segunda-feira, 9 de março de 2026

"Entre Estetoscópios e Batarangues", de Raymundo Netto para O POVO


1975. Morávamos em quitinete no Realengo... Aquele abraço! Últimos dias de Guanabara em janeiro, fevereiro e março, sem régua ou compasso.

Meu pai fora transferido para a “cidade maravilhosa” da qual ouvia horrores. Obrigado a prestar curso de seis meses, não teve jeito. Temeroso da responsabilidade, determinou-se a enfrentar essa quimera sozinho, deixando a esposa e os seis filhos menores no Ceará – a mais velha tinha apenas 10 anos. Porém, não suportou de solidão, e, logo, pegamos um “pau de arara” da Itapemirim e fomos ao seu encontro. Como o seu soldo não era dos melhores, conseguiu nos instalar na suburbana quitinete aos fundos de uma casa em Vila Militar.

Durante meses, minha mãe seria a nossa professora em casa, criando em cartolinas dominó, cartelas de bingo, jogos de memória e outros recursos lúdicos educativos para que não tivéssemos que ingressar em colégios cariocas. Afinal, além de nos poupar dos supostos perigos da urbe, a ideia seria voltar em breve ao Ceará trazendo nas malas bastantes saudades. Todavia, o que fazer com aquela meninada agitada, aprontando todas, exaurindo durante o dia inteiro a esposa, mas também babá, cozinheira, faxineira, professora, costureira...? Meu pai encontrou a solução: revistas em quadrinhos!

Comprou uma primeira leva dos populares “gibis”. Naquele tempo e durante muitos anos era possível encontrar boa diversidade de títulos: Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey, Almanaque Disney, Zorro, Carequinha (depois, Pinduca), Recruta Zero, Família Buscapé, Heróis da TV, Sacarrolha, Tininha, Bolota, Riquinho, Gasparzinho, Brasinha, Brotoeja, Bolinha, Luluzinha, Fantasma, Heróis da DC e da Marvel, Pimentinha, Popeye e tantos outros. Depois, meu pai “trocava” as revistas: levava as que tínhamos lido e, pagando um valor bem menor, conseguia nos trazer outras. Era grande a alegria da casa.

Costumo dizer: foi com elas que iniciei meu gosto pela leitura, assim como pelo desenho e, claro, pelos quadrinhos, costume que me segue ainda hoje – embora leia outros títulos.

Falar ou escrever sobre essas leituras infantojuvenis me traz sempre bons sentimentos e felizes recordações. Guardo algumas dessas revistas em minhas estantes. Ao lê-las ou simplesmente folheá-las, chegam-me memórias, sons, músicas, sabores de tempos há muito passados: “Não ligue pra vida, resto de amor./Não importa o mundo a se revelar./Eu vou ampliar sua vida/Em alto contraste com a volta/Close em preto e branco com muito amor.”

Um dia, já formado e atuando como fisioterapeuta, soube que saíra nova revista em que o terrível vilão Bane destroçara a coluna do Homem-Morcego. Como assim? Fiquei tão ansioso que, saindo do atendimento de paciente, corri para a banca de revistas para comprá-la. Nela, vinha como brinde um batarangue de plástico – espécie de bumerangue à moda Batman. Pois bem, li em pé, lá mesmo na banca da 13 de Maio, todo de branco, com estetoscópio no pescoço, o ridículo batarangue empunhado em uma mão e, na outra, a trágica revista, sendo surpreendido com a vergonhosa vontade de chorar ao ler o final de carreira do meu herói preferido, aquele colecionado desde os meus descomplicados 11 anos.

Essa história, claro, não terminou ali, assim como este texto, que nasceu do desejo tão egoísta de me devolver às próprias lembranças.






 

Um comentário:

  1. Eu ainda me lembro quando há 3 anos atrás, quando você ligou para minha casa e falou que era a Simone da minha turma de analítica 1. Eu falei que não existia nenhuma Simone na minha turma de analítica 1. Você perguntou se não era a Lages, ai depois você começou a rir. Eu notei que era trote e depois eu desliguei. Depois disso na quarta-feira da semana seguinte, eu peguei um resfriado super forte, eu cheguei a ficar com febre. Então a Gabriela Santana Andrade, mandou você entrar no grupo de analítica 1 para inventar mentiras sobre mim. Você fazia pedagogia, você não tinha nada que ir arrumar treta no curso de farmácia. Eu nunca pensei que o ser humano chegaria num nível tão baixo. Se aproveitar de um momento de doença minha para ficar me humilhando por causa de iniciação científica. Quando eu descobri que você fazia pedagogia. Eu pensei que você iria fazer coisa muito pior contra mim, eu fiquei morrendo de medo de você e da Gabriela Santana Andrade por 1 ano, mas agora você se formou como pedagoga. O seu poder na faculdade acabou no momento, que você se formou. Se você tivesse um trabalhinho, você não iria ficar arrumando treta no curso dos outros. O que você fez comigo, não se faz nem com um bicho. Eu estava doente naquele dia. Eu nunca pensei que o ser humano fosse chegar num nível tão baixo.

    Eu sei tudo sobre você, eu inclusive achei o seu perfil no Instagram e no Linkedin:

    https://www.instagram.com/bprocession/

    https://br.linkedin.com/in/ana-beatriz-procession-57b709214

    Mas você também amiga da Beatriz Ribeiro de Oliveira, que é incapaz de passar em qualquer disciplina sem colar na prova, a Beatriz Ribeiro de Oliveira fica falando na faculdade para todo mundo ouvir que escondeu a cola da professora, ela falou tão mal da Lages, rodou todos os professores de química orgânica e só consegui passar em orgânica 1 graças a Lages agora a Beatriz está falando bem da Lages, a Beatriz inclusive publicou esse artigo científico:

    https://www.mdpi.com/2072-6643/17/17/2763

    É isso o que acontece com quem cola na prova e fala mal dos outros, publica um artigo científico. A Beatriz Ribeiro de Oliveira representa tudo o que há de errado na faculdade, ela é a prova que vale a pena colar na prova, ela é a prova que a coordenação da farmácia da UFRJ fecha os olhos para quem cola na prova, ela fica se fazendo de santa, mas no fundo ela não presta. Eu sinto vergonha de ser obrigado a ser da mesma turma de um ser tão desprezível como a Beatriz Ribeiro de Oliveira.

    Pode mandar o seu amigo o Guilherme de Sousa Barbosa que me ameaçou mesmo sem eu ter feito nada contra ele, me matar. Manda o Guilherme de Sousa Barbosa aparecer na boca de fumo que tem aqui perto de casa e mandar os traficantes me matar, aqui do lado da minha casa funciona um ferro velho clandestino que fornece material furtado para os traficantes construírem barricadas.

    Eu não tenho nada a perder, a vida é boa para quem faz iniciação científica, para quem não faz só resta à morte. Eu não vou perder a minha bolsa de iniciação científica.

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