“Vamos fazer dessa
noite, a noite mais
linda do mundo. Vamos viver nessa noite a vida inteira num segundo”...
No palco elevado, ao centro da praça de
alimentação do Shopping Del Paseo, mais de 50 anos depois de seu lançamento, o
sucesso de Odair José é cantado por uma banda sorridente e animada para o público
absolutamente especial.
Todas as sextas-feiras, a partir das 18h30,
acontece a programação “Sons do Del”, uma ação gratuita do shopping para o
Happy Hour das famílias, reunindo centenas de pessoas – sem exagero algum –,
algumas delas organizadas em grupos que não perdem essas atrações por nada.
A cada evento, a curadoria do shopping elege
um estilo diferente: brega, pop, rock, samba raiz, forró pé de serra, lambada, MPB...
Variam os ritmos, os tributos a grandes artistas, mas a qualidade das bandas,
do som e o sucesso são os mesmos e impressionam: Alexandre e os Almeidas,
Tocaias, Chibata Vermelha, Os Terríveis, Killer Queen, Mr. Joe Black, Forró das
Antigas e muito mais. E o melhor, é completamente democrático: ninguém é
obrigado a consumir nada nem paga couvert para assistir a qualquer show.
Eu, que participei e participo de muitos
desses momentos, me emociono bastante assistindo ao público do Sons do Del.
Muitos deles são idosos ou estão a caminho dessa curva. Alguns residiram a vida
inteira na Aldeota, nas proximidades, e outros tantos vem de distintas partes
da cidade, certamente por terem ido uma primeira vez e nunca mais deixaram de
ir. De alguns deles, já ouvi: “É o melhor passeio da semana”.
Lá, a idade parece não fazer a menor
diferença. A alegria deles é de resistente (ou perversa) juventude e reina de
uma forma tão espontânea que contagia. Eles dançam à beira do palco, interagem
com os músicos – que muitas vezes descem dali e são assediados pela emoção do
público a brigar pelo calor das selfies –, se convidam para compartilhar as
danças, se abraçam, brincam, pulam, bebem, comem e cantam, relembrando aquelas
músicas e revivendo no presente aqueles instantes caros do passado que lhes
flecham no peito. Refiro-me aos idosos, mas não são apenas eles que frequentam
os Sons. Da mesma forma que encontramos os solitários – renderia uma crônica
inteira falar sobre esses –, vemos famílias reunidas: avós, pais e filhos.
“A gente pode ser feliz. Viver a vida sem
sofrer e não pensar no que vai ser...”
Diante dessa sensível ação social ofertada pelo
Shopping Del Paseo, encontramos gerações curtindo e cantando músicas que, quase
geneticamente, são por elas transmitidas, vividas, carregadas de histórias muito
íntimas e indecifráveis de cada um. Bebês em chupetas, meninos e meninas de
mãos dadas com avós, filha – ainda com a farda do trabalho – dançando alegremente
com o pai, idosos que chegam de bengalas ou cadeiras de rodas e que, de
repente, são vistos no salão se virando como podem, sorrindo, cantando e mostrando
a todos que estão muito vivos, apesar do preconceito e do etarismo crescente na
sociedade consumista a considerar que tudo o que não é “produtivo” torna-se descartável
e sem valor. Sim, afinal, “Felicidade não existe. O que existe na vida são
momentos felizes”. Como no Sons do Del.
Fica a dica. Celebre a sua vida, pois ela
tem sempre razão.
