgar Scandurra e Arnaldo Antunes, encheu o auditório de crianças, enquanto Erasmo Carlos, na abertura, atraiu um público eclético, no qual não faltaram representantes da terceira idade. Talvez por influência da música, o gênero rebelde por excelência, das guitarras altas, a Bienal de 2010 tenha sido assim, de multidões de pessoas que não tinham frescura de ficar juntas e de sentimentos à flor da pele.
Prós: Entre os acertos deste ano, destaca-se a seleção de nomes que o grande público conhecia. Claro que eu também gostaria que tivesse trazido aquele escritor, meu favorito e de injusta fama mediana. Claro que, quem já tem mais bienais no currículo, não deve ter achado muito interessante a volta de figurinhas já carimbadas. No entanto, a edição de 2008 provou ser infrutífero trocar um autor de massas por um ídolo mais restrito. Não é caso de um excluir o outro, mas de serem conjugados.
Na Bienal passada, a curadoria se insurgiu contra os escritores e editores que apelidou como "vedetes do discurso vazio". E foram tais vedetes que encheram os espaços de palestras, ainda que o vazio do seu discurso seja questionável. Velhos conhecidos do público cearense, como o escritor e quadrinista Ziraldo e o poeta Affonso Romano de Sant´Anna, mostraram que dominam como poucos a arte de agradar o público com discussões que muitos achariam enfadonhas: a leitura, o livro, a relação destes com a educação.

O que dizer diante de um auditório lotado para ver o também quadrinhista Mauricio de Sousa? Pode-se pensar: público por público, gurus de autoajuda e padres popstars também atraem multidões. No entanto, a relação que se viu era de outra ordem. Quem se apertou no auditório cheio para ver Mauricio não estava querendo encontrar aquele "macete" para se dar bem na vida, passar num concurso para o qual não se tem vocação, encher os bolsos de grana e se livrar num piscar de olhos das angústias que a vida traz. O que estava ali colocado era uma relação de afeto, construída no exercício da leitura.

O que dizer dos fãs (esta é a palavra) de Thalita Rebouças? Quantos tiveram como herói da adolescência um escritor? Sem ter lido uma linha da autora, me arrisco a dar-lhe os parabéns e um sincero "obrigado".
Houve ainda um admirável cuidado com os convidados cearenses. O bom bairrismo na hora de estabelecer a programação evitou grandes choques de programação, e que lançamentos e palestras das pratas da casa tivessem concorrentes.

Abriu-se, gratuitamente, espaço para as pequenas editoras do Nordeste e para os escritores independentes apresentarem seus produtos. Do lado dos escritores, não faltaram lançamentos (o que só evidencia a demanda de uma profissionalização no setor das editoras e da distribuição de livros no Estado).
Contras: Que a festa poderia ter sido melhor, nem o secretário da Cultura do Estado pode negar. Mas estas melhorias exigem um esforço coletivo, no qual não nos cabe apenas a cobrança.

Uma das maiores reclamações foi a respeito de estacionamento. De fato, não há espaço para tantos carros. Aliás, Fortaleza já não suporta tantas veículos. Contudo, bem pior do que não ter estacionamento, é ter um transporte público proibitivo. No que toca a prioridades, é mais urgente exigir melhorias neste serviço, que atende a uma maioria arrasadora, se compararmos motoristas e pedestres.
Outros problemas são menos ambíguos. Faltou educação e bom senso a muitos usuários, gente que fez escândalo na fila de Mauricio de Sousa porque a produção resolveu fazer uma segunda fila, para pessoas com necessidades especiais. Como também faltou para os que achavam que podiam jogar lixo no chão, que um esbarrão não precisa de um "desculpa!", e que podem falar alto sobre qualquer assunto quando se está numa palestra que não lhe agrada.
Para a Bienal de 2012, a produção precisa traçar melhores planos para atender o público. Precisa sair na frente nas negociações com as atrações e seus agentes para evitar surpresas desagradáveis como "não vai ter mais sessão de autógrafos", "só tantos vão ter acesso" e por aí vai.
É preciso uma melhor distribuição de atrações por espaço, para evitar públicos grandes em espaços pequenos e vice-versa. A alimentação também exige mais atenção: a oferta foi exígua, a qualidade ruim e o preço, salgado.
Às editoras e aos livreiros, falta ouvir melhor o público, sobretudo quanto aos preços. Ninguém quer comprar livros pelos mesmos preços dos shopping centers. Quem dá mais desconto, vende mais: simples assim.
Felizmente, nada que representasse um impedimento para quem quisesse garimpar bons livros na feira.
Estrutura: O grande problema da Bienal foi a casa que o abrigou. O Centro de Convenções ficou com pouco espaço para as pessoas e a venda de alimentos. Falta até uma geografia mais clara, que só não dava um nó na cabeça por conta da sinalização e do pessoal da produção.
No show do Pequeno Cidadão, as goteiras deixaram a chuva entrar de penetra no espetáculo. A acústica do espaço Memorial da Maria Moura, palco de palestras como a de Ziraldo, só atrapalhava a comunicação entre autor e público.

Resta torcer - e cobrar - para que o novo Centro de Convenções saia no prazo previsto. E que a próxima Bienal tenha um teto melhor para abrigar os calorosos amantes do livro e da leitura.


Por Dellano Rios (Diário do Nordeste)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Marlui MIranda e John Surman na Bienal do Livro do Ceará



Marlui Miranda, compositora e musicista, pesquisadora da oralidade e cultura indígena, consagrada pela crítica internacional, apresenta-se hoje na Arena Multicultural Memorial de Maria Moura na Bienal Internacional do Livro do Ceará ao lado de John Surman, um dos maiores nomes contemporâneos da música inglesa, agraciado, inclusive com o prêmio Mercury.

Ambos farão uma apresentação com o tema, Trilhas Para Alcançar a Música Indígena. Imperdível!

Seminário Cem Anos de Rachel de Queiroz na Bienal do Livro


16 de abril Sexta-feira

Sala As Três Marias (Auditório B1) 9h – 12h Seminário
Seminário Cem Anos de Rachel de Queiroz
9h – Abertura
9h30min às 10h30min – Depoimentos
Convidados: Ana Miranda (Brasil/CE), José Augusto Bezerra (Brasil/CE) e Socorro Acióli (Brasil/CE)
Mediadora: Arminda Serpa (Brasil/CE)
11h às 12h – Rachel de Queiroz: A Literatura Infantil
Convidadas: Vicência Jaguaribe (Brasil/CE) e Batista de Lima (Brasil/CE)
Mediação: Cecília Cunha (Brasil/CE)

Sala As Três Marias (Auditório B1) 14h – 18h Seminário
Seminário Cem Anos de Rachel de Queiroz
14h às 15h – Mesa-Redonda: O Romance de Rachel de Queiroz
Convidados: Ítalo Gurgel (Brasil/CE), Lourdinha Leite Barbosa (Brasil/CE)
e Aíla Sampaio (Brasil/CE)
Mediação: Teoberto Landim (Brasil/CE)
15h30min às 16h30min – Palestra - Rachel de Queiroz: múltiplas faces
Convidado: Antônio Torres (Brasil/RJ)
Mediação: Aíla Sampaio (Brasil/CE)
17h às 18h – Palestra: Rachel, Rachel
Convidada: Heloísa Buarque de Holanda (Brasil/RJ)
Mediação: Lourdinha Leite Barbosa (Brasil/CE)

Espaço “Não me Deixes” – Centenário de Rachel de Queiroz (Hall do Auditório Central) 18h - 18h30min
Especial: Trinta Minutos com Rachel de Queiroz
Leitura: Odilon Camargo (Brasil/CE)

Café Literário O Galo de Ouro (Sala A Inferior) 18h30min - 19h30min Lançamento & Bate-Papo/Cem Anos de Rachel de Queiroz
Lançamento: A Trilogia Rachel de Queiroz: Rachel de Queiroz: uma escrita no tempo (ensaio), A Lua de Londres (crônica) e Do Nordeste ao Infinito (crônica) (EDR)
Convidadas: Heloísa Buarque de Holanda (Brasil/CE), Ana Miranda (Brasil/CE) e Fernanda Coutinho (Brasil/CE)
Coordenação: Regina Ribeiro (Brasil/CE)


17 de abril Sábado

Sala As Três Marias (Auditório B1) 14h – 18hmin Seminário
Seminário Cem Anos de Rachel de Queiroz
14h às 15h – Debate - Rachel de Queiroz: múltiplas vozes
Convidadas: Edna Carlos (Brasil/CE)/Literatura Comparada
Cecília Cunha (Brasil/CE)/Crônica e Arminda Serpa (Brasil/CE)/ Romance
Mediação: Aíla Sampaio (Brasil/CE)
15h30min às 16h30min – Rachel de Queiroz: O Teatro
Convidada: Tércia Montenegro (Brasil/CE)
Performance: Erotilde Honório (Brasil/CE)
Mediação: Fernanda Coutinho (Brasil/CE)
17h às 18h – Palestra: O Quinze, hoje!
Convidado: Benjamin Abdala Júnior (Brasil/SP)
Mediação: Lourdinha Leite Barbosa (Brasil/CE)
18h - Encerramento

"Por uma bienal sem panelinhas nem preconceitos", Pedro Salgueiro na Bienal para O POVO

Um amigo ranzinza diz que todas as bienais de livros são iguais. Concordo que se parecem, têm o mesmo modelo básico, inovam pouco, estão mais ligadas ao mercado livreiro que à cultura, mas acho que podem (e devem) ter alguns diferenciais.
Nesta IX Bienal do Livro do Ceará, temos uma novidade em relação às outras: a maior participação dos escritores cearenses, desde os mais conhecidos até os quase iniciantes; uma turma que sempre esteve à margem da megafeira de livros daqui, principalmente a última, que parece ter sido organizada por inimigos da literatura local.
Claro que deve se aperfeiçoar, tentando atingir uma variedade maior de artistas da terra; e, quando escolherem os de fora, que sejam autores menos óbvios, menos os mesmos de sempre...
Concordo que tragam atrações, já vi várias boas atrações, desde Rachel de Queiroz a Luis Fernando Veríssimo, Jorge Amado e muitos outros escritores de primeiro time de nossa literatura nacional.


Nesta edição, gostei demais da escolha da homenageada, os 100 anos de dona Rachel foi sensacional; a vinda do importante Moacir C. Lopes, cearense injustamente esquecido por nós, foi fundamental... Há tempos merecia essa lembrança, que, espero, se estenda para uma homenagem de uma próxima bienal.

Estou adorando o espaço em frente ao Auditório Central (Espaço "Não me Deixes"), onde grupos literários, academias daqui declamam, sempre com um bom público. A Arena dos Escritores, no bloco E, também está com uma boa programação; o bate-papo de Cony com Thiago de Mello foi antológico; a conversa do Poeta de Meia Tigela com o poeta brasiliense Nicolas Behr foi ótima.


O espaço dos cordelistas sempre está movimentado, apenas senti falta dos grandes Rouxinol do Rinaré e Arievaldo Viana.


O espaço das estantes das livrarias e editoras está fraco, com pouquíssimas novidades; destacando-se as livrarias locais Arte & Ciência e Feira do Livro. A da Editora Premius também tem lançado livros cearenses quase todos os dias.

Com certeza, um avanço em relação à fria bienal passada, mas que seja apenas ponto de partida para uma melhora constante. Que se chame cada vez mais escritores de nossa terra, sem panelinhas nem preconceitos".

"Impressões sobre uma nova geração de leitores", Tarcísio Matos na Bienal para O POVO


“Manhã de quarta-feira, 14 de abril. Bienal (belíssima Bienal Internacional do Livro do Ceará) lotada. A grande maioria, estudantes de escolas públicas. Em meio a vastos títulos, a obras de toda qualidade, crianças e adolescentes maravilhados com uma aula realmente diferente.


Carregado pelas ‘tias’ em frágil disciplina, imaginei, em breve futuro, aquele público familiarizado com a leitura, a disponibilidade de bons livros. Seríamos outra nação.


A Bienal serviu-me para acreditar ser possível àquela moçadinha não ficar apenas curtindo livro de vitrine, mas ter a condição de tê-lo à mão, para o exercício cidadão das descobertas, do conhecimento, de crescimento.


Lembrei de José Mindlin, para quem “o livro é uma fonte de prazer”. A Bienal do Livro deixou-me, pois, as melhores impressões. Após vaguear, vendo livros de amigos (Audifax Rios, Flávio Paiva, BC Neto) e outros grandes da Literatura, detive-me no estande do Instituto de Difusão Espírita (IDE). Vi duas meninas da escola pública comprarem obras de Kardec. Legal!”

"Vontade de ser múltipla, para aproveitar tudo!", Ana Miranda na Bienal do Livro para O POVO


“A Bienal está linda, alegre, colorida, cheia de gente, com mensagem de sentimentos impressos na lombada de livros. Gostaria de ser muitas, para ir a todos os eventos. Mas selecionei alguns e fui: palestra dos criadores de revistas cearenses, com o lançamento da revista Para Mamíferos;o encontro com Ziraldo e Raymundo Netto, Será que a leitura é mais importante que o estudo? (claro que sim, que não lê não sabe estudar). Adorei a apresentação do maracatu Nação Fortaleza, com Calé Alencar.
O cordel tem sua progamação, todos os dias, no espaço João Miguel de Cordel. No domingo, o Klévisson Viana fala sobre o Pavão Misterioso em quadrinhos.
Não perco as palestras de Tércia Montenegro, tão delicada e inteligente...
Hoje, às 19h30min, na Arena Memorial de Maria Moura, vou ver o concerto de minha irmã, Marlui Miranda, com o mega-músico John Surman, diretamente da Inglaterra para o Ceará, e a apresentação da nossa filarmônica.
Por fim, convido todos para as minhas palestras: sobre a querida Rachel de Queiroz, com José Augusto Bezerra, Regina Ribeiro, Heloísa Buarque de Holanda, Fernanda Coutinho e Socorro Acioli; e sobre meu romance Yuxin, com Marlui Miranda e John Surman.
No dia 18, domingo, Dia do Livro Infantil, com mil eventos para crianças, vou conversar sobre meu livro infantil feito aqui em Fortaleza pela editora Armazém da Cultura, Carta do Tesouro, sobre a Carta dos Direitos da Criança”

quinta-feira, 15 de abril de 2010

61º Salão de Abril abre com performances e intervenções pelas ruas do centro


A cidade de Fortaleza ganha mais um presente no mês em que comemora seus 284 anos: o 61º Salão de Abril, que será aberto no dia 16, às 19h, na Galeria Antônio Bandeira (Centro de Referência do Professor), ocupando, em paralelo, espaços não-convencionais de fruição artística como o Passeio Público e as ruas Senador Alencar e Major Facundo. Na abertura, os destaques são as performances de alguns artistas selecionados. No dia seguinte à abertura, os três curadores da mostra (Suely Rolnik, Ivo Mesquita e Jaqueline Medeiros) se reunirão para decidir o nome do artista que irá receber da Prefeitura Municipal de Fortaleza, por meio da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), uma bolsa de formação no valor de R$ 10 mil. “De abrangência nacional e cada vez mais descentralizado, o Salão de Abril, na verdade, é um convite para que a arte possa estar em todos os lugares de convivência e invenção”, disse Fátima Mesquita, Secretária de Cultura de Fortaleza.

Pela primeira vez em sua história, a 61ª edição do Salão de Abril dá continuidade ao tema da edição anterior “Qual o lugar da arte?”, atendendo aos apelos da classe artística. “A busca por um projeto que demonstre o cerne de todas as edições anteriores e a compreensão do papel deste salão para nossa sociedade são as características mais marcantes desta edição. Assim como nos dois últimos anos, o salão permanece ocupando os espaços de rua, numa busca constante por outras formas de se apresentar e organizar os espaços expositivos. Mais do que inovar, buscamos aprofundar as questões complexas que permeiam a existência e a permanência de um salão com mais de 60 anos de existência”, afirma Maíra Ortins, Coordenadora de Artes Visuais da Secultfor e organizadora do 61º Salão de Abril.


Este ano, o Salão confirma sua legitimidade perante à classe artística local e nacional: foram mais de 400 obras inscritas, de 19 estados brasileiros, sendo São Paulo o estado com maior participação (123 inscritos). Em seguida, o Ceará, com 77 trabalhos inscritos, e o Rio de Janeiro, 53. Entre os 30 selecionados, estão pinturas, fotografias, instalações, intervenções urbanas, esculturas, desenhos, performances, objetos e vídeos. Todos os selecionados receberão um prêmio de incentivo à produção no valor de R$ 2,5mil. Além do caráter contemporâneo, as obras possuem alto nível técnico e trazem idéias inovadoras, que instigam o espectador.


O carioca Pedro Meyer, que participa pela primeira vez da mostra, já está em Fortaleza, trabalhando em sua “Pintura Expandida”: “Já comecei o projeto e a expectativa é grande. Minha linha de pesquisa no doutorado da UFRJ é em Linguagens Visuais na arte contemporânea e a possibilidade de continuar meus estudos é maravilhosa. É muito bom participar do Salão de Abril”, diz.


O grupo cearense Acidum, selecionado com a intervenção “ProPagando”, ao contrário, participa do Salão desde 2007: "Os dois últimos salões quebraram essa história de exposição fechada da arte e foram para a rua. Os assuntos são cada vez mais debatidos e há uma consciência maior da importância da formação artística. Ainda falta muita coisa, mas já é um começo”, acredita.


SERVIÇO:
61º SALÃO DE ABRIL
Abertura: 16 de abril, 19h
Local: Galeria Antônio Bandeira
(Centro de Referência do Professor, Rua Conde D’Eu, 560, antigo Mercado Central)
Exposição: 16 de abril a 31 de maio
Circuito Expositivo:
Passeio Público –Rua Dr. João Moreira, s/n,.
(ao lado da Santa Casa de Misericórdia) – Centro
Centro de Referência do Professor, Rua Conde D’Eu, 560, antigo Mercado Central

Mais Informações:
Site do 61° Salão de Abril: www.salaodeabrilfortaleza.com.br
Maíra Ortins – Coordenadora Geral /Coord. Artes Visuais- Secultfor: 31051358/88912870
Ana Karla Dubiela – Assessoria de Imprensa - 86088036