quarta-feira, 30 de novembro de 2011

"Quando o Amor é de Graça VII: Felicidade por Trás de Muros", crônica de Raymundo Netto para O POVO (29.11)

Minha análise faço em mesas de bares ou restaurantes, mas não as dispenso, assim como não dispenso bons pares de orelhas, geral e exclusivamente de amigos, pessoas realmente queridas, pois quem me conhece sabe: só como com quem gosto. Assim, ser convidado para comer comigo é uma espécie de homenagem, da mesma forma que, por motivos outros, também não ser convidado pode ser outra.
Em uma macarrônica conversa com a biógrafa radialista Lílian Martins e com o poeta Madjer (com dois “Y” de destino), exerci o direito ao aluguel e pus a falar de tudo o quanto minha filosofia de bolso dispunha de céu e de terra — de mar não poderia, pois a Lílian tem alergia a tudo que dele provém, como sereias, lagartos gigantes, vagas incidentais e outras pancadas afins. O tema descambou para a busca eterna e frustra da felicidade.
Disse e repito: não estou nem aí para a felicidade. “Você não quer ser feliz? Todo mundo quer!” Pois é, não penso nisso. Pode até ser de um dia, tão feliz a encontrá-la sentada à minha calçada — quando tiver uma — e que tenha sorriso livre e brilho no olhar — e, sem querer abusar, um par de grossas pernas — já que não vejo graça nenhuma em pessoas de olhar embaçado e sorriso de empréstimos.
Mas não, eu mesmo não busco por isso. Se quiser, que me encontre ela numa das esquinas de ventos revéis que sigo sem medo ou dúvida, a procurar por nada e seguindo em frente no passo do coração desamado, pero encantado pela marcha de um tempo só meu a soprar-me todo o trilhar de uma minha vida.
Minha história sempre me foi de uma liberdade incômoda. Uma constante busca de dentro a sacudir de tudo para fora, mudando meu destino a cada ato, trazendo-me à vista personagens diversos curtidos, amados, contidos e deixados para trás em lamentos ecoados de retrovisores num difícil e possível exercício de perder quase que sempre.
Meu olhar de ver páginas em branco, sem carimbos e clichês, sem o ilusório deslumbramento de vitórias, sem fracassos irrepetíveis, sem respeito nenhum a opulências e vaidades, ferramentas de gente fraca, dissimulada e egoísta, tragadas pela lascívia cerebral. Desprezo as caricaturas de lustro e os pedintes empavonados que não me valem nada a frente daqueles que trago no peito como amigos, colhidos numa seleção tão segura de admiração e carinho a trazer-lhes sempre comigo, mesmo quando nas eternas noites caminhantes pareço-me estar perdidamente só.
Para trás, olho sempre, e demorosamente, de não me perder, a ruminar as páginas já coloridas, de gravá-las no peito, como fosse possível não esquecer jamais daquilo que janãomais existe.
Pensando bem, tudo o que quero é tão pouco... Felicidade nesse mundo, não creio. E, se existir, aconselho: devemos esquecê-la. Basta-nos SER. Quando nós conseguirmos ser nós mesmos, nos encontrarmos, fatalmente ela também nos encontrará, e se deitará conosco em estrelada noite de esfuzilante e perfeito amor.
Contato: raymundo.netto@uol.com.br


domingo, 27 de novembro de 2011

Lançamento "Os Guerreiros de Monte-Mor", de Nilto Maciel, na Livraria Cultura (1.12)


Os Guerreiros de Monte-Mor
(Armazém da Cultura)
de Nilto Maciel

Data: 1º de dezembro de 2011 (quinta-feira)
Horário: a partir das 19h
Local: Livraria Cultura (Av. Dom Luiz, 1010, Meireles)
Entrevista com o Autor: por Raymundo Netto, escritor.
Para contato com o Autor: niltomaciel@uol.com.br

Sobre a Obra de Nilto Maciel: Os Guerreiros de Monte-Mor, novela publicada pela primeira vez em 1988, pelo selo Contexto Jovem, de São Paulo, traz uma história divertidíssima, marcada pela ironia e a crítica aguda, além de um vocabulário e expressões de época e de costumes, características do texto de Nilto Maciel, um dos mais profícuos nomes da Literatura Cearense.
A saga quixotesca-macunaímica da família Cardoso, remanescente da tribo Jenipapo, iniciada por Antônio, grande revolucionário nativista — embora visto como excêntrico — que inspira seus descendentes a conspirarem contra o imperador, a autoridade portuguesa e a Igreja, numa denúncia revelada, em segundas intenções, do etnocídio pela opressão colonizadora portuguesa.
Antônio, índio criador de armas de guerras caseiras e enferrujadas, sempre a elaborar estratégias militares que, pensa, libertarão os jenipapos do domínio português, trama tudo em sua cabeça, em conversas demoradas com os animais da varanda, espantando galinhas, sonhando solitário com o sucesso do Regimento Cardoso, composto por ele o filho, ainda menino, o João, pequeno fazedor de buracos na terra em busca de minhocas, que, ao crescer, torna-se conhecido como contador de lorotas fantasiosas de príncipes, fadas e de outras lendas regionais. Mais tarde, após desilusões, João assume, ao lado do neto José e do demente índio xocó, Chico — seu até então “escudeiro”, formado nos campos de batalha do Cariri, e adestrador de uma infantaria de morcegos revestidos em armaduras de aço (arma secreta do Regimento) e de um bode, o velho Nazaréu, montaria militar do levante contra a vila Monte-Mor (nome antigo de Baturité, terra natal de Nilto) —, a proclamação da República Imperial dos Tapuios. A narrativa, a princípio não é linear. O tempo vai e volta numa costura bem feita a dominar o leitor curioso. João torna-se o personagem-eixo da narrativa que se desdobra mirabolante e desastrosamente num clima fantástico e humorado entre fatos da história do Siará Grande, como a chegada de D. João VI no Brasil, a Inconfidência Mineira, a Confederação do Equador, a tentativa de derrotar José de Alencar (o pai), de encontros com padre Verdeixa, dentre outros, e permitindo que o leitor participe das intermináveis e hilárias reuniões dos revolucionários nativistas onde se discutiam planos de dominação, patentes, nomes para o novo país, e até do primeiro golpe militar pré-revolucionário.
O Armazém da Cultura, ao publicar o imperdível Os Guerreiros de Monte-Mor, faz jus ao autor Nilto Maciel, destacando mais uma face de sua bibliografia, com certeza, tão instigante quanto muitas do melhor cenário da literatura brasileira.

Raymundo Netto

Sobre o Autor: NILTO MACIEL nasceu em Baturité, Ceará, em 1945. Cursou Direito na UFC. Em 1976, um dos criadores da revista O Saco. Mudou-se para Brasília em 1977, onde deu início, em 1992, à publicação da Literatura: revista do escritor brasileiro, regressando a Fortaleza em 2002.
Entre os melhores contistas brasileiros, obteve primeiro lugar em vários concursos literários nacionais e estaduais. Organizou, com Glauco Mattoso, Queda de Braço: uma antologia do conto marginal (Rio de Janeiro/Fortaleza, 1977). Participou de diversas coletâneas e antologias, entre elas: Quartas Histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa e Capitu Mandou Flores, ambas organizadas por Rinaldo de Fernandes, e “O Cravo Roxo do Diabo”: o conto fantástico no Ceará, organizado por Pedro Salgueiro.
O Cabra que Virou Bode foi transposto para a tela pelo cineasta Clébio Viriato Ribeiro, em 1993.
Publicou nos mais diversos gêneros literários e em diversas línguas (esperanto, italiano, espanhol e francês): Tempos de Mula Preta, Itinerário, Punhalzinho Cravado de Ódio, Os Guerreiros de Monte-Mor (a ser relançado em breve pelo Armazém da Cultura), As Insolentes Patas do Cão, A Guerra da Donzela, Carnavalha, Vasto Abismo, A Rosa Gótica, Pescoço de Girafa na Poeira, A Última Noite de Helena, A Leste da Morte, dentre outros. Como pesquisador do gênero CONTO, publicou: Panorama do Conto Cearense e Contistas do Ceará: d’A Quinzena ao CAOS Portátil.


Apoio Cultural
Armazém da Cultura
Livraria Cultura

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Seminário Cabeças de Papel 3, no Cuca Che Guevara!



O que é o Seminário Cabeças de Papel 3?
É um evento de discussão, produção, troca de difusão de experiências artísticas e culturais envolvendo o universo de fanzines locais, nacionais e internacionais.

E as Oficinas, quais são?

1. Arte Urbana - Cartazes de Lambe-lambe - 9h/a (30 vagas)
Período: 30 nov e 01 e 02 dez - 14h às 17h
Apresenta as técnicas da pintura mural, através da criação de cartazes de rua, ensinando desde a preparação do desenho ao uso de materiais adequados.

2. Oficina de Fanzine: 9h/a (30 vagas)
Período: 30 nov e 01 e 02 dez - 14h às 17h
Confecciona fanzines. A oficina será uma oportunidade para registrar em zines as aventuras e andanças dos jovens pela cidade, através de textos, recortes, colagens, desenhos, fotografias etc.

3. Oficina de Registro e documentário - 9h/a (30 vagas)
Período: 30 nov e 01 e 02 dez - 14h às 17h
Ensina os princípios básicos de documentário, com cobertura do Seminário no Cabeças de Papel 3: "Um zine na mão e uma câmera na cabeça".
Pré-requisito: ter realizado algum curso de audiovisual.

4. Memória em Quadrinhos e Diário Gráfico - 9h/a (30 vagas)
Período: 30 nov e 01 e 02 dez - 14h às 17h
Capacita a prática de desenhos, com a produção de quadrinhos autobiográficos, como conteúdos dos diários gráficos criados.
Pré-requisito: Ter afinidade com a prática do desenho.

Para se inscrever em qualquer uma das oficinas acima, basta trazer a cópia do RG, cópia do comprovante de residência e ter entre 15 e 29 anos.

Caso você esteja acima da faixa etária, poderá participar das oficinas como ouvinte.

As vagas são limitadas!

CUCA Che Guevara
Av. Pres. Castelo Branco, 6417, Barra do Ceará - 60312.060

Contato:
Comunicação Popular
Instituto CUCA

(85) 3237 4223/ ramal 216

"O Mundo Coberto de Penas", crônica de Pedro Salgueiro para O POVO


O sujeito vai envelhecendo e, crente de que a velhice por si só vai lhe dando sabedoria, passa a criar para si inúmeras (e inúteis) teoriazinhas. Uma delas, e das mais bestas, me assegura que os amigos e familiares se dividem em dois grupos distintos e opostos: O dos que adora o fim de ano – são os “puros de espírito”, os que tiveram uma infância feliz, os que sentem saudades de tudo (especialmente da meninice); estes mal veem chegar o novembro e já adquirem um estranho brilho nos olhos, riem (e choram) por qualquer coisa, ficam mais pacientes e ternos, passam a se preocupar com coisas bobas, como lavar o cachorro, fazer listas de presentes. Mas não só isso: revivem o ano todo de modo mais otimista: fazem balanços, estilam promessas, enfim, escrevem de letra vermelha na agenda frases edificantes que sugerem a si e ao mundo que se tornarão pessoas melhores e mais felizes. O segundo grupo detesta qualquer rito de passagem, seja ele religioso ou mesmo o da mera marca do calendário – são os de “almas pesadas”, os que carregam nos ombros o peso do mundo, os que têm aftas no coração: estes só veem interesses comerciais nas mil luzinhas de Natal em cada janela de subúrbio, apenas vislumbram hipocrisias nos cumprimentos risonhos e nos apertos de mão entre vizinhos e colegas de trabalho: repassam em suas mentes as infinitas mazelas do ano que passou, as inúmeras tristezas que carregam no coração, as matrículas do colégio dos filhos, o negrume que a luz deixa por trás de qualquer objeto.

E para tornar mais baratas as muitas teoriazinhas que me povoam a desocupada cabeça chego rapidamente à conclusão de que o mundo se divide entre os otimistas e os pessimistas.

***

Entre os bobões românticos e os chatos realistas.

***

Entre os Fabianos e as Sinhás Vitórias. Entre as Cachorras Baleias e os Soldados Amarelos*.


* Referências a personagens do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, que inicialmente se chamaria O Mundo Coberto de Penas.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Lançamento "Ceará Escrito à Luz", de Francisco Souza, no MAUC (24.11)


Clique na imagem para ampliar!

Ceará Escrito à Luz, do fotógrafo Francisco Souza, é um dos ganhadores do
Prêmio Literário para Autor(a) Cearense da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará - 2010
Prêmio J. Ribeiro, Álbum/Livro de Arte.

Lançamento "O Mar e a Palavra", de Arminda Serpa, Livraria Lua Nova (24.11)

Clique na imagem para ampliar!

O Mar e a Palavra, de Arminda Serpa, é um dos ganhadores do
Prêmio Literário para Autor(a) Cearense da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará - 2010, 
Prêmio Caetano Ximenes Aragão, POESIA.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Lançamento "História MIS", do Museu da Imagem e do Som do Ceará (24.11)


Lançamento
Data: 24 de novembro de 2011, às 10h (quinta-feira)
Local: Auditório do Museu da Imagem e do Som do Ceará (Av. Barão de Studart, 410, Meireles)
Fone: (85) 3101.1207

O que é o História MIS?

É um projeto do MIS-CE que pretende ser o elo entre o passado e o futuro, através do presente, mostrando valorosas entrevistas distribuídas em 4(quatro) livros. São 23 (vinte e três) contemplados, entre historiadores, filósofos, coreógrafos, poetas, escritores, pesquisadores, radialistas, jornalistas, cantores, atores, dramaturgos e demais profissionais. Os relatos de momentos importantes de nossa história feitos pelos protagonistas dos acontecimentos, os documentários de cunho biográficos que acompanham estas publicações, as ilustrações dos acervos guardados pelos próprios depoentes, tudo isto, faz desta obra um trabalho histórico de alto valor.

Publicações Histórias MIS com entrevistas e documentários biográficos em DVD:
Volume 1: Angela Gutiérrez, Gilmar de Carvalho, Christiano Câmara, Flávio Sampaio e Ricardo Guilherme
Volume 2: Pedro Salgueiro, Sérvulo Esmeraldo, Oswald Barroso, Tom Barros, Dora Andrade e Virgílio Maia
Volume 3: Batista de Lima, Zenilo Almada, Linhares Filho, Manfredo de Oliveira, Narcélio Limaverde e Pedro Alberto
Volume 4: Augusto Borges, Ary Sherlock, Ayla Maria, Horácio Dídimo, J.C. Alencar Araripe e Murilo Martins

Secretaria da Cultura do Estado do Ceará
Museu da Imagem e do Som - MIS

domingo, 20 de novembro de 2011

Lançamento "A Tela Prateada", de Ary Bezerra Leite, na Livraria Cultura (21.11)


A Tela Prateada:
cinema em Fortaleza – 1897 a 1959
Do cinematógrafo aos anos 50
de Ary Bezerra Leite

Série Memória da Coleção Nossa Cultura da
Secretaria da Cultura do Estado do Ceará

Data: 21 de novembro de 2011 (segunda-feira)
Horário: 19h
Local: Livraria Cultura (shopping Varanda Mall, av. D. Luiz, 1010, Meireles)
Apresentação da entrevista-palestra com o autor: Raymundo Netto (coordenador editorial da SECULT)
Mediação: Socorro Acioli, jornalista e escritora.

Sobre a obra: Vasta pesquisa sobre a história de cinema cearense, A Tela Prateada traz informações, além de textos de jornais, reclames, histórias curiosas, ilustrações, programações e tudo no estilo do grande pesquisador e cinéfilo Ary Bezerra Leite. A Tela Prateada, desde já, é referência obrigatória para quem quer conhecer a trilha do nosso cinema. Imperdível o livro e esse encontro com o seu adorável autor.

Sobre o Autor: Ary Bezerra Leite foi redator e diretor artístico das emissoras Rádio Iracema e Rádio Uirapuru de Fortaleza, assessor da Rádio Assunção, redator de cinema no jornal Gazeta de Notícias e colaborador em O Povo. Foi diretor do Cine Clube de Fortaleza, membro fundador do Cine-Clube EBAP (Rio de Janeiro) e da Federação de Cine-Clubes do Rio de Janeiro. Formado pela Escola Brasileira de Administração Pública, da Fundação Getúlio Vargas (RJ), com especialização na École Nationale d'Administration - ENA, Paris, e mestrado na University of South Dakota. Exerceu cargos de direção na Universidade Estadual do Ceará, Secretaria de Educação, da Cultura e da Administração do Estado do Ceará, dentre outros, e integrou o Conselho de Cultura do Estado. É membro da Academia de Ciências Sociais do Ceará, desde 1988. Foi homenageado durante o V Cine Ceará - Festival Nacional de Cinema e Vídeo, em 1995. Recebeu a comenda "Prêmio Patativa de Arte e Cultura", concedido pela Prefeitura Municipal de Fortaleza / Fundação de Cultura, Esporte e Turismo - FUNCET, em 2002, a medalha dos 30 Anos da UECE, na modalidade de Mérito Educacional, em 2006, e a Comenda Adhemar Albuquerque, da Associação Cearense de Cinema e Vídeo, por serviços prestados ao Audiovisual Cearense, em 2008. É autor de Fortaleza e a Era do Cinema, vol I :1891-1931 (Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará) entre outros.

Apoio Cultural
Secretaria da Cultura do Estado do Ceará
Livraria Cultura



sábado, 19 de novembro de 2011

"I Feira da Rota das Especiarias", aberta aos escritores (25.11)


A fotossíntese arte-comunicação [http://www.fotossintese.com.br/], 
sob coordenação da poeta e produtora Katiusha de Moraes
autora de, Fábrica de Asas, apresenta:

I Feira da Rota das Especiarias [http://www.rotadasespeciarias.art.br/
na próxima sexta-feira, 25 de novembro, a partir das 18 horas, na praça Gentil Barreira, 
na 13 de Maio (Nova Praça da Gentilândia, em frente ao "Cantinho Acadêmico").


Lançamento do livro Temperos Literários – Antologia,
organizado por Katiusha de Moraes, Carlinhos Perdigão e Mardônio França, 
a partir das oficinas ministradas a estudantes das escolas estaduais de Ensino Médio em Messejana, Cidade 2000 e Benfica.

Haverá debates, exposição de vídeopoemas, show musicais,
performances poéticas e jam poesia.

Qualquer escritor poderá participar da Feira, comercializar e divulgar suas obras literárias.
Participe, traga o seu tempero!
Inscreva-se por meio do endereço:
http://www.calameo.com/books/000996320ec6712ef1474

Prazos para envio de inscrição:

* 1ª feira: Nova Praça da Gentilândia - até 22 de novembro.
* 2ª feira: Praça Central de Messejana - até 29 de novembro.
* 3ª feira: Praça da Av. Flamboyant (Cidade 2000) - até 06 de dezembro.

Após o prazo de inscrição, os participantes serão informados sobre as normas e horários dos eventos.

Duvidas? Envie email para: rotasliterarias@gmail.com




"Nossa História, Nossos Autores", antologia da Scortecci, abertas inscrições


Antologia de Poesias, Contos e Crônicas
Nossa História, Nossos Autores
Edição Comemorativa dos 30 Anos da Scortecci

Estão abertas as inscrições de participação na Antologia Nossa História, Nossos Autores - Edição Comemorativa dos 30 anos da Scortecci.

Participação:
200 (duzentas) vagas, em dois volumes, com até 400 páginas cada, ou a data limite de 30 de novembro de 2011, o que completar ou atingir primeiro.

Características da obra:
Formato 14 x 20,7 cm, capa 4 cores (papel supremo 250 gramas), miolo papel 75 gramas offset branco, com ISBN e Ficha Catalográfica.

Regulamento:

A antologia será editada em ordem alfabética por nome de Autor, que poderá usar ou não nome literário.
O tema é livre. Não há obrigatoriedade de ser inédito. Não é concurso e todos os participantes terão seus trabalhos publicados.
Poderão participar escritores residentes ou não no Brasil. Os trabalhos deverão ser em língua portuguesa (de acordo com a nova ortografia), o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto.
O Autor poderá participar com poesias, contos e crônicas, desde que o número de páginas não ultrapasse o limite máximo de 4 (quatro) páginas. O número mínimo é de 2 (duas) páginas.
Na página de abertura de identificação de cada Autor constará uma mini-biografia de no máximo 8 (oito) linhas, com aproximadamente 500 caracteres.

Taxa de Participação:
02 páginas - Preço R$ 300,00 - 2 parcelas de R$ 150,00 - 10 exemplares
03 páginas - Preço R$ 450,00 - 3 parcelas de R$ 150,00 - 15 exemplares
04 páginas - Preço R$ 600,00 - 4 parcelas de R$ 150,00 - 20 exemplares
Cada autor receberá 5 (cinco) exemplares da obra por página.

Forma de Pagamento:
Boletos bancários conforme o número de parcelas.
A Scortecci fará uma pré-diagramação do material enviado e enviará orçamento para aprovação e posterior emissão dos boletos. Não haverá reserva de vagas. Não haverá cessão de direitos autorais, ou seja, os trabalhos continuarão pertencendo a seus autores.
Os Autores responderão sobre plágio, publicação não autorizada, calúnia, difamação ou não autoria da obra, isentando a Scortecci Editora de crime de direito autoral.
Cada Autor receberá por e-mail, para revisão, cópia da composição de seus trabalhos que, uma vez revisados, deverão ser assinados, datados e liberados para impressão. Os textos não devolvidos no prazo estipulado serão impressos conforme cópia do arquivo digital postado no ato da inscrição.
Autores de São Paulo (capital) e Grande São Paulo deverão retirar seus livros de direito na editora após o lançamento, no prazo de até 30 dias.
Autores do interior de São Paulo e outros estados receberão seus exemplares pelo correio, via encomenda normal (PAC), no endereço indicado na ficha de inscrição, no prazo de até 30 dias do lançamento.
Autores residentes fora do Brasil deverão fornecer um endereço no Brasil para recebimento dos livros prontos. Não serão enviados livros para o exterior.

Inscrições somente pela Internet (saber mais detalhes no site da Editora).

 A antologia será lançada em São Paulo, capital, no mês de agosto de 2012, no estande da Scortecci, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo.
Os Autores inscritos poderão ou não participar do evento de lançamento da obra. Para os interessados na seção de autógrafos, a Scortecci providenciará convites, ingresso e e-mail marketing para divulgação.
Ao fazer sua inscrição, o Autor estará de acordo com todas as regras e valores deste regulamento de participação.

Sobre a Scortecci:
A Scortecci nasceu em agosto de 1982, uma sexta-feira 13, na Galeria Pinheiros, loja 13, na Rua Teodoro Sampaio, em São Paulo, Capital. Edita, imprime e comercializa livros em pequenas tiragens. Possui gráfica própria, livraria, três selos editoriais (Scortecci, Fábrica de Livros e Pingo de Letra) e mais de 50 colaboradores. Em sua história, conserva os mesmos objetivos e propósitos desde a sua fundação: publicar livros, organizar concursos e prêmios literários, realizar recitais e eventos culturais, organizar antologias, promover o conhecimento através de cursos e palestras e fomentar o mundo literário e cultural. Ao longo de sua existência, a Scortecci foi laureada com os mais importantes prêmios literários brasileiros: Jabuti, APCA, ABL e FBN. A sua história está sendo escrita pelos seus autores e suas obras. Razão e essência de sua existência.

Mais informações:
scortecci30anos@scortecci.com.br
Telefones: (11) 3032.1179

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Leitura Mundial de obras do Heinrich von Kleist no Armazém da Cultura



A Casa de Cultura Alemã/UFC e o Armazém da Cultura participarão na leitura mundial de obras do autor Heinrich von Kleist (Frankfurt an der Oder, 18 de Outubro de 1777 – Berlim-Wannsee, 21 de novembro de 1811), que cometeu suicídio aos 34 anos de idade.

Local: Armazém da Cultura (Rua Jorge da Rocha, 154, Aldeota, Fortaleza)
Data: 21 de novembro de 2011
Horário: 16 às 19 h
A leitura em Fortaleza conta com os seguintes representantes:
Artistas do Teatro Máquina, Fortaleza sob a direção de Fran Teixeira
Maria Rejane Reinaldo, pesquisadora da UFBA
Tiago Moreira Fortes, ator e professor no Curso de Licenciatura em Teatro – UFC

Certificado: 4 horas/aula
Inscrições solicitadas: cca@ufc.br e 3366 7643

Importante: devido ao prazo exíguo, será possível também a inscrição no local.


Sobre o Evento: O Festival Internacional de Literatura de Berlim (Internationales Literaturfestival Berlin) e a Sociedade Heinrich von Kleist (Heinrich-von-Kleist-Gesellschaft) incentivaram essa leitura no mundo inteiro com obras deste escritor importante. Atualmente constam 137 cidades no mapa do mundo que participarão do projeto, mais detalhes: http://www.heinrich-von-kleist.org/wwrd/

Sobre von Kleist: Hoje, Heinrich von Kleist é visto como uma figura moderna que, na virada do século 1800, vivenciou as mudanças políticas e sociais da Alemanha e, apesar de ser oriundo de uma família de nobres sempre teve condições de vida muito instáveis. A partir das crises vivenciadas ele desenvolveu as suas ideias e os seus projetos de vida que sempre foram revistos e renovados.

O pensamento de reformar as sociedade e os seus experimentos literários andam paralelamente. Já com 15 anos ele entra no exército prussiano e sai dele quando acabou de adquirir o grau de tenente. Ele cursa filosofia, física, matemática e ciências do estado na sua cidade natal Frankfurt (Oder) e se interessa durante a sua vida toda por técnica, educação e administração.

Kleist foi um nômade, teve várias residências, e durante a sua vida viajou. Nas suas obras narrativas literárias e no teatro ele se destaca por seus antagonismos, tanto na representação das relações humanas e do seu fracasso como também no seu desejo da criação radical de formas. Os protagonistas do Kleist não refletem, não são ensimesmados, eles agem e fracassam na realidade e, até hoje, isso torna atraente as obras de Kleist para os seus leitores no mundo inteiro.

Kleist foi versátil em muitas áreas e compulsivo, ele desejava a felicidade e mantinha um ideal que consistia na sua realização como escritor autônomo, e isso o incentivou. Ele almejava a fama que durante a vida não obteve, como também desejava um ponto fixo na sua vida que apenas encontrou numa “alegria indizível” no seu suicídio encenado.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

"Domingo", de Raymundo Netto para o Vida & Arte de O POVO (16.11)



Domingo. Onze horas. Como se marcada hora, barulhentos, acabavam de chegar. Enfileiravam-se à grade branca entreaberta por saudações breves, tomadas de rostos, beijos vãos. As netinhas em cabelos de rabos de cavalos, à frente e com solicitação do pai, apresentavam as bonecas, imediatamente esquecidas diante da tevê na sala.

Os filhos, genros e noras, à cozinha, traziam nos olhos indisfarçáveis traços da preguiça ou da curtida noite alta. Colhiam jornais e a correspondência desviada, cumprimentavam o pai a levantar sorridente da cama — sem omitir saudades — e a mãe a empunhar flores do quintal; puxavam os bancos para o oitão — área mais ventilada — enquanto outros vasculhavam a geladeira em busca das guloseimas que lá já não estavam desde a meninice.

Hora do almoço! Todos tomavam seus lugares, os mesmos e respeitados lugares, pequenas hierarquias. O avô se deliciava à larga cabeceira da mesa de pinho feita à encomenda para caber a família. A avó não sentava enquanto todos não estivessem fartos.

Uma mulher, por trás do balcão americano, com olhos postos à pia no manejo da asa de uma caneca tomada em sabão, ouvia tudo, sabia de tudo, analisava-os, percebia-lhes as mentiras, as vaidades, a disputa entre irmãos pelo amor filial, e assim costumavam seus domingos: fazer o almoço, os pratos de um e de outro, mais pratos, a sobremesa com um doce especial, a correria da criançada a pedir-lhe tudo, sem reconhecê-la nunca, sequer chamar-lhe o nome, e outros pratos. Depois disso, só solidão e silêncio. Notava-se velha e acabada. Não dava mais conta. Sabia-se apenas para servir. E só!

Num domingo diferente, postou-se à cabeceira por trás do avô. Pediu as falas com um sorriso quase terno, a espanar no ar o pano de prato. Na voz rouca e analfabeta desalinhou segredo: pôs veneno! Daquele macarrão tradicional de família, tudo acabaria ali e agora. Pronto era só isso. Desculpassem, mas não ‘guentava mais.

O jovem pai despertou. Correu desesperado por um corredor de soluços, vômitos e gritarias sufocadas em busca das filhas. Na sala, suas menininhas, felizes, limpavam com o bracinho rechonchudo o sorriso lambuzado do molho gostoso, receita da vovó.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

"Vida" (Chico Buarque), momento self-remember do AlmanaCULTURA



Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Deixei a fatia
Mais doce da vida
Na mesa dos homens
De vida vazia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz

Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Verti minha vida 
Nos cantos, na pia
Na casa dos homens
De vida vadia
Mas, vida, ali
Quem sabe, eu fui feliz

Luz, quero luz,
Sei que além das cortinas 
São palcos azuis
E infinitas cortinas
Com palcos atrás
Arranca, vida
Estufa, veia
E pulsa, pulsa, pulsa,
Pulsa, pulsa mais

Mais, quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
Que os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca, vida
Estufa, vela
Me leva, leva longe
Longe, leva mais

Vida, minha vida
Olha o que é que eu fiz
Toquei na ferida
Nos nervos, nos fios
Nos olhos dos homens
De olhos sombrios
Mas, vida, ali
Eu sei que fui feliz